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2011 - Fevereiro
Ribeirão deve ganhar nova micro
Famosa no passado pela fábrica da Antarctica e pelo bar Pinguim e, mais recentemente, pela microcervejaria Colorado (além de outra micro mais nova, a Lund, e nano produção da Pratinha), Ribeirão Preto deve ganhar mais um pequeno produtor. Ex-cervejeiro da Colorado, Rodrigo Silveira prevê para maio a abertura da Indústria Brasileira de cervejas Especiais – Comércio, Importação e Exportação Ltda, que criou em sociedade com o tio. Ok, o nome, que pela extensão teria ares de título de enredo carnavalesco em um rótulo, é a razão social do empreendimento. A marca, segundo Silveira, ainda está sendo desenvolvida por uma agência de publicidade.
A fábrica, que terá um bar anexo, deve ficar na Avenida do Café. A lista de estilos programados para produção por Silveira parece promissora, por ir além do trinômio pilsner (ou lager), dunkel e weiss: Pilsener; Bock; uma IPA com 110 IBUs (sempre lembrando que a lager industrial encontrada em qualquer canto no Brasil tem cerca de 10 IBUs ou menos); Brown Ale; Imperial Stout; Weiss e ESB.
Com a nova produção, o mapa cervejeiro de São Paulo revelará algumas peculiaridades. Piracicaba, hoje, tem três micros – Cevada Pura, Dama Bier e a recém-chegada Leuven. Ribeirão atingirá a mesma marca. A capital, consideravelmente maior, conta, atualmente, com apenas duas microcervejarias: a Fábrica do Chopp, na Vila Leopoldina, e a Planet Beer, perto do Metrô Patriarca, na zona leste (não sei se ainda opera). Em breve, deve ter ainda o brewpub da Nacional, já noticiado por aqui. Mas ainda é pouco para 11 milhões de habitantes.
Fonte: Blog Estadão.com.br – 07/02/2011
Cervejaria Colorado ganha destaque na Biére Magazine
Considerada uma das mais importantes publicações sobre cerveja em língua francesa, a revista Biére Magazine traz na primeira edição deste ano a matéria “Bières du Brésil”, sobre cervejas brasileiras.
O articulista Jean-Claude Colin dá destaque à Cervejaria Colorado, e mostra a inovação que tem causado no universo cervejeiro com o trabalho desenvolvido pelo proprietário Marcelo Carneiro da Rocha.
Fonte: Cristina Bielecki Assessoria de Comunicação – 14/02/2011
Cerveja artesanal vira negócio lucrativo
Todas as empresas do segmento em Minas são formalizadas e produzem cerca de 500 mil litros por mês.
Até bem pouco tempo atrás, cerveja era cerveja. Hoje, existem diversas classificações: industrial (Skol, Brahma, Antártica, entre outras), gourmet, premium e as artesanais. Essa última, já se reproduz em mais de 100 rótulos no país, segundo a Associação Brasileira de Microcervejarias (Abmic), a maioria deles no Sul; mas também em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Mas se em uma situação normal já é difícil para uma pequena empresa sobreviver, o que dizer quando essa empresa está em um setor em que quatro concorrentes detêm 99% do mercado? Esse é o cenário em que atuam as pequenas produtoras de cerveja. No Brasil, a AmBev, segundo a Nielsen, tem 70% de market share; Schincariol, 11,6%; Petrópolis, 9,6%; e a Femsa - comprada pela Heineken -, 7,2%.
Contudo, mesmo diante desse quadro, as microcervejarias, que respondem por pouco mais de 1% do mercado cervejeiro no país, não desistem. Além da alta qualidade das cervejas artesanais, a renda mais elevada dos brasileiros também se tornou fator preponderante para que os apreciadores e produtores da bebida aumentem em todo o país.
"Mineirização" - Minas Gerais, por exemplo, já conta com sete microcervejarias estabelecidas na Capital, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, além de outras duas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Em quantidade de empresas, o Estado perde somente para Santa Catarina, onde foi iniciada a história da cerveja artesanal no Brasil.
