Notícias de mercado
2005 - Fevereiro
Molson Coors mantém Kaiser
A nova cervejaria Molson Coors, fusão da canadense Molson com a norte-americana Coors, quer examinar suas operações no Brasil, mas não pretende vender a Kaiser. O novo diretor-executivo da companhia, Leo Kiely, que assumiu o cargo no dia 9 de fevereiro, disse que o futuro do Brasil é uma "decisão realmente importante", mas rejeitou a possibilidade de fechar a Cervejaria Kaiser. "Pode haver alguma consolidação de ativos, mas este é um ativo valioso", disse Kiely. O executivo reconheceu que estrategicamente a Molson estaria interessada em unir-se à Fomento Econômico Mexicano SA (Femsa), produtora das cervejas Sol e Dois Equis, mas duvidou que a mexicana considere a opção.
Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria & Serviços
Schincariol anuncia planos para uma fábrica num país sul-americano
O Grupo Schincariol, que inaugura este ano três novas fábricas, já estuda a possibilidade de instalar, a partir de 2007, sua primeira unidade de produção no exterior. Segundo o diretor de Planejamento da empresa, José Francischinelli, será na América do Sul, mas ainda não há definição do país. Na semana passada, o grupo teve aprovados dois financiamentos do BNDES no valor total de R$ 227,8 milhões para as fábricas de Igrejinha (RS), que foi inaugurada oficialmente em 25/2, e Benevides (PA), que entra em operação até agosto. Até 1997, quando foi inaugurada a unidade baiana de Alagoinhas, só havia a matriz, em Itu (SP). A pulverização da produção por todo o País segue a estratégia da empresa de reduzir custos de transporte e logística e ampliar sua fatia no mercado consumidor. Em 1991, a cervejaria detinha somente 1% do mercado. Hoje são 12% segundo dados da ACNielsen, e 16%, pelas contas do próprio grupo. Pelas estatísticas de maio de 2004, a AmBev, líder nacional e detentora das marcas Skol, Brahma e Antarctica, estava com 65%. A Nova Schin não conseguirá manter o mesmo ritmo de crescimento dos últimos anos, como reconhecem os próprios diretores do grupo, mas a meta é abocanhar ainda uma parcela significativa de consumidores, chegando 20% no final de 2006.
A empresa já pode ser considerada um peso pesado do setor, um segmento de mercado marcado pela concentração. No ano passado, o grupo Schincariol cresceu 58%. O faturamento chegou a R$ 2,54 bilhões, quase R$ 1 bilhão acima do resultado de 2003, ano do lançamento da cerveja Nova Schin. A divisão de cerveja respondeu por 80% das vendas (R$ 2,017 bilhões), enquanto os outros 20% ficaram com a área de não-alcoólicos. Para este ano, a companhia projeta um crescimento de 15% nas vendas em relação ao ano passado.
Segundo Francischinelli, desde 2002 o grupo já investiu cerca de R$ 600 milhões em quatro pontos de produção, incluindo a de Igrejinha, que, além de abastecer os mercados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também terá parte de sua produção voltada à exportação. No ano passado, cerca de 3,5% do faturamento do grupo vieram de vendas externas. Com a nova fábrica, esta parcela deve subir para 5%. No fim do ano, será inaugurada mais uma unidade, em Três Lagoas (MS). Outras duas estão sendo planejadas para o Ceará e Minas Gerais. Com isso, serão 11 fábricas, nove delas construídas a partir de 2000.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Perdas da Kaiser ajudam a derrubar o lucro da Molson
Mais uma vez, a operação brasileira da Molson, cervejaria controladora da Kaiser, aparece em destaque no resultado da companhia canadense como uma das responsáveis pela queda de desempenho em seu balanço. A Molson, que completou sua fusão com a Adolph Coors para constituir a quinta maior cervejaria do mundo - a Molson Coors -, anunciou um recuo de 59% nos lucros do terceiro trimestre (ano fiscal encerra em 31 de março), devido aos custos maiores e ao declínio das vendas no Brasil. O lucro líquido da Molson caiu de 43,6 milhões de dólares canadenses para 17,7 milhões de dólares canadenses (US$ 14,2 milhões) no período encerrado em 31 de dezembro. As vendas registraram pequena variação, indo a 623,2 milhões de dólares canadenses.
