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2007 - Agosto
Pequenas e atraentes
Antes menosprezadas, as cervejarias regionais tornaram-se alvos estratégicos para as empresas do setor - e a temporada de compras está só no início.
Na disputa pelo mercado brasileiro de cervejas, as pequenas empresas costumavam desempenhar um papel absolutamente periférico.
Conhecidas como "nanicas" ou simplesmente "as outras", as micro e pequenas cervejarias ficavam relegadas a uma posição secundária e não importante.
Essa situação mudou radicalmente de uns tempos para cá. Marcas pouco conhecidas do grande público, como Colônia, Fass, Conti e Nobel, são agora cortejadas pelas grandes do setor e tornaram-se ativos valiosos (veja quadro). Recentemente, a Schincariol deu uma amostra da importância que essas pequenas companhias ganharam. Para ter uma presença maior no mercado carioca e melhorar o portfólio de marcas, seus donos pagaram 30 milhões de reais pela cervejaria Devassa, empresa criada há apenas sete anos e dona de um faturamento de menos de 12 milhões de reais. "É um jogo que está apenas começando. Vem mais por aí", diz Ronaldo Giorgi, sócio da consultoria Value Partners e especialista no mercado de bebidas.
O principal motivo da valorização das pequenas cervejarias está ligado ao bom momento desse setor no país. Depois de passar uma década praticamente estagnado, o mercado de cervejas voltou a crescer no ano passado (cerca de 5%) e deve repetir o mesmo desempenho em 2007. Nesse cenário, as microcervejarias tornam-se importantes, não pelo seu tamanho, mas por aquilo que podem produzir e pelas marcas que possuem. Dessas cervejarias que vêm sendo cortejadas, nenhuma chega a 1% de participação de mercado. Em compensação, elas têm fábricas com razoável capacidade de produção, redes de distribuição estratégicas (em estados cruciais, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul) e cervejas de qualidade. Uma das cervejarias mais cobiçadas no momento é a Conti, no interior de São Paulo.
Com vendas anuais de 80 milhões de litros, sua participação de mercado é irrisória, de apenas 0,8%. Mas suas fábricas são capazes de produzir até 400 milhões de litros por ano, ou o equivalente a 4% do consumo nacional. Recentemente, a Conti foi sondada pela Petrópolis, dona da marca Itaipava.
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As mais cobiçadas |
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Características de algumas pequenas cervejarias que estão atraindo a atenção das maiores empresas do setor |
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Conti: É um dos principais alvos do mercado, graças à sua elevada capacidade de produção. A fábrica da Conti pode produzir 400 milhões de litros por ano, o equivalente a 4% do consumo nacional. |
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Eisenbahn: A cervejaria catarinense, dona de marcas fortes no segmento superpremium, já está em negociação com a Schincariol. A empresa tem 14 marcas diferentes, entre elas a Lust, uma cerveja especial que custa quase 70 reais. |
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Premium: Além de uma fábrica moderna com capacidade de produzir 100 milhões de litros por ano, a cervejaria tem boa presença no mercado mineiro, um dos mais importantes do país. |
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Dado Bier: Pioneira entre as microcervejarias, a gaúcha Dado também tem como principal ativo suas marcas premium. Dona de boa presença na Região Sul do país seria um reforço importante para o portfólio de qualquer cervejaria. |
As gigantes do setor, Ambev e Femsa, vêm se comportando de maneira diferente em relação a essa movimentação. A Ambev já deu mostras de que não vai observar esse processo de consolidação a distância. No início do ano, a empresa pagou 240 milhões de reais pela cervejaria Cintra, localizada no Rio de Janeiro e com capacidade para produzir cerca de 500 milhões de litros. Oficialmente, os executivos da Ambev dizem que compraram a empresa apenas porque precisavam aumentar sua produção, mas no mercado a ação da Ambev foi vista também como tática de guerrilha: pagou muito mais do que o valor de mercado (estimado em 180 milhões de reais) para impedir o crescimento da Petrópolis, que estava praticamente fechada com a Cintra. A mexicana Femsa, dona das marcas Kaiser e Sol, não dá sinais de que vá disputar as pequenas cervejarias com suas pares (pelo menos, não neste momento). Espera-se mais movimentação nos próximos meses de Petrópolis e Schincariol - que vem negociando com a catarinense Eisenbahn e com a gaúcha Dado Bier - do que da Femsa.
No mercado, a onda de aquisições de pequenas empresas é vista como o último passo antes de uma grande consolidação no setor. Especialistas de todas as vertentes são unânimes em afirmar que apenas três empresas devem sobreviver a esse processo. Duas estão definidas: a líder Ambev e a mexicana Femsa. Apesar de enfrentar dificuldades com suas duas principais marcas, Kaiser e Sol, e de não ter comprado nenhuma empresa recentemente, a Femsa tem força para manter-se no mercado e partir para grandes aquisições no futuro. A terceira concorrente poderia vir de duas formas. Uma delas resultaria de uma fusão entre Schincariol e Petrópolis. "Esse é um negócio que faz todo o sentido. A Schincariol tem a capacidade de produção que falta à Petrópolis, que tem marcas fortes que faltam à Schincariol", afirma um executivo do setor. "O problema são os acionistas, inimigos declarados, se entenderem." A outra opção é a compra das duas companhias por um grupo estrangeiro. Seja lá como for, é cedo para saber quais serão os próximos lances desse jogo - o certo é que as micro e pequenas cervejarias vão desempenhar um papel crucial nesse processo.
Fonte: Revista Exame, por Marcelo Onaga
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