Notícias de mercado
2004 - Outubro
Schincariol anuncia lucro de R$ 30 milhões no trimestre
Pela primeira vez, a Schincariol divulgou seu resultado líquido: no terceiro trimestre deste ano, a cervejaria teve lucro de R$ 30 milhões, contra um prejuízo de R$ 12 milhões contabilizado no terceiro trimestre de 2003 - período que já refletia o investimento agressivo em marketing para o lançamento da Nova Schin. A verba de marketing do terceiro trimestre do ano passado foi de R$ 40 milhões de um total de R$ 120 milhões gastos apenas nos últimos cinco meses do ano.
A empresa - que segundo a ACNielsen aumentou sua participação de mercado de 10,2% em agosto do ano passado para 13% em setembro último - faturou no terceiro trimestre R$ 650 milhões, uma alta de 80,5% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, as vendas totalizam R$ 1,82 bilhão, montante superior ao faturamento de todo o ano de 2003, quando a empresa faturou R$ 1,64 bilhão. "O objetivo é fechar o ano com R$ 2,5 bilhões", afirma José Domingos Francischinelli, diretor financeiro e de planejamento. "O resultado reflete o sucesso da Nova Schin, a recuperação da economia e o trabalho que fizemos com novos distribuidores para atuarmos nos mercados mais distantes, onde a empresa não estava presente", acrescenta o diretor. De capital fechado, a movimentação financeira da Schincariol está sendo auditada pela Trevisan desde o início deste ano. A empresa está divulgando agora números mais detalhados sobre o seu desempenho. O balanço completo, entretanto, não é publicado. Conforme anunciado pela empresa, o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação do terceiro trimestre foi de R$ 63 milhões, contra R$ 13 milhões em 2003. Do segundo para o terceiro trimestre, houve um crescimento de R$ 57 milhões nesse indicador operacional. Apesar dos gastos expressivos em marketing feitos no ano passado, a verba deste ano é 50% maior: R$ 180 milhões. A diferença é que o montante, em 2004, está diluído ao longo do ano. No terceiro trimestre deste ano, os gastos com marketing totalizaram R$ 28 milhões, queda de 30% em relação aos R$ 40 milhões do mesmo período de 2003.
A empresa é patrocinadora oficial do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 e tem como garotos-propaganda Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Apenas a compra da cota de patrocínio da transmissão - pacote de 945 inserções na Rede Globo - consumiu R$ 30 milhões.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
AmBev atinge 67% do mercado em setembro
Os dados ACNielsen de setembro mostram que das três principais cervejarias que atuam no país, Molson e Schincariol perderam mercado, enquanto AmBev aumentou sua participação no mercado nacional em relação ao mês de agosto. A Molson, que reúne as marcas Kaiser e Bavária, saiu de 10,7% em agosto para 10,3% em setembro. A mesma redução foi sentida pela Schincariol, cuja participação caiu de 13% para 12,6%. A AmBev subiu de 66,4% para 67%. A fatia conquistada pela AmBev deve-se, sobretudo, ao crescimento da marca Skol, líder de mercado. A cerveja, que respondia por 30,4% do mercado em agosto, alcançou 31,6% em setembro. A marca Brahma ficou estacionada em 19,5%. Já Antarctica diminuiu sua presença, caindo de 11,3% para 11%. A Nova Schin, um ano depois de seu lançamento, ganhou mercado. A marca, que recebeu investimentos maciços em marketing, tem hoje 11,1% de participação, segundo dados da ACNielsen, contra 9,7% em setembro do ano passado. Em agosto, a participação da marca era de 11,6%. A Kaiser, principal marca da cervejaria Molson, tinha 7,3% em agosto. Passou a ter 7,1% no mês passado. A Bavaria está com 2,4% do mercado, 0,1 ponto percentual abaixo do mês de agosto. Cada ponto percentual é estimado em R$ 100 milhões. Depois de um inverno longo e intenso, o forte calor do mês de setembro deve contribuir para alavancar as vendas do segundo semestre. Embora ainda não haja dados oficiais, fala-se no mercado de um crescimento de até dois dígitos.
