Notícias de mercado
2011 - Março - Parte I
Cervejas e alimentos vão impulsionar vendas em 2011
As vendas de cervejas, refrigerantes e produtos perecíveis - como queijos, leites e iogurtes - devem liderar a comercialização de produtos nos supermercados em 2011.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, essas categorias são beneficiadas pelo crescimento da renda, sobretudo na classe C, e pelas inovações em produtos por parte da indústria. "A recuperação do poder de compra proporciona à indústria inovar, olhando para a demanda futura dos consumidores", afirmou, em entrevista a jornalistas.
Para 2011, a previsão da Abras é de que as vendas dos supermercados cresçam 4% na comparação com o ano passado. Em 2010, a quantidade de produtos comercializada nos autosserviços avançou 6,7% em relação a 2009, de acordo com levantamento da Nielsen, realizado a pedido da Abras. Esse resultado representou a maior taxa de crescimento desde 2005, quando a pesquisa passou a ser realizada. Em 2009, por exemplo, o volume de vendas nos supermercados avançou 3,2% sobre 2008.
"Em 2011, o volume não deve crescer igual ao ano passado, mas mantemos uma visão otimista quanto à demanda", afirmou. Segundo Honda, a desaceleração do volume comercializado ocorrerá pela redução de ritmo da atividade econômica, incentivada pelo corte dos investimentos dos governos e alta dos juros, assim como pela alta base de comparação com 2010. "O crescimento do emprego vai puxar a massa de rendimentos, garantindo a manutenção das vendas." A Abras prevê que o setor iguale em 2011 a taxa de crescimento de 4% do faturamento real observada em 2010.
Outro fator apontado pelo presidente da Abras para a manutenção do crescimento do volume das vendas está na manutenção dos investimentos por parte da indústria. A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) prevê que o setor ao menos iguale os R$ 16 bilhões destinados ao aumento da capacidade produtiva registrados em 2010. "O mercado de cervejas e refrigerantes ainda tem muito espaço para crescimento, pela estabilidade nos preços, investimentos em marketing e aumento do poder de compra", completou.
Na avaliação de Honda, a desaceleração do ritmo de crescimento na comparação com o ano passado deverá atingir todas as categorias. Em 2010, o segmento de bebidas alcoólicas liderou o aumento do volume de vendas, com incremento de 15,1% em relação a 2009, seguido por bebidas não alcoólicas (+10,8%), perecíveis (+10,4%), limpeza caseira (+5,8%), mercearia salgada (+4,5%), mercearia doce (+4,2%) e higiene e beleza (+3,4%). O menor crescimento ficou com a categoria "outros", puxada por cigarros, cujo aumento foi de 1,1%.
Em termos de produtos, o volume das vendas em 2010 foi liderado pelos queijos, com aumento de 21,7% sobre 2009. Na seqüência, aparecem suco de frutas pronto para o consumo (+19,2%), cerveja (+17,8%), salgadinho para aperitivo (+11,4%), pão industrializado (+10,6%), refrigerante (+10,6%), carnes congeladas (+10,5%) e chocolate (+9,4%). Já entre as maiores quedas no período estão purê de tomate (-21,8%), sidra (-18,4%), loção pós barba (-15,1%), rum (-9,8%), além de extrato de tomate (-7,4%) e sabão em barra (-4%).
Preços
Sobre a retração no preço da cesta de 35 produtos mais consumidos nos supermercados em janeiro ante dezembro, que recuou 1%, para R$ 303,97, Honda disse esperar pela desaceleração nos próximos meses (dos preços)".
Segundo ele, a alta recente dos preços nos supermercados, entre setembro e dezembro do ano passado, teve forte componente de descompasso entre oferta e demanda, sobretudo no caso das carnes. Honda acrescentou que a desaceleração dos preços será puxada também por produtos industrializados.
Fonte: Portal Alimentação Fora do Lar – 01/03/2011
Geladas mas fervendo
O mercado de cervejas artesanais atrai empreendedores e deve alcançar neste ano um faturamento recorde de 1 bilhão de reais
Colarinho branco
Desde 2003, os brasileiros batem recordes de consumo de cerveja ano após ano. Em 2010, cada brasileiro adulto ingeriu, em média, 64 litros da bebida — 10% a mais do que em 2009.
Embora crescente, comparado ao de outros países beberrões, o volume ainda é pequeno. Na Alemanha e na República Checa, por exemplo, os índices anuais por habitante chegam a 108 litros e a 160 litros, respectivamente.
Mas, assim como os europeus, os apreciadores de cerveja nacionais começam a exigir loiras — só que geladas — de maior qualidade.
O sinal mais evidente dessa mudança está no aumento das vendas dos produtos super premium, como são classificadas as cervejas que custam, pelo menos, 50% mais que as populares. Nessa faixa estão marcas importadas e, sobretudo, as fabricadas artesanalmente por cervejarias brasileiras.
Entre 2008 e o fim deste ano, as vendas subirão 79%. A expectativa é que, em 2011, o faturamento com os produtos super premium ultrapasse, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão de reais.
