Notícias de mercado
2005 - Agosto
AmBev compra mais da Quilmes
A AmBev anunciou em 4 de agosto que sua unidade argentina Quinsa comprará da Beverage Associates participação de 5,32% na Quilmes Internacional (Bermuda), elevando sua parte na empresa para 58,7%. A empresa estimou o preço de aquisição em US$ 110 milhões. O valor das ações da QIB será determinado por uma fórmula que avalia a companhia pelo produto de seis vezes seu lucro antes de impostos, amortizações e depreciação, menos a dívida líquida de empresa em 31 de dezembro de 2005.
Fonte: Gazeta Mercantil - Caderno C
InBev vende sua participação em cervejaria espanhola por R$ 498 mi
O grupo cervejeiro belgo-brasileiro InBev anunciou em 5 de agosto que venderá sua participação de 12,02% na cervejaria espanhola Damm por pelo menos 176 milhões de euros (R$ 498 milhões). A cervejaria belga-brasileira decidiu vender suas 5.328.864 ações a 33 euros (R$ 93) por unidade, segundo um comunicado. A companhia não descarta a possibilidade de obter um importe adicional em função dos resultados financeiros da Damm em 2005.
A InBev comprou sua participação minoritária na Damm em 2002 por 84 milhões de euros (R$ 237,6 milhões), depois que as autoridades espanholas obrigaram o grupo Mahou/San Miguel a vender seus interesses na Damm. Os lucros resultantes da venda serão divididos em partes iguais entre a InBev e o grupo Mahou/San Miguel, conforme ao acordo que as duas cervejarias assinaram em 2002. Segundo a InBev, a venda encaixa-se no objetivo da empresa de liberar capital para se estabilizar em suas principais atividades estratégicas. A empresa, que espera concluir a transação no terceiro trimestre de 2005, assegurou que seguirá presente no mercado cervejeiro espanhol através de uma filial, que importa algumas de suas principais marcas, como as alemãs Beck's e Franziskaner e a belga Stella Artois.
Fonte: Agência EFE
Brahma recorre ao futebol para driblar concorrentes
Desde 1999, a Brahma investe para fixar o slogan "Refresca até pensamento", que sucedeu o "Brahma Chopp - a número 1", criado em 1991 em substituição ao "Produto de qualidade", de 1888, que marcou o lançamento do produto. Agora, a partir deste fim de semana, a cerveja muda de rótulo e slogan, passando a fixar um conceito expresso em apenas três letras: olé. A intenção, revela a gerente de Marketing da Brahma, Paula Nogueira Lindberg, é emprestar à marca valores como desafio, coragem e superação, que fazem parte do futebol e encontram em "olé" o que o publicitário Nizan Guanaes, da agência África, definiu como o eco ideal para o produto - só que o olé continuará a carregar o balãozinho típico do pensamento que a cerveja refrescava. Dona de uma fatia de 19,8% do mercado brasileiro de cerveja Pilsen, que movimenta R$ 10 bilhões por ano, a marca Brahma, diz Paula, sempre teve forte associação com o futebol. É uma das patrocinadoras da seleção brasileira, além de times como São Paulo, Bahia e Vitória. Além disso, tem como garoto-propaganda o jogador Ronaldo e emprestou a sua famosa tartaruga para ser mascote da conquista do pentacampeonato em 2002. Paula não nega que a associação com "olé" tem a ver com a promoção forte em torno da Copa do Mundo, mas ressalta que esta terá fôlego mais longo. "É um conceito que embute atributos que as outras marcas não estavam trabalhando e que tem a ver com o consumidor de cerveja, mesmo com a parcela feminina de consumo, que também admira a força do futebol, o drible e a garra."
