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O malte verde com seu elevado teor de umidade é susceptível
à rápida deterioração e, por isto,
através de correspondente secagem, podemos torná-lo
passível de estocagem.
Além disso, devemos finalizar as transformações
bioquímicas e fixar a composição do malte.
O odor e paladar cru do malte verde devem ser eliminados e substituídos
pelo aroma e paladar característicos do malte pronto, assim
como a cor.
A eliminação das radículas é necessária,
pois elas transmitem um paladar amargo adstringente à cerveja
e são higroscópicas.
Estes objetivos são alcançados através dos
processos de pré-secagem e secagem final (torrefação).
A pré-secagem consiste na secagem do malte verde a baixas
temperaturas (50 a 60 graus Celsius), até atingir um teor
de umidade de cerca de 10%. Este estágio é reconhecido
nas estufas de um plano através do aumento súbito
da temperatura acima do plano (rompimento) e nas estufas de dois
planos, através da descompactação da camada
de malte e a queda das radículas. Maltes claros e escuros
são submetidos a diferentes tempos de pré-secagem.
A secagem final (torrefação) inicia-se após
o rompimento, quando se aquece para 80 graus Celsius (maltes claros),
até 105 graus Celsius (maltes escuros) e mantém-se
a temperatura até atingir a umidade final de 4 - 5% (maltes
claros) e 1,5 - 2% (maltes escuros).
Esta desumidificação avança vez mais lentamente,
devido à ação de forças capilares
e coloidais, que agem em sentidos opostos. Durante o processo
de desumidificação, o grão sofre transformações
físico-químicas. As transformações
físicas estendem-se ao teor de umidade, volume, peso e
cor do grão. A redução do teor de umidade
de 41 - 48%, a 1,5 - 5% deve ser efetuada de modo que o grão
de malte verde não perca muito volume.
Através da assimilação de água o grão
incha; pela decomposição das substâncias,
formam-se no interior do grão fina cavidades, que devem
ser mantidas durante a pré-secagem e torrefação.
Com isto, o grão de malte apresenta um aumento aparente
de volume, em comparação com a cevada, de 16 - 23%.
Este objetivo só pode ser atingido através de uma
desumidificação cuidadosa a baixas temperaturas
e a utilização de altas vazões de ar. Somente
assim o malte se tornará enzimaticamente forte e de fácil
moagem.
Através de pré-secagem e altas temperaturas, sobre
um grão ainda úmido, provoca-se a contração,
vitrificação e aumento de peso do mesmo (controle
através do peso por hectolitro). Isto provoca uma queda
no rendimento do extrato na sala de cozimento.
Através da secagem, o peso do malte verde diminui: 100
kg de cevada produzem cerca de 160 kg de malte verde, que como
malte seco pesa 80 kg.
A cor do malte verde (2,0 - 4,0 EBC) aumenta para 2,5 - 4,0 EBC
(malte claro) e 9,5 - 21 EBC no caso de malte escuro.
Aroma e paladar avançam em paralelo à coloração.
Neste desenvolvimento participam transformações
químicas. As transformações químicas
do malte verde através da secagem ocorrem por meio de um
crescimento natural, enquanto o embrião estiver vivo, ou
por reações após a interrupção
do crescimento, que continuam como processos enzimáticos.
Finalmente, quando o grão estiver na torrefação
ocorrem reações puramente químicas, sob a
influência do calor e umidade, onde se altera a cor do corpo
farinhoso.
Enquanto a umidade do grão não baixar de 20% e a
temperatura não ultrapassar 40 graus Celsius, constata-se
um crescimento que se expressa no crescimento da acrospira. As
enzimas provocam a continuação da decomposição
que se expressa através do aumento da quantidade de nitrogênio
solúvel e de açúcares de baixo peso molecular,
até que determinados teores de umidade e as correspondentes
temperaturas limite são ultrapassados. A temperaturas de
40 - 70 graus Celsius ocorre a ação dos diversos
grupos enzimáticos, que mantém a decomposição,
até que a redução do teor de umidade interrompa
a ação enzimática ou que altas temperaturas
também o façam.
Já que nesta fase não ocorre mais o crescimento
do embrião, também os produtos da decomposição
não são mais consumidos para a formação
de novos tecidos.
A perda enzimática será tanto maior quanto mais
úmido o malte chegar a elevadas temperaturas.
As transformações químicas a elevadas temperaturas
tornam-se evidentes nas frações nitrogenadas (protéicas).
Sob a influência do teor de umidade e da temperatura, produtos
da degradação protéica, de peso molecular
mais elevado, coagulam.
Estas transformações são importantes para
o paladar, estabilidade da espuma e estabilidade da cerveja.
A formação de substâncias corantes e aromatizantes
é uma reação que ocorre a altas temperaturas
(80 a 85 graus Celsius para maltes claros e 100 a 105 graus Celsius
para maltes escuros) e baixa umidade (cerca de 5%), entre os açúcares
do malte verde e produtos da decomposição protéica,
formando as melanoidinas.
O método de malteação utilizado determina
a formação em maior ou menor grau destes produtos,
conseqüentemente, o tipo de malte.
O tratamento do malte após a secagem compreende o resfriamento,
para evitar-se perda de ação enzimática aumento
da cor e alteração no paladar da cerveja; o desbrotamento,
cujo objetivo é eliminar as radículas, que são
higroscópicas e contém substâncias prejudiciais
ao paladar e cor da cerveja, e o polimento do malte que retira
eventuais radículas, partículas de cascas e pó.
O armazenamento do malte antes do consumo nas cervejarias deve
ser feito por 15 - 30 dias.
Este repouso faz-se necessário, pois maltes recém
processados, fornecem mosto turvo, dificuldades na filtração
do mosto e no processo de fermentação, influenciando
com isso, o aspecto, paladar e estabilidade da espuma da cerveja.
Através de um armazenamento adequado ocorre uma leve hidratação,
os colóides das proteínas e glucanos recuperam a
sua água de hidratação; as cascas e o corpo
farinhoso perdem a sua rigidez e o malte pode ser moído
mais facilmente.
Deve-se manter a superfície de contato do malte com o ar
ambiente a menor possível, para que não ocorra um
excesso de hidratação.
Uma série de análises organolépticas e físico-químicas
são necessárias pra classificarmos a cevada malteada
de acordo com as suas características, objetivando um melhor
aproveitamento e assegurando assim a qualidade intrínseca
da cerveja.
Matthias R. Reinold
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