As super premium conquistaram uma clientela que, até então, era cativa das cervejas premium — que custam, no mínimo, 20% mais que as marcas de massa. As super premium ou artesanais atraíram o público das premium, ao oferecer bebida elaborada com insumos de ainda melhor proveniência. “Não há uma regra para a produção das cervejas super premium”, diz a presidente da Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte, Cilene Saorin.
Segundo ela, em geral, elas apresentam um grau de pureza maior, sabor mais acentuado e uma quantidade de álcool superior à da média do mercado.
Enquanto uma cerveja comum contém 60% de malte, a maioria das super premium apresenta um teor de malte superior a 80%. É comum também que seu teor alcoólico ultrapasse os 5% convencionais. Além disso, elas não costumam levar nem xarope de arroz nem aditivos químicos e conservantes usados para acelerar a produção e manter a validade das bebidas mais baratas.
Fabricam-se cervejas nos padrões super premium no Brasil desde o século XIX. Mas, como costumam ser produzidas por empresas familiares, em pequena escala e sem acesso a uma boa rede de distribuição, elas não se convertiam em um negócio com grande margem de lucro. O aumento da renda verificado nos anos 2000 mudou esse panorama.
As redes varejistas perceberam a mudança de hábitos dos fregueses e abriram suas gôndolas para os produtos artesanais.
Há dois anos, o Pão de Açúcar criou uma unidade para explorar esse nicho. Desde então, noventa rótulos diferentes já foram oferecidos à sua clientela. Com o mercado sedento por produtos mais bem elaborados e as redes de varejo dispostas a vendê-los, as oportunidades de negócio aumentaram. Repentinamente, jovens cujos conhecimentos sobre cerveja estavam restritos a abrir a garrafa e encher copos se converteram em empreendedores.
Em oito cidades do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, formou-se um pólo com dez microcervejarias. Para incentivar o negócio, o governo estadual promulgou, há um ano, uma lei reduzindo os impostos cobrados dos cervejeiros locais. O benefício seduziu gente como o executivo paulista João Gilberto Krepel, que pediu demissão do Bradesco para se tornar sócio da Schornstein, em Pomerode. Com uma fábrica em Santa Catarina e outra em Holambra, no interior de São Paulo, a Schornstein fatura 400.000 reais mensais vendendo barris de chope para bares, restaurantes e festeiros em geral.
Na paulista Votorantim, os irmãos Alexandre, Thiago e Lucas Bazzo se uniram há seis anos para fundar a Bamberg. A empresa nasceu de forma prosaica. O primogênito Alexandre, hoje com 34 anos, voltou de um intercâmbio na Inglaterra encantado com a variedade de cervejas produzidas naquele país. “Convenci meus irmãos de que poderíamos fazer o mesmo”, conta. Neste ano, a Bamberg deve faturar 2,4 milhões de reais.
A Falke Bier, da cidade paulista de Ribeirão das Neves, é outro exemplo de negócio que decolou. “No fim dos anos 80, comecei a levar toda a família para o meu sítio e fazia todo mundo tomar a cerveja que eu fabricava”, lembra seu dono, Marco Falcone. Em 2004, ele resolveu converter o hobby em profissão. Hoje, vende 1,4 milhão de reais por ano em pontos distribuídos por nove capitais.
O sucesso das marcas artesanais fez com que os gigantes cervejeiros voltassem a atenção para esse segmento. A partir de 2006, a Schincariol investiu 100 milhões de reais na compra da paulista Baden Baden, da catarinense Eisenbahn e da carioca Devassa. “Passamos a explorar produtos mais refinados, porque sua rentabilidade é maior”, diz Guilherme Morais, diretor da empresa.
A Schincariol manteve as receitas, as marcas originais e até os mestres cervejeiros. Há um ano, vem fazendo uma experiência com a Devassa: tenta aumentar seu consumo sem prejudicar seus atributos artesanais. Investiu 100 milhões de reais em uma campanha publicitária estrelada pela americana Paris Hilton, uma loiraça super premium. As vendas subiram 10%, apesar de toda a confusão inicial causada pela propaganda.
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária retirou o comercial do ar por causa de “seu apelo sexual”. Parece até brincadeira em se tratando de Brasil e comercial de cerveja.
É uma tradição — machista, mas tradição — loiras tórridas anunciando loiras geladas.
Fonte: Revista Veja – Edição 2206 – 02/03/2011
Schincariol fatura R$ 5,7 bi e reduz investimentos
A cervejaria Schincariol trocou a polêmica modelo americana Paris Hilton pela cantora brasileira Sandy, que quer deixar de ter fama de "certinha" e passa a ser a garota-propaganda da Devassa. A estratégia é fazer com que a marca ganhe espaço no Sudeste, onde a marca Skol, da Ambev, é líder.
No Rio, a Devassa, apesar de ser um marca carioca, como faz questão de lembrar o diretor de marketing da Schincariol Luiz Claudio Taya, não ultrapassa 1% do mercado. Além da Skol, há a Itaipava, da cervejaria Petrópolis.
A Schincariol prevê crescer 15% em 2011, a mesma taxa alcançada em 2010. O avanço é compatível com o que se espera para a média do mercado. "Se Devassa ganhar um ou dois pontos, é para se comemorar", diz uma fonte da empresa.