Segundo Marcos Mesquita, superintendente do SINDICERV, entre julho e agosto, o crescimento foi de cerca de 3% comparado ao mesmo período do ano passado. "O segundo semestre deste ano deve ser melhor do que o ano passado", afirma Mesquita. No primeiro semestre, o setor de cervejas encolheu em volume. As vendas caíram 2,5% em relação aos primeiros seis meses de 2003. "Como os preços se mantiveram estáveis, as empresas perderam faturamento", diz.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
A receita de John Brock para a Inbev
John Brock, diretor-presidente da Inbev, a cervejaria de maior volume de produção do mundo, recebeu alguns conselhos úteis no início da sua carreira, quando trabalhava na Proctor & Gamble. Lá ouviu de um colega mais experiente: "O segredo no negócio é simples. Tudo o que você tem a fazer é vir aqui todas as semanas, dizer-me o que vai fazer, depois sair e fazer. Então, de quando em quando, você me apresenta uma pequena surpresa positiva. Se fizer isso, então um dia será o diretor-presidente." O conselho funcionou para Brock, de 56 anos, pois depois da Proctor & Gamble, ingressou na Cadbury Schweppes onde se tornou diretor de Operação e era o candidato favorito para suceder John Sunderland como diretor-presidente. Perdeu para um rival interno e foi embora. Logo assumiu o cargo de diretor-presidente da Interbrew, a gigante belga da cerveja. Desde que ingressou na empresa, Brock a tem reformulado, transformando uma cervejaria de administração familiar numa empresa moderna e também encontrou meios de reduzir os custos do grupo em 200 milhões. Mas a grande medida de Brock foi engendrar a fusão, este ano, da Interbrew com a Ambev, para criar uma nova empresa denominada Inbev. Ao fazer isso, Brock, que estava na empresa havia apenas um ano, mudou o cenário mundial da indústria cervejeira. Em termos de volume - mas não de lucratividade - a empresa ampliada tirou o 1.º lugar da Anheuser Busch dos Estados Unidos. Para os milhares de consumidores, as marcas são muito mais conhecidas do que a Inbev. Seu portfólio de 200 marcas inclui as campeãs Beck’s, Stella Artois, Bass, Leffe e Hoegaarden, assim como a cerveja Brahma da Ambev - que a Inbev pretende transformar em marca internacional.
As rivais menores da Inbev - SABMiller e Scottish & Newcastle - estão ponderando uma forma de reagir num ambiente em que o tamanho realmente conta numa escala global, mas também estão esperando para ver se os grupos que compõem a Inbev deslancham. A AmBev manteve suas ações listadas no Brasil e em Nova York, enquanto a Inbev tem suas ações listadas separadamente na Euronext, mas está consolidando as contas do grupo ampliado e considerando listar seus recibos de depósitos de ações também na Bolsa de Nova York. Há os que perguntam quem se tornará o investidor dominante a longo prazo, mas Brock é categórico em afirmar que os direitos de voto são iguais: "Esta empresa será gerida como uma só, e se não fizermos isso, nunca atingiremos o volume nem as sinergias de custo que dissemos que seria parte da transação." Se os dois lados se desentenderem, há um mecanismo para desfazer a fusão no decorrer "de alguns anos". Fora isso, as duas empresas estão efetivamente unidas, e Brock estabeleceu a meta não apenas de ser a maior cervejaria por volume como também a mais lucrativa.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
AmBev e Schincariol preparam-se para o verão
