Notícias de mercado
2007 - Setembro
Faleceu Michael Jackson, 65, crítico de cerveja e autor
Michael Jackson, famoso crítico de cerveja que ajudou a iniciar o renascimento do interesse pela cerveja e cervejarias em todo o mundo na década de 1970, foi encontrado morto em 30 de agosto, em sua casa em West London. Ele tinha 65 anos de idade. A causa foi um ataque cardíaco, disse Paddy Gunningham, sua companheira. Ela disse que mesmo tendo doença de Parkinson, ele continuou a escrever e viajar, e planejava escrever um livro sobre a doença.
O Sr. Jackson amava especialmente cervejas belgas, muita das quais foram introduzidas a muitos mercados exportadores, incluindo os Estados Unidos, pelos seus livros “The Great Beers of Belgium” e “The World Guide to Beer”.
Ao identificar as cervejas pelos seus aromas e sabores e estilos, e harmonizando-as com determinadas comidas e pratos, ele também deu ímpeto para o movimento de microcervejarias norte-americano.
Sua série de documentários na televisão, “The Beer Hunter,” (O caçador de cerveja), um título que popularizou seu apelido, foi filmada ao redor do mundo e mostrada em 15 países.
O Sr. Jackson foi um crítico de cerveja por mais de 30 anos, escrevendo em jornais, e revistas gastronômicas, ministrando seminários e palestras, e participando de programas de entrevistas. Seus vários livros sobre cerveja e uísques foram publicados em 18 idiomas.
Em seu website o Sr. Jackson reconhecia que o seu nome familiar freqüentemente levava a confusões. “Alô, meu nome é Michael Jackson,” disse ele na semana passada. “Não, não aquele Michael Jackson, mas estou em uma turnê mundial. Minha turnê é a perseguição de cervejas excepcionais. É por isto quer me chamam o Caçador de Cerveja.”
Fonte: The New York Times
Consumidoras são novo alvo da propaganda
As mulheres já bebem cerveja na mesma freqüência que os homens e se tornaram o novo alvo da indústria de bebidas, inclusive, com comerciais de TV exclusivamente para elas. Pesquisa da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), divulgada semana passada, mostra que não há diferença estatística na taxa de consumo de cerveja entre os gêneros (62% entre homens e 58% entre as mulheres). O estudo ouviu 3.007 pessoas em 143 cidades brasileiras.
Entre os adolescentes, acontece à mesma tendência de consumo: 53% dos garotos declaram tomar cerveja, contra 50% das meninas.
A diferença entre os gêneros (adultos e adolescentes) ainda está na quantidade ingerida: 38% dos homens consomem cinco doses de bebida alcoólica (fermentadas ou destiladas) contra 17% das mulheres.
Mas, a depender da indústria da cerveja, esse padrão de consumo também poderá ser mudado. Uma cerveja voltada para mulheres, a Porto (Ambev), acaba de ser lançada.
No comercial de TV sobre a cerveja, a velha fórmula sexista, agora ao inverso: em um bar lotado de belas garotas bebendo cerveja, ao som de música latina, um garçom mais velho é trocado por um jovem bonitão. Para a psicóloga Ilana Pinsky, do departamento de psiquiatria da Unifesp, o foco de propagandas de bebidas nas minorias é uma tendência nos EUA e pode se tornar uma estratégia no Brasil, um mercado com potencial de crescimento.
"No Brasil, a mulher ainda bebe muito menos do que potencialmente poderia beber. É esperto da parte das indústrias focarem nas mulheres jovens e em jovens em geral porque é esse público que pode mudar o padrão de consumo, não vai ser o cara de 40 anos".
Sérgio Ramos, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, têm a mesma preocupação: "Estão querendo agora ampliar o mercado em direção às mulheres jovens. E fazem propaganda enganosa. Mulher que bebe freqüentemente engorda, tem barriga, não tem a exuberância da TV”.
Para Marcos Mesquita Coelho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja é natural ocorrer uma mudança no direcionamento da propaganda devido ao aumento do consumo da bebida e à participação cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho e na renda nacional.
Segundo ele, não tem sentido uma propaganda focada apenas na motivação do homem se a mulher consome a bebida quase na mesma proporção.
"O problema dessa propaganda [da cerveja Porto] é que ela está voltada para a mulher, mas ainda usando o mesmo padrão de publicidade usado para o público masculino. Trocar esse [garçom] por outro mais bonito não me parece um padrão esperado das mulheres."
