Notícias de mercado
2011 - Agosto - Parte I
Menos impostos para as microcervejarias
Nos últimos dias 23, 24 e 25 de junho aconteceu em Florianópolis (SC) o VI Encontro e Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, que reuniu cervejeiros do país inteiro. Um dos resultados do evento foi um documento conjunto que pede a inclusão das microcervejarias na categoria de empresas que podem aderir ao SIMPLES, reduzindo a sua carga tributária. Apoio a iniciativa e reproduzo abaixo o documento.
Carta de Florianópolis
As Microcervejarias e cervejeiros caseiros, reunidos no 6º Encontro Nacional de Cervejas Artesanais, nos dias 23 a 26 de junho de 2011, na Cidade de Florianópolis, querem se manifestar sobre a alta tributação do setor:
Nos últimos 8 anos vivemos o renascimento das cervejas artesanais no Brasil. Hoje, o País tem mais de 200 microcervejarias espalhadas por todo o Brasil.
As microcervejarias se caracterizam por produzir cervejas regionais, em pequenos volumes, muitas vezes refletindo a cultura da região e explorando sabores e estilos que não são produzidos pelas grandes indústrias cervejeiras.
Estamos vivendo o renascimento desta cultura no Brasil, inclusive criando uma nova escola cervejeira que já é reconhecida no mundo pela sua qualidade. Isso é resultado do trabalho e dos investimentos das microcervejarias e dos cervejeiros caseiros que colocaram o nosso país no mapa das cervejas artesanais de qualidade. Isso é comprovado pelo reconhecimento internacional, nos últimos anos, através dos vários prêmios conquistados nos cinco continentes pelas cervejarias artesanais brasileiras. Ou seja, o Brasil está sendo reconhecido pela qualidade das suas cervejas – principalmente pelas artesanais.
Entretanto há um paradoxo: o setor enfrenta um grande desafio para se manter e até se expandir, que é a tributação. Hoje 2/3 do preço de uma cerveja artesanal é composto por tributos. Como a estrutura das microcervejarias é a de pequenas e micro empresas, não tendo ganho em escala, o empreendimento se torna inviável.
Para se ter uma idéia do que representa essa carga tributaria, se uma cervejaria produzir 10.000 litros por mês, ela paga de tributos o referente a 6.000 litros, sobrando 4.000 litros para pagar matéria-prima, funcionários, instalações, remuneração do investimento, etc.. o que torna inviável o negócio.
Na microcervejaria, os custos de matéria-prima são muito mais elevados do que nas grandes cervejarias, pois aquelas se utilizam apenas de materiais de qualidade, adquiridos em pequenas quantidades e quase sempre importadas, já que os nacionais são monopolizados pelas grandes empresas do setor.
Apesar de as microcervejarias se enquadrarem perfeitamente como micro empresas e empresas de pequeno porte, elas são impedidas de optarem pelo Sistema Tributário “SIMPLES”, da mesma forma que as distribuidoras de cerveja, prejudicando mortalmente a sua sobrevivência financeira.
Hoje o mercado das cervejas artesanais não ultrapassa 0,04% do total das cervejas vendidas no país, ou seja, um beneficio fiscal não representaria perda de arrecadação, pelo contrario, iria incentivar o setor a aumentar a produção. O exemplo é o Estado de SC que, apesar de reduzir a alíquota de ICMS, arrecadou R$ 336.000,00 de ICMS no ano de 2006 e já no ano de 2010 atingiu a cifra de R$ 800.000,00.
Outro forte argumento é a empregabilidade. As pequenas cervejarias geram muito mais postos de trabalho que as cervejarias de grande porte. Enquanto em uma microcervejaria é gerado um emprego para cada 50.000 lts produzidos por ano, nas grandes cervejarias é gerado um emprego para cada 1.000.000 de litros ano.
Alguns olham o setor de forma equivocada, achando que conceder benefícios fiscais significa incentivar a bebida alcoólica, um produto politicamente incorreto. Mas é importante frisar que as microcervejarias não estimulam a ingestão de quantidade, e sim de qualidade, fato similar que ocorre com a indústria do vinho. A cerveja artesanal é, em geral, mais cara que uma cerveja comum porque seus custos de produção são diferentes, o que cria uma barreira natural ao consumo em grande quantidade.