Em 2010, o faturamento do grupo foi de R$ 5,7 bilhões. Neste ano, a fabricante de bebidas planeja investir R$ 600 milhões, a maior parte em ampliação de fábricas. Apesar de representar uma queda de 40% em relação ao ano anterior, o vice-presidente da companhia, Gilberto Schincariol, explica que a redução se trata, na verdade, de uma readequação ao nível usual de investimentos, já que em 2010 foi necessário acelerar os investimentos, pois a empresa não havia ampliado seu parque nos dois anos anteriores.
Mas enquanto enfrenta a concorrência no Sudeste, no Nordeste a Schincariol passa por outro dilema. Lá, a marca Nova Schin é líder de mercado e, com a chegada de Devassa, o risco é canibalização das marcas. Por isso, o plano é ter diferentes preços para diferentes mercados. No Sudeste, a cerveja é vendida por valores que ficam entre os da Skol e da Brahma. No Nordeste, ela é mais cara que a Skol e é vendida no segmento premium.
Paris Hilton ficou um ano como garota-propaganda da Devassa. "A gente não quer personificar a marca. Não quer ficar atrelado a uma única pessoa", diz Taya. O tema da campanha é "todo mundo tem um lado devassa". Sandy, que até descoloriu o cabelo para ficar loira, revelou o dela: "Quando estou entre amigos, gosto de falar alto e cantar em cima da mesa".
Fonte: Clipping, por Paola de Moura e Juliana Ennes – 02/03/2011
Lucro da AmBev sobe 44% e chega a R$ 2,6 bi no 4º trimestre
A AmBev divulgou nesta quinta-feira lucro líquido consolidado de R$ 2,586 bilhões no quarto trimestre de 2010, montante 44,4% superior ao apurado em igual intervalo do ano anterior. O resultado foi apoiado em um aumento orgânico de 12% na receita líquida, que somou R$ 7,455 bilhões no período, decorrente de maiores volumes vendidos, principalmente no Brasil, e aumento de preços.
Nos últimos três meses de 2010, o volume de vendas da companhia cresceu 2,1%, somando 48,038 milhões de hectolitros, impulsionado sobretudo pela alta de 3,6% no Brasil e de 2,6% na América do Sul. Por outro lado, as operações no Canadá sofreram queda de 5,3% no período.
Apesar do crescimento, o volume de vendas no último quarto de 2010 ficou abaixo do previsto pela própria companhia, que estimava um avanço superior a 3% no Brasil, o que resultaria em crescimento anual de mais de 10%.
"Esperamos crescer mais que 3% no quarto trimestre, terminando o ano acima de 10% (de alta no volume de vendas)", disse o vice-presidente financeiro da AmBev, Nelson Jamel, no início de novembro, após a empresa divulgar salto de 12% nas vendas do terceiro trimestre de 2010. Na ocasião, o volume de vendas acumulava incremento de 12,9% no Brasil até setembro, sendo a comercialização de cerveja responsável por uma alta de 14,1%.
"No Brasil, o forte crescimento da indústria observado nos trimestres anteriores desacelerou principalmente devido a uma base de comparação desafiadora contra o ano anterior e a aumentos de preços. O crescimento da indústria de refrigerantes e não-alcoólicos foi menor do que nos trimestres anteriores", afirma a AmBev no balanço divulgado nesta quinta-feira.
O EBITDA (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de R$ 3,755 bilhões entre outubro e dezembro, 24,4% maior na comparação anual. A margem EBITDA, por sua vez, cresceu de 44,5% para 50,4%.
A AmBev informou no balanço ter compensado o aumento de 5,3% no custo de produtos vendidos por hectolitro - decorrente de maiores custos de hedge de açúcar e de embalagens - com ganhos nos hedges de alumínio e malte.
"Este ano iniciou com uma indústria mais lenta no Brasil impactada por chuvas fortes e pelos aumentos de preços do final de 2010, que devem trazer uma desaceleração no crescimento dos volumes particularmente no primeiro trimestre (de 2011)", afirma a empresa no demonstrativo de resultados.
Em todo o ano passado, o ganho líquido da fabricante de bebidas foi de R$ 7,56 bilhões, expansão de 26,3% sobre 2009. Já a geração de caixa operacional, medida pelo EBITDA ficou em R$ 11,6 bilhões no fechado de 2010, 9,8% acima do visto um ano antes, com margem de 45,9%.
No ano passado, o volume de vendas da AmBev cresceu 6,7% em relação a 2009, totalizando 165,142 milhões de hectolitros. Enquanto isso, o volume de cerveja cresceu 7,7% e o de RefrigeNanc (não-alcoólicos e não-carbonatados) aumentou 4,4%, levando a companhia a apurar receita líquida de R$ 25,2 bilhões em 2010, alta de 8,8% em 12 meses.
A AmBev informou ainda que prevê investimentos de até R$ 2,5 bilhões no Brasil em 2011, voltados à expansão da capacidade de produção. Em 2010, a companhia investiu um recorde de R$ 2,3 bilhões, segundo balanço da companhia. O investimento, segundo a AmBev, será destinado à construção de novas fábricas e centros de distribuição, ampliação de unidades já existentes e melhorias operacionais.