O mercado já se prepara para um novo round, depois de pouco mais de um ano desde o início da guerra das cervejas, deflagrada pela estrondosa campanha "Experimenta" da Nova Schin. Só que nesse verão o duelo acontecerá entre Antarctica e Nova Schin - e não mais com Brahma como no ano passado. Será decisiva para definir a marca que assume - e consolida - a terceira posição do mercado brasileiro de cervejas, depois de Skol e Brahma. Em setembro, segundo dados da AC Nielsen, Nova Schin tinha 11,1% de participação de mercado, enquanto Antarctica estava com 11%. Depois de todo o imbróglio envolvendo o cantor Zeca Pagodinho, pivô de uma disputa entre AmBev e Schincariol que foi parar na Justiça, no próximo verão a disputa será entre a dupla Bussunda e Juliana Paes, que protagoniza a campanha da Antarctica, e Ivete Sangalo. Segundo fontes ligadas aos fabricantes, a cantora, que já foi garota-propaganda da Antarctica, foi contratada pela Nova Schin por R$ 9 milhões. De um lado, estará a BOA (Bebedores Oficiais de Antarctica), mote da campanha da Antarctica criada pela agência AlmapBBDO, e, de outro, a Nova, da Fischer América. No ano passado, embora a briga na mídia tenha polarizado Brahma e Nova Schin, no mercado, quem disputou mais de perto a preferência do consumidor foi Antarctica e a cerveja da Schincariol. Até porque são dois produtos no mesmo patamar de preço - mais baratos que Skol e Brahma. Comenta-se no mercado que a AmBev não teve a melhor estratégia ao colocar a Brahma para enfrentar a Nova Schin e que, depois da aliança com os belgas, a marca Brahma, escolhida para ter um posicionamento internacional, deve ser poupada pela companhia. Em setembro do ano passado, logo após a estréia da campanha e do seu relançamento, a Nova Schin tinha 9,6% de participação de mercado, segundo AC Nielsen. Chegou a 13,4% em dezembro e recuou para 11,1% doze meses depois, em setembro último.
Já a Antarctica tinha 9,4% em setembro do ano passado e alcançou 11% no mês passado, um ganho de 1,3 pontos percentual. Nenhuma das outras duas marcas da AmBev oscilou tanto. Brahma saiu de 19,8% para 19,5% em doze meses e Skol, de 31,3% para 31,6%. "Apostamos na consolidação do posicionamento das nossas marcas para recuperar mercado", diz Alexandre Loures, gerente de comunicação da AmBev. "Uma empresa de capital aberto precisa de um plano de sustentabilidade." A Schincariol promete manter a agressividade no marketing. Além da contratação de Ivete Sangalo, a cervejaria - que patrocinou o GP do Brasil - já acertou com a Rede Globo a cota anual de patrocínio da Fórmula 1 para 2005. Também prepara o lançamento de novos produtos para o verão e está relançando a marca Primus no Nordeste. A verba de marketing deste ano, segundo a empresa, é de R$ 180 milhões e, em 2003, foi de R$ 120 milhões - concentrados numa única marca e em quatro meses de campanha. O que se diz no mercado é que quando a empresa aumentou os preços e tirou a campanha "Experimenta" do ar, a participação de mercado da Nova Schin começou a regredir. De acordo com Luis Cláudio Paya de Araújo, gerente de marketing da Schincariol, a Nielsen não reflete fielmente o crescimento da empresa, pois não aufere a região Norte, onde a Schincariol é líder de mercado. A sacudida que a Schincariol deu no mercado foi considerada positiva. "A AmBev estava tranqüila na liderança e com a campanha da Nova Schin teve que reagir com unhas e dentes", diz Marcos Mesquita, superintendente do SINDICERV, entidade que reúne as cervejarias. "A campanha da Schincariol mostrou que é possível concorrer e bem no mercado de cervejas." A disputa entre as marcas está tão acirrada porque o mercado de cerveja no Brasil está praticamente estagnado. Em 2003, a queda no volume consumido foi de 2%.
