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ENVASE DE CERVEJA EM PET


No Brasil, as embalagens retornáveis representam cerca de 80% do total (77% são embalagens de vidro e 3% são barris em aço inox). O restante está dividido entre garrafas de vidro descartáveis e latas de alumínio. Isto se deve ao baixo poder aquisitivo da população em geral, onde o preço da cerveja (embalagem + líquido) tem um papel muito importante.

Em alguns países existe uma limitação imposta por lei, onde o máximo de embalagens descartáveis não pode ultrapassar determinado percentual das embalagens existentes no mercado (no caso da Alemanha não se pode ultrapassar o máximo de 28% de embalagens descartáveis).

A utilização de embalagens PET para cerveja

No Brasil já foram efetuados vários testes em grandes cervejarias e também na cervejaria experimental do SENAI em Vassouras (RJ), para verificar a viabilidade da utilização das embalagens PET multicamada descartáveis. Os resultados até agora demonstraram que as características da cerveja não são alteradas e a vida de prateleira (shelf-life) está aprovada para prazos de 4 a 6 meses.

O sistema de proteção é inserido como uma barreira entre as camadas de PET que compõem a parede das garrafas (Figura 1). Essa camada é composta por barreiras ao gás carbônico (Nylon MXD6) e absorvedores de oxigênio. Esses absorvedores atuam sobre o oxigênio externo que ingressa na garrafa através das paredes e da tampa, agindo também sobre o oxigênio dissolvido na cerveja. O resultado é uma sensível melhoria nas suas características organolépticas e físico-químicas, uma vez que há absorção do oxigênio que poderia causar alterações na cerveja.
Os componentes do sistema de proteção não variam de acordo com a temperatura e umidade, assegurando desse modo o mesmo nível de barreira ao gás carbônico (CO2) e absorção de oxigênio sob quaisquer condições climáticas.

Os tamanhos de garrafas mais utilizados são de 330 ml, 500 ml, 600 ml, 750 ml e 1.000 ml. Outros tamanhos podem ser desenvolvidos mediante a necessidade dos usuários.


Figura 1: Sistema de proteção ativa na parede da garrafa PET



No interior do estado de São Paulo existe inclusive uma cervejaria regional que envasa cerveja não pasteurizada (chope) em embalagens de PET comum. Essa cerveja deve ser armazenada a baixa temperatura e consumida no máximo em 15 dias, para que mantenha inalteradas suas características microbiológicas, físico-químicas e organolépticas (aroma e paladar).

Algumas cervejarias de renome mundial já possuem produtos envasados em PET multicamada, como a Budweiser e Miller - Estados Unidos, Heineken - Holanda e CCU - Chile.
Outras cervejarias de menor porte, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, já utilizam embalagens PET.
A Anheuser-Bush (a maior cervejaria do mundo, com produção de 121 milhões de hectolitros por ano) está focando nichos de mercado onde a conveniência das embalagens plásticas é incontestável: eventos esportivos, lojas de conveniência, boates e danceterias. Um de seus produtos, a “Doc Otis”, uma cerveja aromatizada com limão, foi lançada em PET apenas oito semanas depois do lançamento em garrafas de vidro.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 1999 revelou qual a percepção dos consumidores com relação ao material da embalagem (vide tabela 2):

Tabela 2: Percepção dos consumidores:

Percepção / Material da embalagem
PET
Vidro
Alumínio
Mantém o produto mais gelado
2,16
1,64
2,20
Amigável com relação ao meio ambiente
1,42
2,46
2,12
Reciclável
1,70
2,48
1,82
Transportável
1,36
3,00
1,64
Conservação do produto
2,14
1,68
2,18
Preferência em caso de preço
1,46
2,10
2,44
Durabilidade
1,18
3,00
1,82
Segurança
1,10
3,00
1,90
Consumo no ponto de venda
1,38
1,90
2,72
Melhor embalagem
1,18
2,62
2,20

Legenda:
1 = melhor
3 = pior

Estabilização da cerveja para envase em PET

Geralmente a estabilização microbiológica da cerveja a ser envasada em garrafas PET é feita através de flash-pasteurização ou microfiltração. Como ambos os processos demandam adequado controle, nem todas as cervejarias conseguem assegurar uma estabilidade por até seis meses. Novas embalagens PET permitem a pasteurização da cerveja dentro da própria embalagem, o que permite que a cerveja seja estabilizada pelo período desejado (4 a 6 meses).

Reciclagem das embalagens

As garrafas PET são totalmente recicláveis, mesmo a barreira contra oxigênio pode ser separada do PET até cerca de 89%. Os 11% restantes são facilmente dissolvidos no PET em processo normal de reciclagem, podendo ser reutilizado em embalagens, produtos têxteis e na construção civil.

Vantagens do envase da cerveja em PET

A seguir são enumeradas as principais vantagens da utilização das embalagens PET para envase de cerveja:
- Extrema flexibilidade no desenho das garrafas
- Ganhos no transporte – o acondicionamento e transporte das garrafas pode ser feito em embalagens de papelão ou com filme plástico (menor volume e peso)
- Já foram desenvolvidas garrafas em PET que podem ser pasteurizadas (foram efetuadas algumas modificações no gargalo das garrafas)
- Pela composição das embalagens, pode-se aquecer e resfriar mais rápido do que as embalagens de vidro
- O absorvedor de oxigênio permite manter e até reduzir os teores de oxigênio no headspace (espaço vazio no gargalo) da embalagem e também o oxigênio dissolvido na cerveja
- Possibilidade de se utilizar tampa de rosca plástica ao invés de alumínio
- Permite desenvolver vários tipos e tamanhos de embalagens (como as de 1.000 ml, utilizadas na Argentina e Chile)
- Embalagens totalmente recicláveis
- As embalagens PET pesam cerca de 10 vezes menos do que suas equivalentes em vidro.

As embalagens PET multicamada descartáveis, assim como aconteceu com as latas de alumínio, devem conquistar sua fatia de mercado. Um estudo ambiental efetuado na Suíça concluiu que embalagens não reutilizáveis de modo geral consomem menos energia do que as reutilizáveis, quando consideramos o ciclo completo incluindo transporte e lavagem das garrafas.

Matthias R. Reinold


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