| A
utilização correta de chopeiras
Quando vamos a um restaurante, choperia ou microcervejaria,
temos a intenção de beber um chope (cerveja não
pasteurizada) cristalino - quando filtrado, na temperatura correta,
com uma bela espuma.
O chope vem das cervejarias em barris de aço inox (chamados
de Keg), sob boas condições de qualidade. A cerveja
não pasteurizada (chope) pode também ser servida
diretamente dos tanques da microcervejaria (filtrada ou não).
Mas nos pontos de venda (choperias, bares, restaurantes, etc.),
nem sempre essa qualidade é mantida. Isso se deve ao fato
de que mesmo a mais moderna e revolucionária instalação
para servir chope perde a sua eficiência quando seu manuseio
é inadequado ou sua limpeza e desinfecção
não são efetuadas a contento.
O sistema de extração de
chope
O sistema de extração desempenha
a dupla função de canalizar a entrada de gás
de compressão do barril (gás carbônico) e
a conseqüente saída do chope até a torneira
de extração.
O gás carbônico (CO2) do cilindro penetra através
da válvula de retenção do sifão, e
por este até o interior do barril e exerce sobre a superfície
da cerveja uma pressão constante, de cima para baixo, que
impede a perda no gás retido no chope, e fará o
mesmo subir pelo sifão, logo que a torneira da chopeira
seja aberta. Para que o chope suba do barril em direção
à torneira de extração, sem perda de gás
carbônico, é indispensável a compressão
de um gás (que pode ser gás carbônico ou nitrogênio).
O ar comprimido é contra-indicado para tal fim. Mesmo filtrado,
oxida o chope e altera-lhe a estabilidade organoléptica
(odor, paladar), a físico-química (côr) e
a espuma. O gás carbônico (CO2) que as fábricas
fornecem é o gás ideal para extrair o chope nas
condições ótimas, pois é gerado pelo
próprio mosto durante o processo de fermentação.
Não existe uma regra definida para a pressão a ser
adotada, pois ela depende de uma série de fatores:
* Teor de CO2 da cerveja
* Temperatura de armazenagem
* Escolha da torneira da chopeira (tipo)
* Altura da tubulação
* Comprimento da tubulação
* Diâmetro interno da tubulação
Na tabela a seguir podemos observar a correlação
entre a temperatura da adega (câmara fria) em graus centígrados,
altura de tiragem de chope em metros e a pressão recomendada
(em bar).

Cilindro de gás carbônico
Os cilindros de gás carbônico podem
ser em aço ou alumínio e possuir diversas capacidades
(3, 8, 10 ou 30 kg). Geralmente o gás é fornecido
a uma pressão de 50 kg por centímetro quadrado (50
kgf/cm2), quando a uma temperatura de 15°C. A pressão
varia pois de acordo com a temperatura.
Deve-se prestar atenção a um fato de suma importância,
geralmente ignorado na prática corrente: quando os cilindros
de CO2 encontram-se estocados a 15°C, o gás carbônico
encontra-se àquela temperatura em estado líquido.
Porém se a temperatura subir para 31°C, o estado líquido
transforma-se espontaneamente em gasoso, e a pressão sobe
a 450 kgf/cm2 (!), podendo gerar uma explosão (se por acaso
a válvula de segurança, que é aferida para
atuar a 160 - 180 kgf/cm2, estiver avariada e não atuar).
Não deve se expor os cilindros à ação
de calor, e deve-se evitar choques violentos ou quedas, que podem
provocar explosões! Ao entrarem em serviço, os cilindros
devem sempre ser presos através de um anel de segurança
ou corrente, fixados à parede ou balcão.
A válvula de saída do cilindro de CO2 fica situada
na sua parte superior. Quando não em uso, devemos manter
a válvula de saída do cilindro protegida por uma
tampa protetora da válvula (“capacete”), para
evitar que quedas ou pancadas a danifiquem ou em casos mais graves,
que ela seja decepada.
