Notícias de mercado
2008 - Julho
Schincariol elimina cargos intermediários
"O que fideliza o consumidor no mercado cervejeiro é a presença no ponto-de-venda. A maioria chega ao balcão e pede uma cerveja, sem citar marca. O garçom entrega a que melhor trabalhou com seu ponto-de-venda." Essa frase é de Carlos Brito, presidente-executivo da InBev, que por sua vez é dona da AmBev, a maior companhia do setor no Brasil, com 67% do mercado. A rival Schincariol, segunda no ranking de vendas, resolveu aprender com o inimigo e acolheu a lição de Brito. Eliminou a falta de proximidade entre a força de vendas e seus diretores. Essa distância, segundo especialistas, é fatal para o negócio. Os vendedores são uma das peças-chave da indústria de bebidas e, especialmente, para a de cerveja. São eles que conseguem colocar o produto em destaque nos bares e restaurantes, onde se concentra 80% do faturamento do setor. "É a pressão que a indústria faz no ponto-de-venda que define o que o consumidor vai colocar no seu copo", diz o consultor Adalberto Viviani, especializado no setor de bebidas.
Pensando dessa maneira, a Schincariol acaba de concluir seu plano de reestruturação, colocando em prática uma nova organização voltada para o seu maior e mais importante departamento: o de vendas. "Eliminamos dois níveis gerenciais da estrutura hierárquica", diz o diretor de desenvolvimento humano, Marcos Cominato. Saído da Nokia, ele está na empresa desde abril do ano passado e, de agosto de 2007 até agora, vinha coordenando o projeto de reorganização da estrutura da empresa. O departamento comercial, com 6 mil dos 11.480 funcionários, foi a última etapa do processo. "Entre o vendedor e o topo da organização dentro do departamento havia sete níveis de chefia. Agora são quatro", explica ele. "Antes, com tanta gente nessa hierarquia, era difícil para a diretoria saber o que acontecia com os vendedores na outra ponta. A distância era tanta que um não entendia o outro." Com a reestruturação, 120 pessoas da área comercial - a maioria gerentes - foram demitidas. Algumas serão realocadas na empresa, segundo Cominato, que não definiram quantas. "Mas ao mesmo tempo estamos contratando outras 140 para atuar direto nos pontos-de-vendas (bares e restaurantes) e nos auto-serviços (supermercados)", diz o diretor. Com isso, aumenta o foco da empresa no varejo e a Schincariol ganha mais mobilidade para ter maior presença no balcão do bar.
Com faturamento de R$ 4,5 bilhões no ano passado (24% de crescimento com relação a 2006), a empresa não revela quais são suas metas para 2008. Mas diz que sua participação de vendas cresceu de 12,1% em maio para 12,9%, na última medição Nielsen. A estratégia de enxugamento de estruturas e o foco na força de vendas é acertada, segundo Viviani. Mas, acrescenta ele, sozinha não é suficiente para dar a força que a Schincariol almeja, porque a marca ainda não confere status ao consumidor que pede cerveja num restaurante ou numa balada, por exemplo. "É isso que as pessoas querem quando escolhem uma marca para beber em público."
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia – 03/07/2008
Bares de SP criam “delivery” de clientes para driblar a “lei seca”
Para não perder a freguesia, alguns estabelecimentos na cidade de São Paulo estão criando alternativas para que os clientes voltem para casa em segurança e respeitem a nova ‘lei seca’. As casas preparam o “personal - motorista”, que conduzirá o automóvel do freguês, e carros e vans que buscam e levam o cliente para a residência.
O Bar Brahma, que fica na região central da capital paulista, dará início a partir do próximo dia 15 a dois tipos de serviço, sendo um deles gratuito.
No primeiro, o cliente pode chegar (e sair) do bar em vans patrocinadas por uma empresa de bebida. As vans estão programadas para sair de hotéis e de feiras e eventos na capital. “Por ter o patrocínio, este serviço não terá custos para o freguês”, diz Álvaro Aoás, um dos proprietários do bar.
Já no segundo, o cliente vai de carro e volta com o manobrista do estabelecimento que fará às vezes de motorista. “Este ainda só falta estabelecer o preço, que deve ser entre R$ 10 e R$ 20”, afirma Aoás. Mas em caso de o carro ser multado no percurso? “Como o cliente estará junto, ele servirá de fiscal ou deve assinar um termo de compromisso”, explica. Para não deixar o motorista na mão, um motoboy o levará de volta para o bar.
Uma terceira idéia, que ainda não tem data para ser colocada em prática, é levar o cliente em casa em carros de luxo. Mas neste caso, o freguês deverá fazer parte do chamado ‘clube do uísque’. “Fechando o patrocinador, o cliente não terá custo”, diz Aoás.
“Delivery”
O Benjamin Botequim também estuda criar um serviço de motorista particular aos clientes. Com direito até o ser buscado em casa. E “estamos tentando fechar também com outros bares da região”, diz Aniella Vaz, uma das proprietárias do estabelecimento que fica no Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo. Aniella conta que deve fazer ainda uma sociedade com dez motoristas com carros, que poderiam fazer o serviço com o próprio veículo. “Ainda não sabemos a taxa, e também temos que estabelecer a região onde poderemos fazer o leva-e-traz”, conta. “Mas o que pode amortizar o preço é se um grupo de amigos pegarem o mesmo carro”, completa.
Para os clientes que vão de carro, o bar disponibilizará o serviço de o motorista levar o dono do veículo para casa e depois um motoboy traz de volta o funcionário. Este também terá um custo extra.
A “lei seca” Em vigor desde o último 20 de junho, uma resolução proíbe o consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas por condutores de veículos. Antes, era permitida a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue.
Fonte: G1 (Globo), por Dani Blaschkauer – 04/07/2008
Ações da AmBev podem não ter chegado ao fundo do poço
A aquisição da americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev pode ser considerada histórica para o capitalismo brasileiro por diversos motivos. Primeiro porque a empresa resultante da fusão seria a quarta maior companhia de bens de consumo do mundo. Depois porque o negócio foi arquitetado pelo brasileiro Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, hoje os maiores acionistas individuais da InBev, que há anos sonham em criar a maior cervejaria do mundo. Além disso, o presidente da InBev, o brasileiro Carlos Brito, entraria para o time dos executivos mais poderosos do planeta.
No curto prazo, entretanto, a expectativa de realização do negócio tem gerado severas perdas para os acionistas da InBev e também da AmBev. No caso da empresa brasileira, as ações preferenciais (AMBV4), que chegaram a valer 146,86 reais em março, acumulam uma desvalorização de 35,6%. Nesta quarta-feira, os papéis fecharam cotados a 94,55, o menor valor dos últimos 12 meses.
É verdade que o início do ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia brasileira em abril e a turbulência nos mercados globais nas últimas semanas tiveram impacto nas cotações da empresa. Já a elevação do preço das matérias-primas elevou suas despesas. Além disso, os resultados do primeiro trimestre vieram abaixo das expectativas dos analistas. Para Renato Prado, analista da Fator Corretora, no entanto, cerca de 80% da queda das ações pode ser atribuída à oferta apresentada pela InBev à Anheuser-Busch.
Ele explica que os papéis da AmBev sofrem porque o mercado acredita que a empresa poderá, no médio ou longo prazo, fazer uma emissão de ações para ajudar a amortizar o empréstimo que será levantado pela InBev para o pagamento da aquisição. A empresa belga planeja tomar 40 bilhões de reais de um conjunto de bancos. Parte do mercado acredita que esse valor elevado pode levar a InBev a perder seu grau de investimento. Uma forma de reduzir o passivo ou melhorar o perfil da dívida seria a emissão futura de ações.
Em teleconferência, a InBev descartou que a AmBev faça parte da operação como compradora – hipótese originalmente cogitada por analistas porque só a empresa brasileira poderia amortizar parte do ágio embutido na aquisição. A AmBev também não ficaria com parte da empresa comprada. O temor de uma oferta de ações, entretanto, persiste. “Mas não dá para descartar que a empresa faça uma emissão daqui a um ano, por exemplo,” afirmou Renato Prado.
Além disso, cresceu nesta semana a expectativa do mercado de que a InBev tenha que elevar a oferta de compra apresentada, de 65 dólares por ação da Anheuser-Busch. Após o conselho de a empresa americana ter rejeitado oficialmente a primeira proposta, restaram à InBev dois caminhos: partir para uma oferta hostil (já que o controle da empresa é pulverizado) ou elevar o valor da aquisição.
O banco Lehman Brothers acredita uma oferta hostil seria a última opção para a InBev e aposta em uma pequena elevação do valor da proposta, para algo entre 67 dólares e 72 dólares.
O valor foi obtido considerando os múltiplos da última grande aquisição mundial no setor de cerveja: a compra da britânica Scottish and Newcastle pela holandesa Heineken.
Apesar de já estar sendo precificado pelo mercado, o possível aumento da proposta poderia penalizar ainda mais os papéis da InBev e da AmBev. Para o banco de holandês Theodor Gilissen, mesmo com o preço atual, a aquisição da Anheuser-Busch só seria vantajosa caso a união das duas empresas gerasse sinergias de 1,2 bilhões de dólares. No entanto, o banco lembra que as operações das duas empresas estão concentradas em países diferentes.
Por isso, o corte de custos e o ganho com novas receitas poderiam chegar a 944 milhões de dólares – já considerando o bom histórico de controle de despesas da empresa belgo-brasileira. “A InBev criaria muito mais valor não fazendo essa aquisição”, diz o banco, que tem recomendação de venda para as ações.
Para a AmBev, ainda haveria um risco adicional. Alguns dos melhores executivos da empresa brasileira deverão ser alçados para postos-chave da Anheuser-Busch caso a aquisição seja bem-sucedida. O mesmo aconteceu quando a Interbrew comprou a AmBev, operação que levou à criação da InBev.
Caso o investidor esteja disposto a fazer um investimento de longo prazo, no entanto, comprar ações da AmBev após os termos finais do negócio ser definidos pode ser um bom negócio. As cotações estão em um patamar historicamente baixo. A Fator Corretora, por exemplo, projeta um preço-alvo de 192,91 reais para os papéis – ou seja, há um potencial de valorização de mais de 100%.
A aquisição da Anheuser-Busch deve gerar algumas vantagens competitivas para a empresa, já que o segundo colocado no mercado de cerveja, a SABMiller, teria pouco mais da metade do tamanho da empresa originada pela fusão. O novo gigante alcançaria um poder de barganha inédito com fornecedores. Despesas poderiam ser eliminadas, principalmente nos Estados Unidos. Além disso, marcas como Budweiser, Bud Light, Corona, Stella Artois e Becks passariam a ter um alcance praticamente global. Para que todas essas vantagens possam virar realidade, entretanto, analistas estimam que possam ser necessários até três anos, um prazo considerado bastante longo por boa parte dos investidores que aplicam em renda variável.
Fonte: Portal Exame, por João Sandrini – 04/07/2008
Fábrica recém-inaugurada já tem ampliação confirmada
À unidade fabril da Cervejaria Petrópolis, a Crystal, foi inaugurada ontem em Rondonópolis pelo proprietário da cervejaria, Valter Faria, reunindo autoridades nacionais, estaduais, municipais e demais convidados em uma festa embalada ao som da dupla Bruno e Marrone.
Recém-inaugurada, a unidade fabril teve confirmada sua ampliação para daqui a 15 meses, como anunciou Faria, no discurso de inauguração. As cifras do novo investimento ainda são mantidas em sigilo. O projeto de Rondonópolis consumiu cerca de R$ 120 milhões.
Até dezembro de 2008 a unidade local da Cervejaria, que é fabricante das marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal e Black Princess, atingirão a capacidade total de produção, estimada em 250 milhões de litros de cerveja por ano.
Ele destacou que a cerveja Crystal é líder de mercado em Mato Grosso e ressaltou que a cerveja de garrafa distribuída em todo o Estado já é fabricada por Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). No próximo ano a empresa inicia a construção de uma fábrica de refrigerante ao lado da Crystal, em Rondonópolis.