A maior cervejaria do Canadá está contando com a fusão de US$ 3,4 bilhões com a Coors para ajudá-la a deter a decrescente participação de mercado no Canadá - que caiu de 45% em 2003, para 41,8% - e a reverter a situação da sua divisão deficitária no Brasil, cuja fatia de mercado saiu de 11,2% para 8,9% em 2004. Varejistas de descontos têm tirado vendas da Canadian, o carro-chefe da empresa, e a Inbev, segunda cervejaria do mundo, tirou participação da Kaiser, da Molson, no Brasil. A Coors Light já responde por cerca de 20% do lucro da Molson no Canadá e o acréscimo da marca à sua divisão brasileira poderá ajudar a impulsionar as vendas no país. As vendas de cerveja por volume tiveram queda de 7,5% no trimestre, incluindo uma queda de 11% no Brasil e de 2,9% no Canadá, informou a Molson.
Excluindo despesas para "racionalização" e custos de fusão de 41,4 milhões de dólares canadenses, o lucro do terceiro trimestre da Molson teria sido de 51,9 milhões de dólares canadenses. Na divulgação de resultado do segundo trimestre do ano fiscal, a Molson já havia admitido perdas significativas no Brasil. Naquele período, a operação brasileira foi responsável por um prejuízo de 210 milhões de dólares canadenses, o que afetou o resultado global da Molson em 117,9 milhões de dólares canadenses. Na ocasião, a Molson desativou a fábrica de Queimados (RJ) - quinta unidade com as portas fechadas desde que chegou ao Brasil em 2001.
A cervejaria canadense entrou no mercado brasileiro comprando a Bavária da AmBev (por conta da fusão entre Brahma e Antarctica) e adquiriu a cervejaria Kaiser, em março de 2002, pela qual pagou US$ 765 milhões. A Kaiser vem numa trajetória de queda de participação de mercado - sofreu fortemente os efeitos colaterais da batalha travada entre Schincariol e AmBev há pouco mais de um ano. A marca, que tinha uma fatia de 8,7% em dezembro de 2003, caiu para 6,8% doze meses depois, segundo dados ACNielsen. A Bavária, segunda marca da Molson no Brasil, fechou o ano de 2004 com uma fatia de 2,1%, contra 2,5% em 2003.
Procurada, a direção da Molson disse que não irá se manifestar, aqui no Brasil sobre os resultados globais da companhia no terceiro trimestre. Os executivos da subsidiária viajam esta semana aos EUA para serem orientados sobre as diretrizes da nova empresa resultante da fusão entre Molson e Coors. O lucro líquido da Coors, terceira maior fabricante de cerveja dos EUA, sediada em Golden, aumentou em 54% no quarto trimestre, de US$ 36,1 para US$ 55,7 milhões, devido a um aumento no faturamento nos EUA, à venda de ativos e ao declínio da moeda americana. A Molson Coors pretende cortar custos em US$ 175 milhões ao ano até 2008 por meio do aprimoramento do poder de compra e através da redução de pessoal, declararam as duas cervejarias no evento de fusão.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Usineiros diversificam e vão abrir cervejaria
O Grupo Aralco, que controla três usinas de açúcar e álcool no interior de São Paulo, decidiu diversificar sua atuação e investir R$ 60 milhões na construção de uma cervejaria para matar a sede da população de municípios que estão na fronteira entre Minas Gerais e São Paulo. Ainda neste primeiro semestre, possivelmente em abril, a Aralco vai inaugurar sua fábrica em Frutal (MG), cidadezinha de 46 mil habitantes, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, abrindo 160 empregos diretos, para fabricar 30 milhões de litros de cerveja e chope por ano. A cervejaria vai se tornar a maior empregadora do município depois das usinas processadoras de cana-de-açúcar da região. O município colaborou cedendo parte da área de 440 mil metros quadrados, onde está sendo instalada a indústria.