Fonte: Terra Economia – 03/03/2011
AmBev vai focar investimentos externos na Argentina
Em 2011, a empresa pretende investir cerca de R$ 2,9 bilhões de reais em suas operações no mundo, além dos R$ 2,5 bilhões
A AmBev pretende investir cerca de 2,9 bilhões de reais em suas unidades fora do país. Esse valor está reservado principalmente para a operação na Argentina. A necessidade de investimentos no país vizinho decorre da retomada do crescimento industrial e também do ganho de market share da AmBev nesse mercado, segundo Nelson Jamel, vice-presidente financeiro e de relações com investidores.
De modo geral, a AmBev acredita que é um bom momento para investir nos países da América Latina em decorrência do aumento de demanda. Do valor total, somente a unidade canadense não verá grande crescimento, já que “esse mercado que anda de lado”, portanto, não há necessidade de ampliar investimentos, segundo da AmBev em teleconferência realizada hoje (3/3) com jornalistas.
Dos 2,9 bilhões de reais a serem investidos globalmente, a maior parte irá para adequação de linhas de produção. A cifra também marca um aumento da aposta da AmBev no exterior, já que, no ano passado, a cervejaria investiu 2,3 bilhões de reais nesses mercados. No Brasil, o montante também cresceu para 2,5 bilhões de reais. No ano passado, o mercado interno recebeu investimentos de 2 bilhões.
A maior parte dos investimentos em 2009 e 2010 foram para aumentar capacidade industrial. O total de 2,5 bilhões de reais que deve ser investido no Brasil também deve se concentrar no parque industrial, na ampliação de unidades e possivelmente em novas unidades fabris.
A receita líquida reportada, em 2010, cresceu 10%. No Brasil esse crescimento foi de 17,2%; na operação Hila-ex (norte da América latina, sem Brasil) a receita líquida caiu 27,9%; na América Latina Sul ela caiu 0,8% e na unidade de Labatt (Canadá) a receita líquida caiu 0,3%.
Fonte: Exame – 03/03/2011
Chope e cerveja estão 11% mais caros neste carnaval
As bebidas mais populares e consumidas nessa época do ano, o chope e a cerveja, estão mais caros.
Pesquisa realizada pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) aponta que o preço do chope subiu 11,21% e o da cerveja, 11,41% no Carnaval deste ano, em relação ao mesmo período de 2010.
Nos últimos 12 meses, a inflação do Carnaval subiu 6,29%, superando o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que aumentou 6,02%. Outros itens como refrigerantes e sanduíches também subiram acima da inflação: 7,06% e 8,12%, respectivamente. Os hotéis estão 10,98% mais caros e os serviços como estacionamento e garagem subiram 16,35%.
Fonte: E-Band – 03/03/2011
Petrópolis contesta uso de selo de proteção pela Budweiser
O Grupo Petrópolis, que produz as cervejas Itaipava e Crystal, entrou com uma petição na 34ª Vara Cível de São Paulo denunciando o uso do selo de proteção de alumínio na cerveja Budweiser, marca da AbInbev (Ambev). O material vem sendo usado na China desde o segundo semestre de 2010.
No Brasil, o uso do selo pela Petrópolis foi duramente atacado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e por ações da própria Ambev. “Agora, nossa intenção é pedir que a concorrência se abstenha de realizar qualquer campanha contra o selo, admitindo sua utilidade”, explica Giovani Melo, advogado do Grupo Petrópolis. “Ou será que, na visão deles, o que é bom para os chineses não é bom para o Brasil?”, pergunta. De acordo com Melo, o Grupo Petrópolis venceu liminarmente em todas as instâncias a disputa jurídica que envolve o selo.
A discussão começou em 2007 e se arrasta até hoje. O advogado argumenta que “na época, o concorrente dizia, através do Sindicerv, que estava defendendo interesses do consumidor. Mas, na verdade, o que estava em jogo era a disputa de mercado”. Ainda não houve julgamento do mérito.
Fonte: Embalagem Marca – 03/03/2011
AmBev concentra atenção no Nordeste e no segmento Premium
Crescimento das vendas nestas duas frentes foi maior que a média da empresa no ano passado
Enquanto o volume de venda de cerveja da AmBev no Brasil cresceu 10,7% em 2010, em relação a 2009, no Nordeste esse aumento foi mais que o dobro: cerca de 25%. Mas o que, à primeira vista, seria um bom resultado é visto com cautela pela própria diretoria da empresa. Isto porque, apesar do forte incremento de vendas, a participação de mercado da AmBev no Nordeste é menor do que na média do país.
Para ampliar sua fatia de mercado nessa região, a AmBev programou pesados investimentos. Em 2010, por exemplo, o Nordeste registrou uma participação significativa no total de 2 bilhões de reais que foram investidos pela cervejaria no Brasil. “Foi um valor quase desproporcional ao total”, disse Nelson Jamel, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, em teleconferência realizada hoje (3/3) com jornalistas.
A expectativa da empresa para 2011 é que o Nordeste receba novamente uma parcela importante do total de investimentos programados para o ano (cerca de 2,5 bilhões de reais). Entre os projetos que a AmBev desenvolve na região, estão a construção de uma fábrica em Pernambuco, a ampliação de uma planta em João Pessoa (Paraíba) e a duplicação de outra em São Luis (Maranhão).