Todas as empresas do segmento em Minas são formalizadas e produzem cerca de 500 mil litros de cervejas e chopes especiais por mês, segundo dados do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindbebidas). Este volume deverá subir nos próximos anos, já que a maioria das empresas pretende investir na expansão de suas marcas e na ampliação de seus mercados em todo o país.
As principais microcervejarias mineiras ouvidas pela reportagem do DIÁRIO DO COMÉRCIO confirmam que farão grandes investimentos no desenvolvimento de produtos e no incremento da produção em 2011. Algumas delas, inclusive, preveem um incremento de até 20% no faturamento deste ano no confronto com o de 2010.
Segundo o sócio-proprietário da Falke Bier, Marco Antonio Falcone, o crescimento do mercado de cervejas especiais pode ser creditado à mudança de cultura do consumidor, que vem descobrindo as inúmeras vantagens que a bebida artesanal tem, ainda mais se comparada a um produto industrializado.
"As pessoas têm se interessado cada vez mais pelas cervejas artesanais. Se comparada com um produto industrializado o preço é maior, porém a qualidade é muito superior. As perspectivas do segmento para os próximos anos são bem animadoras, já que existe um potencial nicho de mercado a ser explorado", explicou.
Nova planta - Por causa da forte demanda, principalmente do mercado belo-horizontino, a fábrica de Ribeirão das Neves já opera no limite da capacidade instalada desde o final do ano passado, fabricando uma média mensal de 12 mil litros e cinco rótulo. Segundo ele, uma segunda unidade fabril já está confirmada para 2011.
Falcone disse que a Falke Bier está analisando algumas áreas, mas o local mais provável para abrigar a planta é o bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na RMBH. A fábrica, cujas obras começam no segundo semestre deste ano, deverá ser construída em um terreno de mil metros quadrados, mediante aporte de R$ 1 milhão. A capacidade instalada será de 60 mil litros/mês ou 720 mil litros anuais.
Paralelo a isso, a Falke Bier vai lançar no mercado as linhas Weissbier e Bohemia Pilsener, cada uma delas nas versões chope e cerveja. "Os aportes não são relevantes, já que correspondem apenas a gastos com rótulos, considerando que as novas marcas irão utilizar a estrutura convencional da fábrica. Estaremos sempre expandindo o mix, pois os nossos produtos são comercializados para todo o país e os chopes podem ser encontrados em vários bares da capital mineira. Estamos vivendo uma boa fase, com um público crescente e mais aberto a conhecer opções diferentes", observou.
Falcone afirmou, ainda, que a incidência dos impostos estaduais - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) - e federais - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) - sobre o segmento chega a onerar em até 80% os preços das bebidas.
De acordo com ele, além da alta carga tributária, o segmento ainda enfrenta outras dificuldades. "Temos capacidade de arrecadação muito menor em relação às grandes cervejarias. Compramos os insumos em menor escala e, por isso, mais caro. Empregamos mais mão de obra por litro porque o processo é artesanal. A produção em volumes menores também encarece a fabricação especializada", lamentou Falcone.
Fonte: Abrasnet – 16/02/2011
Cervejas à brasileira
Além das famílias e estilos, o mundo das cervejas também pode ser dividido por escolas, que imprimem nas bebidas características específicas advindas da produção em determinado país ou região ao longo do tempo. Há a escola alemã, baseada na Lei da Pureza (Reinheitsgebot); a belga, com suas misturas criativas; a americana, com seu gosto pelo amargor do lúpulo, etc. Mas e o Brasil, já tem cervejas com personalidade para constituir uma escola? “Com exceção de darmos suavidade aos estilos, pelo clima ser muito quente, ainda não vejo uma tendência muito nítida na cerveja. Mas parte da criatividade que o brasileiro tem aparece na produção das microcervejarias, com adição de ingredientes tipicamente nacionais”, explica a sommelier de cervejas Kathia Zanatta.
