PÁGINA PRINCIPAL

CONTATO
Receba nosso Newsletter:
CERVESIA
Quem somos
Equipe
Clientes
Parceiros
Contato
Produtos e serviços Cervesia
Livros
E-books
Palestras, Cursos e treinamentos
Consultoria & Assessoria
Classificados
Máquinas, equipamentos e instalações
Matérias-primas e insumos
Currículos
Vagas
Fórum
Cerveja
O Mestre Cervejeiro
História da cerveja
Tipos de cerveja
Receitas de cerveja
Dicionário cervejeiro
Cerveja & Saúde
Cerveja & Hobby
Cervejeiros Caseiros
Colecionadores
Tecnologia cervejeira
Água
Malte
Adjuntos
Lúpulo
Sala de cozimento
Fermentação e maturação
Filtração
Envasamento
Embarrilamento
Logística
Estabilização da cerveja
Laboratório
Tratamento da água
Tratamento de efluentes
Cervejaria e o meio ambiente
Inovações tecnológicas
Microcervejarias
Equipamentos e instalações
Processo
Notícias
Gastronomia
Combinações com cerveja
Receitas com cerveja
Instalações de chope
Copos adequados
Mercado cervejeiro
Dados estatísticos
Lançamentos e tendências
Legislação
Notícias de mercado
Gestão & Negócios
Qualidade
Gestão empresarial
Feiras e Eventos
Agenda
Cobertura
Pesquisa
Sites
Publicações
Imprensa
Downloads
 

A limpeza e desinfecção na prática

A superfície de determinado equipamento pode aparentar estar limpa, mas na verdade ainda estar coberta por produtos químicos prejudiciais e microrganismos danosos.
Limpeza é um conceito com vários elementos:
- Fisicamente limpo significa que o objeto aparenta estar bem visualmente.
- Quimicamente limpo significa que todos os resíduos de produto, detergente (ou qualquer outro composto químico) foram removidos.
- Desinfetado significa que todas as bactérias patogênicas (e a maioria dos outros microrganismos) estão mortos ou ausentes.
- Esterilizado significa que não resta nenhum microrganismo vivo.
Na indústria cervejeira, a limpeza manual, cuja eficácia depende exclusivamente da confiança depositada no pessoal, foi substituída pelo processo C.I.P. (Cleaning in Place).
As vantagens da limpeza e desinfecção pelo sistema C.I.P. são a documentação de todo o processo (segurança operacional), economia de energia, economia de água e produtos químicos e economiza também custos (elevados) com laboratório.
O planejamento e montagem de um sistema C.I.P. deve ser feito por firmas especializadas, já que cada ciclo de limpeza pode ser radicalmente diferente, dependendo do processo e equipamento.
O dimensionamento adequado principais características dos tanques de produtos químicos, bombas, tubulações, spray-balls, sondas, válvulas, integração do programa ao restante do processo, grau de automação etc, deve também ser levado em conta.

Os tanques, tubulações, válvulas, bombas e acessórios devem ser de aço inoxidável AISI 304 ou AISI 316. O polimento (acabamento) deve ser sanitário, que exige rugosidades menores que 0,8 mícrons na superfície dos equipamentos e menores que 1,6 mícrons nas soldas.
As soldas efetuadas na montagem dos equipamentos devem ser tão resistentes à corrosão como o material base. Ao soldar, deve-se manter o oxigênio atmosférico afastado do cordão (de solda).
Isto pode ser obtido criando-se um ambiente com gás inerte (argônio). Na montagem onde o grau de exigência é maior, utilizam-se máquinas de solda automáticas móveis (solda orbital).

O aço inoxidável com as características anteriormente citadas possui boa resistência química contra todos os elementos de limpeza alcalinos e ácidos, nas concentrações usuais (com limitações para produtos que contenham ácido sulfúrico). Desinfetantes à base de hipoclorito (cloro ativo), de acordo com a concentração, temperatura e tempo de contato, podem provocar corrosão em profundidade (“pit corrosion”).
Quando do uso de produtos de limpeza que contenham cloro ativo deve-se evitar a mistura com soluções de limpeza ácidas.
Em tanques e equipamentos revestidos deve-se atentar para danos no revestimento (fissuras), que levam a corrosões provocadas por soluções de limpeza ácidas.
A resistência dos diversos revestimentos contra produtos de limpeza depende de sua composição química (resina epóxi, resina fenólica, resina epóxifenólica, revestimento vitrificado), e deve ser verificada junto ao fornecedor.
As juntas de vedação (O-Ring), por entrarem em contato com o produto (mosto e cerveja) devem ser de grau alimentício e resistir aos mais variados produtos químicos e temperaturas.


