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Tina de clarificação

A tina de clarificação é um método clássico de separar o mosto do bagaço. A recente introdução de modificações de engenharia e tecnológicas permitiu um aumento substancial da performance destes equipamentos.



Construção da tina de clarificação

Constitui-se basicamente em um cilindro de grande diâmetro em relação à altura, paredes laterais retas e teto inclinado com uma chaminé para a exaustão do vapor, tudo construído em aço inox.
Na parte inferior, possui um fundo falso construído de peneiras perfuradas sobre o qual acomoda-se o bagaço, que é a camada filtrante real do mosto.
A distância entre o fundo falso (perfurado) e o fundo verdadeiro é de aproximadamente 50-100 mm (por onde flui o extrato - mosto - obtido no processo de filtração), até os coletores (funis) que levam o mosto até o coletor central.
Para afofar e descarregar o bagaço, a tina é provida de um dispositivo rotativo, com braços dotados de facas verticais reguláveis, com movimentos vertical e horizontal.

A tina de clarificação não possui aquecimento, sendo isolada térmicamente, devido à duração do processo e à importância de se manter a temperatura do mosto (manter a viscosidade baixa e impedir crescimento microbiológico).

Operação da tina de clarificação

Como preparação para o recebimento do mosto (maische), introduz-se água quente pelo fundo, de modo a cobrir o fundo perfurado. O mosto entra na tina de clarificação pela parte inferior com velocidade linear menor ou igual a 0,8 m/s (reduz a oxidação) e é distribuído de maneira uniforme por toda a extensão do fundo por meio de várias entradas (dependendo do diâmetro da tina, até 8 entradas dotadas de válvulas são necessárias).
Após breve repouso, efetua-se a recirculação do mosto turvo e inicia-se a filtração do mosto primário. O fluxo de filtração deverá apresentar uma vazão constante, para evitar qualquer movimentação da camada de bagaço.
Após a extração do mosto primário, procede-se as lavagens e revolve-se o bagaço tantas vezes quantas for necessário, de modo a obter o máximo em extrato, sem comprometer a qualidade do mosto.
Após a extração da última água de lavagem, o bagaço é descarregado da tina de clarificação através da máquina de afofar e enviado aos silos de bagaço, por meio de vapor ou ar comprimido.
Algumas tinas de clarificação modernas operam com uma leve contrapressão (15 - 35 mbar) de CO2, o que permite acelerar o processo de filtração.

Comparativo tecnológico entre os diferentes sistemas de filtração:

 

Tina de clarificação

Filtro de mosto

Strainmaster

Necessidade de espaço

Alta

Baixa

Muito baixa

Capacidade

< 35 t     

< 15 t     

< 15 t

Custos de investimento

Não sobem proporcional- mente à capacidade

Sobem proporcional mente à capacidade

Não sobem proporcionalmente à capacidade

Custos de operação

- energia para as bomba
s- manutenção das válvulas

- energia para as bombas
- manutenção das válvulas

- energia para as bombas
- manutenção das válvulas
- prensa helicoidal para o  bagaço

1
1

- troca de elementos filtrantes

- uso de centrífuga ou   decanter para aproveita  mento da água residual do  bagaço

1 1

- substituição das juntas de vedação das placas

 
A operação automática exige

Medição da pressão de filtração

Para cada lado do filtro: medição de pressão na entrada do mosto

 
 
Controle da altura da máquina de afofar

Medição de pressão da água de lavagem

 
 

Medição de volume:
- da água de enchimento do fundo perfurado
- do mosto primário
- da água de lavagem

Controle da vazão da água de lavagem
Medição do volume do mosto filtrado

Controle da vazão
- mosto filtrado
- água de lavagem superior
- água de lavagem inferior

 

Medição do extrato

Medição do extrato do mosto filtrado

Medição do extrato em todos
Os coletores

 

Controle da altura da máquina de afofar na descarga do bagaço

- Abertura do filtro
- Fechamento do filtro

 
 

Enxágüe do fundo falso

 

Limpeza do recipiente após cada cozimento

Processamento de malte de qualidade variável              

Controlável

Sem problemas

Muito sensível

Processamento de adjuntos

Controlável

Sem problemas

Muito sensível

Composição da moagem                   

Grossa, com cascas bem intactas
Moagem úmida ou condicionada

Fina
Moagem a seco  

Grossa, mas não com muitas cascas
Moagem condicionada

Adaptação da quantidade de matéria-prima aos diversos tipos de cerveja

Possível sem problemas

É possível em filtros novos (70 - 110%)

Possível com limitações

Concentração do mosto primário (°P)

18 - 24 (26)

21 - 24 (26)

21 - 23

Cozimentos por dia

10 – 12  

10 - 12   

8 - 10

Tempo de filtração do mosto primário (min)

40 – 44  

30 - 40   

8 - 10

Tempo de lavagem do bagaço (min)

60 – 70  

70 - 80   

70 - 80

Tempo de preparação (min)

20 – 30  

10 - 20   

20 - 25

Tempo de ocupação (min)

120 - 144

110 - 140

90 - 115

Diferença de rendimento entre laboratório e sala de cozimento (%)

£ 1,0      

0,0 - 1,0 

1,0 - 2,0

Geração de água residual  

Apenas em mostos básicos
> 12%

Em todos os tipos

Muito elevada (água residual + extrato do bagaço)

Geração de efluentes

Possível trabalhar com geração zero

Reduzida              

Elevada, perdas de bagaço adicionais

Turbidez do mosto clarificado (EBC)

10 – 40  

50 - 200 (filtros antigos)
1 - 10 (filtros novos)

20 - 80

Teor de sólidos no mosto clarificado (mg/l)    

< 120     

200 - 500 (filtros antigos)
20 - 30 (filtros novos)

200 - 350

Diversos

Pode ser facilmente esvaziado e limpo

O bagaço adere aos elementos filtrantes e quadros

Necessário elevado dispêndio na limpeza

Enquanto que a tecnologia do envasamento (packaging) de cerveja sofreu profundas e positivas mudanças, atingindo elevados índices de confiabilidade e produtividade, durante décadas praticamente não houve evolução dos equipamentos da sala de cozimento da cervejaria, especialmente daqueles destinados à filtração do mosto.
Atualmente dispomos de equipamentos modernos (tanto tinas de clarificação quanto filtros de mosto), que permitem atingir 12 cozimentos por dia ou mais, fornecendo mostos de alta qualidade (inclusive high gravity), gerando pouco efluente (não sobrecarrega a estação de tratamento de efluentes industriais), preservando assim o meio ambiente.

Matthias R. Reinold

 

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