| REAÇÕES
ENZIMÁTICAS E FÍSICO-QUÍMICAS QUE OCORREM
DURANTE A MALTEAÇÃO DA CEVADA
Entende-se por malteação a germinação
de cereais sob condições ambientais controladas
e pré-determinadas. O objetivo principal da malteação
é a obtenção de enzimas, que provocam modificações
nas substâncias armazenadas no grão. O produto final
da germinação chama-se malte verde, que, através
da secagem e torrefação transforma-se em malte propriamente
dito.
A qualidade do malte é de capital importância para
a qualidade da cerveja, já que a sua composição
complexa cede à cerveja muitas de suas características
físico-químicas e organolépticas (aroma e
paladar).
A maceração da cevada
O início da germinação da cevada ocorre
somente a partir de um determinado teor de umidade.
A cevada armazenada possui um teor de umidade em torno de 12%
(água de constituição), que deve ser mantido
baixo, de modo a manter a taxa de respiração em
níveis mínimos. Somente após a adição
da água de vegetação inicia-se o processo
de germinação.
As manifestações vitais do grão sofrem um
aumento significativo com um teor de umidade de cerca de 30%.
Com 38% de umidade, a cevada germina mais rapidamente e com maior
uniformidade, enquanto, que para o desenvolvimento das enzimas
e obtenção da dissolução desejada
do corpo farinhoso (endosperma), é necessário um
teor de umidade de 44 – 48%, ou até mesmo acima destes
valores.
A maior parte da água de vegetação necessária
é adicionada no processo de maceração, e
o teor de umidade máximo é atingido na germinação.
A água de maceração deve apresentar qualidade
de água potável, livre de impurezas físicas,
químicas e biológicas.
A absorção de água pelo grão de cevada
ocorre a partir da base do grão, onde se localiza o embrião,
e em menor intensidade nas laterais e extremidade superior. Por
este motivo, as diversas partes do grão apresentam inicialmente
diversos teores de umidade, que se igualam gradativamente.

Fluxograma da malteação da cevada:
MACERAÇÃO -> GERMINAÇÃO ->
SECAGEM E TORREFAÇÃO -> RESFRIAMENTO -> DESBROTAMENTO
-> ARMAZENAMENTO -> POLIMENTO -> EXPEDIÇÃO
A velocidade de absorção da água é
maior nas primeiras 4 - 8 horas, decrescendo à medida em
que se aproxima do grau de saturação.
A absorção de água pela cevada depende dos
seguintes fatores: constituição da cevada, estrutura
do grão, temperatura da água de maceração
e método de maceração.
O fornecimento de oxigênio à cevada macerada se faz
necessário, devido ao aumento do teor de umidade do grão,
o que leva à respiração intensa.
Mesmo sob condições ideais de fornecimento de oxigênio,
os grãos de cevada sofrem uma leve fermentação
alcoólica, até que se desenvolvam pontas, rompendo
as cascas.
Logo após o aparecimento das pontas, o álcool começa
a desaparecer, devido à oxidação intracelular.
Através da maceração obtém-se também
a limpeza da cevada, na qual os íons da água reagem
com substâncias das cascas provocando sua limpeza.
A germinação da cevada
A germinação é um processo fisiológico
em que os órgãos do embrião – radícula
e acrospira – se desenvolvem as custas dos nutrientes armazenados
no corpo farinhoso.
A germinação só ocorre sob determinadas condições:
umidade suficiente, calor e ar (oxigênio).
Para uma germinação homogênea são necessários
teores de umidade de 44 - 48% (50%) e temperaturas entre 14 a
18 graus Celsius. A energia necessária para a germinação
é coberta pela respiração. Com isto o oxigênio
atmosférico torna-se imprescindível para o crescimento.
O material para a queima são os carboidratos, principalmente
o amido, e como produtos da respiração surgem: calor,
dióxido de carbono (CO2) e vapor d’ água.
Como conseqüência das condições de germinação
(umidade, temperatura, oxigênio e tempo), surgem inicialmente,
alterações externas, visualmente perceptíveis.
Paralelamente ocorrem transformações no corpo farinhoso.
Através de enzimas, os nutrientes são decompostos
em formas solúveis, que servem para ganho de energia, ou
para serem transformados em tecido na radícula e acrospira.
Após a introdução da água de vegetação,
hormônios são expelidos (ácido giberélico,
giberelina A3), que provocam na aleurona a formação
de uma série de enzimas, como por exemplo, a alfa-amilase,
a dextrinase-limite e a endopeptidase.
Os principais grupos de enzimas hidrolíticas que nos interessam
são as hemicelulases, as enzimas proteolíticas,
amilases e fosfatases.
A decomposição citolítica ocorre através
de dois grupos enzimáticos: beta-glucanases e pentosanases.
Os resultados desta decomposição são paredes
celulares parcialmente dissolvidas, de onde grupos distintos são
retirados, tornando-as mais facilmente permeáveis. Este
processo de dissolução avança lentamente
do embrião à ponta do grão.
A decomposição proteolítica ocorre através
de uma série de enzimas:
- Endopeptidases – que decompõem proteínas
de alto peso moléculas em macro e polipetídeos,
até dipeptídeos.
- Exopeptidases - decompõem cadeias de peptídeos
de fora para dentro, formando aminoácidos.
Esta decomposição protéica ocorre de acordo
com determinadas condições de malteação,
de modo que podemos obter mais produtos de alto peso molecular
ou mais aminoácidos. Uma vez que ambos os grupos são
importantes para a composição da futura cerveja,
a decomposição protéica deve ser controlada.
Os aminoácidos são importantes para a nutrição
da levedura, enquanto que os polipeptídeos de alto peso
molecular o são para a estabilidade da espuma e corpo da
cerveja.
A decomposição dos fosfatos ocorre através
da ação das fosfatases, durante a germinação.
As fosfatases liberam ácido fosfórico e seus sais
ácidos de ligações de ésteres com
substâncias orgânicas.
A decomposição do amido é efetuada pela alfa
e beta-amilases. A beta-amilase decompõe a amilose ou molécula
de amilopectina de fora para dentro (exo-amilase).
A alfa-amilase, por outro lado decompõe ambos os tipos
de amido de dentro para fora (endo-amilase), formando unidades
de dextrina com seis moléculas de glicose.
Como ambas as enzimas só decompõem ligações
alfa 1 - 4, mesmo numa decomposição completa serão
formados cerca de 80% de maltose e glicose, sendo que os 20% restantes
compõem-se de ligações alfa 1 - 6 ou dextrinas-limite.
A beta amilase já se encontra sob uma forma ativa no grão,
porém é, em grande parte, levada do estado latente
à forma ativa, através da ação de
ativadores, eliminação de inibidores e liberação
de ligações protoplasmáticas.
A alfa-amilase não é detectada na cevada. Sua formação
é induzida no início da germinação,
através de ativadores na aleurona. É sintetizada
apartir de aminoácidos.
A função mais importante da germinação
é a solubilização, ativação
da beta e alfa-amilases, pois sem a ação da última
não há uma açucaração completa.
A principal ação de ambas será durante o
processo de mosturação, através da decomposição
do amido em açúcares e dextrinas.
As lípases decompõem uma parte das gorduras. Dois
terços de sua atividade está localizada no embrião,
o restante na aleurona.
A decomposição dos polifenóis ocorre paralelamente
à decomposição protéica.
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