As microcervejarias estão gerando uma cultura cervejeira no Brasil, retomando a história que foi interrompida há algumas décadas quando os grandes grupos adquiriram as pequenas cervejarias. As microcervejarias artesanais proporcionam o incremento da indústria do entretenimento, hoteleira, gastronômica, turística, etc. Muitas cidades têm orgulho de terem uma microcervejaria hoje em dia.
Não há como contestar que a cerveja tem acompanhando a humanidade há mais de 6.000 anos, tratando-se da terceira bebida mais consumida no mundo – atrás da água e do chá - mas é considerada como alimento, devido ao seu alto teor de carboidratos, sendo por isso intitulada pão líquido.
Ao contrário das grandes cervejarias, as microcervejarias têm sua produção artesanal, algumas com estrutura familiar, personalizadas, com a criação e desenvolvimento de estilos e receitas próprias.
Outra diferença é a variedade de sabores e tipos de bebida oferecidos pelas microcervejarias. Trata-se de produto único, que tem um público específico voltado à gastronomia, além de fomentar a economia e promover a geração de empregos, pois a relação pessoal empregado pelo volume de produção é muito superior nas microcervejarias.
O setor das Cervejas Artesanais também desenvolve o setor da indústria de equipamentos, distribuição e revenda de bebidas, além da criação de cursos profissionalizantes de técnicos cervejeiros, mestres cervejeiros, beersomelier, etc. Ou seja, existe uma grande cadeia econômica beneficiada.
Sabemos que o mundo da Cerveja Artesanal é desconhecido para uma grande maioria das pessoas do nosso País, mas para desenvolvê-lo com qualidade é necessário a redução da carga tributária. Para a sobrevivência do setor, o primeiro passo seria a abertura da opção pelo regime do SIMPLES para o mercado cervejeiro (fábricas e distribuidores).
Pela importância econômica e cultural do setor, vimos por meio desta solicitar a atenção de vossas senhorias para que as Microcervejarias sejam incluídas no SIMPLES, para que assim possam ter uma carga tributaria justa.
Fonte: O Globo – 04/07/2011
Cervejaria japonesa compra a Schincariol por R$ 3,956 bi
A cervejaria japonesa Kirin anunciou nesta segunda-feira (01/08) a compra de uma participação de 50,45% na brasileira Schincariol, terminando com meses de especulações sobre a venda da vice-líder do mercado nacional de cerveja, com quase 11% de participação. O grupo japonês adquiriu todas as ações de Alexandre e Adriano Schincariol por R$ 3,95 bilhões.
O valor será pago nesta terça-feira de acordo com comunicado divulgado pela empresa japonesa. A Kirin informou que angariou o valor por meio de recursos próprios e empréstimos. "A compra dá à Kirin uma sólida base no mercado brasileiro, que cresce rapidamente, e se soma à base que a companhia já detém na Ásia e na Oceania."
O grupo japonês afirma que a compra da Schincariol faz parte de sua estratégia de expansão territorial como forma de ganhar mercado. "O mercado brasileiro (de bebidas) deverá manter crescimento estável por conta da expansão econômica do Brasil e do contínuo aumento da renda pessoal da população", afirma.
Fonte: Repórter diário – 01/08/2011
Mercado de bebidas pode sofrer mudanças com venda da Schin
A aquisição da cervejaria brasileira Schincariol pela japonesa Kirin deve ter impacto em todo o setor de bebidas no Brasil. “Além de cervejas, a Kirin possui outras operações no setor, como sucos, vinhos e água mineral. A entrada na empresa no Brasil deve mexer com todo o mercado de bebidas”, avalia o consultor Adalberto Viviani, da Concept Marketing e Comunicação, especializada no setor. Na sua avaliação, a Kirin deve utilizar a Schincariol como uma plataforma para se expandir para outros segmentos no Brasil e também como uma base para se consolidar na América Latina.
Fonte: Portal Giro News - 02/08/2011
O que está em jogo é a consolidação do mercado global
Mais do que a venda do controle acionário da Schincariol, o que está em jogo é a consolidação do mercado cervejeiro global. Estudos realizados por bancos de investimentos apostam em recrudescimento das fusões e aquisições mundo afora. Seria a primeira onda após as grandes negociações de 2007, quando se formou a atual líder mundial, AB InBev, resultado da compra da americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev.