Expressão tipicamente espanhola, "olé" saiu das arenas das touradas para os campos de futebol, onde passou a ser expressão dos famosos dribles, como os de Garrincha. Tanto que no fim de semana, numa parceria com a agência de promoções B/Ferraz, a AmBev, dona da marca Brahma, vai pôr 100 jogadores nas ruas para que façam "embaixadas" e dribles, expressando o "olé". Nizan Guanaes também aposta nos ring tones, aquelas músicas de aparelhos celulares, e no rádio para criar, desde já, um clima de torcida em torno da marca. O diretor de Criação da África, Sergio Gordilho, informa que a marca pretende colorir as principais cidades do País com o olé. A ligação com o futebol também é importante para o projeto de internacionalização da Brahma, que está sendo distribuída na América Latina e na Europa, com sucesso. Essas vendas fazem parte do projeto global da InBev, controladora da belga Interbrew e da brasileira AmBev, de investir na internacionalização de apenas três marcas do portfólio: Brahma, Stella Artois e Beck's, enquanto as demais passam a ter importância regional, nos mercados em que atuam. Num mercado disputado como o brasileiro, as duas principais concorrentes da AmBev, Kaiser e Schincariol, não estão paradas. A primeira lançou recentemente novo rótulo com a letra K estilizada - a Brahma também ganhou rótulo novo, bem mais colorido -, enquanto a segunda continua a reforçar as vendas, que não foram abaladas pelas denúncias de sonegação fiscal, com a campanha do cérebro, criada pela agência Fischer. Com o mote "Que cerveja é essa?", a Kaiser desafiou os consumidores a identificarem a sua nova imagem, em campanha criada pela Giovanni, FCB, e promete sacudir o mercado no segundo semestre, com a verba anual de marketing de R$ 180 milhões.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Cresce participação de mercado da Schincariol
As denúncias de sonegação fiscal e a operação Cevada, da Polícia Federal, há um mês, não afetaram as vendas de cerveja do Grupo Schincariol. Ao contrário, o conglomerado sediado em Itu registrou ligeiro crescimento nas vendas, contabilizando participação de mercado de 13,3% em julho - era de 12,9% em junho e de 12,7% em maio. Num mercado em que cada ponto porcentual equivale a vendas de R$ 100 milhões, o resultado do grupo não é desprezível. O resultado reflete a decisão da empresa, segundo um executivo, de continuar investindo em marketing. Também está mantido o patrocínio da Fórmula 1 no Brasil, com corrida prevista para o dia 25 de setembro. "Nada mudou nas ações da empresa, vamos continuar trabalhando para manter o mercado", disse a fonte. Os números aferidos pelo Instituto ACNielsen, em julho, mostram que a canadense Molson, dona das marcas Kaiser e Bavaria, depois de ensaiar uma ligeira recuperação de maio para junho, de 8,7% para 8,8%, voltou a cair para 8,5%. É a fatia que tinha a cerveja Bavaria, quando esta a comprou da AmBev, em 2000. Já a Kaiser chegou a ter 14% de mercado. Os executivos da empresa no País, comandada por Fernando Tigre, continuam lutando para recuperar mercado. Já a AmBev, líder de mercado e dona de marcas como Skol, Brahma e Antarctica, registrou participação de 68,1% em julho, ligeiramente acima dos 67,9% de junho, mas ainda abaixo dos 68,3% de maio. A performance do Grupo Schincariol chegou a surpreender analistas desse mercado, que achavam que a marca seria contaminada pelos episódios envolvendo a sonegação fiscal. Os próprios concorrentes acompanharam atentamente esse desempenho nos últimos dois meses.
Sem fazer estardalhaço, o Grupo Schincariol também está mantendo o cronograma de investimentos e deve inaugurar em dois meses uma nova fábrica na cidade paraense de Benevides, dentro da estratégia de garantir a presença na região Norte. Também está mantida a entrada em operação de uma fábrica no Mato Grosso do Sul no início do próximo ano.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Grupo Aralco abre fábrica de cerveja em Minas Gerais
O Grupo Aralco, que controla três usinas de açúcar e álcool no interior de São Paulo, colocou em funcionamento em 10 de agosto a Cervejaria Premium, instalada na cidade de Frutal, na região do Triângulo Mineiro. A Premium vai fabricar 35 milhões de litros/ano de cerveja da marca Fass.
Segundo o gerente industrial da empresa, Egon Carlos Tschope, a Fass vai concorrer com outras marcas de cerveja pilsen clara de primeira linha nos mercados consumidores do interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Em um mês, segundo ele, a Premium deve iniciar a fabricação de barris de chope.
De acordo com o presidente do grupo Aralco, Francisco César Villela, o investimento, de R$ 60 milhões, faz parte da estratégia do grupo Aralco de diversificar as atividades. Villela disse que cerca de 15% dos recursos foram financiados pelo banco BMG e, o restante, bancado pelas usinas do grupo. Apesar desse novo projeto, Villela afirma que o foco do grupo continua sendo a área de açúcar e o álcool.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Monges belgas param de fabricar a melhor cerveja do mundo
Monges de uma abadia belga foram obrigados a parar de vender sua famosa cerveja, que foi eleita a melhor do mundo, mas se esgotou prontamente pela grande demanda.