O objetivo é expandir a empresa e quadruplicar a produção num prazo de dois a cinco anos, explica o gerente industrial da Aralco, Arthur Boschi. A marca da cerveja ainda é segredo guardado a sete chaves, como diz Egon Carlos Tschoepe, cervejeiro até de nome, contratado pela Aralco para liderar o investimento. "Só vamos divulgar o nome da marca dias antes da abertura da indústria", disse, explicando que, apesar de ser considerada uma fábrica pequena, a cerveja vai concorrer com todas as outras marcas pilsen existentes no mercado. A produção será distribuída em 95% de cerveja de garrafa de 600 ml e 5% em barris de chope. "Optamos por Frutal porque a localização é ideal para atingirmos o consumidor de cidades importantes do Triângulo Mineiro e outras grandes do interior de São Paulo, como São José do Rio Preto, Araçatuba e Ribeirão Preto", diz Tschoepe. "A cervejaria mais próxima está a 500 km de distância, nas proximidades de Belo Horizonte", observa. A opção por investimento em cervejaria não foi por acaso, segundo Boschi. "Fizemos uma pesquisa e constatamos que era a melhor opção", diz. A estratégia não significa que o Grupo Aralco tenha decidido parar de investir no setor sucroalcooleiro. Formado por cinco empresários de Araçatuba (SP), o grupo espera a aprovação ambiental para concluir a construção de outra usina de açúcar e álcool, em Buritama (SP).
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
AmBev já está comprando no Brasil toda a cevada que usa
Pela primeira vez no ano de 2004, a AmBev, dona das marcas Skol, Brahma, Antarctica e Bohemia, conseguiu adquirir no mercado interno brasileiro 100% da cevada necessária para a produção do malte utilizado na fabricação de cerveja. Os ganhos não se resumirão ao controle mais acurado da qualidade da matéria-prima. Segundo Alessandro Sperotto, gerente de Agronegócios da AmBev, a aquisição da cevada no mercado nacional reduz a exposição aos custos em dólar da importação. Plantada entre maio e junho, e colhida de outubro a dezembro, a cevada é vendida sempre no mês de janeiro de cada ano.
De acordo com Sperotto, a AmBev comprou a totalidade das 242 mil toneladas de cevada colhidas no Sul do País em 2004, resultado 17% superior ao obtido no ano anterior. Sperotto conta que de 70% a 80% da cevada que utilizará neste ano veio do Rio Grande do Sul e o restante do Paraná. Sperotto credita este aumento de produção ao trabalho que a empresa faz com os produtores desses Estados, de incentivo ao cultivo da cevada com a garantia de preço mínimo e capacitação dos agricultores. "Esta é a primeira vez que conseguimos a auto-suficiência, e estamos trabalhando para que isso se repita." No ano anterior, 20% das necessidades foram supridas com cevada vinda da Argentina e Uruguai. Segundo o executivo, a AmBev apóia a atividade de 4 mil produtores do Sul do País, embora nem todos tenham contrato direto com a gigante de bebidas, uma vez que muitas delas se organizam em cooperativas. Em terras gaúchas, por exemplo, a companhia incentiva a produção do grão há mais de 30 anos. "Neste ano, pagamos em torno de R$ 400 pela tonelada do grão de cevada, acima até mesmo do preço mínimo garantido pelo governo", diz. A área plantada, assim como o volume de produção, também subiu.
Dados da AmBev apontam que 111 mil hectares foram plantados com cevada, extensão 15% superior ao do ano anterior. Sperotto acrescenta que, parte do sucesso do trabalho feito com os produtores, se deve ao zoneamento agroclimático realizado pela Embrapa, a partir do qual é possível identificar as regiões mais propícias para o plantio do grão, a fim de obter a melhor qualidade ao final do processo. Além disso, a empresa de pesquisas criou um banco genético de cevada em parceria com a AmBev. Sobre o lúpulo, outra importante matéria-prima da cerveja, Spezotto diz que, ao contrário da cevada, a AmBev importa quase a totalidade desse insumo. Ele não quis comentar a alegação da Schincariol de que, fundida com a belga Interbrew, a empresa brasileira de bebidas teria condições de exercer práticas desleais de concorrência. Ele restringiu-se a dizer: "Só tenho subsídios para falar da área de cevada." Em maio passado, a Schincariol enviou documento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pedindo que o negócio entre a AmBev e a Interbrew fosse vetado já que, com a transação, a empresa teria maior poder para comprar insumos adquiridos fora do País, como o lúpulo, em escala mundial.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
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