QUALIDADE DEPENDE DE EDUCAÇÃO E TREINAMENTO

A mídia está
repleta de anúncios de novos produtos, cada um prometendo
maiores vantagens que o outro e o consumidor fica sem saber
qual produto é o mais adequado ao seu uso pessoal.
Máquinas de lavar com diversas programas, aparelhos de
vídeo e DVD com controles que mais parecem painéis
de controle do ônibus espacial, microondas com um sem-número
de funções, automóveis com sensores que
os mantém funcionando com toda a segurança. A
lista é interminável.
A evolução
da tecnologia é tão rápida que está
cada vez mais difícil acompanhá-la. Cada vez mais
percebe-se que para atingirmos determinado nível de desenvolvimento
devemos investir muito na educação e treinamento
dos profissionais da empresa.
A educação formal deve ser a maior possível,
mas isto não significa necessariamente que a pessoa esteja
habilitada a exercer bem a sua função. O diploma
nada mais é do que um certificado, já que o profissional
depende de suas experiências acumuladas nos vários
empregos e funções. As empresas exigem cada vez
mais menos conhecimento técnico e mais flexibilidade,
criatividade e capacidade de trabalhar em equipe.
É muito difícil
alguém progredir profissionalmente se não se atualizar
constantemente através da leitura de jornais, revistas
e livros (de boa qualidade!), pois a construção
do conhecimento exige a palavra impressa. Os meios eletrônicos
(TV, por exemplo) não permitem o aprofundamento do conhecimento,
ainda mais pelo baixo nível dos programas oferecidos.
Em dados coletados
recentemente pelo Ministério da Educação,
com os alunos que realizaram o provão, verificou-se que
apenas 28% dos futuros médicos, por exemplo, lêem
um único livro não escolar durante o ano. Só
40% dos estudantes de direito, administração e
economia consultam diariamente o jornal e a média para
todos os cursos é de 23%.
Vivemos na era da
informação, onde é necessário a
aprendizagem permanente. Infelizmente, a reciclagem ainda é
vista por uma grande parcela das empresas como “custo”
e “perda de tempo”, e não como investimento!
O ser humano é a base de qualquer empresa, pois projeta,
constrói, opera, mantém e por último desmonta
as máquinas, equipamentos e instalações.
Nas empresas, funcionários
que não recebem treinamento freqüentemente não
apresentam o rendimento adequado e não executam suas
atividades a contento. Sua chefia pensa em demiti-los, achando
que estão “fazendo corpo mole”. Na grande
maioria das vezes, esses funcionários não receberam
nenhum tipo de treinamento formal desde o momento em que foram
admitidos.
Por outro lado, funcionários que demonstram dominar perfeitamente
a sua atividade e estão motivados recebem várias
horas de treinamento formal por ano (treinamento na função
- on the job training).
Como fazer
Para que possamos
promover mudanças numa empresa é necessário
adquirir conhecimento - conhecimento mental a partir da educação.
Em seguida devemos ensinar às pessoas a aplicar esse
conhecimento na prática, imediatamente.
O treinamento das pessoas deve ser feito no local de trabalho,
pessoa a pessoa. Apenas a prática do conhecimento agrega
valor, ou seja, promove mudanças.
Todo programa de educação e treinamento deve ser
baseado no lema “educar, treinar e fazer”. Se a
educação e treinamento das pessoas exige um esforço
enorme, só deveremos fazê-lo quando diante de uma
necessidade evidente proveniente de necessidades da empresa.
Devemos educar e treinar o ser humano ao longo de toda a sua
vida (de forma contínua e planejada), já que ocorrem
limitações de tempo. Baseado no fato de que é
difícil educar e treinar, devemos manter na empresa as
pessoas hábeis nas atividades necessárias à
sobrevivência da mesma.
Quanto mais qualificada
a mão-de-obra, maiores as chances de se atingir e manter
determinado padrão de qualidade dos produtos e serviços.