Farias pontuou que o município atrai investimentos, em seu ponto de vista, pelo fato de ter localização estratégica e água de qualidade, ressaltando a insistente busca da administração municipal para que a fábrica viesse para a cidade, além de “ótimos subsídios”. “Muitos municípios estavam querendo a fábrica e Rondonópolis recebeu esse investimento porque a administração foi atrás disso”.
A previsão de Farias é de que com a inauguração da fábrica outras empresas venham para a cidade, com o intuito de fornecer serviços à Crystal, como estabelecimentos de manutenção dos maquinários da fábrica, por exemplo.
O prefeito de Rondonópolis, Adilton Sachetti, disse que o valor do terreno doado à Cervejaria retornou aos cofres públicos em três meses por meio do recolhimento de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). “É um incentivo do município e do governo do Estado que tem um retorno muito rápido”.
Adilton falou ainda do retorno social da fábrica, que ocorre através da geração de empregos na cidade. Ele enfatizou que desde o início da construção da unidade fabril até a inauguração ontem, já foram gerados 250 empregos diretos e cerca de 1 mil indiretos. “Estamos proporcionando remuneração e valorização da pessoa através do trabalho. Estamos buscando novas oportunidades de emprego para a cidade”.
O governador do Estado, Blairo Maggi, focou a política do Estado de atrair investimentos. O governador destacou a concessão de incentivos às empresas como uma política eficaz para Mato Grosso.
A inauguração da Crystal na cidade, para o secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, Elio Rasia, representou a consolidação do município como pólo industrial da região sul do Estado. O secretário informou que participaram da construção da Crystal aproximadamente 83 empresas, gerando cerca de 1,3 mil empregos diretos e indiretos.
Posição
Com a produção da Crystal na cidade, a cervejaria pretende abastecer o mercado de 10 estados brasileiros, nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. A localização do município e facilidade de acesso rodoviário a outros estados foi um dos atrativos para a instalação da fábrica na cidade.
Fundada em 1994, a Cervejaria Petrópolis atingiu no ano passado, com a produção das três unidades antigas da cervejaria, cerca de 600 milhões de litros de cerveja, apresentando um faturamento de aproximadamente R$ 1 bilhão.
A Cervejaria Petrópolis é a terceira maior empresa do setor no país e já investiu R$ 120 milhões na unidade de Rondonópolis. A Crystal local é a segunda maior fábrica da cervejaria, com 400 mil metros quadrados, sendo 28 mil metros quadrados de área construída e 36 mil metros quadrados pavimentados.
A maior fábrica da cervejaria está em Boituva (SP), com 540 mil metros quadrados. As outras duas fábricas ficam em Teresópolis (RJ) com 270 mil metros quadrados e em Petrópolis, também no Rio de Janeiro, com 200 mil metros quadrados.
Segundo dados da Cervejaria, entre 2003 e 2006 foram investidos cerca de R$ 260 milhões em ampliações das fábricas, infra-estrutura e equipamentos, por meio de investimentos próprios e financiamento do BNDES.
Fonte: Diário de Cuiabá, por Naíla Albuquerque da Reportagem/Rondonópolis – 05/07/2008
InBev tenta substituir conselho da Anheuser-Busch
A companhia de bebidas belgo-brasileira InBev, controladora da AmBev, aumentou a pressão sobre os executivos da norte-americana Anheuser-Busch hoje ao fazer um novo movimento para tentar depor o conselho de diretores da cervejaria, dona da marca Budweiser. A InBev fez uma solicitação de consentimento ao órgão regulador de valores mobiliários nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC), para tentar remover cada membro do conselho da Anheuser.
Uma solicitação de consentimento é um pedido para que os acionistas permitam que seja feita uma mudança substancial dentro da companhia. Se a maioria dos acionistas aprovarem a medida, o requerente pode continuar com as mudanças. A InBev afirmou que o movimento daria aos acionistas da Anheuser uma oportunidade para ter voz direta no processo de compra da Anheuser pela InBev.
Para substituir o conselho da Anheuser, a InBev está propondo sua própria lista de diretores. Entre eles estão Adolphus Busch IV, o tio do presidente-executivo da empresa, August Busch IV; James Healey, ex-diretor-financeiro da Nabisco Group Holding; e Henry McKinnell, ex-presidente-executivo da Pfizer. "Nossa forte preferência permanece sendo entrar em um diálogo construtivo com a Anheuser-Busch para alcançar uma combinação amigável", disse hoje em comunicado o presidente-executivo da InBev, o brasileiro Carlos Brito.
A InBev está oferecendo US$ 65 por ação, ou US$ 46 bilhões no total, em dinheiro, para comprar a Anheuser-Busch, uma proposta que pode criar a maior cervejaria do mundo. As informações são da Dow Jones.
Fonte: AE Agência Estado, por Danielle Chaves – 07/07/2008
Análise - Medidas de corte de custos da InBev vão migrar para EUA
A cervejaria belgo-brasileira InBev deve exportar seu modelo de controle de custos para os Estados Unidos para obter 1,4 bilhão de dólares em cortes de gastos se for bem sucedida na aquisição da rival norte-americana Anheuser-Busch .
"Orçamento base zero" é central para o modelo de negócios da InBev, no qual departamentos têm que justificar todos os gastos, em vez de ajustar mudanças em seus orçamentos.
Levado da América Latina quando a belga Interbrew se fundiu com a brasileira AmBev para formar a InBev em 2004, o modelo tem sido aplicado nas regiões onde a companhia opera: América do Norte desde 2005, Europa ocidental desde 2006 e Leste Europeu e Ásia desde 2007.
Empregados e sindicalistas descrevem os mecanismos mais estritos de controle de orçamento: os celulares são retirados apenas por funcionários que justificarem a necessidade de um, novas canetas são entregues apenas em troca das velhas e um elevador na sede mundial da companhia ficou desligado por vários meses. O elevador voltou a ser usado agora, apesar de placas no saguão do prédio lembrarem: "Por que não usar as escadas?" A InBev afirma que tais medidas, e notavelmente esforços maiores de economia de energia e água, também são metas de sustentabilidade e que seu esforço de economia de custos é simplesmente um pilar de sua estratégia mais ampla focada em ampliar os volumes de cerveja.
Mesmo críticos da InBev reconhecem que as regras se aplicam tanto ao presidente-executivo da companhia, o brasileiro Carlos Brito, como também aos outros funcionários e que boa performance é premiada.
O plano normalmente corta custos em 10 a 15 por cento no primeiro ano, 5 a 10 por cento no segundo e o suficiente para compensar a inflação no terceiro. No primeiro ano de aplicação na Europa ocidental, a InBev obteve economias de 118 milhões de euros (186,3 milhões de dólares).
Riscos de aquisição hostil
Anthony Bucalo, do Credit Suisse em Nova York, acredita que a InBev devem limitar os gastos da Anheuser-Busch com itens promocionais.
"Eles são famosos por cortar isso. Eles são muito disciplinados sobre remoção de gastos", disse o analista, descrevendo os executivos brasileiros mais como "engenheiros de finanças" que cervejeiros ou profissionais de marketing.
Bucalo vê riscos potenciais se a proposta de aquisição da Anheuser-Busch pela InBev se tornar hostil. "Se eles forem atirando e tomarem esse ativo sem o conselho e a família Busch, a nova companhia se arrisca a um enorme choque cultural", afirmou o analista. "A filosofia de orçamento base zero é difícil de implementar sem algum grau de interesse da força de trabalho". Ciente do status de ícone norte-americano detido pela Anheuser-Busch, a InBev afirma que manterá todas as cervejarias da empresa nos Estados Unidos abertas, mas pode mirar mais cortes de postos de trabalho que os mirados pela Anheuser.
Sindicatos belgas reclamam que o modelo de consenso com a administração da Interbrew entrou em choque sob o comando brasileiro interessado em terceirizar funções e criar mais postos de trabalho flexíveis de meio período. "A administração apenas ouve se nós entramos em greve ou ameaçamos fazer isso", disse Luc Gysemberg, do sindicato de operários ACV.
Já Roger Van Vlasselaer, do sindicato de funcionários em postos gerenciais BBTK, descreve as medidas do modelo orçamento base zero como "brutais" e afirmou que uma série de colegas nos Estados Unidos o contataram para entender a cultura de trabalho da InBev.
"Parece que a Anheuser-Busch é muito social, uma companhia de estilo familiar, então eles estão temendo uma aquisição."
Fonte: Reuters, por Phili – 08/07/2008
InBev tenta atrair comando da Anheuser
O presidente-executivo da InBev, o brasileiro Carlos Brito, afirmou que a cervejaria tem o apoio financeiro necessário para comprar a Anheuser-Busch e, se a transação de fato for realizada, gostaria de manter os executivos e o Conselho Administrativo da empresa americana. Em uma entrevista ao jornal Post-Dispatch, de Saint Louis, onde fica a sede da Anheuser-Busch, Brito disse que a InBev não teria procurado o acordo "se não pensássemos que tínhamos dinheiro ou que somos sérios". Brito continuou: "Nós perderíamos a credibilidade construída durante anos." A InBev ofereceu US$ 65 por ação (US$ 46 bilhões no total) pela fabricante da Budweiser, um preço que a Anheuser, em um processo contra a sua venda aberto esta semana, chamou de "pechincha".
Processos
Ontem, a Anheuser-Busch conseguiu suspender dois processos judiciais movidos por grupos de acionistas contra a empresa na Corte Estadual do Missouri. Com a suspensão do julgamento, a Anheuser-Busch coloca o Estado de Delaware como o centro das reclamações dos acionistas contra a companhia e, assim, distancia a sede da empresa do litígio negativo. A direção da Anheuser-Busch é acusada pelos acionistas de descumprir o dever fiduciário por ter se manifestado contrária a uma oferta antes mesmo de tê-la recebido. Na segunda-feira, a Corte de Delaware julgará se quase uma dúzia de processos contra a Anheuser-Busch. Esses processos poderão ser reunidos em um só caso. A Corte do Estado de Delaware é a única Corte de Chancelaria dos EUA - no sistema jurídico anglo-saxão, um tribunal especializado em aplicar os princípios gerais do Direito para decidir sobre questões não previstas na legislação. Com isso, na vizinhança da sede da Anheuser-Busch corre apenas o processo contrário à InBev.
A ação impetrada pelo "rei das cervejas" e fabricante da "grande cerveja americana", autodenominações em seus slogans, argumenta que a InBev não informou que tinha operações em Cuba, por meio da cervejaria Bucanero.
Os advogados da Anheuser-Busch citam a lei federal chamada "Negociando com o inimigo" (TWEA, na sigla em inglês), para argumentar que as operações da InBev em Cuba não podem ser administradas, supervisionadas ou monitoradas dos Estados Unidos.
A Anheuser-Busch alerta à Corte sobre potenciais conseqüências para os executivos da InBev em função da operação em Cuba, como impedimento de obter visto para entrar nos EUA. E dizem que a InBev não informa como as operações em Cuba podem afetar a promessa de fazer de St. Louis a sede da empresa resultante após a eventual compra. Os negócios da InBev em Cuba, segundo os advogados, são "substanciais", "com mais de 570 funcionários em tempo integral, distribuidores por todo o país e vendas respondendo por cerca de 44% das vendas totais de cerveja na ilha".
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia – 11/07/2008
InBev compra dona da Budweiser por US$ 52 bilhões
A fabricante de cerveja belgo-brasileira InBev comprou a rival americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, por US$ 52 bilhões. Com a aquisição, a empresa se torna líder mundial na indústria cervejeira e uma das cinco maiores empresas de produtos de consumo do mundo. O anúncio da compra foi feito nesta segunda-feira (14) por meio de um comunicado assinado pelas empresas. A conclusão do acordo ainda precisa da aprovação dos acionistas.
Depois de resistir à ofensiva da InBev durante um mês e recusar uma oferta de US$ 46 bilhões, o conselho de administração da Anheuser-Busch aceitou a oferta de cerca de US$ 70 por ação.
Nacionalismo
A operação enfrentou uma forte resistência dentro dos EUA, onde a Budweiser é vista como um produto tipicamente nacional. Segundo reportagem do jornal “New York Times”, “a Budweiser é um sinônimo de cerveja americana para milhões de pessoas”.