Este ano, até setembro, a queda em relação ao ano passado era de 0,8%. "O investimento maciço em marketing influencia a escolha por determinada marca, mas o que muda o patamar de consumo e faz o mercado crescer é o aumento da renda", explica Mesquita. Como não entram novos consumidores no mercado, as empresas disputam cada centésimo de participação de mercado. O confronto das grandes acontece na mídia. Já as menores apostam em nichos - como o caso da Heineken em cervejas premium - ou adotam um posicionamento regional - o que a Cintra fará na sua nova fase.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Cintra investe R$ 25 milhões para reposicionar a marca no mercado
A cervejaria Cintra, que detém 1,7% de participação no mercado nacional de cervejas, está investindo R$ 25 milhões numa campanha de marketing para apresentar ao consumidor um novo posicionamento e nova roupagem. Desenvolvida pela agência Carillo Pastore Euro RSCG, a propaganda na TV - ao todo serão cinco filmes - será veiculada no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo e ficará no ar até março de 2005. "A mídia de cerveja esteve muito congestionada no passado recente", disse Antonio Pires, diretor geral da Cintra, ao Valor. "Aproveitamos essa janela que se abre agora para nos mostrarmos ao consumidor", acrescentou Pires. O objetivo da companhia é fortalecer sua presença no Rio de Janeiro. O mercado fluminense, segundo o SINDICERV, é o terceiro do país - atrás de São Paulo e interior de São Paulo, que juntos detém 29% - e responde por cerca de 13% do mercado brasileiro. Segundo dados ACNielsen, em três anos, a empresa aumentou sua participação de mercado no Rio de Janeiro em 475%. Em setembro, a cervejaria tinha 6,9% de participação no Estado. "Nossa meta é aumentar essa participação para 10% nos próximos 12 meses", afirma.
No mercado fluminense, de acordo com Pires, a Cintra já é a quarta cerveja mais vendida depois das principais marcas da AmBev. A empresa também está investindo nas parcerias de distribuição nos três Estados nos quais a campanha estará no ar para dar suporte à demanda que tiver em função da mídia. A Cintra alterou 30% de sua rede de distribuição na Região Sudeste em 18 meses e hoje está presente em 82 mil pontos-de-venda, afirma o diretor. A Cintra Pilsen - alvo da campanha - é o único produto da cervejaria, que pertence ao grupo português de mesmo nome, que iniciou suas atividades no Brasil em 1997.
A primeira fábrica foi a de Mogi-Mirim, interior de São Paulo, e tem capacidade de produção de 120 milhões de litros anuais. A segunda está localizada em Piraí, no Rio de Janeiro, e pode produzir até 300 milhões de litros anuais. Segundo Pires, atualmente, a empresa trabalha com 62% de sua capacidade produtiva - cerca de 260 milhões de litros. "Depois da campanha, deveremos alcançar entre 85% e 90% de nossa capacidade de produção", afirma o diretor-geral da companhia. A empresa tem planos de investir R$ 40 milhões nos próximos três anos para ampliar a produção. O faturamento da Cintra no ano passado foi de R$ 265 milhões e para este ano, de acordo com Pires, a previsão é fechar na casa dos R$ 300 milhões. Em Portugal, o grupo atua em diferentes segmentos, de água mineral e negócios imobiliários a petróleo. O negócio de cervejas passou a ser desenvolvido em Portugal depois que a empresa começou a operar no Brasil. A cerveja vendida em Portugal é produzida no país e tem diferença na formulação - é mais forte. Hoje, a Cintra exporta 5% da produção para países como Chile, Bolívia, Colômbia, Argentina e Angola. "Estamos em negociações também com Estados Unidos e China", afirma o diretor.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Para recuperar espaço, a Kaiser renova equipe, corta custo e muda publicidade
Quem vive a pior ressaca da guerra das cervejas é a Molson, dona da Kaiser, que perdeu quase R$ 250 milhões em participação de mercado nos últimos 12 meses, desde que foi lançada a campanha da Nova Schin. Em setembro do ano passado, segundo dados da ACNielsen, a Molson tinha 12,4% do mercado e em setembro último caiu para 10,1%. A Kaiser atravessa um momento delicado. O recuo de 17,5% nas vendas e a depreciação de cerca de US$ 150 milhões em suas operações no Brasil chegaram a ser apontadas, pela matriz, como um dos motivos para o fraco resultado obtido pela companhia no quarto trimestre fiscal. Por conta desses resultados e da perda de mercado - as duas cervejas, Bavária e Kaiser, têm tido quedas consecutivas de participação - a empresa tenta arrumar a casa. Depois da contratação de Fernando Tigre, ex-Alpargatas, em julho, a empresa está mudando a diretoria. No início do mês, Marcelo Toledo, com passagens pela AmBev e Microsoft, assumiu a diretoria de marketing. A empresa também foi buscar no mercado um novo diretor de vendas e distribuição.