Cerca de 60% da capacidade global da indústria cervejeira está sob o controle de quatro megacompanhias: AB InBev, Heineken, SAB Miller e Carlsberg. Esse setor como um todo movimentou algo em torno de US$ 500 bilhões em vendas de cerveja por ano nos últimos três anos. Das quatro gigantes dominantes no xadrez cervejeiro mundial, duas ainda não entraram no Brasil. E não foi desta vez, já que a Kirin foi mais rápida.
Fonte: Estadão, por Marili Ribeiro – 02/08/2011
Kirin não vê problemas legais em compra da Schincariol
Acionistas minoritários da Schincariol dizem que é ilegítima a venda de 50,45% da empresa para a companhia japonesa
Tóquio - O grupo Kirin Holdings disse hoje que não há nenhum problema com a legalidade ou validade do acordo de US$ 2,6 bilhões (R$ 3,95 bilhões) para comprar uma participação majoritária na Schincariol, a despeito da oposição de outros acionistas da segunda maior cervejaria brasileira.
A companhia japonesa anunciou ontem ter fechado acordo para a compra de uma participação de 50,45% dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol. Mas os acionistas minoritários - três primos dos Schincariol que possuem 49,55% da empresa - disseram que a venda é ilegítima. O advogado Cristiano Zanin Martins, do escritório Teixeira, Martins & Advogados, entrou com ação no Fórum de São Paulo contra o negócio.
Os primos alegam que o estatuto da empresa só permite a oferta de ações a terceiros após os minoritários avaliarem o acordo, com 30 dias para exercer ou não a opção de compra dos papéis.
Em um comunicado, o grupo Kirin disse reconhecer que há oposição dos minoritários. A companhia acrescentou, porém, que vem fazendo consultas avançadas com advogados locais e que a operação não tem problemas legais ou de validade. As informações são da Dow Jones.
Fonte: Exame, por Hélio Barbosa (Agência Estado) – 03/08/2011
Ambev traz Budweiser para o Brasil ainda em 2011
Cerveja norte-americana será fabricada e distribuída em solo nacional
A Ambev traz para o Brasil a marca Budweiser. A cerveja, apelidada pelos norte-americanos apenas de Bud, é uma das principais apostas da empresa para 2011 e será fabricada em solo nacional. A idéia é posicionar o produto no país entre os segmentos mainstream e premium, concorrendo com marcas como Heineken.
Apesar de não se pronunciar sobre o assunto, a expectativa da Ambev é que Budweiser seja lançada ainda no segundo semestre deste ano, entre outubro e novembro. Há ainda a possibilidade de que a cerveja seja a patrocinadora dos shows que a cantora Rihanna fará em São Paulo, Minas Gerais e Brasília, em setembro.
A marca está presente nos Estados Unidos desde 1876 e é lembrada pela inovação. A Budweiser foi, por exemplo, a primeira a desenvolver embalagens de lata no mercado norte-americano, impulsionando o consumo da bebida entre os consumidores.
Fonte: Mundo do Marketing, por Sylvia de Sá – 04/08/2011
Petrópolis leva cerveja Weltenburger para latas de 473 mililitros
O Grupo Petrópolis lança novas latas de alumínio de 473 mililitros de duas cervejas da linha da Weltenburger Kloster: a Barock Dunkel, escura tipo abadia, e a Anno 1050, tipo lager, clara, puro malte e de baixa fermentação. Assim como as outras latas da empresa, as da Weltenburger têm o selo de proteção de alumínio na parte superior. A Weltenburger é a cerveja de mosteiro mais antiga do mundo. No Brasil, ela é produzida com exclusividade pelo Grupo Petrópolis desde 2010 e era vendida apenas em garrafas de vidro de 500 mililitros. As novas latas são comercializadas individualmente ou em embalagens de 12 unidades.
Fonte: EmbalagemMarca - Newsletter | 280 - 04/08/2011
Saiba porque a AmBev tem a ganhar com a venda da Schincariol
Elevado preço pago pela Schincariol valoriza a AmBev e Kirin não ameaça liderança da cervejaria, que detém 70% do mercado
Os executivos da AmBev, que controlam 70% do mercado brasileiro de cerveja, provavelmente não perderam o sono na segunda-feira, quando o grupo japonês Kirin anunciou a aquisição do controle acionário da Schincariol. Pelo contrário. Os executivos da controladora da Brahma, Skol, Antarctica, Stela Artois e Bohemia, entre outras marcas de cerveja, têm pelo menos três motivos para dormir bem à noite.