Vários sites foram criados para se opor à venda. Na página www.saveab.com, um comunicado diz que "como o beisebol, a torta de maçã e a cerveja gelada, a Anheuser-Busch é um produto original americano".
Os políticos locais não foram exceção. O governador de Missouri, Matthew Blunt, afirmou estar "muito preocupado" e pediu que as autoridades antitrustes dos EUA entrassem em ação. O próprio candidato democrata à Presidência, Barack Obama, chegou a declarar no início do mês que seria "uma vergonha se estrangeiros se tornarem donos da Bud".
No entanto, não é primeira vez que grandes cervejarias americanas são arrebatadas por estrangeiros. Em 1999, e a agora vice-líder mundial Miller foi comparada pelos sul-africanos da SAB, e em 2005 a empresa canadense Molson adquiriu a Adolph Coors.
Gigante
A fusão dá início à criação de uma nova empresa, que se chamará “Anheuser-Busch InBev”. Com marcas como Stella Artois, Beck´s e Budweiser, o grupo acumulará um faturamento anual de US$ 36 bilhões e 460 milhões de hectolitros em vendas.
As duas companhias, em conjunto, têm vendas globais de aproximadamente US$ 36 bilhões e possuem cerca de 300 marcas, que incluem as líderes Budweiser e Stella Artois.
O grupo InBev, uma fusão da empresa belga Interbrew e da brasileira AmBev, é a segunda maior cervejaria do mundo em volume de vendas, e perde apenas para a britânica SABMiller.
Já a americana Anheuser-Busch é a terceira maior cervejaria do mundo e líder nos Estados Unidos, onde monopoliza 48,5% do mercado com marcas populares como a Budweiser e a Bud Light, entre outras.
Além de ser a maior do setor no mundo, a empresa será geograficamente diversificada, com posições de liderança em cinco dos maiores mercados mundiais: China, Estados Unidos, Rússia, Brasil e Alemanha.
O brasileiro Carlos Brito, presidente-executivo da InBev, irá comandar as operações da nova companhia, segundo comunicado divulgado pelas empresas. Farão parte do conselho da empresa os atuais conselheiros da InBev, além do atual presidente da Anheuser Busch, August Busch IV, e mais um diretor ou ex-diretor da companhia norte-americana.
Em comunicado Brito declarou que “estamos muito satisfeitos em anunciador esta transação histórica (...). A combinação vai criar uma companhia global mais forte e competitiva, com potencial para crescer em todo o mundo”. Esse potencial é destacado pelo anúncio das empresas, que afirma que a InBev é líder em dez mercados onde a Budweiser tem uma presença muito pequena.
Portas abertas
A sede da Anheuser-Busch InBev na América do Norte será em Saint Louis, no Missouri (EUA). As duas empresas informaram que, em conseqüência da pouca sobreposição geográfica entre os dois negócios, todas as fábricas da Anheuser-Busch nos EUA permanecerão abertas.
O presidente da Anheuser-Busch afirmou que o acordo traz novas oportunidades para a Anheuser e para seus negócios, marcas e empregados. "Esse acordo fornece valor adicional e correto para os acionistas da Anheuser-Busch, enquanto aumenta o acesso aos mercados globais para a Budweiser, uma das marcas ícones na América."
Fonte: AE Agência Estado, *Com informações da France Presse – 14/07/2008
InBev herda disputa histórica ao comprar Budweiser americana
A companhia belgo-brasileira InBev, dona das marcas Brahma, Antarctica e Beck's, entre outras, e a cervejaria americana Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser americana, anunciaram a fusão das duas companhias nesta segunda-feira (14/07) em Bruxelas.
O anúncio pôs fim à resistência da companhia americana de ser incorporada pela gigante belgo-brasileira. As companhias mencionaram um preço de compra em torno dos 52 bilhões de dólares. Acredita-se que as autoridades reguladoras americanas darão sinal verde à maior fusão do ramo de cervejarias da história.
A InBev se torna assim líder mundial do mercado de cerveja, mas se torna também herdeira da disputa histórica entre a cervejaria americana Anheuser-Busch e a companhia tcheca Budweiser Budvar pela marca Budweiser, que em países como Alemanha, Áustria, Portugal e China só pode ser vendida pela concorrente tcheca.
Famosa pelos sete minutos
Considerada pelos autores do livro The International Book of Beer (livro internacional da cerveja) uma das dez melhores cervejas do mundo e famosa pelos sete minutos que deve repousar quando servida como chope, a cerveja da cidade tcheca de Budweis é tão velha quanto a própria cidade. Ao fundá-la, em 1265, o rei boêmio Premysi Otakar 2° também lhe deu o direito de fabricar cerveja. Até o final do século 19, a cidade foi colonizada predominantemente por alemães.
A população tcheca aumentou devido à industrialização e, após a Segunda Guerra Mundial, os alemães foram forçados a abandonar a cidade de Budweis, que em tcheco se chama České Budějovice, mas que em alemão continuou com o nome que deu origem à famosa marca.
A cervejaria estatal Budweiser Budvar, responsável pela produção da Budweiser "original", foi fundada em 1895, tem cerca de 700 empregados e não é necessariamente uma concorrente do peso da InBev.
No entanto, por se tratar da denominação de origem, os tchecos argumentam que somente eles podem vender a marca Budweiser.
Briga centenária
A concorrente americana Anheuser-Busch, que a partir da fusão com a companhia belgo-brasileira passará a se chamar Anheuser-Busch InBev, foi fundada pelos emigrantes alemães Eberhard Anheuser e Adolf Busch no século 19.
A fama de boa qualidade da cerveja de Budweis fez com que, já em 1876, a companhia americana produzisse sua cerveja com o nome de Budweiser. Com o argumento de ser mais antiga que sua concorrente, os americanos defendem seu direito à marca.
A briga perdura desde 1911. Apesar de exportar para mais de 50 países, os tchecos foram proibidos de exportar sua cerveja para os Estados Unidos por 62 anos. Somente após o acordo entre as concorrentes, em 2001, a Budweiser tcheca pôde ser vendida nos EUA com o nome de Czechvar.
Por outro lado, em países como a Alemanha, Áustria, Portugal e China, que deram ganho de causa aos tchecos na queixa contra os americanos pela denominação de origem da cerveja, a Budweiser americana é vendida com o nome de Bud ou Anheuser-Busch Bud.
O problema do nome da marca
Sempre que um dos concorrentes tentava conquistar algum mercado internacional, iniciava-se o problema do nome da marca, o que deu origem a dezenas de processos que duram até hoje.
Até o ano passado, cerca de 40 processos judiciais, que em média duram de cinco a dez anos, e pelo menos 70 processos administrativos em diferentes escritórios nacionais de patentes estavam em andamento pela posse do nome da marca.
No Brasil, como nos Estados Unidos, a Budweiser tcheca é vendida com o nome Czechvar. Em alguns países, como no Reino Unido, ambas as rivais têm direito ao uso da marca Budweiser.
Mundialmente, a cerveja tcheca é vendida como Budweiser, Budvar ou Budweiser Budvar para se diferenciar da concorrente americana que agora passa a ser belgo-brasileira, sob a chefia do carioca Carlos Brito.
Fonte: Deutsche Welle - Economia, por Carlos Albuquerque – 14/07/2008
Grupo Modelo diz que fusão de InBev e Anheuser-Busch precisa de seu crivo
O Grupo Modelo (GM), maior fabricante de cerveja do México, afirmou hoje que a legislação mexicana "dá a ele o direito de decidir" se aceita ou não a possível aquisição da Anheuser-Busch (EUA) pela belgo-brasileira InBev, já que a americana é sócia minoritária da empresa mexicana.
A declaração foi feita depois que a InBev e a Anheuser-Busch anunciassem hoje que chegaram a um acordo para sua fusão, o que criará o maior grupo cervejeiro mundial e um dos cinco maiores produtores no setor alimentício.
A operação, que aconteceu após semanas de tensão, chegará a US$ 52 bilhões e vai gerar o novo grupo Anheuser-Busch InBev. A americana tem atualmente 50% de participação no grupo Modelo e 27% na empresa chinesa Tsingtao.
"O acordo que temos com a Anheuser-Busch foi elaborado cuidadosamente para assegurar que tivéssemos a decisão final na definição de nosso sócio", indicou o Grupo Modelo em comunicado enviado à Bolsa Mexicana de Valores. "Temos certeza que o acordo, que é regido pela legislação mexicana, nos dá o direito de decidir sobre se aceitamos ou não a possível aquisição da Anheuser-Busch pela InBev", acrescentou a companhia mexicana, fabricante da cerveja Corona. "Temos um grande respeito pela InBev e esperamos continuar nossas conversas com eles e encontrar uma solução que satisfaça as necessidades de ambas as empresas e de seus acionistas", diz o texto.
Segundo a nota, o Grupo Modelo se apóia em direitos "contratuais" que permitem que a companhia "dê seu consentimento" sobre a operação de aquisição. O Grupo reconheceu que "negociou ativamente com a InBev a respeito de como as duas empresas poderiam trabalhar juntas caso o Grupo Modelo aceite a InBev como seu sócio minoritário através da aquisição da Anheuser-Busch".
A empresa mexicana é a importadora no México das marcas Budweiser e Bud Light e da cerveja sem álcool Ou'Doul's, produzidas pela Anheuser-Busch.
O Grupo Modelo, fundado em 1925, contava no México em 31 de dezembro de 2007 com uma participação de mercado total (nacional e de exportação) de 63%. A empresa, que tem presença em 159 países, possui sete cervejarias em território mexicano, com uma capacidade instalada de seis bilhões de litros anuais de cerveja.
Fonte: Agência EFE – 14/07/2008
Ações da AmBev disparam com compra da Anheuser-Busch
As ações da AmBev dispararam nesta segunda-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) após o anúncio de compra da Anheuser-Busch pela InBev por cerca de 50 bilhões de dólares. Às 12h20, os papéis preferenciais (AMBV4) da companhia brasileira, que é controlada pela InBev, subiam 4,77% para 98,91 reais. No melhor momento do dia, as ações chegaram a 101,90 reais, o que representa alta de 7,9%.
A operação surpreendeu o mercado pelo seu rápido desfecho. A InBev elevou sua oferta de compra de 65 para 70 dólares por ação na última sexta-feira (11/7), após meses de conversas com a companhia americana. Em diversos momentos, a rival mostrou-se contrária a uma união com a InBev, com seu presidente, August Busch IV, declarando publicamente que não lhe agradava ter um brasileiro no comando dos negócios. A InBev, presidida por Carlos Brito, chegou a tentar destituir Busch IV do cargo, assim como todo o conselho da empresa americana. Em represália, a Anheuser-Busch acionou a Justiça americana contra a InBev.
O acordo amigável entre as companhias traz alívio ao mercado, que temia uma luta jurídica e, conseqüentemente, aumento de risco para as ações das empresas envolvidas. A Anheuser-Busch levará dois membros ao conselho da nova empresa, que terá sua sede na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos.
Como há pouca sobreposição geográfica entre os negócios das duas companhias, todas as fábricas da Anheuser-Busch nos Estados Unidos permanecerão abertas. Em relatório, a corretora londrina Collins Stewart afirma que a sinergia deverá chegar a 1,5 bilhões de dólares, superando a previsão dos analistas.
Com as marcas Budweiser, Bud Light, Stella Artois, Beck’s, Brahma e Antarctica a Anheuser-Busch - InBev passará a liderar os principais mercados de cerveja do mundo, incluindo Estados Unidos, China, Alemanha, Rússia e Brasil. O faturamento global de 36 bilhões de dólares coloca a Anheuser-Busch -InBev à frente da atual líder mundial de cerveja, a SABMiller.
No Brasil, as ações da AmBev fazem parte das carteiras sugeridas pelas corretoras Ágora e Fator. A Ágora estima um potencial de valorização para os papéis de 75,8%, podendo chegar ao final de 2008 cotados a 166 reais. Já a Fator é mais otimista em relação aos resultados da empresa e projeta um potencial de alta de 104,6% para as ações, com preço-alvo de 192,91 reais em dezembro.