Mercado top
Mas o foco da AmBev não se restringe apenas à consolidação em áreas em que tem menor participação de mercado ou para suas marcas mais populares. Em 2010, a empresa observou um crescimento maior que a média também no seu segmento premium, especialmente na marca Stella Artois. A AmBev não detalha o crescimento da marca, mas Jamel destacou que ele foi “muito maior” que 10,7%.
“A classe C ajudou a indústria, mas as classes A e B também vêm ganhando peso. Vemos espaço para o crescimento do mercado Premium”, disse o executivo. “Nossa marca Premium.”. Para que a Stella Artois ganhe mais espaço, porém, a AmBev precisa enfrentar a holandesa Heineken, que se destaca mundialmente nesse mercado.
Para Jamel, a briga com a Heineken tem um lado positivo: o de divulgar o mercado de cervejas premium no Brasil. “É uma disputa que tem impactos positivos no médio e longo prazos”, disse o vice-presidente financeiro. A Heineken é controlada pela Femsa e a AmBev enxerga que a briga no segmento de cervejas top pode gerar um efeito colateral positivo. Ao se concentrar na divulgação da Heineken, a Femsa pode deixar a Kaiser, sua marca popular, desguarnecida.
“Vamos crescer no mercado premium com nossas marcas Bohemia e Original. E a Stella Artois vive seu melhor momento, crescendo como nunca cresceu", disse João Castro Neves, diretor geral da AmBev, em teleconferência com analistas, na manhã de hoje (3/3).
A Ambev já adiantou um de seus lançamentos para 2011. No segundo semestre, deve finalmente chegar ao país a marca Budweiser, a marca-símbolo da americana Anheuser-Busch, que foi comprada pela InBev e que deu origem à AB InBev, controladora da AmBev.
Fonte: Exame – 03/03/2011
AmBev diz que imposto maior poderia reduzir vendas
Ritmo de crescimento do início de 2011 poderá ser inferior ao de 2010
Em 2010 o setor de bebidas conseguiu reverter um aumento de impostos com uma polpuda proposta de investimentos nas operações no país. No começo de 2011, a discussão foi retomada, mas, dessa vez, a AmBev não está tão confiante com a negociação – apesar de destacar que as conversas estão no começo.
“Acreditamos que fazer, em 2011, o mesmo que foi feito em 2010 é uma das propostas a ser considerada, mas, por outro lado, percebemos o governo em um momento diferente”, disse Nelson Jamel, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, em teleconferência com jornalistas realizada hoje (3/3). “Esperamos um aumento de impostos que não tenha impacto nos volumes”, afirmou.
Segundo Jamel, a negociação do ano passado foi bem-sucedida porque iniciou um “ciclo virtuoso de aumento de investimentos, sem pressão inflacionária.” Além disso, devido ao volume de investimentos programado pela indústria de bebidas, a produção cresceu e o governo também saiu ganhando, pois aumentou a arrecadação de impostos sem precisar mexer nas alíquotas, de acordo com o vice-presidente financeiro.
Ainda não há uma proposta oficial de reajuste de impostos para o setor neste ano, mas qualquer valor acima da inflação seria prejudicial aos fabricantes, segundo Jamel. “Qualquer aumento relevante acima da inflação vai gerar repasses, já que as margens estão pressionadas”, afirmou o executivo, que teme que isso acarrete um efeito-dominó negativo que prejudicaria, em última análise, o próprio governo. “O repasse do imposto gera queda de volume de vendas, compromete os investimentos e pressiona a arrecadação de impostos”, disse.
Dependendo do tamanho do aumento de impostos, a AmBev poderá rever sua projeção de investimentos de 2,5 bilhões de reais no Brasil em 2011.
Desaceleração
No último trimestre de 2010, a AmBev registrou desaceleração nas vendas. Para a empresa, o resultado não surpreendeu. “A gente já tinha percebido uma base de comparação difícil e, no ambiente econômico, houve um pouco de desaceleração. No final do ano, já estava sinalizada uma freada na economia”, disse Jamel.
A tendência para os resultados do primeiro trimestre deste ano é que eles sigam o último trimestre de 2010. “Janeiro sofre o impacto das chuvas de verão, e isso também reduz o ritmo de crescimento do período”, afirmou Jamel. Além disso, o aumento de preços começou um pouco antes em 2010, o valor reajustado já estava consolidado em outubro. Em 2009, isso só ocorreu em dezembro.
“Ainda acreditamos em renda crescendo esse ano, não no nível do ano passado, mas crescendo”, afirmou o executivo. Os últimos anúncios do governo, como o salário mínimo, também impactam o setor como um todo, de acordo com o vice-presidente financeiro. Entre os fatores positivos, segundo a empresa, está o nível baixo de desemprego. “Não tem aumento salarial, mas tem mais emprego, então as perspectivas da massa de renda cresceram”, disse Jamel.
A AmBev encerrou o ano com a maior participação de mercado da sua história, 70,1%. No último trimestre, o market share foi de 69,8%. “A nossa aposta nesse momento está no ciclo de crescimento de volume, de (consumo) per capita, o mercado brasileiro ainda é jovem”, disse o executivo.
