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O ácido tânico possui um teor mínimo de ácido tânico de 96%, teor máximo de ácido gálico de 0,5% e um teor máximo de umidade de 7%.
A vantagem da utilização do ácido tânico, em princípio, é a remoção dos compostos protéicos que mais tarde iriam formar complexos com os taninos, enquanto que outros compostos que contribuem para a estabilidade da espuma, que não são precipitados pelo tanino, permanecem sem serem afetados.
As frações proteicas que mais contribuem para a estabilidade de espuma são as que possuem peso molecular entre 10.000 e 13.000 (14.000) Daltons, e em menor escala as de 40.000 Daltons.
As frações proteicas responsáveis pela estabilidade coloidal possuem pesos moleculares acima de 30.000 Daltons até mais de 100.000 Daltons.

Tabela 1: Comparativo entre a estabilidade de espuma de diversas cervejas (100% malte):

Na tabela 1 pode-se observar que não há influência negativa sobre a espuma. Em alguns casos a espuma é melhor com o uso de ácido tânico devido à absorção de substâncias gordurosas pelos flocos de ácido tânico.

Tabela 2: Comparativo entre diferentes estabilizantes e a sua relação com a turbidez (EBC):

Na tabela 2 o teste forçado simula o envelhecimento acelerado da cerveja (6 dias a 60°C e 1 dia a 0°C). O teste com agitação é o mesmo teste forçado com mais uma semana de agitação, simulando o transporte.

O uso do ácido tânico permite melhorar a estabilidade organoléptica da cerveja através da redução de uma parte dos compostos sulfurosos (o ácido tânico reage especialmente com as proteínas ácidas e com os grupos NH2 e SH das proteínas e polipeptídeos), sem reduzir os polifenóis.

Esta redução do grupo SH das proteínas reduz a formação de mercaptanos (que produzem o “paladar de luz”). Por “paladar de luz” entende-se a degradação fotoquímica dos ácidos iso-alfa, que reagem com os grupos SH dos aminoácidos, formando 3-metil-2-buteno-1-tiol (prenil-mercaptano), que pode ser detectado na cerveja a partir de uma concentração de 32 ppb.

Tabela 3: Formação de SH e conteúdo total de enxôfre (S):

Como resultado da redução dos compostos de enxôfre (S) e SH na cerveja, a proteção contra o “paladar de luz” e evolução do paladar é maior e expressa em números reais.
Através da influência da luz, aumentam os mercaptanos e derivados; a concentração de compostos sulfurosos e riboflavina é reduzida de 50 a 75%.

Fluxograma da dosagem de ácido tânico na filtração da cerveja:



Neste caso, a dosagem deve ser feita em linha e proporcionalmente à vazão da cerveja (através de bomba dosadora de precisão), para assegurar o ótimo rendimento do estabilizante ácido tânico.

Na dosagem antes da centrífuga ou filtro, a reação do ácido tânico com as proteínas ocorre em cerca de 30 segundos em temperaturas entre -1,5°C e +20°C. A precipitação e estabilização é melhor em temperaturas em torno de 0°C (de preferência entre -1,5°C a 0°C).
A temperatura ótima para a estabilização num curto espaço de tempo é entre -1,5°C e -0,5°C, durante 5 a 10 minutos.

Quando dosado antes do filtro de terra diatomácea, o ácido tânico reage com as proteínas, formando flocos. A filtração por meio de terra diatomácea (kieselgur) retém através dos efeitos peneira e profundidade.
A filtração por perlita, devido à sua estrutura, retém através dos efeitos de profundidade e adsorção. É mais fácil remover os flocos de ácido tânico e proteínas através da filtração por perlita devido à sua maior superfície de filtração, já que o maior tamanho e número de poros permite assimilar uma quantidade maior de flocos.
A filtração (pré-camada e dosagem contínua) devem ser ajustadas para a dosagem do ácido tânico antes do filtro.

O uso do ácido tânico em cervejarias (sala de cozimento, maturação e filtração da cerveja) tem comprovado sua eficiência e vantagens:
- não há necessidade de aditivos para a espuma (pois o ácido tânico age seletivamente sobre as proteínas que prejudicam a estabilidade físico-química e não age sobre as proteínas responsáveis pela estabilidade da espuma);
- em casos de uso de sílica-gel, reduz-se a sua aplicação em cerca de 60%;
- pode-se reduzir em até 35% o consumo de terra diatomácea (kieselgur) - no caso de adição antes da centrífuga;
- é possível uma remoção de no mínimo 90% dos precipitados através da centrífuga;
- aumento da vida útil da pré-camada no filtro de terra diatomácea;
- em caso de uso de PVPP, reduz-se o seu uso em cerca de 50%;
- maior estabilidade da cerveja;
- menor volume de resíduos a serem eliminados pela filtração.

Matthias R. Reinold



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