Cláudio Fontes, que trabalhou durante 25 anos no sistema Coca-Cola no Brasil e na Venezuela, acaba de assumir o cargo. "Estamos trabalhando para reverter a perda de mercado", afirma Paulo Macedo, diretor de assuntos corporativos. A Molson tem um plano de redução de custos de R$ 250 milhões. Quando comprou a Kaiser, a Molson pretendia reduzir as despesas em R$ 100 milhões, mas essa meta foi ampliada em mais R$ 100 milhões. Ao assumir a direção, Fernando Tigre estabeleceu que outros R$ 50 milhões poderiam ser cortados. Segundo Macedo, a empresa já conseguiu enxugar dois terços desse montante através da renegociação com fornecedores e prestadores de serviços, além da otimização da compra de insumos, como o lúpulo e a lata. A publicidade - ao contrário das concorrentes - também não ajudou a empresa a melhorar seu desempenho. No intervalo de apenas um ano, a Molson vai mudar pela segunda vez de agência. Em novembro de 2003, trocou a Young & Rubicam pela W/Brasil e agora, até a segunda quinzena de novembro, definirá a agência que cuidará da conta. A vencedora será responsável pela campanha de verão da Kaiser, que deve consumir boa parte dos R$ 180 milhões da verba de marketing da empresa para este ano.
"Fizemos um processo de revisão da comunicação e a W/Brasil não se encaixava mais na nossa proposta", diz Paulo Macedo. O mote "a cerveja feita por você" não surtiu o efeito desejado. "A campanha não emplacou como gostaríamos", completa. "Eles usaram um tema parecido com o da Nova Schin, só que depois e não tiveram recall", diz Marcos Mesquita, superintendente do SINDICERV, o sindicato nacional da indústria de cerveja. O objetivo da Kaiser, segundo Macedo, é fortalecer a presença da empresa em mercados nos quais são tradicionalmente fortes, como Curitiba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Kaiser foi patrocinadora do Oktoberfest de Blumenau e Santa Cruz do Sul. "Em São Paulo, somos líderes em supermercados e queremos recuperar espaço em bares e padarias", diz Macedo. "São Paulo e a região Sul são mercados que permitem uma rentabilidade maior, já que esse é o nosso foco de crescimento."
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Heineken monta marketing agressivo para fazer decolar as vendas no Brasil
O mercado de cervejas premium e superpremium, com produtos mais sofisticados e direcionados para as classes A e B, está em ebulição. Pequenas cervejarias, como a Itaipava, do Rio, estão entrando nesse nicho e marcas artesanais, como a carioca Devassa e a paulista Baden Baden, investem na sofisticação do hábito de beber cerveja. Todos de olho em um segmento que cresce mais que os outros e que é hoje virtualmente dominado pela marca Bohemia, da AmBev, dona de cerca de 75% do mercado. Na origem dessa movimentação está um nicho que, embora ainda pequeno - cerca de 5% do mercado de cervejas do país que, é de 8,2 bilhões de litros/ano -, permite a prática de preços diferenciados e, conseqüentemente, de margens mais remuneradoras. A disputa pode sair da variável preço. A holandesa Heineken, uma das marcas de cerveja premium mais populares do mundo, mas que até agora não emplacou no mercado brasileiro, avalia que chegou o momento de iniciar uma investida, também focada na sofisticação. "Nós estamos no Brasil há mais de 13 anos (desde 1990) e com uma posição que não é a que a Heineken merece", disse Michiel Verhagen, gerente de marketing no país da cervejaria holandesa, que no Brasil é controlada pela Kaiser. O Rio de Janeiro foi escolhido como base para o esforço de marketing que a Heineken fará a partir de novembro, com o objetivo de aumentar suas vendas dos atuais 60 mil hectolitros/ano (um hectolitro equivale a 100 litros) para 1 milhão de