Apesar das atraentes projeções, os papéis preferenciais da companhia acumulam queda de 11,11% nos últimos 30 dias, enquanto os ordinários amargam 13,85% de perdas. No ano, a desvalorização é ainda maior: 25,55% para as ações preferenciais e 29,74% para as ordinárias. No período, o Ibovespa recuou 5,85%.
Fonte: Portal Exame – 14/07/2008
Carlos Brito assumirá o comando da maior cervejaria do mundo
A aquisição da americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev alça o carioca Carlos Brito ao panteão dos homens de negócio mais influentes do mundo.
De acordo com o The Wall Street Journal, a companhia será chamada de Anheuser-Busch InBev. Os representantes da cervejaria americana terão dois assentos no conselho de administração. Um deles será ocupado pelo atual CEO da empresa, August Busch IV.
Conhecido pela sua ousadia e ênfase na geração de resultados, Brito procurou acalmar os funcionários da nova controlada durante a teleconferência com a garantia de que as 12 fábricas da Anheuser-Busch continuarão abertas. Além disso, a sede das operações do grupo na América do Norte permanecerá na cidade de Saint-Louis, atual quartel-general da empresa americana.
O principal ativo da Anheuser-Busch é a cerveja Budweiser, considerada um dos símbolos dos Estados Unidos. A possibilidade de a marca ser comprada por uma companhia estrangeira acirrou os ânimos no país, e uma onda nacionalista tentou barrar a operação. Ciente do problema, o Brito procurou, durante a teleconferência, mostrar que a Budweiser vai ganhar ainda mais força sob nova direção. “Agora, com a Budweiser como nossa marca global, teremos uma excelente plataforma para desenvolver a marca”, afirmou o executivo. O executivo buscou apresentar o negócio não como uma conquista, mas como a união de duas empresas complementares. “Trata-se de complementaridade e não de sobreposição”, afirmou. A Anheuser-Busch detém cerca de metade do mercado americano de cerveja, em um país onde a InBev tem participação bastante tímida.
A nova empresa nasce com vendas anuais estimadas em 36 bilhões de dólares. Os analistas calculam que a união trará ganhos de sinergia da 1,5 bilhões de dólares por ano, plenamente alcançados a partir de 2010.
Endividamento
O diretor financeiro da InBev, o também brasileiro Felipe Dutra, afirmou na mesma teleconferência que a emissão de títulos de dívida “é o caminho natural” para financiar a operação. Após elevar a oferta de compra de 65 dólares para 70 dólares por ação, o valor total da compra saltou de 46 bilhões para 52 bilhões de dólares.
A InBev pretende financiar a operação se endividando em 45 bilhões de dólares. O valor inclui 7 bilhões referentes a um empréstimo-ponte que será pago pela venda de ativos secundários das duas companhias. A empresa informou ainda que recebesse manifestações de interesse de investidores dispostos a comprar até 9,8 bilhões de dólares em ações para custear a operação.
O consórcio de bancos que apóia a InBev é composto pelo Santander, Deutsche Bank, Barclays, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, BNP Paribas, Fortis e ING, entre outros.
Parceria no México
Brito também manifestou seu interesse em manter a cervejaria mexicana Modelo como parceira. A Anheuser-Busch detém 50% do capital da fabricante da cerveja Corona. Em um comunicado ao mercado, nesta segunda-feira (14/7), a Modelo afirmou que, de acordo com as leis mexicanas, tem o direito de decidir se continua ou não com a parceria, agora que a companhia americana está sob novo controle.
Na teleconferência, Brito afirmou que a Modelo “é uma parceira que adoraríamos ter”. O executivo demonstrou otimismo e afirmou que as conversas com os mexicanos transcorrem sobre bons termos.
Fonte: Portal Exame – 14/07/2008
Mercado mundial da cerveja será dominado por três gigantes
O mercado mundial de cerveja, que vem assistindo a uma série de fusões e aquisições há anos, ficará a partir de agora nas mãos de um trio de gigantes que vai abocanhar 60% do bolo, após a compra da americana Anheuser-Busch (n°4) pela belgo-brasileira InBev, anunciada nesta segunda-feira.
Nos últimos meses, a Heineken e a Carlsberg compraram o britânico Scottish & Newcastle; e a SABMiller fez fusão com a Molson Coors nos Estados Unidos.
Num mercado mundial de cerca de 1,3 bilhão de hectolitros (hl), segundo a ResearchandMarkets, a fusão InBev - Anheuser-Busch criou um novo líder mundial, disparado na frente de seus concorrentes, com cerca de 460 milhões de hectolitros. Segue abaixo um quadro dos maiores fabricantes atuais de cerveja do mundo em faturamento (classificação que varia segundo a cotação do dólar).
InBev (belgo-brasileira)
Faturamento de US$ 22,3 bilhões em 2007. Lucro líquido de US$ 3,49 bilhões. Vendas de cerveja em volume: 270,6 milhões de hectolitros. Principais marcas: Stella Artois, Beck, Brahma,Skol.
SABMiller (britânica)
Faturamento de US$ 21,2 bilhões em 2007. Lucro de US$ 2, 023 bilhões. Vendas de cerveja em volume: 216 milhões de hectolitros (mais de 50 milhões de outras bebidas). Principais marcas: Miller, Peroni Nastro Azzurro, Grolsch, Pilsner Urquell.
Heineken (holandesa)
Faturamento de US$ 19,8 bilhões em 2007. Lucro líquido de 807 milhões de euros. Vendas em volume: 119 milhões de hectolitros. Marcas principais: Heineken, Amstel, Birra Moretti.
Anheuser-Busch (americana)
Faturamento de US$ 16,9 bilhões em 2007. Lucro de US$ 2,11 bilhões. Vendas em volume 188 milhões de hectolitros. Principais marcas: Budweiser, Michelob.
Fonte: AFP – 14/072008
Mega fusão das cervejas deixa rivais "de ressaca", diz jornal britânico
A aquisição da cervejaria Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev poderá deixar os rivais 'de ressaca', afirma um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal britânico "The Daily Telegraph".
"Com 26% do mercado global, três das cinco maiores marcas de cerveja, e uma produção anual estimada em 460 milhões de hectolitros, a nova cervejaria produzirá 60% a mais do que seu competidor mais próximo", afirma o artigo.
O jornal diz que a maior vítima da fusão será provavelmente a SABMiller, que recentemente adquiriu a Grolsch e aumentou sua influência na China.
"A InBev traz consigo as marcas Stella Artois e Beck's, ambas as quais poderão vender bem contando com o braço de distribuição da Anheuser por trás".
"A Heineken e a SABMiller provavelmente também serão atingidas na China, o maior mercado mundial de cerveja. A Anheuser-Busch InBev terá uma fatia de 21% do mercado chinês e acesso à Tsingtao, a cerveja que mais vende no país".
Brasileiro bilionário
A edição desta terça-feira do jornal britânico "The Guardian" traz um perfil de Jorge Paulo Lemann, o brasileiro por trás das operações que transformaram a InBev na maior cervejaria do mundo após a fusão com a Anheuser-Busch."Baseado na Suíça desde uma tentativa frustrada de seqüestro de seus filhos em 1999, o brasileiro moldou as pegadas de uma das aquisições globais mais agressivas já vistas até agora", diz o diário britânico.
O jornal traça a trajetória do brasileiro que foi tenista antes de entrar para o ramo das cervejas, ao comprar a Cervejaria Brahma em 1989.
A primeira grande fusão com a Companhia Antarctica Paulista, dando origem à Ambev, e depois com a belga Interbrew, em 2004, fez de Lemann um dos controladores da cervejaria "que hoje opera com a maior margem de lucros da indústria", diz o "Guardian".
"Ao se fundir com a Interbrew, cuja origem remonta a 1366, Lemann e seus associados, assim como três famílias aristocráticas belgas, contam com o mesmo número de assentos na diretoria, num acordo que ficou conhecido como uma fusão de iguais", diz o jornal. "Desde então, com seu protegido Carlos Brito como presidente, a InBev persegue a todo custo uma agenda de corte de gastos e hoje abocanha os maiores lucros da indústria", diz o "Guardian".
Cara duro
Os jornais americanos também destacaram nesta terça-feira a aquisição da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, pela InBev.
O "New York Times" levanta suspeitas sobre os planos da nova mega-empresa em expandir as vendas da Budweiser, a cerveja mais popular dos Estados Unidos. "Muitos analistas se concentram no corte de gastos que a companhia vai implantar na Anheuser-Busch e não nas oportunidades de expandir as vendas da Budweiser e da sua irmã, Bud Light, pelo mundo", diz o jornal.
O "Los Angeles Times" traz uma reportagem no mesmo tom, enfatizando que "a InBev é comandada por brasileiros que têm sido agressivos no corte de gastos". "Eles vão instalar um tipo de disciplina que mudará o perfil da Anheuser-Busch", diz o jornal. "Carlos Brito é um cara duro", diz um dos analistas ouvidos pelo "Los Angeles Times". "Ele poderá cortar a campanha de propaganda da Budweiser, que tem um histórico de sucesso, frear generosos patrocinadores e diminuir o número de distribuidores", prevê o diário americano.
Fonte: BBC Brasil – 15/07/2008
InBev aprofunda concentração entre cervejeiras
A compra da cervejaria americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev, anunciada oficialmente ontem, foi o maior lance de um jogo que parece ainda estar longe de seu final - a consolidação do mercado.
Com o negócio de ontem, 60% do mercado de cervejas do mundo fica concentrado nas mãos de apenas três empresas - a InBev, a britânica SABMiller e a holandesa Heineken. Mas ontem mesmo analistas já se perguntavam quais seriam os próximos passos das gigantes desse setor. Com a compra da Anheuser-Busch, a InBev passa a ser líder absoluta no ranking das maiores cervejarias mundiais, com uma receita estimada de US$ 36 bilhões, praticamente o dobro da SABMiller, a segunda colocada. A empresa belgo-brasileira será a primeira em vendas em alguns dos principais mercados mundiais - Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Brasil. E ganha, além disso, uma marca com enorme potencial de se tornar uma potência global - a Budweiser, algo que ainda falta ao portfólio da InBev. Para não ficar tão atrás, a SABMiller poderia fazer ofertas às mexicanas Femsa e Modelo, à australiana Foster’s ou à canadense-americana Molson Coors, segundo alguns analistas. Outros especialistas, no entanto, trabalhavam com a hipótese de a própria SABMiller tornar-se alvo de aquisição, já que sua posição, em termos de conttrole, seria a mais frágil entre os grandes grupos.
Operação
A InBev vai pagar US$ 70 por ação pela Anheuser-Busch, o que dá à operação um valor total de US$ 52 bilhões. As negociações duraram cerca de um mês. A primeira proposta oficial feita pela InBev, de US$ 65 por ação, ou cerca de US$ 46 bilhões, foi apresentada em 11 de junho. A oferta foi recusada pelo conselho de administração da Anheuser, sob a alegação de que subvalorizava a empresa. A Anheuser, para se defender da InBev, chegou a anunciar um plano que previa a demissão de funcionários e a aceleração do programa de recompra de ações, como forma de aumentar a lucratividade. A proposta, porém, não foi suficiente para convencer os acionistas. E uma nova proposta de US$ 70 por ação foi rapidamente aceita - a oferta chegou à Anheuser no final da semana, e no domingo à noite o negócio foi acertado. O presidente da InBev, o brasileiro Carlos Brito, disse que a companhia estava preparada para pagar US$ 70 por ação da Anheuser desde o começo. "Nós tínhamos uma faixa em mente e trabalhamos dentro daquela faixa", disse Brito em um vídeo divulgado no site da InBev. Para justificar a proposta mais alta, a InBev disse que a companhia combinada pode cortar custos em, no mínimo, US$ 1,5 bilhão até 2011. O acordo aumentará os ganhos dos atuais acionistas da InBev a partir de 2010, segundo a empresa.