Fonte: Exame – 03/03/2011
Carnaval eleva venda de cerveja em 50%
O Carnaval aqueceu as vendas de cervejas e chopes artesanais nas microcervejarias de Minas Gerais. Algumas empresas estimam um incremento de até 50% no comércio dessas bebidas durante o feriado prolongado. Em outras, já não há mais estoque para atender o volume de pedidos. Os empresários do setor apostam que os belo-horizontinos que ficarão na capital não vão deixar a tradição de lado e devem encher os bares da capital durante os quatro dias de festa.
Dados do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (Sindbebidas) comprovam que há motivos para tanta folia. A produção mineira de cervejas e chopes especiais em 2010 foi de 6,5 milhões de litros, o que representa aumento de 26% em relação a 2009. Para este ano, a expectativa é de um crescimento de 34% na comparação com 2010.
A entidade estima que, durante o Carnaval, o consumo geral de cervejas no Estado - especiais e comuns - atinja um crescimento da ordem de 12% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em algumas cervejarias artesanais, porém, as projeções são bem mais otimistas. É o caso da Krug Bier, que fabrica o chope de mesmo nome e também a cerveja Áustria.
O sócio-proprietário da empresa, Marcelo Bruzzi, estima um aumento médio de 50% nas vendas durante o feriadão, em relação ao Carnaval de 2010. O resultado positivo também pode ser explicado, em parte, pelo investimento de R$ 1 milhão que a empresa fez, no ano passado, para elevar sua capacidade produtiva de 250 mil litros por mês para 370 mil litros por mês.
A quantidade de pontos de vendas também saltou de 300 para 1 mil nos últimos 12 meses. Segundo Bruzzi, a intenção é dobrar esse número até o final deste ano. A empresa também tem planos de criar uma nova planta industrial a fim de começar a vender para outros Estados, uma vez que, hoje, a distribuição está concentrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Na cervejaria Backer, os estoques estão zerados, apesar de a empresa ter se preparado para atender a demanda durante o período de Carnaval. As vendas, porém, superaram as expectativas, e devem ter um incremento de 12% a 15% em relação ao feriado prolongado do ano anterior, afirma o gerente de negócios da Backer, João Roberto Pires.
Hoje, a Backer produz 200 mil litros de bebida por mês e comercializa cinco rótulos de cervejas artesanais e cinco tipos de chopes. A cervejaria se prepara para lançar quatro novas variedades de cerveja da linha Extreme, que possui maior teor alcoólico e leva mais lúpulo em sua formulação.
De acordo com Pires, além da Grande BH, a empresa também possui distribuidores em Araxá, na Região do Alto Paranaíba, e em Juiz de Fora, na Zona da Mata. A Backer também está presente em algumas cidades do Mato Grosso e nas capitais de Goiás e do Espírito Santo. Ele afirma que o próximo passo é levar o produto para Natal (RN), Salvador (BA) e Recife (PE).
Outra microcervejaria de Minas que tem motivos para festejar o Carnaval deste ano é a Falke Bier. A empresa estima que as vendas devem deslanchar durante o feriadão, com um aumento de 10% em relação a 2010. O resultado é considerado significativo, tendo em vista que a cerveja e o chope da marca são produzidos em escala bem menor que as demais - são 12 mil litros por mês.
A Falke Bier possui três rótulos de cerveja e três tipos de chope. Segundo o proprietário da empresa, Marco Antônio Falcone, atualmente, o chope é vendido na Grande BH e em outros seis Estados. A cervejaria também tem planos para abrir uma nova unidade em Minas. O projeto ainda está em negociação, mas deve demandar investimentos da ordem de R$ 800 mil e, quando concluído, triplicará a capacidade produtiva.
Fonte: Marcado Mineiro, por Elisângela Orlando – 05/03/2011
Cervejarias se beneficiam de ‘verão estendido’ nesse carnaval
Com a data mais afastada do início do ano, empresas têm mais dias dentro de seu período com maiores vendas
São apenas quatro ou cinco dias de comemoração, mas que encerram o principal período de vendas do ano para as cervejarias brasileiras. Além de pagarem cachês polpudos para artistas cantarem e dançarem em camarotes ou em comerciais na televisão, as fabricantes de cerveja precisam lidar com um problema mais grave nesse curto espaço de tempo: garantir a distribuição e, conseqüentemente, as vendas de seu principal produto.
“O período mais forte do ano abrange o verão e termina com o Carnaval”, diz Rafael Cintra, analista da Link Investimentos. E o Carnaval vem se tornando o pico de vendas desse período. Em 2009 e 2010, o maior volume de vendas ocorreu na semana imediatamente anterior à festa. Essa também é a época em que as cervejarias redobram a atenção para atender os pontos de venda, segundo Danillo Gargano, diretor de transportes da AmBev.
Em 2010, na segunda semana de fevereiro (a anterior ao Carnaval), as cervejarias brasileiras venderam 38,6 milhões de litros da bebida – o que movimentou um valor total de 125,1 milhões de reais. A cifra representou mais da metade do valor total vendido no mês seguinte, março, quando terminou o verão. Na semana seguinte ao Carnaval, foram vendidos 21,9 milhões de litros, de acordo com dados da Nielsen.
