A EMPRESA VOLTADA PARA O CLIENTE
“Fui comprar um pneu na Rede
X, o preço estava ótimo e o atendimento também!”
“Liguei para a empresa Y e queria falar com Fulano. Me
deixaram mais de quinze minutos esperando e ainda tive que ouvir
aquela musiquinha chata”. O que as duas frases tem em
comum é o atendimento. Muitas vezes até fazemos
questão de pagar mais por um produto ou serviço,
quando o atendimento é excelente. Ninguém liga
para uma empresa querendo ouvir uma musiquinha. Querem conversar
com uma pessoa, com alguém! Uma boa receita (a idéia
é simples, difícil é executar...), é
quando conseguimos aliar ótima qualidade, baixo custo
e ótimo atendimento.
Sobrevivência.
Na luta pela sobrevivência, muitas empresas empenham-se
em melhorar a qualidade de seus produtos e serviços,
mas esquecem-se de dar atenção ao atendimento
pessoal do cliente.
A qualidade e o preço dos produtos/serviços das
empresas tendem a se igualar, e é onde entra a importância
de tornar o atendimento o diferencial entre uma e outra, o “algo
mais”.
Uma empresa onde o esforço de seus recursos humanos é
centrado no cliente externo, deve estar devidamente estruturada
internamente.
Isto significa que os clientes internos da empresa, ou seja,
os seus integrantes, devem trabalhar extremamente motivados
e em conjunto. De nada adianta definir o cliente externo como
“Rei”, se os membros da empresa não recebem
o mesmo tratamento dispensado ao cliente externo. É só
uma questão de tempo para haver um colapso!
Atender bem é uma filosofia de trabalho, de vida. De
nada adianta o “chefe-capataz” decretar: “A
partir de hoje todos que tiverem contato com o cliente externo
terão que ser educados, solícitos, etc, etc.”
Como um colaborador da empresa vai poder “encantar o cliente,
superando as suas expectativas com relação ao
produto/serviço”, se ele come mal, veste-se mal,
mora mal, não tem acesso à educação
e à saúde? Como?
Não existe receita milagrosa para tal mal. Pesquisas
recentes demonstram que vale a pena investir na qualidade de
vida e na saúde dos funcionários.
Os números nos Estados Unidos são animadores (segundo
o livro Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho, dos médicos
Marco Aurélio Dias da Silva e Ricardo De Marchi):
- A DuPont reduziu em 14% as faltas por doença;
- A NASA aumentou em 12,5% a produtividade, porque as pessoas
chegavam ao final do dia menos cansadas;
- A General Electric reduziu em 38% os custos de assistência
médica num período de 18 meses.
No Brasil, a Shell (que adota padrões americanos para
validar seus programas de qualidade de vida e apoio psicológico),
estima que para cada dólar investido obtém retorno
de quatro.
Simbiose. A empresa,
quando trata o seu colaborador como um legítimo parceiro,
trabalha em regime de “simbiose” (do grego symbiosis,
que significa: vida em comum de dois organismos de espécies
diferentes, na qual há benefícios recíprocos;
vida em comum). É uma clara lição que a
Natureza nos dá!
Essa “simbiose” permite, por exemplo, que o colaborador
possa ter um plano de assistência médica patrocinado
pela empresa, que no seu local de trabalho exista um banheiro
limpo e adequado às suas necessidades, que a empresa
forneça refeições em seu restaurante, evitando
que o funcionário tenha que trazer uma marmita de casa
todos os dias...
Indo mais além, que o colaborador passe a ter participação
nas decisões que o afetam, que seja tratado como gerente
de seu processo, com autoridade sobre o mesmo e responsável
pelos produtos/serviços que gera (não delegando
esta responsabilidade ao “Controle de Qualidade”
da empresa). Nesse caso, o Controle de Qualidade da empresa
nada mais está fazendo que exercendo uma função
de capatazia sobre os funcionários! Quem gera o produto
ou serviço? O Controle de Qualidade? Não, quem
gera a riqueza é o funcionário, muitas vezes despreparado
para exercer a sua função. Mas, despreparado por
quê?
Indicadores. Empresas
voltadas para o cliente devem possuir indicadores de desempenho,
sob a forma de ítens de controle, que expressem de forma
numérica, a evolução do processo.
Esses ítens de controle podem ser divididos em Qualidade,
Custo, Moral, Atendimento e Segurança (Q, C, M, A, S).
A melhor maneira de exprimir os resultados é através
de gráficos de controle.
Devemos nos lembrar de que só controlamos aquilo que
medimos.
Metas e métodos.
As metas podem ser estabelecidas pelo próprio gerente
ou a partir de diretrizes da alta direção da empresa.
O estabelecimento de metas deve ser efetuado a partir da análise
dos resultados do ano anterior. Então devem ser definidos
os procedimentos (métodos) a serem seguidos para o cumprimento
das metas.
Padronização.
A padronização é necessária para
assegurar a manutenção de um processo, ou seja,
tornar previsíveis os seus resultados (produtos ou serviços).
O Procedimento Operacional Padrão (P.O.P.) visa padronizar
uma tarefa, de modo que todos executem a mesma tarefa, conduzindo-a
da mesma maneira.
Solução de problemas.
Cada funcionário deve ser um exímio solucionador
de problemas, já que é o dono de seu processo.
Ele deve atacar as causas do problema e eliminá-las,
e para isso deve ser treinado em métodos de solução
de problemas.
Implantação
do “5S”. O “5S” promove o aculturamento
das pessoas a um ambiente sem desperdícios, organizado,
limpo, higiênico e disciplinado, que são fatores
importantes à elevada produtividade.
Educação e treinamento.
A educação e treinamento permanentes dos funcionários
devem ser os agentes de mudança da empresa, de modo que
ela possa enfrentar uma economia globalizada e garantir a sua
sobrevivência.
Segundo uma pesquisa publicada na
Harper´s Magazine, em 1986, se você estiver satisfeito
com a compra de um produto, contará a outras 8 pessoas.
Se você estiver descontente, contará para outras
22 pessoas! Produtos ou serviços ruins lembram o cliente
(consumidor) para que mudem de marcas na próxima vez.
Um outro estudo realizado pela Technical Assistance Programs
revela que de cada 27 clientes que experimentaram um mau serviço,
26 não reclamam (eles consideram que reclamar será
desgastante e perda de tempo). Daqueles que decidem reclamar,
sómente um em cada dez volta como cliente.
Os estudos anteriormente citados devem ser levados em consideração,
uma vez que em geral conquistar um novo cliente custa 5 a 6
vezes mais caro, do que manter um cliente existente.
Matthias R. Reinold