O primeiro deles foi o elevado preço pago japoneses pela Schincariol. O cheque assinado pela Kirin valoriza indiretamente a AmBev, mostrando que os estrangeiros vêem potencial de crescimento no consumo de cerveja pelos brasileiros.
“Os múltiplos elevados (pagos pela Schincariol) são claramente uma sinalização de confiança no crescimento do mercado brasileiro”, escreve o analista de investimento Felipe Miranda, da Empiricus, em relatório sobre a AmBev. Segundo ele, o valor desembolsado pela Kirin contraria os argumentos de que as ações da AmBev já estariam muito caras.
A Kirin pagou o equivalente a 17 vezes a geração anual de caixa da Schincariol, medida pelo Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). Segundo Miranda, os japoneses compraram a Lion Natham por um preço mais baixo: 12,2 vezes o Ebitda. E a Heineken pagou 11 vezes o Ebtida pela Femsa.
Falta de sinergias
O segundo ponto a favor da AmBev é que, estrategicamente, a chegada de um novo concorrente não altera o jogo de forças. “Não identificamos uma ameaça à AmBev a partir da entrada da Kirin. Dada a presença antiga da família Schincariol, não suporíamos que a alteração para o controle japonês implicaria restrições aos 70% de participação da AmBev”, afirma o analista da Empiricus.
O jornal inglês Financial Times, em um artigo sobre a aquisição da Schincariol, afirma que um dos pontos fracos é justamente a ausência de sinergias para a Kirin. A cervejaria japonesa não possui outras operações na América Latina.
Briga entre os sócios da Schincariol
Em terceiro lugar na lista de boas notícias para a AmBev estão as desavenças entre os herdeiros da Schincariol. Conflitos societários nunca fazem bem às empresas, consumindo tempo dos executivos e trazendo incertezas aos funcionários. E faz parte do jogo que os competidores tirem proveito desses momentos de fragilidade para ganhar mercado.
A Kirin comprou a Aleardi, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol, que possuíam 50,45% do capital da Schincariol. A outra ala da família, que detém 49,55% das ações da empresa, alega que teria direito de preferência na aquisição das ações, o que não foi respeitado.
Os advogados alegam, porém, que esse direito não se aplica, já que a empresa que foi vendida foi a Aleadri. A Kirin não comprou as ações da Schincariol diretamente.
Reunidos na empresa Jadangil, os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol entraram na Justiça para impedir a venda do controle da cervejaria para a Kirin.
Japoneses buscam acordo
Segundo o jornal Financial Times, A Kirin afirmou que está confiante de que não irá enfrentar problemas para aquisição do controle acionário da Schincariol, “Nós fomos adiante após consultar os advogados locais e acreditamos que não haverá problemas (com o acordo)”, afirmou a companhia.
“Não temos absolutamente nenhuma intenção de brigar. Queremos construir um diálogo amigável (com os acionistas minoritários)”, disse companhia, segundo o jornal inglês.
Fonte: IG, por Claudia Facchini e Olivia Alosno – 05/08/2011
Justiça impede Kirin de tomar posse da Schincariol
Mesmo com o acordo pago, a justiça deferiu parcialmente o pedido de ação cautelar do escritório Teixeira Martins Advogados, que defende os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Jr, donos da Jadangil, que tem 49,55% da fabricante de bebidas. Pela decisão, ficam suspensos os efeitos da venda da Aleadri, empresa dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, que têm 50,45% da fabricante, para a japonesa Kirin. Além disso, os minoritários da Jadangil também poderão ter acesso ao histórico de negociações entre a Aleadri e a Kirin.
Vale informar que a venda à Kirin não foi suspensa ou cancelada pela Justiça. Mesmo porque, depois da ação cautelar pedida pelo Teixeira Martins, o Mattos Filho enviou à juíza uma notificação em resposta, com o comprovante de pagamento, feito pela Kirin à Aleadri, e a cópia do contrato assinado entre as duas. Mas os efeitos da venda ficaram suspensos com a decisão, ou seja, a Kirin pagou pela empresa, mas não pode tomar posse dela. A Aleadri tem dez dias para recorrer da decisão.