A abadia de Saint Sixtus de Westvleteren, no oeste da Bélgica, é casa de cerca de 30 monges cistercienses e trapistas que têm uma vida de reclusão, orações, trabalho manual e fabricação de cerveja.
Uma pesquisa de milhares de apaixonados por cerveja de 65 países no site Rate Beer Web (www.ratebeer.com), realizada em junho, classificou a cerveja Westvleteren 12 como a melhor do mundo.
Mas a abadia tinha uma limitada capacidade de produção e não pôde lidar com a repentina popularidade da cerveja.
"Nossa oficina está fechada porque nossa cerveja esgotou", afirmou uma mensagem colocada na secretária eletrônica da abadia.
O local não tem a intenção de aumentar sua capacidade de produção para satisfazer a demanda do mercado. "Não somos cervejeiros, somos monges. Fazemos cerveja para ter recursos para sermos monges", afirmou um abade no site da abadia.
"Pessoas de fora não entendem por que não estamos aumentando a produção. Mas, para nós, a vida na abadia vem primeiro, não a cervejaria", disse o monge Mark Bode ao jornal De Morgen.
Fonte: Reuters
Kaiser investe R$ 100 milhões e tenta, outra vez, sair do prejuízo
Com a pior participação de mercado nos seus quase 20 anos de história, de 6,8%, a Kaiser tenta mais uma vez virar o jogo. A cervejaria anunciou em 16 de agosto investimentos de R$ 100 milhões para reposicionar a marca e deixar para trás seus sucessivos prejuízos.
A iniciativa se dá dois meses e meio depois que controladora Molson Coors anunciou que cessaria o aporte de recursos no Brasil e sugeriu que poderia vender a Kaiser. "A Molson não está fazendo um novo aporte, os recursos vieram dela, mas fazem parte do caixa da Kaiser", diz Marcelo Toledo, diretor de marketing da empresa. "Os recursos estão no orçamento de R$ 180 milhões da verba de marketing para este ano", reforça. Durante a coletiva de imprensa, ontem, não ficou claro se a Molson teria voltado atrás e decidido novamente colocar dinheiro na Kaiser para tentar salvá-la da crise que se arrasta há pelo menos dois anos. "Ainda não está definido se a Molson vai vender ou não a operação do Brasil", diz Toledo. Para fontes do mercado, a pressão do controlador está cada vez mais forte e ficou ainda mais intensa depois da fusão das operações da canadense Molson com a americana Coors no fim de 2004.
A multinacional freqüentemente repete que tem interesse no potencial do mercado brasileiro, mas não esconde o descontentamento com o desempenho da Kaiser. A Molson passou, até mesmo, a enfatizar o prejuízo da Kaiser nos seus balanços financeiros. As tentativas de tornar a operação lucrativa têm sido constantes e ganharam enorme reforço no ano passado, com a contratação de Fernando Tigre para presidência. Tigre foi responsável pela reestruturação da São Paulo Alpargatas e desde que assumiu a Kaiser tem se mantido longe dos holofotes da mídia. Um time de executivos contratados por ele levou seis meses para montar a estratégia de reposicionamento anunciada ontem. A Kaiser quer, agora, aproximar-se do consumidor valorizando o cotidiano das pessoas. O mote da campanha, iniciada ontem, é "viver é a melhor coisa do mundo".
Com isso, a empresa acredita, segundo Toledo, que estará "rompendo paradigmas e deixando para trás o modelo tradicional de propaganda que explora belas mulheres, praia, pagode e futebol". "O consumidor já se cansou disso, ele acha todas as campanhas parecidas umas com as outras", assegura Toledo, citando as mais de 60 pesquisas compradas pela Kaiser. Em um desses estudos a cervejaria descobriu que o consumidor não consegue identificar qual é o posicionamento da Kaiser. "Ele sabe quem somos, mas nosso conceito não está claro na cabeça dele", diz Marcelo Orsini, gerente da marca Kaiser. A Kaiser já teve mais identidade e por anos manteve um público fiel. Em 1997, em seus tempos áureos, chegou a ter 17% de fatia de mercado, em volume. Hoje, não chega aos 7%, enquanto as suas concorrentes continuam apresentando crescimento. "Tínhamos uma participação bem maior, mas havia uma política de preços baixos", diz. "Esse não é mais o nosso posicionamento", acrescenta. Segundo Toledo, a empresa deverá manter a política de aumento de preços para competir de igual para igual com as suas principais concorrentes. Desde o começo do ano, a Kaiser já aumentou em 6% seus preços. "Um novo aumento vai depender do quanto conseguiremos fortalecer a marca."
