Notícias de mercado
2005 - Maio
AmBev vende mais, mas lucro líquido cai no primeiro trimestre da fusão
A AmBev encerrou o primeiro trimestre do ano com vendas líquidas de R$ 3,6 bilhões, 55,9% acima do valor registrado no ano passado. Detalhe: naquele período, a AmBev não respondia pelas operações da Labatt, da belga Interbrew, na América do Norte e na América Central. De qualquer forma, a operação da Labatt respondeu por 22,2% dessa receita, ou R$ 821,5 milhões, com a quase totalidade do resultado decorrente de vendas na América Latina, sobretudo no Brasil, onde a participação da empresa nas vendas de cerveja passou de 65% para 67,6% este ano. Apesar dos números, a AmBev registrou uma queda de 52,7% no lucro líquido, que foi de R$ 144,2 milhões neste primeiro trimestre.
O diretor financeiro da AmBev, João Castro Neves, atribuiu esse resultado ao provisionamento de R$ 178,8 milhões pelo fechamento da fábrica da Labatt em Toronto. Sem ele, o lucro no período seria 6% maior que o de 2004. O resultado também leva em conta a amortização do ágio decorrente da incorporação da Labatt, de R$ 334 milhões de um total de R$ 15,9 bilhões ao longo de 10 anos. Em contrapartida, a geração de caixa da companhia atingiu R$ 500 milhões no trimestre, um volume significativo, segundo Castro Neves, que mostra a competitividade da empresa. O volume de vendas de cerveja aumentou 12,9% no Brasil, 13,6% nos países do norte da América Latina nos quais a AmBev tem participação direta - Equador, Guatemala, Nicarágua, Peru, República Dominicana e Venezuela - e 6,6% nas operações provenientes da participação de 54,8% da companhia na Quinsa - Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. No Canadá, em função do rigoroso inverno, houve queda, mas a expectativa é que, na inversão de termômetros em relação ao Brasil, a América do Norte registre melhores resultados a partir de agora. O mercado de cerveja no Brasil apontou crescimento de 7,3% no primeiro trimestre, com maior rentabilidade para a empresa em função do crescimento das vendas de cervejas de maior valor, como Bohemia (de 23%) e Original (28%), além da sem álcool Liber (35%). Sem levar em conta a incorporação da Labatt, o resultado da AmBev já indicaria, segundo Castro Neves, um aumento de rentabilidade de 44%, sem descontar os impostos (44%), o que é reflexo do crescimento das vendas.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Schincariol vai ao CADE pedir restrições à concorrente
A cervejaria Schincariol pediu em quatro de maio ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que estabeleça restrições à concorrente AmBev, para inibir três práticas que, no seu entender, são contrárias à livre concorrência: a venda casada, contratos de exclusividade e programas de fidelidade. Na venda casada, a empresa condiciona o fornecimento de seus produtos líderes à compra de outros produtos com menos saída. Na exclusividade, o estabelecimento comercial só pode vender produtos com aquela marca. Na fidelidade, a AmBev estaria oferecendo prêmios para os estabelecimentos que vendam exclusivamente produtos de sua marca.
A Schincariol apresentou ontem um relatório denunciando as supostas irregularidades ao subprocurador da República no CADE, José Elaeres Marques Teixeira, que está ouvindo as cervejarias para elaborar um parecer para o julgamento da operação de troca de ações entre a AmBev e a belga Interbrew, que resultou na formação da InBev. O advogado da Schincariol, Vinicius Camargo Silva, disse que a empresa não quer a condenação da fusão, mas não aceita que ela ocorra sem restrições.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Lei alemã empresta selo de qualidade às microcervejarias
Cerveja alemã feita no Brasil. Parece estranho à primeira vista, mas é assim que pequenas cervejarias estão tentando se diferenciar e conquistar o consumidor: elas adotam os procedimentos da Lei de Pureza da Baviera, do século XVI, a mais antiga legislação de controle de produção de alimentos em vigor no mundo.
Com isso, esperam mostrar um "selo de qualidade". Para muitas microcervejarias - e até mesmo para as médias - isso está dando certo e elas acabam criando uma leva de fãs. A Lei de Pureza (Reinheitsgebot) é de 1516 e foi instituída pelo duque Wilhelm IV, da Baviera. Ele teria se enfurecido com as cervejas bávaras, pois os cervejeiros que tentavam "inovar" adicionavam elementos como fuligem e até cal para "melhorar" a cerveja. Provavelmente após uma grande ressaca, Wilhelm determinou que só poderiam ser usados na cerveja os seguintes ingredientes: cevada, lúpulo e água pura. O fermento foi incluído depois, já que não era conhecido à época. Além disso, ele delimitou os processos de produção. As grandes cervejarias barateiam seus produtos ao adicionar arroz ou milho, em vez de usar o puro malte de cevada. Elas afirmam que assim se chega a uma cerveja mais leve e suave que a obtida exclusivamente com o malte de cevada.