Em 2009, na terceira semana de fevereiro, foram vendidos 30,5 milhões de litros de cerveja - o que gerou um valor de vendas de 95,3 milhões de reais. Na semana seguinte, foram vendidos 19,5 milhões de litros. A média semanal de vendas do mês de fevereiro de 2009 foi de 21,4 milhões de litros e 67,8 milhões de reais. No mês seguinte (considerado pelas empresas fora do verão) a média semanal foi de 14,4 milhões de litros e 46,9 milhões de reais.
Em 2011, apesar do calendário ser favorável para a venda de cervejas, o clima pode atrapalhar. “O período de chuvas pode impactar em volume, mas a receita deve poder ser compensada por causa dos preços”, diz Cintra, da Link Investimentos.
Trabalho o ano inteiro
Na AmBev – que tem no seu portfólio as marcas Skol, Brahma e Antarctica – o planejamento começa na metade do ano anterior. Por volta de maio, junho, tem início o “plano verão”, sendo que o verão, para o planejamento das empresas do setor, vai de setembro até o final do Carnaval. “Todo o planejamento de atendimento é feito pra essa época. É quando decidimos quantos caminhões comprar, número de armazéns e compras, entre outros”, diz Gargano, da AmBev.
É no verão que a empresa injeta novos caminhões na operação, por exemplo. Nesse ano, o verão conta com mais 700 caminhões. E nem todos continuam na operação após o fim do Carnaval, quando alguns dos veículos antigos são retirados de circulação, dentro do modelo da empresa de renovar 15% de sua frota ao ano.
O verão “é o Papai Noel da empresa de bebida”, segundo Luiz Cláudio Taya, diretor de marketing da Schincariol, que, além da marca própria, possui a Devassa. Taya também destacou a necessidade de logística diferenciada durante os dias de Carnaval, devido à dificuldade de trânsito em cidades com festas de rua. “É preciso oferecer para o ambulante e para o vendedor a melhor condição”, diz.
A semana anterior ao Carnaval tem um foco voltado para o trabalho no ponto-de-venda, segundo Douglas Costa, gerente de marketing e relações com o mercado do Grupo Petrópolis, das marcas Itaipava e Crystal, entre outras. “Muda a velocidade e a intensidade. Temos que fazer mais em menos tempo. O reforço de vendas está no litoral, nas cidades em que existe maior fluxo de turistas e nas capitais”, disse.
A Petrópolis se prepara para o período com equipes integralmente voltadas para o ponto-de-venda, trabalho de colocação de produtos em condições de consumo imediato (geladeiras e produtos gelados), reforço de merchandising e ações no autosserviço para colocar estoques na área de vendas, segundo a empresa.
O período do Carnaval está inserido nas estratégias de verão da Femsa – dona das marcas Bavaria e Kaiser e com participação na Heineken. O verão é responsável pelas vendas de aproximadamente 40% do mercado total de cervejas, segundo a empresa. Este ano, a expectativa da indústria é que seja um dos melhores verões dos últimos anos. Um dos fatores que leva a isso, segundo a Femsa, foi o fato de os impostos federais não subirem em 2009.
Um desafio enfrentado pelas cervejarias durante o Carnaval é manter o abastecimento em locais onde a circulação de caminhões é reduzida – ou impedida – durante o dia, por conta da circulação de blocos de carnaval. “No Rio de Janeiro, durante o Carnaval, não se pode entrar em alguns lugares no Centro, então colocamos equipes entregando à noite, com orientação especial”, diz Gargano, da AmBev.
E tudo não se acaba na quarta-feira
A AmBev não detalha expectativas, mas no “plano verão” para a temporada 2009/2010, a empresa injetou cerca de 450 novos caminhões. Na operação que engloba de setembro de 2010 até a próxima Quarta-feira de Cinzas (9/3), a empresa injetou 700 caminhões. Esse número dá, indiretamente, uma pista de o quanto a empresa acredita que suas vendas vão crescer nesse verão.
Para o grupo Petrópolis, no Carnaval, as vendas tendem a aumentar cerca de 15% em relação ao verão. A Schincariol calcula que, nesse período, os resultados devem ser entre 5% e 10% superiores aos do período regular de vendas.
Além do verão estendido, as vendas do setor também devem ser beneficiadas por conta da demanda interna aquecida, segundo Cintra, da Link Investimentos. Os feriados são vistos pelas empresas como ocasiões de consumo e, se o produto não estiver disponível, o cliente deixa de consumir e não há outra oportunidade.
Além disso, “quarta-feira de cinzas é um dia de muito trabalho”, afirma Gargano. Afinal, é quando as empresas recolhem algumas geladeiras e começam a retirar a publicidade de alguns locais, entre outras ações. E depois de uns dois meses, começa o planejamento para o próximo verão. Só as escolas de samba têm um calendário mais intenso para aproveitar a mesma época do ano.
Fonte: Exame – 05/03/2011
Deputado quer restringir propaganda de cerveja
Para Paulo Pimenta, aumento do número de acidentes fatais de trânsito durante o carnaval está diretamente relacionado com o consumo de bebida alcoólica. Daí, para ele, a necessidade de reduzir anúncios.
