PÁGINA PRINCIPAL

CONTATO
Receba nosso Newsletter:
CERVESIA
Quem somos
Equipe
Clientes
Parceiros
Contato
Produtos e serviços Cervesia
Livros
E-books
Palestras, Cursos e treinamentos
Consultoria & Assessoria
Classificados
Máquinas, equipamentos e instalações
Matérias-primas e insumos
Currículos
Vagas
Fórum
Cerveja
O Mestre Cervejeiro
História da cerveja
Tipos de cerveja
Receitas de cerveja
Dicionário cervejeiro
Cerveja & Saúde
Cerveja & Hobby
Cervejeiros Caseiros
Colecionadores
Tecnologia cervejeira
Água
Malte
Adjuntos
Lúpulo
Sala de cozimento
Fermentação e maturação
Filtração
Envasamento
Embarrilamento
Logística
Estabilização da cerveja
Laboratório
Tratamento da água
Tratamento de efluentes
Cervejaria e o meio ambiente
Inovações tecnológicas
Microcervejarias
Equipamentos e instalações
Processo
Notícias
Gastronomia
Combinações com cerveja
Receitas com cerveja
Instalações de chope
Copos adequados
Mercado cervejeiro
Dados estatísticos
Lançamentos e tendências
Legislação
Notícias de mercado
Gestão & Negócios
Qualidade
Gestão empresarial
Feiras e Eventos
Agenda
Cobertura
Pesquisa
Sites
Publicações
Imprensa
Downloads
 

A UTILIZAÇÃO DE LÚPULOS ESPECIAIS NA CERVEJARIA

A utilização do lúpulo (Humulus lupulus) tornou-se popular nas cervejarias no século XVI e é considerado o principal aditivo de aroma e paladar da cerveja, contribuindo também para a sua estabilidade microbiológica e físico-química.
Inicialmente utilizava-se o lúpulo in natura, isto é, sob a forma de flores prensadas em grandes fardos, que eram reduzidos a porções menores, de modo que pudessem ser adicionados ao cozinhador de mosto, na sala de cozimento da cervejaria.
Esta forma original evoluiu para os extratos pastosos e os diversos tipos de pellets.

Os extratos já existem desde a virada do século, utilizando diversos produtos como solventes, evoluindo da nafta, metanol, cloreto de metileno, hexano, etanol, dióxido de carbono líquido até o dióxido de carbono supercrítico e dióxido de carbono subcrítico.
O uso de lúpulo em pellets é muito mais recente (1970) do que o uso de extratos, mas a sua rápida aceitação levou ao seu domínio do volume de lúpulo processado de 1975 até o presente.
A estocagem destes lúpulos normalmente é feita em câmaras frias, a temperaturas entre 0 e 5°C, com uma umidade relativa do ar de cerca de 30%.

Com a evolução natural da tecnologia e também em função da necessidade em se otimizar o processo de fabricação de cerveja, surgiram novas formas de comercialização do lúpulo, sendo a principal delas a forma líquida, abrangendo lúpulos isomerizados ou não.

Extratos especiais de lúpulo

Ao final da década de 70, solventes menos agressivos, como o etanol e o CO2 passaram a ser utilizados. Atualmente a maioria dos extratos de lúpulo para uso no cozinhador de mosto são extraídos com etanol ou CO2. Os extratos obtidos com hexano tornaram-se cada vez mais raros.
Os extratos de lúpulo obtidos com CO2 líquido apresentam elevada pureza, maior concentração de ácidos alfa, baixa viscosidade e baixo ponto de fusão.
O método de extração subcrítico com CO2 líquido utiliza temperaturas e pressões mais baixas do que o método de extração supercrítico, e desta forma preserva melhor a natureza dos compostos essenciais do lúpulo.
Sob a condição líquida, o solvente CO2 é muito mais seletivo. Isto significa que o solvente extrai apenas os componentes desejáveis encontrados no lúpulo, como os ácidos alfa, os ácidos beta e os óleos essenciais.
As condições de extração subcrítica com CO2 não permitem ou minimizam a extração de componentes indesejáveis, tais como taninos, polifenóis, compostos oxidados, clorofila, pigmentos, ceras e resinas duras, que são tipicamente extraídos por solventes orgânicos e CO2 supercrítico. (vide tabela 1)
Por esta razão, os extratos de CO2 líquido são de côr ambar-dourado e fundem-se a temperaturas relativamente baixas (abaixo ou igual a 55°C).
Extratos de CO2 não-líquido são tipicamente verde-escuros e possuem temperaturas de fusão bem mais elevadas (acima de 60°C).