Segundo ele, as pesquisas de mercado demonstram que as mulheres cada vez mais consomem cerveja e decidem pela marca de preferência. "Nada mais adequado do que trabalhar conceitos mais presentes na decisão da mulher."
Fonte: Folha de São Paulo - Cotidiano
Carlsberg tem 1,7 mil milhões de euros para fazer aquisições
Lisboa, Portugal - A Carlsberg, que em Portugal detém 44% da Unicer, tem 70 mil milhões de coroas dinamarquesas (1,72 mil milhões de euros) disponíveis para fazer aquisições, anunciou o presidente do conselho de administração, Povl Krogsgaard-Larsen. A Scottish & Newcastle, dona da Central de Cervejas é um dos alvos possíveis para uma fusão. "Dependendo de como o fazemos, há um limite máximo para a nossa aquisição de 60-70 mil milhões de coroas dinamarquesas" afirmou Povl Krogsgaard-Larsen, citado pela Thomson Financial.
O jornal diário "Boersen" adiantou que os rumores de que a Carlsberg vai comprar a Scottish & Newcastle se mantêm. "A Scottish & Newcastle é a cervejeira da qual estamos mais perto e temos uma colaboração muito boa com eles na Baltic Beverages Holding [na Rússia]", disse o mesmo responsável citado pela agência. "Fazemos o que podemos para seguirmos o fluxo de rumores, mas não vou comentar se temos estado em conversações com eles", adiantou Povl Krogsgaard-Larsen.
As duas empresas atuam em Portugal. Uma está presente no capital da Unicer (Carlsberg) enquanto a Scottish & Newcastle controla a 100% a Central de Cervejas.
Fonte: Jornal de Negócios, por Sara Antunes
InBev vai investir 60 milhões de euros em operações na Bélgica
A InBev, maior cervejaria do mundo em volume, informou na segunda-feira que vai investir 60 milhões de euros (82,1 milhões de dólares) em suas atividades com cerveja na Bélgica nos próximos 12 meses.
A InBev, formada a partir da união da brasileira AmBev com a belga Interbrew, informou que os investimentos são destinados ao aumento da produção da chamada cerveja branca e da amarela.
As marcas internacionais do grupo incluem Stella Artois, Beck's, Brahma e Leffe.
Fonte: Portal Estadão - Economia & Negócios
Holandesa Heineken certifica qualidade da cerveja produzida no Brasil pela FEMSA
A cerveja Heineken, produzida no país pela FEMSA Cerveja Brasil, passou por um criterioso teste de qualidade do instituto SGS na Holanda para avaliar a qualidade do produto nacional. O resultado foi 100% de aprovação da Heineken brasileira produzida com os mesmos padrões de excelência da cerveja holandesa. Reconhecida em mais de 170 países pelo inconfundível verde de suas embalagens, a Heineken é produzida no Brasil há 17 anos e consolidou-se como uma marca para àqueles que buscam qualidade, sabor, inovação e, principalmente, estilo.
Fonte: Apoio Comunicação + Marketing
Cresce participação da Ambev no mercado de cerveja
Pesquisa da ACNielsen mostra que quase 70% da cerveja consumida no país é fabricada pela companhia.
Quase 70% da cerveja consumida no Brasil em agosto foi fabricada pela Ambev. Pesquisa da consultoria ACNielsen mostra que a participação da detentora das marcas Antarctica, Brahma e Skol no mercado de cerveja brasileiro cresceu 0,2 ponto percentual em agosto, chegando a 67,7%.
Em compensação, a participação da Schincariol, que em julho era e 12,6%, caiu 0,3 ponto percentual, para 12,3% no mês passado. A Petrópolis manteve a fatia de 8,3% do mercado, enquanto a Femsa, que fabrica as cervejas SOL, Kaiser, Bavaria Premium, Xingu e Heineken permaneceu com 7,6% pelo terceiro mês consecutivo.
Em agosto, a Femsa reportou crescimento de 11,4% em seu volume de vendas no primeiro semestre de 2007, em relação aos primeiros seis meses de 2006. O percentual é mais que o dobro do registrado pela Ambev, que viu suas vendas crescerem 4,9% no período.