Pois as pequenas vão na contramão, tentando dominar um nicho que cresce no mundo todo. "Com as grandes marcas dominando o mercado nacional [AmBev, Kaiser e Schincariol, que possui mais de 90% dele], começou a se notar no Brasil o desdobramento de um fenômeno que já é mundial e ficou conhecido como 'The Craft Beer Renaissance' [renascimento da cerveja artesanal]", diz o advogado de patentes e especialista em marketing de marcas André Azevedo Lyra. As pequenas cervejarias respondem hoje por 9,8% do mercado brasileiro de 84,5 milhões de hectolitros por ano, sendo que o consumo dessas cervejas artesanais tem segundo Lyra, perspectiva de crescimento de pelo menos três pontos percentuais para os próximos quatro anos. Hoje, estão catalogadas 57 empresas na Associação Brasileira de Microcervejarias (ABMIC). Pelos cálculos da associação, com um capital inicial de R$ 300 mil dá para montar uma microcervejaria produzindo 10 mil litros ao mês. "Há uma perspectiva boa para as pequenas e médias regionais. Adotar a Lei de Pureza acaba dando a elas uma aceitação impressionante entre os consumidores", diz o mestre cervejeiro Marcelo Ibrahim. Obviamente o primeiro problema dessas microcervejarias é a distribuição. A Baden Baden, de Campos do Jordão, ou a Eisenbahn, de Blumenau, podem ser encontradas nas prateleiras do Pão de Açúcar, o que, para elas, é quase como ganhar um salto triplo olímpico. No Rio de Janeiro, a Devassa abriu 170 pontos-de-venda no Estado, além de já ter uma rede de bares com unidades próprias e franquias. Outras apostam mesmo na regionalização. A Continental apresenta-se como "o chopp 100% ribeirão-pretano".
Já o conceito de fabricar e vender no mesmo lugar persiste em poucas. Na Krug, de Belo Horizonte, fundada em 1997, não há planos de engarrafar o produto. Com capacidade de 40 mil litros por mês, a Krug é a "maior pequena" de Minas Gerais e baseia sua estratégia de expansão na conquista pela qualidade. "Trazemos os ingredientes básicos da Áustria. Não abrimos mão disso", diz Fernanda Andrade, que responde pelo marketing da cervejaria mineira. A aposta das microcervejarias é de que a expansão econômica de aproximadamente 5% no Brasil se repita nos próximos anos e tenha reflexo diretamente no crescimento de consumo. "É uma aposta ousada, pois o mercado de cerveja enfrenta adversários de peso em todo o mundo", diz Marcelo Ibrahim. Nos EUA - país cuja produção de aproximadamente 240 milhões de hectolitros anuais não é superada pela de nenhum outro país -, a Anheuser-Busch, maior cervejaria do mundo, mostrou um decréscimo dos lucros no primeiro trimestre. Foi a primeira vez em sete anos e, segundo especialistas, isso acontece por causa da migração dos consumidores para bebidas destiladas, como a vodca e o rum. "Apesar da tendência de crescimento dos destilados também aqui, as pequenas cervejarias devem 'roubar' mais um pouco de mercado das grandes", prevê Lyra.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Guerra das cervejas volta e Schincariol vai ao CONAR
Depois de uma trégua de mais de três meses, a guerra das cervejas voltou ao ar no último fim-de-semana e já chegou ao CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária). No sábado, campanha da Antarctica - marca escolhida pela AmBev no último verão para assumir o posto de rival da Nova Schin, no lugar de Brahma - contra-atacou a mais recente versão da propaganda da Schincariol. No ar desde 24 de abril, o filme elaborado pela Fischer América leva o telespectador para dentro do cérebro, onde homens engravatados (que representam os neurônios) trabalham como numa grande repartição. Perguntam "qual cerveja? qual cerveja? A mesma, a mesma", até que um dos neurônios questiona: "Será que ninguém tem uma idéia nova?" Então, eles erguem os braços e gritam o bordão da marca "É Nova Schin". A AlmapBBDO - agência da Antarctica responsável pelo slogan B.O.A, sigla de Bebedores Oficiais de Antarctica - colocou no ar uma campanha que também faz referência aos neurônios. Nesse caso, a nova é reprovada pelo ator, que bate a cabeça na parede em reprovação à resposta dada pelos neurônios.