Fonte: Valor Econômico – 05/08/2011
O samurai da cerveja
Ao vender o controle da Schincariol para a japonesa Kirin, por R$ 3,95 bilhões, Adriano Schincariol agita o mercado de bebidas no Brasil e deflagra uma briga familiar de conseqüências imprevisíveis
Quando o imigrante italiano Primo Schincariol resolveu fabricar bebidas no quintal da própria casa, em 1939, certamente não imaginava estar inscrevendo o sobrenome da família na história empresarial do País. Também não poderia prever que, sete décadas depois, esse mesmo sobrenome teria destaque tanto nas reportagens de negócios quanto nas páginas de assuntos judiciais. Sob o comando da terceira geração familiar, o grupo Schincariol começou a escrever mais um capítulo de sua tumultuada história. Os protagonistas agora são os netos de Primo, os irmãos Adriano e Alexandre, de um lado, e os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Júnior, do outro. No centro da questão está a venda de 50,45% de participação na Schincariol – um conglomerado que emprega dez mil funcionários, possui 13 fábricas e faturou R$ 5,7 bilhões no ano passado – que Adriano e Alexandre detêm sob a holding batizada com as primeiras letras do nome dos dois, a AleAdri. O problema é que o outro ramo da família, abrigado na holding Jadangil, que controla os 49,55% restantes, recorreu à Justiça e conseguiu suspender o negócio, com um pedido de ação cautelar.
A principal alegação dos minoritários é que, pelo estatuto da companhia, eles têm preferência de compra, caso a outra parte resolva sair do negócio. “Não fomos consultados em momento algum”, disse Gilberto Schincariol Júnior, em entrevista exclusiva à DINHEIRO (leia mais abaixo). Conforme antecipou o site da DINHEIRO, na noite de quinta-feira 4, a juíza Juliana Morais Bicudo, da 1ª Vara Civil de Itu, sede da companhia, acatou o pedido dos minoritários e mandou suspender o negócio. Ela também estabeleceu multa de R$ 100 mil para cada ato que desrespeite essa determinação, exigiu a apresentação dos livros contábeis e fiscais e determinou que a Junta Comercial de São Paulo não faça qualquer registro relativo ao negócio. A juíza só não aceitou o pedido de busca e apreensão dos documentos da Schincariol.
Alexandre e Adriano vão recorrer da decisão para tentar manter o negócio que surpreendeu o mercado: pelos valores envolvidos, pela identidade do comprador e pela rapidez com que a transação foi fechada. Há pelo menos dois anos, Adriano Schincariol, presidente do grupo, vem manifestando interesse em vender a empresa. A pessoas próximas, o empresário alegava não acreditar que o modelo de negócios da Schincariol, estritamente familiar e sem fontes externas de financiamento, fosse capaz de enfrentar os titãs do mercado cervejeiro de igual para igual. Por titãs, entenda-se a Anheuser-Busch InBev, a gigante belga que produziu 35,8 bilhões de litros de cerveja e faturou US$ 36,6 bilhões em 2010 e no Brasil é dona da Ambev, líder do mercado nacional com participação de 69% com as marcas Skol, Brahma e Antarctica.
Não faltaram candidatos para ficar com o passe da Schincariol quando Adriano assumiu publicamente que sua parte e de seu irmão Alexandre estava à venda. Desde o início deste ano, executivos dos grupos britânicos SABMiller e Diageo, da dinamarquesa Carlsberg e da holandesa Heineken debruçaram-se sobre os números da cervejaria brasileira. Pura perda de tempo. Embora atrasados em relação aos concorrentes, os japoneses do grupo Kirin, que só entraram na disputa dois meses depois de iniciado o processo, reverteram a lentidão inicial e, de forma fulminante, fecharam o negócio por R$ 3,95 bilhões. E foi aí que começaram as surpresas. Em momento nenhum o Kirin, um grupo que produz de cervejas a medicamentos fora apontado como sério candidato à sócio da Schincariol.
Esse papel foi ocupado, durante todo o tempo, pela Heineken, para quem a empresa de Itu representava a rede de distribuição que a holandesa não tem, um portfólio de produtos do qual também carece e uma participação de mercado que está longe de possuir no País.