O número de mortes no trânsito em rodovias federais no Brasil aumentou em 47,9% neste carnaval se comparado ao mesmo período no ano passado. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, 213 pessoas morreram no trânsito e 4.165 acidentes foram registrados. Os altos índices de morte nas estradas, todos os anos, revelam que o Brasil não tem conseguido avançar na redução de acidentes no trânsito. E o que fazer para reduzir essas tragédias?
O álcool é considerado um dos maiores vilões do trânsito. Uma solução apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para diminuir o número de vítimas nas estradas é reduzir o marketing de bebidas alcoólicas. Restringir propagandas de bebidas na TV e outras mídias é, segundo a organização, uma estratégia eficaz para combater os efeitos nocivos causados pelo incentivo ao consumo de bebidas.
Nesse sentido, na próxima semana, será protocolado na Câmara um projeto de lei para restringir a publicidade de cerveja e chope no Brasil. A proposta – que deve enfrentar uma forte resistência por parte da indústria do setor e do mercado publicitário – propõe incluir na Lei 9.294/96 (que dispõe sobre restrições à propaganda de cigarros e bebidas como cachaça, vodka e uísque) restrições para propagandas de bebidas com teor alcoólico inferior a 0,5 graus.
“A restrição da publicidade de bebidas alcoólicas é a medida mais eficaz apontada pela OMS para reduzir o índice de mortalidade de jovens no trânsito. No Brasil, 75% dos acidentes fatais de trânsito estão associados ao uso de álcool. Hoje, 85% do mercado de bebidas no Brasil é a cerveja. Não tem porque não restringir a propaganda de cerveja”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da proposta que será apresentada na próxima semana.
As cervejas têm, em sua maioria, teor alcoólico em torno de 5%. Se aprovada, a proposta, entre outras coisas, proibirá a propaganda de cerveja nas emissoras de rádio e televisão no horário das 6h às 21h. O projeto também obriga que sejam publicadas junto com a divulgação do projeto advertências sobre o consumo abusivo de cerveja.
Veja as restrições previstas na Lei 9.294/96
De acordo com a Constituição, em seu art. 22, inciso 29, somente o Congresso pode impor restrições ou legislar sobre a publicidade. O art. 220 da mesma norma estabelece que compete à lei federal estabelecer meios legais à pessoa e à família para que possam se defender de programas e propagandas que possam ser nocivos à saúde. O artigo estabelece ainda que a propaganda comercial de tabaco e bebidas alcoólicas está sujeita a restrições legais.
Segundo Pimenta, tramitam na Câmara cerca de 40 projetos que dispõem sobre restrição de propagandas de bebidas alcoólicas. Entre eles, o PL 2.733/2008, de autoria do Executivo, que tramita apensado ao PL 4.846/1994. A proposta, que tem texto semelhante ao do projeto de Paulo Pimenta, está parada no Congresso há quase três anos. “Precisa de uma decisão do colégio de líderes e colocar o tema na ordem do dia. Tem que ter essa decisão política. Para isso precisa ter pressão”, defendeu Pimenta.
Crônica da morte anunciada
Na tribuna da Câmara nesta semana, Pimenta criticou a posição da mídia que, ao analisar a violência no trânsito, não estabelece conexão com a publicidade de bebidas alcoólicas. “Mostrei, por exemplo, o editorial de um jornal, que falava que a violência nas estradas é tragédia nacional, e na mesma página tinha uma propaganda de cerveja e uma propaganda de carro. Exatamente a combinação principal responsável pelo aumento no número de morte no trânsito. É uma crônica da morte anunciada”, criticou.
Segundo a OMS, por ano, cerca de 2,2 milhões de mortes prematuras ocorrem por causa do uso de álcool. De acordo com o estudo da organização, a redução do impacto do marketing, sobretudo entre os jovens e adolescentes, reduz o uso nocivo do álcool. O organismo internacional argumenta que “o álcool se comercializa mediante técnicas publicitárias e de promoção cada vez mais sofisticadas, que vinculam, por exemplo, marcas de álcool a atividades desportivas e culturais”.
“Essa orientação da OMS foi assinada por 193 países, sendo que o Brasil foi signatário. Não há como o Congresso ignorar essa medida”, diz Pimenta. O parlamentar relembra que, em 1996, quando foi votada a lei para restringir a publicidade do cigarro, uma forte pressão da indústria da cerveja alterou o artigo da lei, mantendo restrição para propagandas apenas para bebidas com teor alcoólico acima de 13 graus Gay Lussac (unidade de medida que quantifica o nível de álcool na bebida).
Em 2003, uma nova tentativa de incluir na legislação brasileira restrições à propaganda de cerveja também foi feita. Na época, artistas, atores de TV, esportistas, cantores e outros representantes da sociedade ocuparam o Salão Verde da Câmara para pressionar contra a medida. O setor da publicidade e a indústria da cerveja consideram que medidas para regularem anúncios de bebidas alcoólicas “ferem a liberdade de expressão”.
Fonte: Ariquemes online – 12/03/2011
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