Então, os garotos-propaganda da marca, Bussunda e Juliana Paes dizem que cerveja não tem que ser nova, mas boa. Para Alexandre Loures, gerente de comunicação da AmBev, a campanha é uma defesa. "Eles se referiram à nossa marca, quando falam da mesma, como se quem pede a mesma é robotizado, sem criatividade", diz. "O consumidor tem direito a ter uma argumentação contrária", afirma. A Schincariol entrou no CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) na segunda-feira, às 10 horas da manhã. Segundo Luiz Cláudio Taya de Araújo, gerente de marketing da Schincariol, até às 19 horas de ontem o CONAR não havia se pronunciado. "É lamentável que isso aconteça de novo", disse. "Não fizemos qualquer menção à cerveja deles. Estamos procurando vender nosso produto e eles respondem com um filme igual ao nosso", afirmou. No ano passado, o clima provocativo deu o tom à publicidade do setor cervejeiro.
As campanhas eram montadas na base do contra-ataque e ficavam no ar até que a resolução do CONAR definisse pela sua saída - foram cerca de seis ações no órgão dos dois lados. Nos últimos meses, no entanto, o tom bélico havia dado lugar a campanhas que exaltavam o próprio produto e as recomendações "Beba com moderação" ou "Se beber não dirija" ganharam destaque. A marca Skol que também seguia uma linha mais amena - "Ser redondo é ser do bem", cantava Carlinhos Brown - voltou ao ar recentemente com a cerveja redonda versus a quadrada. A disputa, que começou com Nova Schin e Brahma no polêmico episódio que envolveu o cantor Zeca Pagodinho, foi transferida para Antarctica - que é, de fato, quem briga com Schincariol nas gôndolas e disputa ponto a ponto a terceira colocação do mercado, atrás da líder Skol e de Brahma (que segundo o mercado também foi poupada por ser marca internacional da InBev). Segundo dados da ACNielsen de março último, Antarctica tem 11,62% do mercado, contra 11,33% de Nova Schin. Em março de 2004, as posições estavam trocadas: Nova Schin tinha 12,27% e Antarctica 10,73% do mercado.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Bohemia chega pela primeira vez à TV
Pela primeira vez em 152 anos, a tradicional cerveja Bohemia vai ganhar campanha de publicidade na televisão. A cerveja premium da AmBev vem com tudo para conquistar novos consumidores, num segmento que responde apenas por 5,6% das vendas de cervejas – um mercado de R$ 10 bilhões por ano –, mas que está em fase de fermentação. O diretor de Marketing da AmBev, Carlos Lisboa, está convencido de que esse segmento premium, onde estão produtos de maior valor, tem tudo para crescer ainda mais. “A marca Bohemia abriu espaço para esse segmento, tanto que as vendas de cerveja premium no País, que respondiam por uma fatia de 2,3% do mercado de cerveja em 2000, hoje respondem por 5,6%”. A marca Bohemia, relançada em 2001, viu sua participação nesse segmento saltar de 17,4% em 2001 para os atuais 30,4%, segundo os dados do Instituto ACNielsen. Por isso, Lisboa está confiante nos resultados que a campanha de publicidade criada pela DM9DDB, com foco no prazer boêmio, deve trazer para a imagem do produto. Além da Bohemia, a AmBev também tem reforçado no ponto-de-venda a presença da Original, da antiga Antarctica. Lisboa diz que, por conta desse crescimento do mercado de cerveja premium, o produto tem conquistado espaço em novas ocasiões de consumo, entre as quais jantares e festas mais sofisticadas. “Há espaço para a Bohemia e o consumidor está maduro para novos sabores, como cerveja de trigo, ale (mais encorpada) e a escura.” A AmBev, líder de mercado, não quer perder espaço. Só que as pequenas cervejarias também estão atentas ao filão, a exemplo da Baden Baden, de Campos do Jordão (SP), e Eisenbahn, de Blumenau (SC). A Eisenbahn acaba de anunciar que vai duplicar sua capacidade de produção, hoje em 80 mil litros mensais, para atender à demanda pela bebida durante a Oktoberfest 2005. Para isso, investirá R$ 400 mil na aquisição de novos tanques de fermentação e maturação. É o mercado premium em expansão.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
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