Fonte: Portal Exame
AmBev traz marcas belgas para o verão
A AmBev rendeu-se ao último nicho em que ainda atuava timidamente: o das cervejas importadas. Para competir com as novas marcas internacionais que lotam mensalmente as prateleiras e para não ficar atrás do apelo das cervejas artesanais - com a compra da Devassa e Baden-Baden, a rival Schincariol está abocanhando esse segmento - a gigante cervejeira está aproveitando o extenso portfólio da InBev para trazer ao Brasil sabores mais sofisticados do produto. Depois das cervejas uruguaias e alemãs, a partir de outubro, a companhia estréia no país com três marcas belgas: Leffe - em três diferentes variantes - Hoegaarden e Belle-Vue. A idéia foi aproveitar a proximidade do verão e o momento típico de aumento do consumo para lançar as marcas da InBev mais vendidas dentro das suas categorias mundo afora. Só no primeiro semestre, o mercado de cervejas importadas cresceu 70%. Trata-se de um segmento extremamente específico que exige uma longa introdução antes que se possa dar o primeiro gole. A Leffe, quarta marca global da InBev, é uma cerveja tipo abadia, fabricada por monges, que conserva a mesma receita desde 1240. Belle-Vue, por exemplo, é uma cerveja do tipo Lambic, produzida a partir da fermentação espontânea de microorganismos que se desenvolvem apenas em uma região da Bélgica.
Embora represente um percentual ínfimo das vendas da AmBev, o projeto de importação está evoluindo mais rápido do que o previsto. Segundo Alexsandro Pinto, gerente de novos negócios, a chegada das marcas belgas deu início a uma nova fase das importações da companhia. A partir de outubro, as cervejas importadas - hoje concentradas na cidade de São Paulo - passam a ser vendidas em todo o Estado e na região Sul do país. "Nossa expectativa era ir para outras praças somente em 2008."
O ritual para degustar esse tipo de bebida assemelha-se ao vinho. Exige copo e maneira certa de servir - e a "harmonização" com a gastronomia também é usual. Daí a necessidade de se montar equipes de treinamento para atuar em bares, restaurantes e até supermercados - onde as cervejas devem ser vendidas na faixa de R$ 6,00.
Hoje, o mercado Premium é o que mais interessa às cervejarias. Embora represente apenas 6,7% do total, o segmento Premium cresce 2,5 vezes mais que o tradicional. Em 2006, teve alta de 11%, contra 7,5% das cervejas pilsen.
Fonte: Valor Econômico – Empresas - Tendências & Consumo - Página B6
Adiada decisão para limitar anúncio de cerveja na TV
Cinco meses após a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concluir texto de uma resolução para proibir a propaganda de cerveja na televisão, entre as 8h e às 20h, ainda não há previsão de quando a proposta sairá do papel. A propaganda continua no ar enquanto ministros discutem a forma e o momento de mudar a lei que só considera alcoólicas bebidas com mais de 13% de teor de álcool.
Fabricantes de cerveja comemoram o aparente recuo do governo. "Pressão houve, mas posso garantir que não há recuo", afirmou o ministro José Gomes Temporão (Saúde), que mantém a defesa dos limites à propaganda. O ministro ouviu críticas de representantes do mercado publicitário.
As mudanças se vierem, não têm data. Temporão diz que, agora, a prioridade do governo é aprovar a prorrogação da CPMF (imposto sobre movimentações financeiras), "e nada pode atrapalhar". A propaganda de cervejas movimentou em 2006 R$ 751 milhões, 40% mais que em 2005.
Na internet, circula uma primeira versão do texto que poderá estender limites à veiculação de propaganda às bebidas a partir de 0,5% de teor alcoólico-as cervejas têm entre 3% e 5%, em média. O texto também proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas estradas federais-outra medida adiada do pacote da Política Nacional sobre o Álcool, anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Envolvidos no debate, o chefe-de-gabinete de Segurança Institucional, Jorge Felix, e a secretária-adjunta da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), Paulina Duarte, disseram que o assunto está para ir ao Congresso Nacional. Não há decisão, por ora, se as mudanças serão objeto de medida provisória -com efeito imediato- ou projeto de lei, sujeito a uma lenta tramitação na Câmara e no Senado. Os dois afirmam que "a decisão caberá à área política do governo".
Como uma das principais peças do lobby contra restrições à propaganda, os fabricantes brandem o resultado de pesquisa encomendada à LCA Consultores Associados. A pesquisa, de março de 2007, minimiza o efeito da publicidade e atribui o aumento do consumo ao aumento da renda.