Para convencer a direção da Anheuser-Busch a aceitar a proposta, a InBev acenou com uma série de agrados. Entre eles, o de manter o tradicional nome da empresa na nova companhia, que passará a se chamar oficialmente Anheuser-Busch InBev. E também a manutenção em St. Louis, no Estado do Missouri, da sede da empresa nos EUA. Além disso, a direção da Anheuser-Busch ganha direito a dois assentos no conselho de administração da InBev. Um dos ocupantes já foi definido: será August Busch IV, o presidente-executivo da Anheuser-Busch que tentou de todas as formas evitar o negócio. "Hoje é um dia excitante", disse Busch durante o anúncio do negócio. Segundo Carlos Brito, as duas empresas decidiram "virar a página e olhar para frente, e não para o passado". "Agora nosso compromisso é com os funcionários da Anheuser-Busch para fazer da operação um sucesso", disse Busch.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia – 15/07/2008
Budweiser será a marca global da nova empresa
A Budweiser, cerveja símbolo dos americanos, será a partir de agora a principal marca do portfólio da InBev. A promessa de Carlos Brito, o presidente-executivo da InBev, desde o início das negociações era a de levar a marca para todos os cantos do globo. E esse foi um dos argumentos usados ontem pelo presidente da Anheuser-Busch, August Busch IV, para justificar o fato de ter aceitado a oferta da InBev. "Esse acordo fornece valor adicional e correto para os acionistas da Anheuser-Busch, enquanto aumenta o acesso aos mercados globais para a Budweiser, uma das marcas ícones na América." Para a InBev, contar com uma marca como a Budweiser em seu portfólio é uma vitória a mais dentro desse acordo. Apesar de a maior parte das vendas da marca estar concentrada no mercado americano, a Budweiser é reconhecida praticamente em todos os países. A América Latina, e principalmente o Brasil, são, de acordo com a InBev, mercados prioritários para a expansão da cerveja americana.
Em teleconferência com a imprensa, Carlos Brito disse que a Budweiser vai se enquadrar no segmento de cervejas Premium no Brasil, que é um dos nichos de maior crescimento no setor cervejeiro nacional. Ele mencionou o sucesso de marcas estrangeiras no País, como a Stella Artois. "A Budweiser não compete com nossas marcas mais populares, como a Skol", disse. O que a empresa quer evitar ao posicionar a Budweiser como cerveja Premium no Brasil é justamente a canibalização de marcas como a Skol. A Budweiser, na verdade, já foi vendida no Brasil, por pouco tempo, nos anos 90. Era trazida pela Antarctica. Mas deixou o País pouco antes da operação que uniu a Antarctica e a Brahma para dar origem à AmBev.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia – 15/07/2008
CADE deve aprovar aquisição da InBev
Apesar do gigantismo da operação, a compra da Anheuser-Busch pela InBev, que criou a maior cervejaria do mundo, deverá ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Ministério da Justiça. A tendência é que o órgão antitruste siga o mesmo padrão de análise usado quando deu o sinal verde à troca de ativos entre a AmBev e a belga Interbrew, para a criação da InBev. Naquele julgamento, realizado em junho de 2005, o CADE julgou que praticamente não houve aumento de concentração no mercado de cervejas porque a Interbrew não atuava no Brasil. A Anheuser-Busch, hoje, está fora do mercado brasileiro. A companhia americana sequer exporta ao Brasil. Mesmo assim, o negócio terá de ser notificado, informou o CADE, pois a InBev detém ativos no país. A intenção da InBev é trazer a marca Budweiser ao mercado nacional. Com isso, fica claro que a operação terá efeitos sobre o Brasil e, portanto, o CADE aguarda pela notificação. O prazo de 15 dias úteis para o envio do caso ao órgão antitruste começou a ser contado ontem. Ao julgar a criação da InBev, o CADE verificou que, enquanto a AmBev detinha aproximadamente 70% do mercado de cervejas, a Interbrew possuía apenas 0, 001% do mercado brasileiro, provenientes de importações de poucas marcas. Mesmo com o percentual irrisório da Interbrew no Brasil, a operação foi impugnada pela Schincariol sob o argumento de que iria ampliar ainda mais a posição de líder da AmBev. Mas, o CADE entendeu que esse percentual era absolutamente insignificante.
Por fim, o CADE concluiu que foi positivo o fato de a união com a Interbrew permitir à AmBev trazer marcas mundiais para o Brasil. De acordo com o voto do relator daquele processo, conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, os produtos da companhia belga eram praticamente desconhecidos dos consumidores brasileiros.
Assim, para entrar no mercado brasileiro, a InBev teria de investir nas marcas da Interbrew como se estivesse lançando marcas novas. No julgamento, o conselheiro observou que, para trazer as novas marcas, a empresa teria de fazer novos investimentos, o que ampliaria a competição. Após a aprovação, a InBev trouxe, de fato, novas marcas para o país, como a Stela Artois. Agora, a InBev anuncia a intenção de trazer a Budweiser para o Brasil. Para tanto, terá de realizar novos investimentos, o que é visto de maneira positiva pelo CADE . O órgão antitruste brasileiro teve papel histórico na criação da Anheuser-Busch InBev.
Poucos anos antes de se unirem, em julho de 1999, Brahma e a Antarctica foram disputadas por companhias americanas. A Brahma fez uma joint venture com a Miller BrewingCompany e a Antarctica fechou um acordo com a Anheuser-Busch. O problema é que, em ambos os casos, o CADE impôs condições que levaram ao fim das parcerias entre as cervejarias brasileiras e americanas. No caso da parceria Brahma-Miller, o CADE obrigou a companhia nacional a engarrafar produtos, prestar assistência técnica e transferir tecnologia a cervejarias de menor porte. Com isso, impôs custos de US$ 50 milhões para o negócio, que acabou não indo em frente. No acordo Antarctica-Anheuser, o órgão antitruste foi ainda mais rigoroso: obrigou a empresa norte-americana a investir US$ 476 milhões até 2002 para ajudar nas finanças da companhia brasileira - na época, uma fundação com dificuldades de caixa. Apesar do alto investimento, a fabricante da Budweiser teria que se contentar com uma participação minoritária na Antarctica, de apenas 29,68%. E, por fim, determinou que a Antarctica devesse investir US$ 584 milhões em planos qüinqüenais para se recuperar. Os planos envolviam objetivos de vendas, de aumento de capacidade produtiva e o lançamento de produtos. Ao todo, o "pedágio" exigido pelo CADE às empresas chegou quase a R$ 1 bilhão.
Não foi por acaso que a fusão entre a Brahma e a Antarctica foi anunciada um dia depois de a Anheuser se separar da Antarctica. Pelos compromissos assumidos com o CADE, a Anheuser tinha até 30 de julho de 1999 para definir a sua participação nos planos qüinqüenais da Antarctica. Como o CADE impôs condições rigorosas ao negócio, a companhia americana desistiu da associação. Um dia depois, foi anunciada, em reunião no Palácio do Planalto, a criação da AmBev. É por esse motivo que, desde 1999, não são produzidas mais as marcas Budweiser no Brasil.
Com o fim do acordo com os americanos, a Antarctica parou de engarrafá-las. O fato é que as decisões do CADE ajudaram indiretamente na aproximação entre as empresas brasileiras. Prejudicadas em seus negócios com companhias americanas, Brahma e Antarctica optaram pela união local. A fusão foi boa para a Antarctica, que estava perdendo participação no mercado interno e tinha dívidas a pagar.
A Brahma também obteve enormes benefícios, pois, além de ficar com o portfólio de marcas da ex-rival, conseguiu montar uma estratégia para se fortalecer no exterior. Firmou um acordo com a Pepsi para vender o guaraná Antarctica para fora do Brasil. Nas últimas semanas, a AmBev obteve vitórias importantes no CADE.
No fim de junho, o conselho arquivou denúncia da Cervejaria Braumeister de que a Brahma exigiu exclusividade na comercialização de seus produtos e aumentou de forma abusiva o preço do chope. Em outro julgamento, o CADE aprovou a compra das fábricas da Cervejaria Cintra pela AmBev. Agora, resta julgar as garrafas de 630 ml da Bohemia, no Rio Grande do Sul, e da Skol, no Rio de Janeiro.
Concorrentes da Ambev reclamaram que o objetivo da nova garrafa - com 30 ml a mais do que a tradicional - é dominar o mercado. A companhia se defende sob o argumento de que tem livre iniciativa para escolher a melhor forma de envasar o seu produto. Esse caso deverá ser julgado pelo CADE na semana que vem.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia – 16/07/2008
MP adia para 2009 incentivos ao setor de bebidas
A Câmara analisa a Medida Provisória 436/08, que adia de 25 de junho de 2008 para o início de 2009 a entrada em vigor dos incentivos tributários ao setor de bebida previsto na Lei 11.727/08. Essa lei foi originária da MP 413/08, já aprovada no Congresso.
A MP 413/08 aumentou de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e propôs incentivos para diversos setores, como o de álcool. Em negociações entre deputados e o governo, o texto foi modificado na Câmara para incluir incentivos aos mercados regionais das chamadas "bebidas frias", como refrigerantes, cervejas e água mineral.
A nova lei passou a considerar, para fins de tributação, o volume de bebida fabricado e os preços de venda. A regra anterior era a tributação sobre o valor declarado em nota. No caso de venda direta por parte da indústria, as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS foram reduzidas a zero.
Veto
Dois dias após sancionar a lei o presidente Lula editou a MP 436/08, adiando sua validade.
Ao sancionar a lei, o presidente vetou a obrigatoriedade de instalação de medidores de produção nas indústrias para que elas possam entrar no novo regime de tributação. A MP 436/08 dá nova versão a essa mesma obrigatoriedade, prevendo que ela valerá em prazo a ser regulamentado pela Receita Federal.
Alíquotas
Para responder à principal crítica ao incentivo, o governo propôs uma mudança deixando claro que as alíquotas, previstas em quatro faixas, poderão ser específicas por produto, marca e tipo de embalagem. Segundo os fabricantes de bebidas, é essencial diferenciar as produções em vasilhame de vidro, plástico e o envasamento em latas.
Adaptação
O texto também adapta à nova tributação de bebidas a Lei 10.833/03, que define as regras da cobrança da PIS/COFINS, principalmente quanto a não-cumulatividade por meio de crédito ao longo da CADE ia de produção. Segundo o Ministério da Fazenda, as mudanças são necessárias para garantir o equilíbrio da concorrência e preservar os "níveis desejáveis de arrecadação", sem perdas para a Receita.
E o IPI sobre insumos da industrialização de bebidas foi modificado para prever a nova cobrança por quantidade, e não pelo valor em nota fiscal.
Tramitação
A MP 436/08 passará a trancar a pauta da Casa onde estiver tramitando (Câmara ou Senado) no próximo dia 25 de agosto.
Fonte: Agência Câmara – 16/07/2008
Anúncio de cerveja deve ter mudanças
O presidente do CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), Gilberto Leifert, disse que o conselho já está deliberando sobre novas regras para a propaganda de "produtos sensíveis", como bebidas alcoólicas. De acordo com elas, os comerciais de cerveja, por exemplo, terão de ser focados nas características da bebida, e não mais incentivar o consumo. Também serão impedidas as insinuações de que beber está associado ao sucesso profissional e a exploração da imagem sensual das mulheres.
Para Pastore, essas alterações provam que o CONAR continua atuando de acordo com os interesses da sociedade sempre que excessos são cometidos. "O consumidor não é tonto, e cabe a ele, num país democrático, exigir mudanças sempre que se sentir ofendido ou prejudicado por uma propaganda.”
Ainda segundo ele, se o Ministério da Saúde quer mudanças, cabe repassá-las ao CONAR e não legislar ele próprio.
Fonte: Folha de São Paulo – Dinheiro – 16/07/2008
Anheuser-Busch reduz peso da AmBev no grupo
Atualmente responsável por cerca de 38% da produção de cerveja da InBev e por 62% do seu faturamento, a brasileira AmBev verá o seu peso dentro do grupo diminuir após a compra da americana Anheuser-Busch.
Do faturamento estimado de US$ 36,4 bilhões da gigante Anheuser-Busch InBev, os US$ 12,2 bilhões da AmBev representarão apenas 33,5%.
Na produção de 46 bilhões de litros da bebida, a companhia brasileira entrará com 10,3 bilhões de litros, ou 23%.
Esse reposicionamento é mais um capítulo do processo de globalização da empresa, que nasceu em 1999, com a incorporação da Antarctica pela Brahma, e foi vendida para a belga InBev em 2004.