A segunda surpresa foram os quase R$ 4 bilhões desembolsados pelos ágeis japoneses, preço considerado bastante elevado quando se leva em conta a capacidade de geração de caixa da empresa. No caso da Schincariol, esse índice ficou em 17 vezes o lucro antes do pagamento de impostos, juros e depreciação (Ebitda). Não é regra, mas é praxe do mercado de fusões e aquisições fixar o preço em nove ou dez vezes o Ebitda. Marco Gonçalves, sócio do banco BTG Pactual, que assessorou Adriano e Alexandre na venda, diz que o que pesou em favor do grupo Kirin foi uma cláusula no contrato na base do “assine e pague”.
“E eles já pagaram”, disse Gonçalves à DINHEIRO na quarta-feira 3, na sede paulista do BTG Pactual. Segundo ele, naquele mesmo dia, o cheque assinado pelo CEO da cervejaria japonesa, Hirotake Kobayashi, no valor total da operação, estava depositado na conta da AleAdri. A despeito da suspensão do negócio pela Justiça, Gonçalves diz que nada muda para seus clientes Adriano e Alexandre. Primeiro, afirma ele, porque os primos José Augusto, Daniela e Gilberto Júnior não têm capital para exercer a opção de compra. Segundo, porque os representantes da Kirin estavam cientes de que poderia haver esse tipo de desdobramento e, mesmo assim, decidiram ir em frente. Em outras palavras, o que Gonçalves quer dizer é “estamos preparados” para a batalha.
O primeiro capítulo da nova novela das fusões e aquisições no Brasil começou na segunda-feira 1o, mas parece longe do fim. Mais que isso, a briga envolvendo os primos Schincariol é só mais um capítulo na tumultuada vida empresarial e familiar do grupo que já teve assassinato, prisão sob acusação de evasão fiscal, contratações milionárias e demissões de altos executivos. A primeira tragédia aconteceu em 2003, quando Nélson Schincariol, filho mais velho do patriarca Primo e pai de Adriano e Alexandre, foi assassinado na porta de casa, em Itu, ao reagir a uma tentativa de assalto. Até então, ele e o irmão Gilberto, dividiam o controle da companhia com 50% das ações cada um.
Segundo o que foi detalhado no pedido de ação cautelar, Nelson teria subtraído 0,5% da participação de Gilberto que, na base da confiança, teria assinado essa transferência, sem se dar conta do que estava assinando. As relações entre os dois lados da família azedaram a partir daí. Com a morte precoce do empresário, aos 60 anos de idade, o comando da companhia foi assumido inicialmente por um colegiado de executivos. Alguns meses depois, Adriano foi indicado presidente – com a concordância do tio, Gilberto. Apesar da tragédia familiar, a companhia prosperou. Uma prosperidade que chamaria a atenção da concorrência. Em menos de dois anos, a Schincariol passou de uma pequena indústria regional de cervejas, mais conhecida pelo pouco apreço ao pagamento de tributos, para uma companhia de porte, com uma participação de mercado nada desprezível, na casa dos 9%.
Em 2005, dez diretores do grupo, incluindo Gilberto pai, Gilberto filho e Adriano Schincariol, foram arrastados para a prisão numa operação conjunta entre Polícia Federal e a Receita. Batizada de Operação Cevada, a ação acusava a companhia de Itu de sonegar R$ 1 bilhão, no período de quatro anos, evasão de divisas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Os Schincariol e mais sete executivos da empresa passaram dez dias presos na Polícia Federal, em São Paulo. Combalida pelos descaminhos dentro e fora de seus portões, a companhia começou a acusar o golpe e sua participação de mercado foi minguando até que Adriano resolveu profissionalizar para valer a empresa. Contratou, a peso de ouro, renomados profissionais de mercado, como Fernando Terni, que havia presidido empresas como a Nokia e a Intelig.
Terni, que recebia uma remuneração anual de R$ 3 milhões, não conseguiu recuperar a empresa e Adriano voltou ao comando. Gilberto Júnior, passou a vice-presidente comercial – cargo que ocupa até hoje. A dupla recolocou a companhia nos trilhos. Investiu pesado em marketing – só no carnaval deste ano pagou cachê de R$ 1 milhão à cantora Sandy para promover a marca Devassa – e registra 11% de participação de mercado. O trabalho em conjunto de Adriano e Gilberto Júnior, porém, não deve ser interpretado como resultado da sintonia fina entre ambos. “Nos damos muito bem das 7h42 às 18 horas”, disse Gilberto Jr. “Fora isso, é uma relação civilizada.” Procurado pela DINHEIRO, Adriano preferiu não dar entrevista.