Mas o governo descarta intervir no preço das cervejas como forma de inibir o consumo. Embora mais de metade da população adulta (56%) seja favorável ao aumento dos impostos sobre bebidas, segundo pesquisa encomendada pela Senad, à medida é considerada impopular no governo, apurou a Folha.
O consumo de cerveja aumentou 5,9% entre 2005 e 2006, período em que os investimentos em publicidade cresceram quase 40%.
Fonte: Folha de São Paulo - Cotidiano
Embalagem PET provoca polêmica
O mercado de bebidas engarrafadas em PET está prestes a viver sua maior mudança desde a criação da resina que popularizou o segmento e abriu as portas para pequenos fabricantes. Depois de mais de seis anos em discussão na Comissão de Alimentos do Mercosul, no dia 9 de agosto a ANVISA colocou em consulta pública proposta que permite o uso de PET reciclável para a fabricação de novas embalagens de alimentos e bebidas. Faltam apenas detalhes burocráticos para que a medida entre em vigor, o que deve acontecer em 2008.
A questão fica em aberto até o dia 9 de outubro e, depois da regulamentação aqui, passa por um processo de homologação nos quatro países - que dura mais 180 dias - para que, então, se publique a chamada "Resolução Mercosul". Trata-se de uma mudança importante, sobretudo em tempos de valorização da sustentabilidade. Até o momento, a reutilização do material para a fabricação de garrafas era proibida no bloco do Mercosul, ao contrário de países como Estados Unidos, Alemanha e Áustria. Até a publicação da resolução, o PET reciclado no Brasil só pode ser usado para outros fins, como a produção de fibra de poliéster para indústria têxtil e na fabricação de cordas e cerdas de vassouras e escovas.
Usar o PET reciclado tem duas vantagens claras: ambiental e social. Garrafas recicladas usam menos energia na sua produção do que a resina virgem, além de reduzir o lixo e a emissão de gases. Atualmente, cerca de 80% dos refrigerantes vendidos no Brasil são embalados em PET e algumas pequenas empresas já começam a envasar cerveja nesse tipo de embalagem.
A ONG Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE) estima que, com o aumento da demanda, o preço do PET reciclado possa subir em até 30% para as cooperativas e catadores.
O Brasil é o maior mercado mundial de reciclagem de PET. No ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), o índice de reciclagem do produto atingiu 47%. Num país como o Brasil, a coleta seletiva virou o ganha-pão de um exército de desempregados.
Estima-se que existam entre 400 e 500 mil pessoas trabalhando informalmente na coleta de lixo no país. Apenas a indústria de reciclagem de PET gera cerca de quatro mil empregos diretos.
Embora esses benefícios sejam nítidos, a viabilidade econômica do PET reciclado ainda é uma dúvida.
A equação é a seguinte: enquanto o PET virgem é barato - foi o produto que democratizou o mercado e permitiu o acesso de centenas de novos fabricantes ao mercado de refrigerantes e água - a implantação de uma linha de reciclagem para reutilização da resina em bebidas e alimentos é cara. Estima-se que a montagem de uma fábrica completa fique entre R$ 20 e R$ 30 milhões. Por conta disso, a competitividade da resina reciclada em relação à virgem é baixa, ao contrário do alumínio. As empresas que já detém a tecnologia da reciclagem de PET para alimentos e bebidas, caso da BahiaPet e From PET, do Recife - que hoje trabalham apenas com exportação - dizem que a diferença de preço entre a resina reciclada e a virgem vai existir e deve ficar entre 15% e 20%. Mas nem todo mundo que atua nesse mercado concorda que o PET reciclado consiga essa vantagem competitiva. "O preço deve ficar muito próximo ao do PET virgem", diz Hermes Contesini, responsável pelas relações com o mercado da ABIPET. O aumento da demanda pelo PET reciclado no mercado externo, onde o produto é bastante valorizado, também pode ajudar a desequilibrar essa conta. "As empresas também se preocupam com a rentabilidade do negócio, não apenas com o meio ambiente", diz Contesini. Embora seja permitido, o produto reciclado raramente é usado puro.