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Cerveja exportada volta mais sofisticada
Internacionalizar uma marca de cerveja pode ser uma ótima opção para conquistar espaço no mercado natal. Não se trata de um contra-senso. Há pelo menos dois casos de empresas que colocaram suas marcas no exterior e passaram a fazer sucesso na praça local. Com um detalhe: em um posicionamento premium, bem mais elaborado que o convencional. A Bavaria Export, marca da Kaiser vendida no Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Reino Unido e Austrália, caiu no gosto do consumidor brasileiro. "Fizemos um teste e colocamos à venda um lote-piloto", diz Marcelo Toledo, diretor de marketing da Kaiser. "Os consumidores adoraram." A Bavaria Export - versão com sabor um pouco mais encorpado - começará a ser distribuída em todo país. Vendida lá fora por US$ 6,00, essa cerveja tipo exportação será ofertada nas prateleiras brasileiras por R$ 2,00. A versão tradicional custa menos de R$ 1.
Um caso semelhante aconteceu com a Sol, produzida pela mexicana Femsa. Quando iniciou o caminho do mercado externo, a marca atuava no segmento popular no mercado mexicano. Caiu no gosto da freguesia internacional e voltou ao México como cerveja premium. A AmBev colocou a Brahma em garrafinhas transparentes para atender o cliente estrangeiro e igualmente posicionou a marca como cerveja premium nos diversos países onde é vendida.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Mulheres respondem por 33% do consumo de cerveja no País
As mulheres já respondem por 33% do consumo brasileiro de cerveja, que movimenta anualmente R$ 10 bilhões. O dado do Ibope Mídia, que acaba de ser divulgado, é curioso por conta do foco das campanhas publicitárias do produto no consumidor masculino, mesmo que, vez ou outra, as cervejarias busquem quebrar a regra. Quem pensa que essas consumidoras não têm preocupação com a silhueta erra redondamente. Segundo o Ibope, 81% das mulheres que consomem cerveja se mostram muito preocupadas com a imagem pessoal, mais do que as mulheres em geral (74%). As consumidoras de cerveja também parecem ser mais ativas em termos de opções de lazer que envolvem outras pessoas e atividades fora do âmbito doméstico, segundo o Ibope, e a cerveja é um dos ingredientes dessa sociabilidade. Já no marketing, a estabilidade de vendas reflete uma retração nos investimentos. Enquanto o investimento publicitário total no Brasil aumentou 21% em termos nominais do segundo trimestre de 2004 para o mesmo período de 2005, segundo o Ibope, o investimento do setor de refrigerantes apresentou redução de 8% e o de cervejas, crescimento de 10,6%. Para o Ibope, esse comportamento tem a ver com a estabilidade nas vendas. Depois de um período de crescimento, em que o consumo per capita no País chegou a 51 litros em 1997, a média anual estacionou em 47 litros - em 2004 foi de 47,6. Esse consumo per capita ainda está distante do de países como Estados Unidos (84 litros) e Espanha (84), e não chega à do consumo na República Checa (158) e na Alemanha (117 litros). Por isso, o Ibope acredita que o momento atual da indústria é de oferecer produtos em nichos de mercado, onde possa aumentar a rentabilidade face à estagnação no consumo per capita. Já no mercado de refrigerantes, o Brasil é o terceiro país em consumo per capita, com 65 litros, atrás dos Estados Unidos (198 litros) e do México (147 litros). A produção de 12,2 bilhões de litros em 2004 representou um aumento de 6% ante os 11,5 bilhões de 2000, quando o consumo per capita havia atingido 66 litros.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
Grupo alemão Paulaner chega à América Latina
O grupo cervejeiro alemão Paulaner quer começar a partir de Brasil, México e Chile sua entrada no mercado latino-americano, disse Marcus Korte, diretor de Vendas Internacionais da empresa. As cervejas Paulaner começaram a ser vendidas ontem no México. "Até há poucos meses, a América Latina era apenas um mercado oportunista para nós: quem queria comprar, comprava. Agora estamos descobrindo o valor estratégico que têm (...) mercados como México, Brasil e Chile", disse à agência EFE.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia
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