Caso o local de estocagem dos cilindros e barris seja fechado,
deve-se prever uma ventilação forçada, de
modo a eliminar acúmulo de gás carbônico,
que é mortal a partir de determinadas concentrações.
Recomenda-se instalar um detetor de gases apropriado para aviso
antecipado em caso de haver vazamento.
A válvula de redução
de pressão
Para se estabelecer e controlar a pressão
do gás carbônico que convém à tiragem
do chope, monta-se no bocal do cilindro de CO2 a chamada “válvula
de redução de pressão”, que possui
manômetro, regulador e válvula de segurança.
Em hipótese alguma deve-se pressurizar o barril diretamente,
sem a utilização de uma válvula de redução,
sob o risco de ocorre uma explosão.
As tubulações de gás
Convém que as tubulações
de gás carbônico sejam dimensionadas para a pressão
de trabalho de 1 a 3 bar e as conexões permitam uma união
segura, sem riscos de escape, o que poderia causar lesões
ao operador. As tubulações de gás não
podem transmitir ao chope qualquer odor ou paladar estranhos.
O barril Keg
Os barris Keg são construídos em
aço inoxidável e possuem capacidades que variam
de 10 a 50 litros. São equipados com um sifão complexo,
que possui vedações e válvulas de retenção.
Através desse sifão a cerveja, quando submetida
à pressão necessária de gás carbônico,
flui para a chopeira.
A montagem da válvula Keg no barril é simples: primeiro
conecta-se a tubulação de cerveja e gás carbônico
à válvula KEG. Em seguida tira-se o lacre de proteção
do bocal do barril e conecta-se a válvula Keg ao bocal,
girando para a direita, de modo a travá-la.
Só então abaixa-se a alavanca, permitindo a passagem
da cerveja e do gás carbônico.
Mesmo à noite ou quando não estamos servindo o chope
não devemos fechar o gás carbônico, correndo
o risco de fazer com que a cerveja fique sem gás ("choca").
O barril uma vez aberto deve ser consumido o quanto antes.
Problemas na extração de
chope
Quando ocorrem problemas ao servir o chope devemos
manter a calma, mesmo que a casa esteja lotada e o cliente reclame.
Vários fatores influem para que não consigamos servir
o chope, como demonstrado a seguir:
A cerveja não flui
- O barril está vazio
- As válvulas estão bloqueadas
- A tubulação de cerveja está congelada
- A tubulação de cerveja está obstruída
(por ex., por bolas de esponja)
- O cilindro de gás carbônico está vazio
- A tubulação de gás carbônico está
vazando (verificar com espuma de sabão)
- A tubulação de cerveja está dobrada
- A pressão do gás carbônico (CO2) está
muito baixa
- O cabeçote do barril KEG está montado errado
- A válvula na saída do barril Keg está fechada
A cerveja flui turva
- A cerveja está muito gelada
- As tubulações de cerveja não estão
limpas
- O sistema de tiragem de chope está com muita pressão
- A cerveja esquenta na tubulação
- Entrada de gás carbônico direto na tubulação
de cerveja
A cerveja está espumando muito
- A pressão do gás carbônico está muito
alta
- A cerveja está muito quente
- Os copos estão muito quentes
- A cerveja está sendo forçada para fora da tubulação
- A cerveja esquenta na tubulação
- A tubulação de cerveja está dobrada
- Depósito de pedra cervejeira na tubulação
(limpeza!)
- A válvula redutora de pressão do CO2 está
com defeito ou foi mexida
A cerveja está espumando pouco
- A cerveja está muito gelada
- A pressão do gás carbônico está muito
baixa
- A alimentação de gás carbônico está
sendo interrompida
- Perda de gás carbônico através de conexões
e vedações vazando
- Os copos não foram bem enxaguados
- Na limpeza dos copos foram utilizados produtos que destroem
a espuma
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