Lá fora, as empresas costumam misturar o PET reciclado ao virgem, numa proporção média de 30% para 70%. A Coca-Cola é uma das maiores entusiastas do assunto e investe pesado em tecnologia. Sua primeira garrafa de plástico reciclado foi produzida em 2001 e, atualmente, vende esse tipo de embalagem em 17 países. A multinacional tem parceria em fábricas de reciclagem de PET no México, Suíça, Filipinas, Alemanha, Áustria, França e Austrália, além de mais duas em construção na China. Mas a sua maior tacada nessa área foi anunciada em agosto, quando a Coca-Cola divulgou que irá investir US$ 60 milhões na maior fábrica de reciclagem de PET do mundo, na Carolina do Sul. O objetivo da companhia é reciclar e reutilizar 100% das garrafas de plástico produzidas nos Estados Unidos. A quantidade de resina reciclada na nova planta será equivalente à produção de 2 bilhões de garrafas. "A sustentabilidade do nosso negócio no longo prazo depende da nossa habilidade em assegurar a sustentabilidade das nossas embalagens", disse Sandy Douglas, presidente da Coca-Cola da América do Norte, na ocasião do anúncio. José Mauro de Moraes, diretor de meio ambiente da Coca-Cola Brasil calcula que o uso de resina reciclada no país deve começar com 10% do total. Em 2006, foram recicladas 174 mil toneladas. A empresa deve ser uma das que adotará o novo produto no Brasil - não sabe ainda se investindo diretamente ou comprando de fornecedores que sigam padrões mundiais da companhia. Moraes acredita que, além dos grandes, os fabricantes de bebidas de menor porte também devem ser um importante mercado para o PET reciclado.
Já a AmBev não está entusiasmada com o novo produto. Diz que a maioria do PET no Brasil vem de lixões e não acredita que seja seguro reutilizá-lo em seus produtos. De fato, como a coleta seletiva de lixo ainda é realidade em apenas 200 dos cinco mil municípios brasileiros, atualmente 50% do produto reciclado vem de lixões e outros 50% de coleta seletiva, segundo estimativas da Abipet. Mas, de acordo com a ANVISA, a resolução será publicada somente depois que os critérios de descontaminação definidos na legislação assegurarem a saúde da população.
A ANVISA fez pesquisas para conhecer as tecnologias para limpeza e descontaminação do PET reciclado usado nos EUA - onde o processo é aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) - e países da União Européia.
Através de sua assessoria, a AmBev também informou que acredita que o PET reciclado seja economicamente inviável. A InBev, uma das maiores fabricantes de cerveja em PET da Europa, não tem nenhuma planta de reciclagem da resina e não tem estudo para instalação. A política das grandes empresas para estimular a reciclagem é apoiar cooperativas de trabalhadores, mas elas estão investindo para desenvolver novas tecnologias.
A AmBev criou uma garrafa eco eficiente, a chamada cinturinha, cujo design permite que 92 toneladas de PET sejam economizadas por ano, o equivalente a 1,84 milhões de garrafas. O rótulo 35% menor em relação ao das garrafas tradicionais evita o uso de mais 40 toneladas de plástico. A embalagem está sendo usada em cinco marcas.
Já a Coca está investindo em tecnologia para promover o uso do PET reciclado na própria cadeia, como estantes usadas no ponto-de-venda - já em uso nos supermercados.
Outro produto, os separadores de pallet, usados nas fábricas, já estão em estudo e devem ser vendidos ainda este ano.
Mais uma fabricante de cerveja decidiu aderir à embalagem PET. Em janeiro do próximo ano, a pernambucana Frevo colocará nos supermercados a primeira leva da nova garrafa. Ela se soma às paulistas Belco e Atlas, que fizeram lançamentos recentes. Em fase final de testes, a nova embalagem imitará uma garrafa long neck de 350 ml. Mas terá muito mais bebida. Por causa da menor espessura do plástico em relação ao vidro, caberão 550 ml. "E conseguiremos vender pelo mesmo preço porque a embalagem PET é mais barata", diz Sidney Wanderley, presidente da Frevo, uma indústria de cerveja e refrigerantes. Com a garrafa PET, a empresa também quer ganhar o espaço das latas na praia e em eventos. "Além de custar menos do que a lata, ela terá mais bebida." Wanderley espera aumentar sua participação no mercado nordestino de cervejas de 4% para 15% em um ano. A Frevo produz por ano 50 mil hectolitros de refrigerantes e 30 mil hectolitros de cerveja. No início, 25% da produção de cerveja migrará para a embalagem PET. A empresa já avalia novos mercados. Em meados de 2008, quer vender sua cerveja em São Paulo e no Rio.