hectolitros/ano em prazo não determinado. Por que o Rio? "Quem faz sucesso no Rio se transporta para o resto do país. O Rio é o mercado onde novas tendências são lançadas", responde Verhagen. A Heineken não pretende fazer campanha de mídia eletrônica como TV. A idéia é investir nos pontos-de-venda, trabalhando a idéia de refinamento e de design. "A Heineken não é uma cerveja para se beber na praia", resume. O recente lançamento da embalagem em garrafa de 600 ml, considerada uma marca registrada do mercado brasileiro, foi mais um passo nessa estratégia. A idéia foi disponibilizar uma apresentação consagrada, mas com características especiais, como a garrafa verde, em vez de escura, e o rótulo em relevo, em vez do habitual rótulo de papel colado. Verhagen não dá os números do quanto será investido na ofensiva, mas diz que não será pouco. O trabalho nos pontos-de-venda vai incluir, a partir do dia 14 de novembro, apresentações de música eletrônica em um projeto chamado Green Session. Estão previstos seis eventos no balneário de Búzios (região dos Lagos) e seis no Rio. A idéia é chegar a São Paulo a partir de janeiro.
Música também está no roteiro da líder do mercado, a Bohemia, na tentativa de ampliar seu domínio. Segundo Mariana Amazonas, gerente de produto Bohemia da AmBev, o patrocínio de eventos musicais estão entre as iniciativas que a marca pretende implementar nos próximos meses como parte da sua estratégia de marketing. "É um marketing mais coerente com as características da primeira cerveja do Brasil."
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Cervejarias aventuram-se com sabores exóticos
A cerveja deixa a tradição para trás para ganhar diferentes e inusitadas versões. De grandes a pequenas cervejarias, os fabricantes testam novas fórmulas para conquistar um leque cada vez mais amplo de consumidores. O grupo Schincariol está lançando a NS2 (sigla de Nova Schin 2), cerveja com sabor de tequila e limão. O produto chega às prateleiras dos supermercados, bares, restaurantes e casas noturnas em novembro. Além de eventos, a empresa fará uma campanha de mídia, que vai ao ar em dezembro.
A Schincariol não divulga a verba específica para o desenvolvimento e lançamento do produto, que está inserida nos R$ 180 milhões que a companhia investe em marketing.
Segundo Luis Fernando Amaro, gerente de produto da Schincariol, a bebida não contém diretamente tequila ou limão na sua composição, mas a essência dos produtos. O grau alcoólico da bebida - que terá um rótulo com um mexicano que cobre as embalagens da long neck e lata - é de 4,7%. De acordo com Amaro, a empresa observa a tendência do mercado internacional de cerveja aromatizada há cerca de três anos.
Em países como Holanda, Inglaterra e Alemanha, já existem cervejas com sabor de frutas cítricas, damasco, guaraná, maracujá, pêssego e tequila - que em testes no Brasil, misturada ao limão, foi a mais apreciada. A Schincariol pretende fazer extensões da linha com outros sabores. "Poderemos fazer um novo sabor para o inverno", diz. O objetivo é atuar no segmento premium e disputar o público jovem concorrendo com cervejas como Skol Beats, Kaiser Summer Draft, Miller e a mexicana Sol, comercializada no Brasil pela Kaiser. "Nossa meta é ter 15% do mercado premium até o final do verão." Seguindo a linha da diversificação, a Cervejaria Sul Brasileira, de Toledo, oeste do Paraná, decidiu apostar nas mulheres para aumentar suas vendas e tornar-se mais conhecida. A empresa está lançando uma cerveja feminina - a Donna´s Beer. Menos amarga e com uma embalagem envolvida por filme cinza e com flores em vermelho, a bebida chega com a missão de conquistar uma fatia da receita obtida pelos fabricantes com o público feminino.
