| As
instalações de chope
As instalações comerciais de chope
existentes no Brasil são basicamente duas: chopeiras dotadas
de caixas de gelo e chopeiras elétricas.
Chopeiras com caixa de gelo - as instalações dotadas
de caixas de gelo obedecem ao seguinte esquema básico abaixo.

A finalidade da serpentina na caixa de gelo é
resfriar o chope através do gelo picado. Esse gelo deve
ser picado bem miúdo fora da caixa e colocado de forma
a preencher todos os espaços vazios, para um resfriamento
mais eficiente. Muitas vezes o gelo é quebrado dentro da
caixa, danificando de modo irreversível a serpentina, dificultando
com isto a limpeza e desinfecção da mesma. Esta
deficiente sanitização provoca problemas de ordem
microbiológica no chope (turvação, odor e
paladar alterados).
Chopeiras elétricas - as instalações das
chopeiras elétricas obedecem ao seguinte esquema básico:
As chopeiras elétricas fazem o papel da
caixa de gelo, e são dotadas de um compressor semelhante
ao de uma geladeira, com um termostato que controla a formação
do banco de gelo para a conservação da temperatura.
Possuem ainda um agitador que impede o congelamento total e uniformiza
a temperatura para a serpentina. A caixa de serpentina armazena
a água e a unidade de refrigeração, e é
dotada de torneiras com compensador para que se possa obter cerveja
(líquido) ou espuma.
A concepção das instalações
A limpeza dos componentes que entrem em contato
com o produto só será microbiologicamente eficiente,
quando todos estes componentes forem dimensionados e construídos
de acordo com critérios sanitários. As influências
sobre a higiene e sanitização dependem, em primeira
linha, da distribuição da instalação,
assim como as suas conexões e componentes utilizados.
Deve-se evitar tubulações de cerveja longas, desse
modo o barril deve ser estocado em câmara fria ou balcão
frigorífico próximos.
As tubulações de cerveja devem poder ser esvaziadas
sem auxílio externo, isto é, esvaziar-se por si.
Isso significa que quando da instalação das tubulações,
que são adaptadas às características da construção
(prédio), devem ser evitados pontos com curvas para baixo,
como por exemplo, “barrigas” na tubulação
- devido ao peso da tubulação cheia ou através
de dilatação térmica.
Outrossim, deve-se evitar curvas para cima, pois podem ser formadas
bolsas de gás ou ar, onde restos de cerveja secam na tubulação
e podem se tornar focos de contaminação.
A figura a seguir mostra uma tubulação com um trecho
que não se esvazia sozinho, assim como pontos onde podem
se formar e manter bolsas de gás, que de acordo com o tipo
de torneira (torneira de compensação, torneira comum),
leva a problemas de extração de chope e também
higiênicos (microbiológicos).
Nas figuras a seguir podemos observar em detalhe
os pontos problemáticos (higienicamente).


Um exemplo típico para o esvaziamento
deficiente são as serpentinas nas caixas de gelo ou chopeiras
(resfriamento por passagem), onde a entrada e a saída encontram-se
no lado superior do resfriador.
A conseqüência na prática é a contaminação
da cerveja que permanece parada na tubulação, que
não foi limpa logo após o uso.

Os cantos mortos, como por exemplo, tampões
ou finais de bifurcações representam problemas para
a limpeza, já que não podem ser limpos mecanicamente;
mas também a limpeza química só elimina os
microrganismos após longo tempo de contato.
Em pontos de conexões (tubulações rígidas
com tubulações flexíveis - mangueiras), devem
ser evitadas frestas e pontos mortos estreitos, que praticamente
não são atingidos pela ação da limpeza.
Um exemplo para isso são os terminais para mangueiras,
onde na transição entre a mangueira e o terminal
surgem frestas, que podem ser evitadas com a utilização
de uma abraçadeira sobre o local da emenda problemática
- com um terminal (bocal) de desenho adequado.

Os isolamentos térmicos das tubulações
de cerveja devem ser dotadas de vedações para vapor
(hermeticamente fechadas ao ar), já que a formação
de umidade entre a tubulação de cerveja e o isolamento
provoca a formação de fungos. Como demonstra a prática,
substâncias oriundas dos fungos podem atravessar as paredes
das tubulações plásticas e afetar o paladar
da cerveja.
Na concepção dos componentes, possuem
influência as asperezas superficiais dos materiais, assim
como as transições (passagens) que não sejam
suficientemente lisas ou retas.
Problemas surgem entre superfícies de contato metálicas,
entre superfícies de vedação em conexões
rosqueadas ou em vedações móveis (dinâmicas).
Em construções higiênicas deve-se dedicar
especial atenção a estes pontos, que devem sofrer
verificação adicional, através de testes.
Devido à sua função, a válvula de
barril Keg é de concepção complexa, já
que contém vedações móveis em razão
do movimento do corpo da válvula.
As vedações circulares mais utilizadas são
os “o-rings”, que possuem, devido à sua função
de vedação, uma medida radial demasiada, e também
um jogo lateral no assento, pelas suas propriedades elásticas
(expansão lateral quando submetido à compressão).
Entre as peças e também no assento do “o-ring”
permanecem canais estreitos, frestas e cantos mortos, onde ocorre
contato com o produto, mas a limpeza é possível
apenas com a desmontagem da válvula.
Para a limpeza completa é necessário retirar as
vedações dos assentos, para evitar reinfecções.
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