A convivência entre os primos resume-se ao dia a dia na companhia. Agora, nem isso, embora Adriano tenha sugerido aos novos sócios o nome de Gilberto Júnior para sucedê-lo no comando da Schincariol daqui a um ano. Na semana em que anunciaram a compra do controle da companhia, os japoneses bem que se esforçaram para ter o jovem vice-presidente como parceiro. Mas Gilberto Jr., que tem apenas 27 anos de idade, se recusou a receber os novos sócios. “Nem ele nem os irmãos têm capital suficiente para comprar a companhia”, diz uma fonte. A entrada da Kirin, ao contrário, pode dar o fôlego necessário. Isso se seu samurai de plantão, Adriano Schin-cariol, conseguir vencer a queda de braço com o outro lado do clã nos tribunais.
Fonte: Isto é - 05/08/2011
Vendas no Brasil caem, mas lucro da Ambev cresce 21%
A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no segundo trimestre, valor 21,3% superior ao ganho de R$ 1,5 bilhão apurado um ano antes. O volume total de bebidas vendidas somou 36,2 milhões de hectolitros, uma queda de 1,9% em relação ao segundo trimestre de 2010. Deste total, 26,1 milhões de hectolitros foram de cerveja e 10,1 milhões correspondem ao segmento de refrigerantes.
Segundo a fabricante de bebidas, foi observada queda no volume vendido no Brasil, no Canadá e na LAS (América Latina Sul), sendo parcialmente compensado pelo desempenho da HILA-ex (Equador, Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Peru, República Dominicana e Venezuela). No Brasil, a indústria de bebidas foi fraca devido à base de comparação difícil com o volume do segundo trimestre de 2010, que foi impulsionado pela Copa do Mundo e às condições climáticas não favoráveis em maio e junho deste ano. O volume total de vendas de bebidas no país chegou a 24,9 milhões de hectolitros no trimestre, uma queda de 1,6%.
A receita líquida consolidada da Ambev, no entanto, teve crescimento de 2,3% entre abril e junho, na comparação com igual época ano passado, para R$ 5,7 bilhões. A geração operacional de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), somou R$ 2,4 bilhões, o que corresponde a um aumento de 7,1% frente ao observado do segundo trimestre de 2010.
Fonte: Brasil Econômico - 11/08/2011
Queda nas vendas de cerveja no Brasil é temporária, diz AB InBev
A desaceleração nas vendas de cerveja da Anheuser-Busch InBev no Brasil é considerado um movimento temporário e a companhia espera que este mercado no país se recupere no segundo semestre, disse nesta quinta-feira o vice-presidente financeiro da empresa, Felipe Dutra.
"Estamos confiantes de que a desaceleração é temporária", disse Dutra a jornalistas. "Vemos um significativo aumento em termos reais dos salários mínimos...isso tem um impacto na renda disponível e, portanto, no consumo à medida que nos aproximamos do fim do ano", completou.
A maior cervejaria do mundo informou que as vendas de cerveja no Brasil, segundo maior mercado da empresa atrás dos Estados Unidos, caíram 2,6 por cento no segundo trimestre de 2011 em comparação com o mesmo período do ano passado.
A AB InBev, que produz marcas como Stella Artois e Budweiser, conseguiu alcançar as metas de lucro estimadas para o segundo trimestre ao repassar o aumento no custo dos insumos para o consumidor, mas informou que vai monitorar de perto o mercado norte-americano após queda de 3,4 por cento no volume de vendas de cerveja em seu maior mercado.
"O mercado norte-americano tem sido desafiador, estamos monitorando o que está acontecendo na economia e na política, mas permanecemos focados nas coisas que podemos controlar", disse Dutra, notando que as más condições climáticas e o aumento dos combustíveis nos EUA contribuíram para a queda nas vendas.
A geração de caixa da empresa, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 6 por cento, para 3,75 bilhões de dólares, em linha com a previsão de analistas consultados pela Reuters.
A ABInBev vende quase três quartos de sua produção de cerveja nas Américas e cerca de 40 por cento das vendas totais da bebida do grupo acontecem na América Latina. Preocupações sobre aumento do desemprego e salários estagnados pressionaram a confiança do consumidor norte-americano para o menor nível em dois anos em julho.
Enquanto isso, no Brasil, a confiança também recuou ao menor patamar em dois anos em junho, em meio a preocupações sobre inflação.