A importância de se uma equipe treinada pode ser ilustrada
por uma pesquisa realizada no Japão, que revela que dos
problemas relacionados pelo pessoal de base (operadores) de
determinada empresa (100% dos problemas), somente 4% eram conhecidos
pela alta administração, apenas 9% pelos gerentes
e 74% pelas chefias imediatas.
A competição de um mundo globalizado - em constante
mutação - exige pessoas que inovem, capazes de
aprender sempre, e também criativas, que encontrem soluções
para novos problemas.
O pessoal de base
deve ser treinado para reconhecer anomalias (não-conformidades
= problemas) e relatá-las. O treinamento dos operadores
é baseado em padronização (Procedimentos
Operacionais e Manuais de Treinamento). Os supervisores devem
treinar os operadores quanto aos Procedimentos Operacionais
e devem ser treinados para resolver problemas.
O gerente, por sua vez, deve treinar os seus colaboradores imediatos
(quanto mais competentes forem, mais tempo o gerente terá
para planejar e resolver problemas).
Uma das grandes dificuldades
no desenvolvimento de programas de treinamento organizacional
é começar “de cima para baixo” (top
down). Com freqüência a cúpula da empresa
aprova o orçamento e ao mesmo tempo se exclui do processo
de treinamento. As alegações são variadas,
tais como “não tenho tempo”, “tenho
que resolver uma crise”, “esse assunto já
é conhecido”, etc.
Por trás dessas alegações pode estar o
medo de se expor, de parecer mais desatualizado que os seus
subordinados e o receio de ser confrontado por um dos membros
do grupo. Vários métodos podem ser utilizados
para minimizar esta “aversão ao treinamento”,
tais como treinamento só para presidentes/diretores,
treinamento individual, treinamento interativo com microcomputador,
leituras dirigidas, treinamento no exterior, etc.
Matriz de treinamento
Para elaboramos uma
matriz de treinamento devemos proceder um levantamento de necessidades,
que compreende em verificar quais são as carências
da mão-de-obra e fornecer soluções (contramedidas)
que se materializem sob a forma de treinamento.
O treinamento deve ser sempre dirigido para a função
do colaborador (deve agregar valor ao que ele faz), e não
sobrecarregá-lo com informações desnecessárias,
que nunca serão utilizadas!
Uma matriz de treinamento pode se apresentar da seguinte maneira:
| CURSO
(O que) |
JUSTIFICATIVA
(Porque) |
MÉTODO
(Como) |
LOCAL
(Onde) |
PARTICIPANTE
(Quem) |
QUANDO
(Data/hora) |
| Liderança
Situacional |
Necessidade
de qualificar a equipe |
Palestra
com recursos audio-visuais |
Auditório
B |
Fulano |
20.2.2000
10:00-12:00
h |
| Boas
Práticas de Fabricação |
Aumento
da qualidade do produto/serviço |
Palestra
e filme |
Auditório
A |
Beltrano |
25.7.2000
15:00-17:00
h |
O
treinamento não deve enfatizar apenas o aspecto técnico,
mas abordar também o aspecto comportamental. Devem ser
introduzidas matérias que tratem especificamente do lado
humano do ser humano, que dão real motivação
às atividades de criação e produção.
Por isso, quando numa organização,
os próprios executivos, gerentes e supervisores dão
o exemplo, por meio de um tratamento diferenciado a seus colaboradores,
cria-se um ambiente em que eles se sentem tão bem, que
automaticamente estendem o tratamento e atenção
recebidos aos clientes externos.
O ditado de que “a prática
faz o mestre” é verdadeiro, pois o ser humano demanda
tempo para assimilar conceitos e colocá-los em prática.
A educação e o treinamento das pessoas deve ser
feito de tal forma que se transformem “nos melhores do
mundo” naquilo que fazem.
Matthias R. Reinold