OS DIFERENTES TIPOS
DE TANQUES DE FERMENTAÇÃO EM CERVEJARIAS
Entendemos por fermentação o
desdobramento de açúcares fermentáveis,
através de microrganismos em álcool, CO2 e energia:
C6H12O6 - 2C2H5OH + 2CO2 + Energia (calor)
Glicose Álcool etílico Gás carbônico
Para que tal processo ocorra conforme desejado,
devemos optar por equipamentos e sistemas que asseguram a qualidade
intrínseca do produto.
Atualmente, pela crescente necessidade em obtermos
o máximo em qualidade e volume a um preço baixo,
as opções limitam-se quase que exclusivamente
a tanques do tipo out-door, qualquer que seja sua forma, capacidade
ou sistema de refrigeração.
Tanques de fermentação aberta
Algumas cervejarias ainda utilizam tanques
de fermentação aberta. Eles podem ser contruídos
em madeira revestida com resina atóxica, aço carbono
revestido ou ainda em aço inox, com resfriamento por
meio de camisa externa. O controle de temperatura é feito
por temômetro flutuante.
TANQUES ABERTOS DE FERMENTAÇÃO
Tanques cilindro-cônicos
Os tanques cilindro-cônicos verticais
possuem capacidades que variam de 500 a 13.000 hl, sua altura
é de até 22 metros, com diâmetros de 2 a
8 metros. O espaço vazio, para baixa fermentação,
a temperaturas normais, varia de 8 a 25%. O cone possui um ângulo
de 60 a 75 graus.
Por causa da forte convecção do mosto em fermentação,
quase não existem diferenças de temperatura (cerca
de 0,3 graus Celsius), pH, redução de extrato
e número de células de fermento em suspensão
durante a fermentação principal.
A colheita de fermento é relativamente simples, e é
possível separar também o trub (constituído
de resinas de lúpulo, proteínas coaguladas e polifenóis).
Os tanques podem ser instalados em ambientes refrigerados (neste
caso não possuem isolamento térmico), ou ao ar
livre, com sistemas individuais de refrigeração
(à base de etanol ou amônia).
Como isolamento térmico, normalmente utiliza-se espuma
de poliuretano, em uma camada de 100 mm a 120 mm de espessura.
Os tanques podem ser construídos para uma pressão
de 2,0 kgf/cm2 (normalmente 0,3 a 0,4 kgf/cm2).
A limpeza automática é assegurada por “sprayballs”
ou sistemas giratórios. É necessária a
existência de válvulas de segurança (alívio
de sobre-pressão e vácuo).
O material utilizado na construção destes tanques
é o aço inoxidável (normalmente AISI 304)
ou, como em alguns casos, aço carbono revestido internamente
com resina sintética atóxica (do tipo “Lithcote”
ou “Munkadur”).
FERMENTAÇÃO EM TANQUES OD
Tanques tipo Asahi
São tanques verticais dotados de fundo
plano, com um caimento de 10%. São construídos
em aço inoxidável, com espessura de chapa variando
de 4 mm a 6 mm, altura de 8 metros a 10 metros e diâmetros
de 4 metros a 8 metros. O volume varia de 1.000 a 4.000 hl,
podendo atingir inclusive 12.000 hl de capacidade.
Os tanques são isolados termicamente, possuindo sistemas
de refrigeração individuais. Os custos de instalação
são inferiores aos de uma adega convencional, já
que não são necessárias bases especiais
e tampouco há necessidade de obras civis de grande monta.
Tanques esfero-cônicos
Também construídos em aço
inoxidável (espessura da chapa: 8 mm); sua parte superior
é esférica e a inferior dotada de um cone com
ângulo de 60 graus. O corpo esférico e o cone são
dotados de camisa de refrigeração. O isolamento
constitui-se em uma camada de 220 mm de espessura de lã
de vidro. Através da relação vantajosa
entre superfície e volume, as pressões de trabalho
podem chegar a 3 kgf/cm2 . Em uma altura de 12 metros e um diâmetro
de 10 metros, atinge-se um volume de 5.000 hl.
Tanques convencionais
Apesar da busca por sistemas mais racionais
e econômicos, encontram-se ainda em uso vários
tipos de tanques de fermentação convencionais.
Estes podem ser constituídos com vários materiais
e formas.
Tanques cilíndricos horizontais
São normalmente de aço inoxidável,
às vezes de alumínio ou aço carbono revestido
com resina. Os diâmetros variam de 2 a 4 metros e o comprimento
pode atingir 15 metros, o que resulta de volumes de até
2.000 hl. Sua instalação atrás de uma parede
é vantajosa sob o aspecto de refrigeração,
manutenção e limpeza.
Um visor possibilita a visualização da superfície
da cerveja em fermentação. Termômetro e
torneira de prova são essenciais para o controle do processo.
Uma limpeza automática (CIP) facilita a operação.
Os tanques devem ser dotados de válvulas de sobre-pressão
e vácuo, de modo a assegurar as operações
de enchimento e esvaziamento. A colheita do fermento pode ser
problemática em tanques grandes: deverá ser diluído
com água para facilitar o bombeamento.
Possuem sistema de refrigeração individual, através
de camisas, onde circula a solução refrigerante.
Equipamentos e controle

PAINÉIS E VÁLVULAS EM AÇO INOX
Outros equipamentos, além dos tanques
de fermentação, fazem parte do sistema de fermentação:
- bombas centrífugas e sanitárias, para o enchimento,
esvaziamento e limpeza dos tanques;
- bombas helicoidais ou de lóbulos (sanitárias),
para o bombeamento do fermento;
- tubulações fixas de aço inoxidável,
com painéis dotados de curvas de ligação;
- mangueiras de borracha concebidas especialmente para o tráfego
de cerveja;
- equipamento para dosagem automática de fermento;
- medidores de vazão ou hidrômetros para controle
dos volumes dos tanques.
Os controles ou sistemas de controle sobre o processo de fermentação
estão relacionados basicamente com:
- temperatura de fermentação;
- redução de extrato.
Um controle de temperatura automático, assim como o de
redução de extrato, via analisador em linha, propicia
uma maior homogeneidade da cerveja.
Entende-se que as opções são
muitas, ao tratarmos de assuntos relacionados ao processo de
fermentação e aos equipamentos necessários
para assegurar a qualidade do produto final. No entanto, faz-se
necessário observar que as estabilidades físico-química,
microbiológica e organoléptica devem ser mantidas
dentro de padrões pré-determinados.
Matthias R. Reinold