Fonte: Reuters, por Ben Deighton – 11/08/2011
Budweiser será fabricada no Brasil ainda neste mês
A marca americana de cerveja Budweiser – a mais consumida nos Estados Unidos, onde é chamada de Bud – será fabricada no país ainda este mês. A informação é de Nelson Jamel, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev. “Nós continuamos focados em produtividade e inovação. Hoje, temos a satisfação de anunciar que o lançamento da Budweiser no Brasil será ainda este mês”, declarou em conferência realizada com analistas para comentar os resultados da empresa, divulgados nesta quinta-feira.
A bebida será fabricada na unidade da Ambev de Jacareí, no interior de São Paulo. A produção está em fase de teste. Tão logo os primeiros lotes saiam da fábrica do Vale do Paraíba, eles serão encaminhados aos varejistas. Com isso, no final deste mês, a Budweiser nacional já estará à venda nos supermercados.
No Brasil, a Bud fará parte do segmento premium da Ambev, o mesmo da Stella Artois, cuja faixa de preço é ligeiramente superior à dos produtos mais vendidos da empresa, como Brahma e Skol. A intenção da companhia é justamente reforçar as vendas deste segmento. A Budweiser passou a fazer parte do portfólio da belga Inbev, controladora da Ambev, quando esta adquiriu a gigante americana Anheuser-Busch em 2008, por 52 bilhões de dólares. Segundo a cervejaria brasileira, novas informações serão fornecidas em breve.
Fonte: Exame - 11/08/2011
Mercado anda sem sede de AB InBev
O grupo Anheuser-Busch InBev bem que merecia uma reação mais inebriada em Wall Street. Mas não. O investidor em bolsa se recusa a recompensar o esforço da cervejaria para atravessar a crise nos Estados Unidos e crescer no Brasil. Isso apesar da respeitável alta de 11% no lucro e de 3,7% no faturamento do segundo trimestre, anunciados nesta quinta.
Parte do temor do investidor é natural. Com um desemprego tão elevado e o crescimento anêmico do consumo nos EUA, a dona da cerveja Budweiser não tem, por ora, como contar com uma recuperação no país. Aliás, isso faz a decisão de seguir aumentando os preços — parte de uma estratégia plurianual para reduzir a distância entre cervejas baratas e premium — parecer ainda mais ousada.
Embora o progresso possa ser lento, a campanha da AB InBev está dando resultado. O volume nos EUA caiu 2,5% no primeiro semestre, mas a receita aumentou 3,6%, pois mais gente optou pela Bud Light, mais cara, e por importadas nobres como a Stella Artois. A esmorecida Budweiser, cuja participação no volume de cerveja consumida nos EUA caiu de mais de 15% uma década atrás para menos de 10%, também parece estar se estabilizando. A dúvida é se a AB InBev vai poder conter o declínio no mercado americano e ainda assim seguir aumentando preços.
No caso do Brasil, onde a AB InBev tem participação de 69,3% no volume, o medo parece menos racional. A queda no volume após o crescimento no embalo da Copa do Mundo no ano passado foi mais do que compensada por reajustes oportunos nos preços. No primeiro semestre, a receita ainda cresceu 10%. E o consumo de cerveja deve aumentar. Depois de um ano sem reajuste, o salário mínimo brasileiro deve subir 7,5% em termos reais em janeiro. E a nova cervejaria da AB InBev no Nordeste, região que cresce aos borbotões e onde o consumo per capita é quase 30% inferior ao do Sudeste, começa a produzir até o final do ano.
Este ano, a cotação da empresa listada em Bruxelas já caiu 16%, dando à ação da AB InBev um ar definitivamente barato. Excluindo o valor da participação de 62% do grupo na brasileira AmBev e a fatia de 50% no braço operacional do Grupo Modelo, do México, as operações na Europa e na China são negociadas a apenas 7,2 vezes o lucro projetado em 12 meses — com base no consenso de analistas e usando metodologia da Sanford C. Bernstein. É menos do que a cervejaria norte-americana Molson Coors Brewing, de 11,3 vezes, e abaixo do nível ao qual o papel era negociado imediatamente após a compra da Anheuser-Busch, em fins de 2008. Lá atrás, a margem de lucro operacional nos EUA era 60% inferior.
Em breve, o investidor talvez ache tempo para reativar a amizade.
Fonte: WSJ – 12/08/2011
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