A diminuição da participação da AmBev nos resultados do grupo não significa, porém, que a sua importância será reduzida.
"Os mercados consumidores emergentes têm um potencial muito significativo de crescimento - possuem uma grande população, cuja renda está aumentando. Então, a operação no país continuará sendo fundamental", afirma Arthur Barrionuevo, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Para Alexandre Assaf Neto, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), a AmBev sai fortalecida da transação.
Primeiro, porque os seus criadores - Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira-, que são os maiores acionistas individuais da InBev e ditam o estilo de gestão, vão se tornar acionistas da maior cervejaria do mundo. E, depois, porque a brasileira usufruirá de todos os benefícios de fazer parte de uma estrutura imensa, o que lhe possibilitará ganhar escala de produção e distribuição. "O desafio deles será gerir tantos produtos", destaca.
Peter Ping Ho, analista da corretora Planner, frisa que a AmBev já tem uma posição consolidada no Brasil e na América Latina. "Resta esperar a reação dos seus concorrentes. A tendência, no setor, é de as maiores comprarem cervejarias locais. E essa pode ser uma tática das que agora se acham ameaçadas", diz.
Fonte: Folha de São Paulo – Dinheiro, por Denyse Godoy – 16/07/2008
Têm álcool as cervejas sem álcool?
É uma idéia que apavora os marmanjos cervejeiros mais destemidos: uma degustação só com cervejas não-alcoólicas. ''Que mal eu fiz para você?'', brincou o degustador e cervejeiro caseiro Eduardo Passarelli, ao ser convidado para participar do teste do Paladar com sete marcas ''sem álcool’’ mais facilmente encontrado no mercado. Os tempos de lei seca ao volante, porém, chegam a tornar a hipótese convidativa - depois do táxi, do rodízio de amigos sóbrios, do transporte público, da caminhada até o bar mais próximo e de outras alternativas, claro.
Além de Passarelli - e do autor da matéria -, aceitou o desafio o ''caçador de cervejas'' carioca Luiz Guilherme Belmonte, o LG. Em seu curriculum ''sem álcool'' vitae, ele lista 85 marcas do mundo todo. LG também é cervejeiro caseiro e ''pai'' do estilo ''4q2n'', que explica: ''Qué, qué; num qué, num qué''.
A degustação foi feita às cegas, considerando só impressões de gosto de cada um. Das sete marcas, a Erdinger Alkoholfrei difere por ser de trigo e alta fermentação. As outras se aproximam mais de pilsens industriais - exceto pelo álcool.
Após a prova dos copos, três marcas se destacaram: Liber e Kronenbier, da Ambev, e Erdinger. A primeira chamou atenção pelo aroma, com toque floral/frutado suave, ao contrário das demais, que apresentavam, segundo Passarelli, um quê de mosto cervejeiro (líquido resultante da fervura do malte). Conclusão: na média, as cervejas já estão além do nível ''refrigerante de cevada''. Chegam-se à qualidade de boas receitas alcoólicas? Aí já é outra história.
Crescimento
Segundo a Ambev, na primeira quinzena de julho, a Liber teve aumento de 25% nas vendas sobre junho. Das cervejas testadas, ela e a Warsteiner indicam no rótulo ''0.0% de álcool''. As demais seguem decreto de 1997, pelo qual cervejas não-alcoólicas devem ter até 0,5%.
Mas a lei seca ao volante coloca essas últimas acima do limite permitido, como admitem os próprios produtores e importadores. E gera reclamações: ''Nenhuma cerveja com menos de 0,7% tem efeito alcoolizante. É contra-senso'', diz Tatiana Spogis, da Bier& Wein, que importa Erdinger e Warsteiner. ''Até abacaxi pode gerar álcool. ''Além das marcas degustadas, já estiveram no mercado Amsterdam Liberator e Kunstmann - difíceis de achar ultimamente. E a Belco, de Botucatu.
Como é produzida
Há dois métodos para produção da cerveja considerada não-alcoólica pela legislação brasileira (abaixo de 0,5%):
à Inibição da produção de álcool - A fermentação é interrompida antes que a levedura produza quantidade considerável de álcool a partir da mistura de malte e água aquecidos. Sempre terá um mínimo de teor alcoólico.
à Retirada posterior - A cerveja é produzida normalmente e, depois, passa por equipamentos que separam o álcool. Marcas que usam esse processo geralmente indicam 0,0% de álcool em seu conteúdo.
Fonte: O Estado de São Paulo - Suplementos & Paladar, por Roberto Fonseca – 17/07/2008
CONAR aperta cerco à cerveja
O CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) informou ontem que 61 propagandas de bebidas alcoólicas já foram encaminhadas ao conselho de ética da entidade nos últimos dois meses, após a edição de novas normas para a publicidade do setor. Ao longo de todo o ano de 2007, 52 anúncios tinham sido enviados à área. O conselho votou pela suspensão, por exemplo, de comerciais que exibiam modelos como tampinhas de garrafas e que insinuavam que beber cerveja aumenta a quantidade de amigos. Entre as novidades do novo capítulo sobre bebidas alcoólicas estão o veto ao apelo à sensualidade nos comerciais - antes o veto era ao erotismo, o que deixava margem para comerciais com exibição de mulheres em trajes mínimos.
Além disso, não é recomendada a comparação das bebidas a modelos femininos ou masculinos e a exibição de grande quantidade de bebida - uma mesa cheia de garrafas, por exemplo. Novas mensagens de advertência também foram introduzidas, como "quem bebe menos, se diverte mais". No Brasil a publicidade de cerveja é liberada e a auto-regulamentação é a bandeira do setor de publicidade contra a proposta do governo federal encaminhada ao Congresso de restringir os comerciais do produto ao período das 21 horas às 6 horas para diminuir os danos à saúde.
Fonte: O Estado de São Paulo - Economia – 17/07/2008
Consumo de cerveja sem álcool cresce com lei seca
Pela primeira vez na história deste país, o consumo de cervejas sem álcool cresce, bastante. Nos primeiros quinze dias de julho, após a entrada em vigor da lei seca, indústria e varejo já sentem uma alta de 20% nas vendas em volume para o produto, que em 15 anos de mercado nunca teve evolução assim, na casa dos dois dígitos. Tradicionalmente, a cerveja sem álcool sempre foi desprezada por ter um consumo "irrisório", como dizem os donos de bares. É verdade: em comparação ao mercado total de cervejas, as sem álcool têm apenas 0,75% das vendas. E nunca passaram disso.
Mas, segundo o cervejeiro Carlos Hauser, especialista na bebida, que já trabalhou em fábricas na Alemanha, faltava no Brasil o ingrediente básico para o produto deslanchar: o respeito à lei seca. "Na Europa, a cerveja sem álcool existe para quem bebe e dirige. É um produto totalmente ligado à lei. Aqui, existia a bebida, mas não a ocasião", afirma ele, que confia no crescimento duradouro do consumo responsável. E não foi preciso esperar muito para que o mercado reagisse ao novo ambiente. "Nos primeiros 15 dias do mês, já tivemos um aumento de até 30% nas vendas da Liber, nossa marca totalmente sem álcool, em relação a junho e também ao mesmo período de 2007", diz Ariel Grunkraut, gerente de marketing do segmento Premium da AmBev, divisão na qual se encaixam as marcas Liber e Kronenbier. Essa última, que tem até 0,5% de teor alcoólico em volume, teve crescimento de 15% no ano e 10% no mês (primeira quinzena). "Foi uma agradável surpresa", diz o executivo, que agora aposta numa potencial elevação desse nicho, já que até mesmo as marcas com algum teor alcoólico não são suficientes para dar o sinal de alerta na hora do bafômetro. "Testamos várias marcas de bafômetro com consumidores que beberam a cerveja por até três horas seguidas", diz ele. Com o crescimento desse consumo, a variedade de cervejas sem álcool deve aumentar e sua qualidade também, segundo prevê Hauser. "Como há em outros países, podemos até ter cervejas sem álcool aromatizadas com limão e outras frutas", afirma. A propaganda dentro desse segmento também deve aumentar. Liber e Kronenbier, por exemplo, nunca foram estrelas de comercial de televisão, mesmo tendo juntas 60% das vendas do setor. Agora, a AmBev já prepara um plano promocional que poderá incluir a TV. Até o varejo já está pensando em promoções.
O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, vai aumentar a visibilidade das loiras sem álcool nas prateleiras da rede. "As vendas cresceram 20%. Não vejo a que atribuir esse fenômeno se não à lei seca", diz Fábio Rodrigues, gerente nacional de compras da bebida para as redes do grupo em todo Brasil. "O consumidor que escolhe cerveja sem álcool é aquele que vai com os amigos para o 'happy hour' e dirige depois.
Para não se sentir diferente, ele bebe a sem álcool", diz o consultor Adalberto Viviani. Cassio Piccolo, dono do bar Frangó, em São Paulo, concorda. "Muitos clientes já me pediram esse tipo de cerveja", afirma ele, que trabalha com quase 200 tipos da bebida, dentre elas as sem álcool. Outra tendência prevista em função da lei seca também já começa a ser sentida: o aumento do consumo doméstico (hoje com 20% das vendas totais). "Já houve uma procura por cervejas, em geral 15% maior, nessas duas primeiras semanas do mês em relação há 12 meses atrás", diz Rodrigues, se referindo ao consumidor que compra no supermercado para beber em casa. Essa alta, diz, é atípica, já que devido ao inverno mais frio este ano, era esperada queda. O mesmo acontece na rede Econ. "Ainda não mensuramos o aumento, mas estamos nos preparando para vender bem mais", afirma o seu presidente Emílio Bueno.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia – 18/07/2008
InBev deve ampliar a briga pelo mercado asiático
A InBev vai em breve saltar para a frente da fila na China, o mercado de cerveja que mais cresce no mundo. A cervejaria belga-brasileira - que nesta semana fechou acordo para comprar a Anheuser-Busch, formando a Anheuser-Busch InBev - vai provavelmente usar sua recém-encontrada força para ampliar as margens de lucro e fazer incursões mais profundas contra as marcas chinesas locais. Mas mesmo a InBev, com sua fama de agressividade, terá de superar a concorrência e as complexidades do excessivamente fragmentado setor de cerveja da China.
A aquisição da Anheuser coloca a InBev em posição para ser a cervejaria com a maior participação de mercado da China, mas mesmo essa empresa combinada vai controlar só cerca de 21% do mercado de cerveja chinês. Nos últimos anos, a Anheuser-Busch se tornou cada vez mais agressiva com sua marca Budweiser na China. Mas as prateleiras das lojas chinesas estão também preenchidas com uma miríade de marcas locais, o que exige das empresas individuais mais empenho para obter o tipo de domínio que a Anheuser exerce nos Estados Unidos, onde controla perto da metade do mercado de cerveja. "Para se manter na liderança e no centro a empresa tem de continuamente oferecer incentivos por meio de promoções", disse Paul French, analista do instituto de pesquisa de mercado Acess Asia, em Xangai.
A China vai certamente desempenhar um papel importante na estratégia da InBev quando a transação estiver concluída. Numa nota de pesquisa de maio, os analistas do UBS disseram que embora o crescimento do volume de cerveja tenha diminuído na China, eles estão assim mesmo prevendo taxa de crescimento anual composta de 6,2% para os próximos quatro anos, bem acima das taxas de crescimento do setor na Europa Ocidental e nos EUA, onde eles projetam taxas de crescimento do setor de 1%, ante declínio de 1%. Nos EUA, a cerveja tem perdido mercado para as bebidas destiladas. Embora a China represente uma parte limitada dos lucros da Anheuser, os analistas do UBS disseram que o país oferece uma boa oportunidade de crescimento no longo prazo.
Por meio da aquisição, a InBev prevê cortar perto de US$ 1,5 bilhão em custos anuais antes de 2011, com US$ 55 milhões vindo da China. A Anheuser é proprietária do Brewery Group na China e detém 27% do capital da Tsingtao Brewery, que vende a popular marca de cerveja do mesmo nome. A InBev dobrou seus negócios na China em maio de 2006 com a aquisição da Fujian Sedrin Brewery. Numa nota que anunciava a transação, a InBev informou que seus negócios no sudeste da China devem complementar a força da Anheuser no nordeste. Alguns analistas dizem que a integração pode levar tempo. "Creio que o impacto direto ocorrerá nos médios e longos prazos”, diz Lei Yang, analista do ABN Amro, baseado em Xangai.