Mas ainda deve enfrentar alguns percalços para colocar o produto em garrafa PET no mercado. O procurador da República Jefferson Aparecido Dias, de Marília (SP), enviou um ofício à Frevo cobrando um estudo sobre o impacto ambiental da medida. Por meio de uma ação civil pública, Dias conseguiu que todas as fabricantes de cerveja que queiram usar embalagem PET mostrem que não causarão danos ambientais. "As empresas usam o PET para elevar seus lucros e repassam os custos para a sociedade", afirma Dias. Por conta da ação, Belco e Atlas precisaram obter liminares na Justiça para continuar vendendo seus produtos - alegando que a produção é anterior à ação civil pública. Wanderley diz que ainda está fazendo o estudo de impacto. Como ainda não iniciou a produção, só em dois meses deve apresentar as análises. "Isso é um pouco sem sentido. Por que não vale também para o refrigerante?", questiona. Além do estudo, Wanderley tem outros projetos para reduzir os danos ao ambiente. Um deles é lançar junto com a cerveja uma campanha publicitária de incentivo à reciclagem. Além disso, a própria fábrica quer abrir uma unidade de reciclagem. "Queremos fazer parcerias com os catadores."
O envase de cerveja em PET é um assunto polêmico no Brasil, embora represente 50% das vendas no Leste Europeu e também esteja presente na Austrália e nos EUA. Grandes fabricantes estão nesse mercado, como Miller, Heineken, Carlsberg e InBev - que só na Rússia tem três diferentes marcas.
O temor das grandes empresas que atuam no Brasil é a repetição no mercado de cervejas do que aconteceu no de refrigerantes, que enfrentou o crescimento das "tubaínas". O PET, cujo processo de envase é mais barato e exige baixos investimentos nas linhas, foi um divisor de águas e abriu espaço para inúmeras pequenas marcas. Os grandes fabricantes já sinalizaram que se a produção for liberada, não ficarão de fora desse mercado. Segundo os especialistas, com a entrada maciça da indústria de cervejas no segmento de PET e o conseqüente aumento de embalagens descartáveis no mercado, os problemas ao meio ambiente poderiam triplicar, uma vez que as garrafas de vidro de 600 ml usadas hoje são retornáveis. "Quem resolver produzir, tem que arcar com os custos ambientais", afirma Marcos Mesquita, presidente do SINDICERV. "Sou absolutamente contra", diz.
Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia
Mais cerveja
A SAB Miller, terceira cervejaria do mundo, informa em comunicado, que as vendas de cerveja subiram 11% nos cinco primeiros meses do atual exercício fiscal, com o aumento do consumo das suas cervejas na América Latina.
A quantidade de cerveja Miller vendida para revendedores na América do Norte também registrou um crescimento de 1,3%, depois da queda registrada no ano anterior.
Fonte: Gazeta Mercantil - Comunicação
AmBev projeta aumento de venda de cerveja no Peru neste ano
A cervejaria AmBev Peru, a unidade peruana da gigante belga InBev, projetou que suas vendas vão se recuperar em 2007 impulsionadas pelo maior consumo, em meio a um robusto crescimento econômico do país, disse nesta quinta-feira o gerente-geral Cristiano Sampaio.
O executivo afirmou a jornalistas que, para o segundo semestre, o volume de suas vendas crescerá cerca de 35 por cento ante o mesmo período do ano passado e 65 por cento na comparação com os primeiros seis meses de 2007.
A AmBev Peru, que entrou no mercado local em 2005, compete no Peru com a Backus e a Johnston, da SABMiller, que domina o mercado local.
"As projeções são de muito crescimento e por isso estamos nos apressando muito, estamos correndo. Com essa curva de crescimento logo chegaremos a nossa capacidade", disse Sampaio em uma entrevista coletiva. Sampaio afirmou que a empresa estuda a ampliação da capacidade de produção das instalações de "Huachipa", localizadas na região da cidade de Lima, com capacidade para um milhão de hectolitros.
O consumo per capita no Peru foi de 33,4 litros por pessoa em 2006, frente aos 29 litros de 2005, mas ainda é considerado um dos mais baixos da região.
Fonte: Reuters
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