"Pesquisas indicam que as mulheres respondem por 40% do consumo de cerveja e esse filão não estava sendo explorado no Brasil", explica Saul Brandalise Neto, 30, coordenador-geral da cervejaria. Seu pai, Saul Brandalise Júnior, ex-controlador da Perdigão, comprou 60% da cervejaria e deixou o negócio nas mãos de seus dois filhos - Saul Neto e Jean Paul. No ano passado a cervejaria fechou uma parceria com o apresentador Ratinho que, em troca de merchandising em seu programa de televisão e de aparição em campanhas de publicidade, tem participação na marca e nas vendas. A preocupação atual da cervejaria é a Donna´s, que está sendo enviada aos 150 distribuidores da cervejaria. Segundo Saul Neto, o interesse em criar uma bebida para as mulheres, com sabor mais suave, surgiu há três anos. O desenvolvimento do produto começou há um ano e incluiu pesquisas em outros países, eventos de degustação e criação de embalagem. Avesso a falar em números, Saul Neto não diz quando planeja vender do novo produto. Informa apenas que o volume total será cerca de 20% maior em 2004 em relação ao ano passado. Além da Colônia, sua principal marca, a empresa tem uma marca de exportação, a Sambadoro.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Operação AmBev-Interbrew é avaliada em US$ 11,3 bilhões
A compra da AmBev pelo grupo belga Interbrew foi o maior negócio de compra e venda de empresas no País, superando inclusive as privatizações das empresas do antigo grupo Telebrás ou da Companhia Vale do Rio Doce. Conforme cálculos de analistas que estudaram a operação, a cervejaria brasileira foi avaliada em US$ 11, 328 bilhões, considerando o valor pago pelas ações ordinárias dos acionistas controladores (441,60 ou o equivalente a US$ 552,66) e aos minoritários titulares de ações ordinárias (353,28 ou o equivalente a US$ 442,13). Os cálculos não computam as ações preferenciais já que, pela legislação brasileira, essas ações não têm direito a voto, o que as torna quase que títulos de dívida, sem prazo de resgate. Os donos de ações preferenciais ficaram fora do negócio, com grandes prejuízos a esses minoritários, como é o caso do fundo de pensão Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. As preferenciais representam 59% do total de ações da AmBev. Com base nos documentos divulgados pela AmBev, os três acionistas que partilhavam o controle acionário da empresa (Jorge Paulo Lemann, Marcell Herman Telles e Carlos Alberto Sicupira), tiveram as suas posições avaliadas em US$ 4,561 bilhões, o que corresponde a cerca de US$ 1,5 bilhão para cada um.
Os três partilhavam o controle da AmBev por meio de duas empresas: a Empresa de Administração e Participações (ECAP), que tinha 4, 039 bilhões de ações ordinárias e a Braco Investimentos S.A. (4, 214 bilhões de ações ordinárias). Estes valores não foram pagos em dinheiro, mas resultaram em operações de complexa troca de ativos. A afirmação dos acionistas da AmBev na data do anúncio de transação, no dia 3 de março, de que a empresa continua sob controle brasileiro, perde o sentido ante os novos documentos referentes à operação. Isso fica explícito na nota de 27 de agosto divulgada pela empresa, quando a transação foi consumada. Segundo a nota, "como resultado dessas operações, a InBev tornou-se a detentora indireta de 27.463.411.153 ações da AmBev (sendo 16.065.229.834 ações ordinárias e 11.398.181.319 ações preferenciais), representando 68,4% do capital votante e 49,1% do capital total da AmBev". A nota diz ainda que, "de acordo com as leis do Reino da Bélgica", a sede da InBev fica em Vaarstraat 94, Leuven", embora a AmBev continue sediada em São Paulo.