"A InBev e a Anheuser vão primeiro se integrar nos EUA e na Europa", disse Yang. Mesmo assim, a Anheuser e a InBev terão mais poder para concorrer com a SABMiller, que tem uma joint venture com a China Resources Enterprise, que vende a popular marca de cerveja Snow. As ações das fabricantes locais de cerveja Chongqing Brewery e da Beijing Yanjing Brewery mostraram pouca reação nesta semana, quando a aquisição foi anunciada. Deng Wei, secretário de conselho da Chongqing Brewery, disse que é difícil dizer no momento se a fusão vai ou não ajudar as duas fabricantes de cerveja estrangeiras a adquirir mais participação de mercado na China ou se outras fabricantes chinesas perderão mercado.
Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria - Página C5 – 18/07/2008
Na sombra da gigante, Schin aposta no charme artesanal
Que tal tomar uma cerveja artesanal, produzida em uma pequena fábrica em Campos do Jordão, em um restaurante no Nordeste do país?
A Schincariol trabalha para que isso se torne realidade, com uma estratégia no mínimo arriscada: popularizar o consumo das cervejas especiais sem transformá-las em bebida comum.
Detentora da segunda posição no mercado de cervejas do Brasil, amplamente dominado pela gigante AmBev, a Schincariol comprou no último um ano e meio as principais microcervejarias do país, dedicadas à produção das chamadas cervejas especiais ou Premium.
A compra da paulista Baden Baden, da carioca Devassa e da catarinense Eisenbahn garantiu ao grupo um leque amplo de cervejas, seja por tipo ou por valor. E é com esse mix que a empresa pretende aumentar a venda de cervejas especiais, fixando-se como o principal grupo nesse segmento e garantindo, por tabela, um aumento da receita.
As cervejas Premium ainda respondem por uma parcela marginal do mercado de cervejas do país, que no ano passado vendeu cerca de 7 milhões de litros, de acordo com levantamento feito pela empresa de pesquisa Nielsen. Mas o que é pequeno hoje, cerca de 2 por cento do total, é encarado como um incentivo, diante das possibilidades de crescimento sustentado por uma melhora na renda do consumidor.
"Como o mercado ainda é pequeno, tem muito a ser desenvolvido", afirmou Juliano Mendes, gerente do grupo de cervejas especiais do grupo Schincariol, em entrevista à Reuters.
Para o executivo, ex-dono da Eisenbahn, o segmento tem potencial para crescer a taxas robustas por um longo período. "Ainda vamos conseguir crescer por alguns anos, pelo menos uns cinco, a taxas acima de 50 por cento", disse.
Grande com charme de pequeno
O movimento de aquisição de pequenas cervejarias por grandes grupos não é novidade. Mas o que a Schincariol considera como inovador é o respeito à tradição na produção das cervejas artesanais.
Em vez de fechar fábricas, transferir a produção para unidades de maior escala e alterar a receita do produto, a opção adotada foi oposta. "A Schincariol está fazendo exatamente o contrário. Está mantendo totalmente a identidade de cada marca, a fábrica, as receitas, as pessoas", disse Mendes.
"Queremos manter essa essência, mas conseguir dar mais exposição, tentar levar para mais pessoas através de distribuição, de uma rede de comercialização maior, através de mais ações de divulgação da marca, coisas que são muito difíceis para essas cervejarias enquanto independentes."
Reconhecida como uma produtora de cerveja popular, a Schincariol enfrenta outro desafio: convencer os clientes que suas cervejas especiais não serão "comuns" com preços mais salgados.
Para Eduardo Tomiya, especialista em gestão de marcas e diretor da BrandAnalytics Consultoria, a solução é relativamente simples. "A questão é saber se ela quer capitalizar só na marca Schincariol ou se quer, no fundo, ser uma gestora de marcas, como uma Unilever."
Segundo Tomiya, o consumidor não está preocupado em saber quem é o dono do produto que ele consome. A atenção estaria voltada para a chamada proposta de valor da mercadoria.
"Se eles começarem a mudar o sabor da cerveja, para transformá-la em algo mais popular e ter mais escala, aí sim podem ter um risco, mas eu estou entendendo que o modelo de negócio deles é de gestão de marcas", disse.
Segundo Mendes, da Schincariol, essa desconfiança foi forte quando a empresa anunciou a compra da Baden Baden, em janeiro de 2007. Com a Devassa, em agosto passado, a dúvida dos consumidores foi menor. Em maio deste ano, com o anúncio da Eisenbahn, o efeito foi oposto.
"Mesmo observando alguns casos, como no Orkut, onde pessoas disseram que nunca mais iam botar Eisenbahn na boca, o que aconteceu depois da compra? As vendas cresceram", disse. As vendas da cerveja catarinense subiam 25 por cento ao mês e passaram para 35 por cento logo após o anúncio do negócio.
A AmBev domina o mercado de cervejas no país com as mais tradicionais marcas do tipo pilsen: Bohemia, Brahma, Skol e Antarctica. No segmento de especiais, as marcas mais importantes do grupo são as Bohemias Confraria (tipo Abadia), Escura (tipo Schwarzbier) e Weiss (tipo Weiss Bier).
Fonte: Reuters, por Renato Andrade – 18/07/2008
Cerveja Hen’s Tooth, autêntica Real Ale, desembarca no Brasil
A Greene King, localizada em Bury St Edmunds, Suffolk, Inglaterra, é uma das mais tradicionais cervejarias da Europa, responsável pela produção das mais premiadas marcas em todo o mundo, dentre elas a Hen’s Tooth, que acaba de chegar ao Brasil por meio da Boxer do Brasil, importadora e distribuidora exclusiva das cervejas da Greene King no Brasil.
A Hen’s Tooth é uma Real Ale, este termo foi criado pela CAMRA (Campaign for Real Ale), para designar uma cerveja elaborada com ingredientes tradicionais, maturada com uma segunda fermentação no próprio barril de onde será servida e extraída sem o auxílio do CO2.
A cerveja usa maltes cristal e pale ale e lúpulos Challenger e Goldings e o fermento original da Morland. Além disso, tem levedura ativa na garrafa, o que neutraliza a Ale durante toda sua vida. Apresentam aromas de malte, lúpulo e frutado (abacaxi). Paladar complexo, com boa presença de malte, seco, com amargor de lúpulo. Teor alcoólico: 6,5%.
Fonte: Notícia Expressa – 18/07/2008
Anheuser lucra US$ 689 milhões
A Anheuser-Busch, empresa cervejeira que está sendo adquirida pela InBev por US$ 52 bilhões, anunciou que o lucro do segundo trimestre aumentou 1,8% diante das vendas da Bud Light Lime. A Anheuser-Busch também informou ontem que pretende aumentar os preços em setembro e outubro em cerca de 4% sobre 85% da cerveja que vende nos Estados Unidos.
Os aumentos de preços da Anheuser-Busch e o programa de redução de custos poderão ajudar a conter as despesas maiores com cevada, energia e empacotamento. O principal executivo, August A. Busch IV, e investiu US$ 35 milhões em marketing da Bud Light Lime, que captou 1,5% do mercado dos Estados Unidos. A nova cerveja com sabor de lima poderá ajudar a empresa a recuperar as vendas de bebidas artesanais e de importação. "A companhia tem sido muito agressiva no desenvolvimento de novos produtos nos últimos anos para estimular o negócio", disse Marvin Roffman, fundador da Roffman Miller Associates. "Os aumentos de preços são necessários para manter as margens, à medida que suas despesas aumentam." O lucro líquido aumentou para US$ 689,2 milhões ou US$ 0,95 por ação, ante US$ 677 milhões ou US$ 0,88 no mesmo período do ano anterior, disse a fabricante da Budweiser ontem em comunicado. As vendas excluindo impostos de consumo avançaram 4,6% para US$ 4,72 bilhões.
Fonte: Gazeta Mercanti - Indústria - Página C7 – 24/07/2008
Reino Unido exige alerta em bebidas
O governo britânico ameaçou impor novas leis para as empresas que comercializam bebidas alcoólicas caso o setor não seja capaz de incluir avisos de alerta sobre os limites seguros para a ingestão de álcool em latas e garrafas até o final deste ano. O Departamento de Saúde do Reino Unido disse às empresas do setor para que obedeçam a seu próprio código voluntário de conduta, que restringe promoções "irresponsáveis", entre as quais "happy hours" e "noites das damas", segundo comunicado. O governo do primeiro-ministro britânico Gordon Brown está irritado com o fato de apenas 3% das bebidas alcoólicas comercializadas no Reino Unido exibirem os alertas completos. Nos hospitais, as entradas de pacientes com doenças relacionadas ao álcool aumentaram 71% desde 2002, após o governo ter permitido que os pubs ficassem abertos até mais tarde.
O governo britânico estima que a ingestão excessiva de álcool custe à sociedade até £ 25 bilhões, cerca de US$ 49,8 bilhões por ano, incluindo £ 2,7 bilhões para o Serviço Nacional de Saúde britânico. "Alguns setores da indústria estão cumprindo os códigos voluntários, mas outros os ignoram solenemente", disse a ministra da Saúde Pública, Dawn Primarolo, em comunicado. Cerca de 25% da população consome álcool em níveis prejudiciais.
“Nós precisamos que o setor de bebidas lhes forneça a ajuda e as informações necessárias para o consumo mais seguro.” O departamento de saúde britânico divulgou um estudo realizado pela KPMG que mostra que 43% dos produtos não apresentam informações sobre as unidades de álcool que contêm. Em 1998, o setor concordou em começar a exibir essa informação em garrafas e latas. Outro estudo da Universidade de Sheffield mostrou que os mais jovens estão bebendo mais. Em 2005, o governo britânico relaxou as leis de licenciamento, permitindo que a maioria dos pubs da Inglaterra ficasse aberto para além do horário tradicional das 23h00.
Fonte: Gazeta Mercantil - Comunicação - Página C4 – 24/07/2008
Lucro líquido do Grupo Modelo cai 14,3% no 1º semestre
O Grupo Modelo, principal produtor e exportador de cerveja do México, registrou um lucro líquido consolidado de 7, 357 bilhões de pesos (US$ 728 milhões) no primeiro semestre do ano, valor 14,3% inferior ao registrado no mesmo período de 2007.
A empresa indicou hoje em comunicado que entre janeiro e junho deste ano suas vendas totais chegaram a 36, 566 bilhões de pesos (US$ 3, 620 bilhões), número 2,2% maior que o faturamento do mesmo período do ano anterior.
O grupo afirmou que 52,1% da receita total corresponderam a vendas domésticas, 41% às exportações e os 6,8% restantes a outras fontes. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiram para 11, 712 bilhões de pesos (US$ 1, 171 bilhão), número 5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
No segundo trimestre do ano, o grupo teve um lucro líquido consolidado de 4, 107 bilhões de pesos (US$ 406 milhões), o que significou uma contração de 14,8%. Entre abril e junho, a empresa investiu 2, 386 bilhões de pesos (US$ 236 milhões) para diversos projetos de expansão.
As vendas totais entre abril e junho somaram 20, 409 bilhões de pesos (US$ 2, 020 bilhões), o que representou um aumento de 3,5% em relação ao mesmo trimestre do mesmo exercício anteriorag.
Fonte: Agência EFE – 25/07/2008
CONAR suspende veiculação de propaganda da Nova Schin
O CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) tomou ontem a decisão de suspender a veiculação de todas as peças publicitárias - inclusive os anúncios em TV - da Nova Schin que contenham a frase "leve e gostosa como nenhuma outra". A medida implica a retirada imediata dos comerciais. A Nova Schin já foi informada da decisão.
O CONAR argumenta que a frase é muito subjetiva. A Nova Schin não tem como provar que a cerveja é mais "leve e gostosa" do que a das suas concorrentes. O processo contra a cervejaria tinha sido julgado em junho, quando o CONAR recomendou a suspensão da campanha.