A adição desses ingredientes é uma peculiaridade que está sendo desenvolvida aos poucos. Em alguns casos, explica Kathia, as características dos estilos são mantidas. Em outros, novos conceitos são criados, como aconteceu com a Vivre pour Vivre, da mineira Falke Bier, que foi feita com base numa cerveja bastante específica misturada com jabuticaba – de forma semelhante à produção de algumas Lambics com frutas.
Outros exemplos do que seria essa brasilidade, mas respeitando os estilos, estão nas cervejas da Colorado, de Ribeirão Preto (SP). Grande parte dos produtos são compostos com ingredientes nacionais. Kathia indica duas: a Cauim, que é uma Pilsener com adição de mandioca e que tem aromas sutis de cereais e florais, além de corpo e amargor leves; e a Appia, uma mistura de cerveja de trigo com mel que apresenta aromas e sabores que remetem sutilmente à banana e frutas cítricas, com dulçor evidente, mas sem as notas de cravo típicas das alemães.
Exemplares de outras cervejarias que seguem esse princípio são a Baden Baden Bock, produzida com açúcar mascavo, e a Dado Bier Ilex, com erva-mate. A primeira tem aromas de caramelo e frutas secas, e a segunda é bastante refrescante, com aroma herbal, lembrando chimarrão, e amargor moderado.
No Paraná
Por aqui, também existem cervejas desse tipo. No entanto, muitas delas são cervejeiros artesanais ou de cervejarias mais experimentais, como a Cervejaria Escola BodeBrown, de Curitiba. No circuito comercial é possível encontrar a Umburana Lager, da recém-criada Cervejaria Way, de Pinhais, na região metropolitana da capital. Maturada com a madeira dessa árvore tipicamente brasileira, possui bom equilíbrio, um paladar mais seco e aromas de malte, baunilha e notas de torrefação.
A pedido do Bar do Celso, a sommelier de cervejas Kathia Zanatta elaborou algumas sugestões de harmonização para as cervejas indicadas na coluna deste mês. As sugestões com a Umburana Lager são dos próprios fabricantes. Confira abaixo, com a descrição completa das cervejas.
Colorado Cauim - Cerveja tipo Pilsen com adição de mandioca. Sua composição e produção levam a características suaves: aroma sutil de cereais, acompanhado por leve lúpulo floral, corpo e amargor leves. Harmoniza bem com petiscos em geral, saladas de folhas e carnes brancas suavemente preparadas.
Colorado Appia - Cerveja tipo Hefe-Weizenbier com adição de mel. Também suave, adaptada ao clima brasileiro, apresenta aroma e sabor que remetem sutilmente a banana e frutas cítricas, além de perceptível dulçor, sem a frequente nota de cravo presente nos exemplares alemães. Com amargor baixo e corpo médio, apresenta boa drinkability. Harmoniza perfeitamente com saladas e peixes brancos, como o robalo e truta, acompanhados de molhos cítricos, pratos suavemente condimentados e algumas sobremesas a base de frutas, como o Apfelstrudel.
Baden Baden Bock - Cerveja tipo Bock adicionada de açúcar mascavo. Apresenta notas aromáticas de caramelo provenientes dos maltes utilizados, acompanhadas por suaves notas de frutas secas, como figo turco. No sabor, apresenta o malte em evidência balanceado com suave amargor. Harmoniza com carnes vermelhas como medalhão de filet mignon, risoto funghi e salmão assado.
Dado Bier Ilex - Cerveja adicionada de erva-mate. Possui aroma herbal, justamente vinculado à adição da erva. No sabor, apresenta notas herbais que lembram o chimarrão, aliadas à presença de malte e amargor moderado. Apesar do teor alcoólico de 7%, é refrescante e possui boa drinkability. Harmoniza bem com carne de carneiro e carnes de caça vermelhas, como a de javali.
Umburana Lager - Cerveja equilibrada, leve e seca no paladar. Coloração rubi escura, com aromas de malte, baunílha e notas de torrefação. Harmoniza bem com carnes vermelhas, cassulet e sobremesas de chocolate.
Fonte: Gazeta do Povo – 17/02/2011
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