Tabela 1: Composição de lúpulos e extratos (% p/p):

Componentes
Lúpulo seco
Extrato com
solvente
orgânico
Extrato com
CO2
subcrítico
Extrato com
CO2
supercrítico
Resinas totais 2 - 33 15 - 60 70 - 95 75 - 95
Ácidos alfa 2 - 15 8 - 45 40 - 65 27 - 55
Ácidos beta 2 - 10 8 - 20 15 - 45 23 - 33
Óleos essenciais 0,5 - 2,0 0 - 5 2 - 10 1 - 5
Resinas duras 2 - 4 2 - 10 0 5 - 11
Taninos 4 - 10 0,5 - 5 0 0,1 - 5
Ceras 1 - 5 1 - 20 1 - 2 4 - 13
Água 7 - 12 1 - 15 1 - 5 1 - 7

Antes da extração com CO2 líquido, o lúpulo é colhido, secado, prensado e peletizado.

A tecnologia atualmente existente permite isolar os diversos componentes do lúpulo, de modo a obter diferentes produtos, que podem ser concentrados de ácidos alfa puros (que cedem ao mosto ou cerveja o paladar amargo), concentrado de ácidos beta e óleos essenciais (cedem à cerveja o aroma típico de lúpulo).
A utilização de extratos de lúpulo resistentes à luz permite a fabricação de cervejas mais estáveis e que podem ser envasadas em garrafas de cor clara ou transparentes. Alguns destes lúpulos podem ser adicionados durante o cozimento do mosto e para que o seu rendimento seja otimizado, deve-se dosá-los durante o processo de filtração da cerveja.
Além de melhorar a estabilidade físico-química e organoléptica da cerveja, a utilização destes lúpulos permite obter uma estabilidade de espuma sensivelmente melhor.

A determinação da dosagem de lúpulo na cerveja ou no mosto, em função das unidades de amargor (BU) desejadas, é relativamente simples, já que as fórmulas de cálculo fornecidas pelos fabricantes acompanham o produto.

As embalagens são geralmente plásticas ou metálicas e seus volumes variam de latas de 250 gramas até paletes com containers plásticos de 640 litros, o que facilita o manuseio e dosagem.

Outros lúpulos isomerizados são dosados entre a fermentação e a maturação, ou durante o processo de filtração da cerveja, onde devem ser diluídos em solução alcalina (pH 10 - 11), obtida a partir de água declorada e corrigida com KOH (p.a.).

Estes lúpulos também são comercializados em bombonas plásticas e devem ser estocados em câmara fria ou a temperaturas abaixo de 20°C, conforme o tipo e recomendações do fabricante.

A dosagem do lúpulo

A dosagem do lúpulo na sala de cozimento (cozinhador de mosto) pode ser efetuada de modo automático ou manual.
A dosagem efetuada entre a fermentação e a maturação não exige grande precisão, já que a cerveja será homogeneizada no tanque de maturação.

Na filtração, a precisão da dosagem é essencial, já que deve ser feita no fluxo de cerveja (geralmente em vazões entre 300 e 1.000 hl/h). A dosagem proporcional à vazão da cerveja assegura que os gramas de lúpulo por hectolitro necessários sejam adicionados, sem permitir a estratificação (formação de camadas) no tanque de pressão.
Esta homogeneidade é muito importante e significa que todo o volume de cerveja no tanque de pressão apresenta as mesmas características de qualidade, sem alterações em sua estabilidade físico-química e organoléptica.

A dosagem do lúpulo na filtração da cerveja pode ser efetuada através de sistema próprio, que permite a dosagem precisa e proporcional à vazão de cerveja, através de um sinal de 4 - 20 mA, proveniente de um medidor de vazão, o que assegura o máximo aproveitamento das características do lúpulo.

Sistema móvel de dosagem de lúpulo

O dosador mantém a temperatura (55 - 60°C) e a agitação requeridas por alguns tipos de lúpulo, sem provocar alterações em suas características. Sua concepção permite fácil operação (semi-automática), limpeza e manutenção.
A facilidade com que hoje podemos determinar e obter a dosagem de lúpulo adequada a cada tipo de cerveja, fez com que o controle sobre um dos principais ingredientes da cerveja fosse muito melhorado.
A utilização de extratos especiais de lúpulo permite uma enorme flexibilidade na elaboração da cerveja, a otimização e racionalização de processos e a manutenção de um padrão de qualidade.

Matthias R. Reinold

PÁGINA PRINCIPAL
principal
© 2003 – 2008 – CERVESIA – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
IR PARA O TOPO
topo