A tabela a seguir, descreve o material mais apropriado para cada produto químico:

Tipo de produto
Concentração (%)
Temperatura (?C)
Material (de acordo com ISO R 1629)
Alcalino (liquido ou pó)
1,5 – 4
até 140
EPDM
Alcalino-clorado/liq. 2,5 – 5 até 70 NBR, EPDM
Ácido fosfórico 2,5 – 5 até 90 NBR, EPDM
Ácido nítrico 2,5 – 5 até 50 EPDM
Ácido nítrico 2,5 até 90 Com restrições EPDM
Ácido nítrico 5 até 90 --
Cloro ativo (líquido) 0,5 até 60 NBR, CR, EPDM
Ácido peracético / H2O2 0,2 -1
até 90
NBR, EPDM

O quadro a seguir compara os termos ISO com os nomes comerciais de alguns polímeros:

Termo segundo ISO R 1629
Nome comercial
Materiais elásticos  
NBR
Perbunan
CR Neopren
FPM Viton
EPDM Buna AP
MPQ Borracha de silicone
Materiais termoplásticos
PTFE Teflon
PVC PVC
PA Nylon

As sujidades podem ser divididas em orgânicas ou inorgânicas. Toda sujidade orgânica deriva-se de material animal ou vegetal. São resíduos provenientes de óleos e gorduras, proteínas além de depósitos carbonizados e reticulados (filme de resina e lúpulo).
As sujidades inorgânicas são de origem mineral com sais e depósitos provenientes da água dura ou oxalato de cálcio (pedra cervejeira)
Os métodos típicos para se atuar na higienização de sistemas são os seguintes:
- Limpeza manual (esfregação)
- Limpeza por circulação (C.I.P.);
- Limpeza por imersão (banhos de acessórios);
- Limpeza por alta pressão (bomba lava-jato);
- Limpeza por espuma (formação por venturi ou ar comprimido)

Exemplos de detergentes e desinfetantes são dados na tabela a seguir:

Tipo de produto
Local de aplicação
Detergente alcalino (NaOH)
Equipamentos as sala de cozimento, tubulação de mosto, tanques e filtros
Detergente alcalino-clorado Limpeza de tanques de fermentação, maturação, pressão, tubulações, bombas, mangueiras.
Limpeza manual de peças e acessórios
Desinfetante à base de cloro ativo (hipoclorito, dióxido de cloro) Tubulações, tanques, enchedoras, zonas de enxágüe das lavadoras de garrafas e rinsers
Desinfetante à base de quaternário de amônia Banhos de acessórios e componentes, desinfecção externa de máquinas e equipamentos

Desinfetante à base de ácido peracético e peróxido de hidrogênio

Tubulações, bombas, tanques, filtros
Removedor ácido de pedra de cerveja
Retirada de oxalato de cálcio dos tanques e equipamentos
Detergente alcalino (espuma)
Limpeza de instalações (piso, parede, teto) e externa de equipamentos
Detergente ácido Limpeza de tanques OD de fermentação, maturação e pressão

O cloro ativo tem sido um dos desinfetantes mais utilizados. A vantagem reside no fato de que se trata de um agente microbicida que atinge um largo espectro.
A utilização do dióxido de cloro, produzido de ácido clorídrico e clorito de sódio, possui algumas vantagens sobre os outros produtos à base de cloro ativo:
- Ação microbicida mais forte e rápida;
- Menor poluição dos efluentes por formar menos ligações organo-halogenadas, como AOX (Adsorbierbare Organische Halogene), NPOX (Non Purgeable Organic Halogens), TOX (Total Organic Halogens) e trihalometanos.
- Menores concentrações de uso, o que significa maior economia e menores danos ao meio ambiente, assim os custos de aquisição para o gerador de dióxido de cloro (inclusive técnica de medição, controle e dosagem) são rapidamente amortizados.

Peróxido de hidrogênio e ácido peracético são conhecidos por uma alta ação bactericida (varia de acordo com a temperatura e concentração) e bem recebidos devido aos seus resíduos inofensivos.

O ácido peracético caracteriza-se pela sua rápida ação microbicida também a baixas temperaturas e pode ser classificado como um típico produto de desinfecção a frio.

As ligações à base de quaternário de amônia são os mais importantes representantes tensoativos catiônicos, que reagem de modo neutro e possuem uma ação microbicida de largo espectro. A sua vantagem está na atividade de superfície, que garante uma boa umectação. A desvantagem reside no fato de deixar resíduos por causa da absorção superficial devido à estrutura e a forte formação de espuma (quase não é utilizado em C.I.P.).

O presente artigo procurou dar uma visão básica do complexo processo de limpeza e desinfecção de instalações e equipamentos.

É necessário lembrar que não apenas o processo de limpeza e desinfecção é importante, mas também o projeto, a construção e a montagem dos equipamentos e instalações.

Muitas vezes, a montagem “in loco” de determinado equipamento ou instalação, efetuada por pessoas despreparadas e métodos inadequados, compromete diretamente a qualidade do produto.

Matthias R. Reinold

 

 



PÁGINA PRINCIPAL
principal
© 2003 – 2008 – CERVESIA – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
IR PARA O TOPO
topo