A cervejaria, no entanto, não tinha até então cumprido a determinação. Ontem, o CONAR decidiu, por meio de liminar, suspender toda a campanha publicitária da Nova Schin. Procurada pela Folha, a Nova Schin afirmou que refez a campanha após a recomendação do CONAR e, no anúncio que irá entrar no ar, a partir de domingo, a frase original foi modificada para "leve e gostosa".
O CONAR decidiu, neste ano, apertar o cerco contra os anúncios de cervejas. No dia 10 de abril, o órgão adotou novas regras para a propaganda dos chamados "produtos sensíveis", entre eles as bebidas alcoólicas. O objetivo é o de que os comerciais de cerveja se concentrem nas características das bebidas.
As novas regras definidas pelo CONAR visaram basicamente duas grandes mudanças. A primeira é evitar a exploração da imagem sensual das mulheres na propaganda de cerveja e a outra é chamar mais a atenção para as frases de advertência ao consumo da própria bebida.
Desde que o CONAR adotou essas novas regras, o número de processos contra anúncios de bebidas aumentou significativamente. Só neste ano deram entrada no CONAR 89 processos, sendo que 35 foram julgados.
No final de junho, quando o CONAR julgou o processo contra a Nova Schin, o órgão de auto-regulamentação publicitária também encaminhou uma lista com 32 recomendações a todas as cervejarias contendo restrições a campanhas publicitárias.
Fonte: Mercado Aberto, por Guilherme Barros – 26/07/2008
Paulo Macedo diz que brasileiro é fiel à cerveja nacional
O hábito de saborear aquela “loira estupidamente gelada” nunca esteve tão em evidência na vida dos brasileiros como nas últimas semanas. E dos americanos. Em vigor há pouco mais de um mês, a polêmica Lei Seca é assunto recorrente não só em mesas de bar, como em qualquer local do país, pois acertou em cheio uma das grandes paixões nacionais: a cerveja. Os Estados Unidos perderam a posse de um dos maiores ícones do país, a Budweiser, com a compra da cervejaria americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira Inbev por US$ 52 bilhões.
Em Minas Gerais, a Refrigerantes Minas Gerais (Remil) foi adquirida por US$ 364,1 milhões pela Coca-Cola Femsa, maior fabricante de produtos Coca-Cola da América Latina. Mercado agitado esse, hein? Em entrevista ao Estado de Minas, Paulo Macedo, diretor de Relações Externas da Femsa Mercosul, fabricante das cervejas SOL, Kaiser, Bavaria Premium, Xingu e Heineken, fala desses e outros assuntos polêmicos, como a possível proibição da publicidade de cerveja.
O que representou a compra da Remil para a Femsa?
A aquisição da Remil foi um bênção, porque Minas está entre os três maiores estados do país. A empresa tem índices de crescimento nos últimos anos acima de dois dígitos e um portfólio de produtos completo. Estamos falando aí de aumento de vendas de um terço para todo o Brasil, o que é uma coisa absurda, e faturamento de R$ 1,2 bilhão. Para a Remil, agora ela faz parte diretamente de uma empresa integral de bebidas.
Em termos de preço, muda alguma coisa para o consumidor?
Não. Agora, a Remil acompanhará de perto todas as estratégias de marketing da empresa. A sinergia é muito grande, mas em relação a preço não muda nada, pois a política de preço é única.
Como a Femsa vê a compra da Anheuser-Bush pela Inbev? Qual será o impacto para o Brasil?
Foi uma aquisição fantástica. Uma empresa belga, administrada por alguns brasileiros, adquiriu um dos maiores ícones americanos. Realmente, é uma coisa impressionante. Em relação ao Brasil, acho que ainda é muito cedo para falar de alguma mudança. A única coisa que vale ressaltar é que o Brasil é, essencialmente, um país de consumo de cervejas nacionais. Se a gente somar todas as cervejas importadas, todas as marcas que se vendem aqui, não dá 1%.
Mas as cervejas importadas devem chegar mais baratas ao mercado brasileiro…
Já houve movimento de marcas importadas que baixaram preços e, mesmo assim, não conseguiram atingir o consumidor. O brasileiro é fiel às marcas nacionais, mas ainda é muito, muito cedo para dizer se vai ter algum impacto.
Desde que a Lei Seca entrou em vigor, bares e restaurantes amargam perdas. Qual o impacto nos volumes de produção?
Houve uma diminuição, sim, nas vendas, porém, de um segmento basicamente específico, o de chope, que corresponde, dependendo da empresa, de 2% a 4% de todo o segmento. Ninguém quer perder 2% de venda, nem 4%, nem 5%, mas é um segmento diminuto diante de todo o mix que nós temos. Isso é a longo prazo? Não, não é. Até pelo próprio nome que deram: Lei Seca. Parece àquela coisa lá de Chicago, do Al Capone. Não é que ninguém pode beber. O motorista não pode beber os demais passageiros podem. E quanto a isso, não tem dúvida, somos absolutamente a favor: o motorista não pode beber. Aquele binômio, aquela máxima, “se beber, não dirija”, tem que ser aplicado. Mas se o cliente não beber chope, ele vai beber água, refrigerantes, suco, chá, cerveja sem álcool, e nós temos tudo. Vai ter migração, mas dentro do portfólio que nós temos.
Mas essa migração não compensa a queda no consumo de cerveja…
Vai ter um gap sim, que vai ter que ser fechado por outras coisas. Nós já notamos mudança de hábito de vendas nos supermercados, e há também a prioridade aos bares próximos. Seria muita arrogância minha falar que não vai haver queda, mas a gente acredita que não haverá mudanças drásticas no consumo por causa das mudanças de hábito.
Além da Lei Seca, também está em andamento o projeto de restrição da propaganda de cerveja…
Somos absolutamente contra. São aqueles erros, aquelas saídas fáceis para problemas complexos. A publicidade tem como meta principal a construção de marcas. Isso não é blablablá. Há pesquisas e estudos que mostram que propaganda nunca serviu para aumentar consumo, e sim para construir uma marca. Por que as empresas investem, então? Porque quanto mais preferência do consumidor você tem, você cobra mais ou menos pelo produto. Se você me perguntar sobre as diferenças entre as cervejas mais vendidas no Brasil, eu te falaria nenhuma, em termos de qualidade. Os fornecedores são os mesmos, o malte vem do mesmo lugar, os mestres cervejeiros são os mesmos, a água é a mesma. A propaganda que fez mais sucesso ganhou a preferência, então você cobra mais. Se proibirem a publicidade, vão destruir as marcas. A lei trouxe o cerne da questão: o problema não é a publicidade, é o cidadão beber e dirigir. A publicidade continua aí. O Brasil está cheio de soluções fáceis. O problema não está na publicidade, está na aplicação da lei.
Fonte: Estado de Minas, por Karla Mendes – 27/07/2008
Vendas do grupo Femsa crescem 12,8% no País
O volume de vendas do grupo Fomento Econômico Mexicano S.A. (Femsa) no Brasil cresceu 12,8%, para 2,25 milhões de hectolitros. A empresa, que produz e comercializa no País a cerveja Kaiser, entre outras, cresceu 7,5% no semestre. Segundo comunicado divulgado ontem, o "resultado reflete o momento positivo das marcas, especialmente Sol e Heineken". A Femsa é a maior empresa de bebidas da América Latina e registrou a maior alta em suas ações em dois meses na bolsa mexicana, após divulgar um lucro no segundo trimestre que avançaram mais do que o previsto pelos analistas.
O lucro líquido aumentou 7,2% para 2,5 bilhões de pesos (US$ 247 milhões) ou 70 centavos de pesos por ação. As vendas subiram 7,7% para 40,6 bilhões de pesos (US$ 4 bilhões), alavancadas por mais lojas de conveniências Oxxo e compras de cerveja que ajudaram a conter os custos mais altos com grãos. "Os resultados operacionais estão se mantendo bem, diante da severa pressão por parte das commodities", disse Tufic Salem, analista do Crédit Suisse Group, em relatório de 16 de julho.
A fabricante das cervejas Dos Equis e Tecate irá expandir sua unidade de lojas de conveniências, onde as vendas triplicaram nos cinco anos até o final de 2007, disse o principal executivo da Femsa, José Antonio Fernandez, em entrevista em abril. A receita operacional da Femsa avançou 9,4% para 5,85 bilhões de pesos (US$ 580 milhões), em comparação com o ano anterior, segundo um relatório. O Ebitda (lucro antes dos juros, taxas, depreciação e amortização) registrou uma alta de 8,2% para 8,02 bilhões de pesos (US$ 795 milhões).
A média da estimativa de quatro analistas foi de vendas de 40,4 bilhões de pesos (US$ 4 bilhões). Um ano antes, a Femsa disse que captou 2,33 bilhões de pesos (US$ 230 milhões), mas sem fornecer uma cifra por ação. A divisão Oxxo, que teve início como um modo para vender mais cerveja e produtos da Coca-Cola, tornou-se uma locomotiva de crescimento de receita, aumentando 11% para 12 bilhões de pesos (US$ 1, 189 bilhão) no trimestre.
As vendas triplicaram para US$ 3,87 bilhões nos cinco anos até o final de 2007, tornando a unidade a segunda maior da Femsa em vendas e a maior rede de lojas de conveniências no México com 5,85 mil lojas no final de junho. Coca-Cola Femsa Na semana passada, o grupo divulgou os resultados trimestrais da divisão MERCOSUL - o que inclui o Brasil - da engarrafadora Coca-Cola Femsa, segundo maior fabricante dos produtos da multinacional no mundo.
A receita líquida da divisão cresceu 23,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume de vendas cresceu 9,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria - Página C9 – 29/07/2008
InBev é acusada de comercializar cerveja cubana ilegalmente
Uma família cubano-americana de Miami disse que a cervejaria belgo-brasileira InBev, que chegou a um acordo de fusão com a americana Anheuser-Busch, comercializa ilegalmente uma marca de cerveja que pertenceu a ela, informou hoje a imprensa local.
A família Blanco Herrera alega que ela criou a marca de cerveja cubana Cristal antes de ser nacionalizada em 1960 pelo governo do então presidente cubano, Fidel Castro, disse o jornal "The Miami Herald". Ramón Blanco Herrera, cuja família fundou a cervejaria em Cuba em 1888, disse que os membros de sua família buscam "respeito em relação às reivindicações da propriedade".
"Uma coisa é o governo comunista cubano traficar uma propriedade roubada e outra é uma respeitada multinacional como a InBev traficar conscientemente nossa propriedade sem nosso consentimento nem autorização", declarou Blanco em comunicado.
"Podem usar termos jurídicos, mas o assunto é se os direitos de propriedade foram infringidos", afirmou Nicolás Gutiérrez, advogado da família.
Um diretor da InBev disse ao "Miami Herald" que a cervejaria "não infringe as leis americanas, nem européias, nem internacionais" com a fabricação, distribuição e venda das cervejas Beck's, Bucanero, Cristal e Mayabe em Cuba.
O diretor explicou que a InBev mantém uma joint venture com o Ministério de Alimentação da ilha.
Segundo Gutiérrez, a família Blanco Herrera está tentado sem êxito desde 2001 entrar em contato com a InBev para discutir o uso da marca Cristal. A situação se complica com a possibilidade da aplicação da fusão das duas cervejarias à lei Helms-Burton de 1996, que reforça o embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba desde 1961.
Ainda não está claro se a presença da marca Cristal no acordo de fusão das duas gigantes do ramo da cerveja poderia ser um contratempo para os distribuidores americanos. Segundo o "Miami Herald", a situação poderia resultar em um espinhoso assunto para o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, já que afeta as relações entre EUA e Cuba.
A mulher de McCain, Cindy, também é proprietária do terceiro maior distribuidor da Anheuser-Busch nos EUA. Para Gutiérrez, "todo este problema poderia ser resolvido se McCain dissesse: Não estou envolvido em assuntos empresariais, mas denuncio as operações da InBev em Cuba e, especialmente, o uso da propriedade confiscada".
Fonte: Agência EFE – 30/07/2008
| < Anterior | Próximo > |
|---|