A "mudança de endereço" da controladora da AmBev traz benefícios financeiros expressivos à companhia. Ao se tornar uma empresa "européia" a AmBev conseguirá reduzir os custos financeiros, por não carregar mais o "risco-Brasil". A conclusão da operação ainda depende da oferta pública de compra de ações dos acionistas minoritários titulares de ações ordinárias. Os titulares de ações preferenciais não foram contemplados na operação, já que a AmBev não oferecia o direito de tag along para esse tipo de ação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitou informações adicionais da empresa para autorizar a oferta pública de compra dos minoritários.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
AmBev inaugura novo Centro de Distribuição
A Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) inaugurou ontem seu maior Centro de Distribuição (CD) na América Latina, localizado em Diadema (SP). O novo CD, considerado modelo pela AmBev, tem capacidade para atender até 220 caminhões por dia e deverá gerar 1,5 mil empregos diretos e 7,5 mil indiretos, conforme informou a empresa. A unidade ocupa uma área de 85 mil metros quadrados e está capacitada com alta tecnologia de monitoramento de atividades, além de equipamentos de armazenagem e movimentação. A AmBev atende a 1 milhão de estabelecimentos em todo o Brasil, com 332 revendas exclusivas e 32 centros de distribuição próprios.
Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria & Serviço
Kaiser fecha fábrica e encerra sua reestruturação
A Cervejarias Kaiser encerrou as atividades de sua unidade fabril em Queimados (RJ), que operava há 20 anos. O fechamento da fábrica põe fim à reestruturação iniciada em 2002, quando a cervejaria, controlada pela canadense Molson, se fundiu com a Bavária. Dos 35 milhões de hectolitros de capacidade de produção anual espalhados em 13 fábricas, na época, permanecerão em operação oito unidades, com capacidade produtiva total de 20 milhões de hectolitros. "Era um volume quase três vezes maior do que precisávamos. Conseguimos reduzir a ociosidade de nosso parque fabril", afirmou o gerente corporativo industrial da cervejaria, Edmundo Albers. Apenas 30% da capacidade da fábrica de Queimados (de 3 milhões de hectolitros) estava sendo aproveitada, disse o executivo. Com o encerramento, a utilização média sobe para cerca de 50%. O processo de encerramento da unidade durou cerca de um ano. A linha, que abrigava a produção das cervejas Kaiser, Heineken e alguns itens para exportação, foi transferida para a fábrica de Jacareí (SP), que recebeu investimentos de R$ 10 milhões para adequar suas operações. "A unidade de Queimados ficava a apenas 315 quilômetros de distância de Jacareí (ambas são localizadas na mesma margem da Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio), fazendo com que essas fábricas competissem entre si.
Agora, a fábrica paulista passará a atender praças que eram abastecidas anteriormente por Queimados", disse o executivo. A fábrica de Jacareí pode produzir até 7 milhões de hectolitros por ano, contra os 3 milhões da de Queimados. Cerca de 250 funcionários serão dispensados. Ainda não foi definido o destino da área de Queimados. "Esperamos alcançar uma ocupação média anual de nossas fábricas da ordem de 70% em breve", disse Albers. O patamar fica dentro do índice considerado ideal de ocupação das cervejarias no País (entre 50% a 70%), por conta da sazonalidade do mercado - que alcança seu pico no final do ano e tem as vendas reduzidas no inverno. Os volumes de venda desse ano, entretanto, deverão empatar com os do ano passado (não revelados). De acordo com a empresa, os produtos Kaiser detêm 10,3% de participação de mercado (com a linha de bebidas Kaiser e as marcas Bavária, Heineken, Xingu e Santa Cerva). A Molson anunciou que obteve prejuízo de 117,9 milhões de dólares canadenses (o equivalente a US$ 96,6 milhões) em seu segundo trimestre fiscal, ante um lucro de 96 milhões de dólares canadenses no mesmo período do ano passado. A empresa afirmou que o resultado foi prejudicado pelas vendas fracas no Brasil e no Canadá. Ainda segundo nota divulgada pela empresa, cerca de US$ 41 milhões serão gastos no encerramento das atividades em Queimados. Albers, entretanto, disse que o fechamento da unidade não foi determinado pela matriz. As vendas mundiais foram de US$ 539 milhões no período. A Molson anunciou que planeja refinanciar uma parte de sua dívida brasileira (US$ 173 milhões) com uma injeção de capital.
Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria & Serviços
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