A utilização do ozônio
como agente oxidante e desinfetante
O ozônio (O3) é um gás
instável, produzido através de uma descarga elétrica
em contato com ar atmosférico ou oxigênio. Isto
resulta em uma molécula composta de três átomos
de oxigênio.
O valor de sua meia vida quando dissolvido em água é
de 1,25 minutos a 26°C (depende da concentração
de ozônio e de outras substâncias contidas na água),
de modo que seu odor e paladar característicos desaparecem
rapidamente.
O ozônio é o mais poderoso meio oxidante permitido
para o tratamento da água e a sua solubilidade na água
situa-se, por exemplo, para uma concentração na
fase gasosa de 10 g/m3, em 4,4 mg/l (5°C), 3,8 mg/l (10°C)
e 2,9 mg/l (20°C).
Ozônio sob a forma gasosa pode levar a reações
explosivas quando em contato com materiais orgânicos,
como por exemplo, carvão ativado, gorduras, óleos,
borracha.
As concentrações de gás presentes no ar
a que podem ser expostas pessoas são mínimas e
prescritas por lei (por exemplo, pelo FDA nos Estados Unidos).
Portanto, deve-se atentar quando da escolha de equipamentos
e seus periféricos, de modo que a sua concepção
ofereça o máximo de proteção ao
usuário. Na Alemanha, o valor da concentração
máxima de substâncias prejudiciais no local de
trabalho é de 0,2 mg/m3. O limite para o cheiro é
dado com 0,03 mg/m3. Já com 0,04 até 1 mg/m3,
após pouco tempo o sentido do olfato pode ser bloqueado,
o que na prática pode fazer com que a situação
de perigo seja subestimada. Já 20 mg/m3 de ozônio,
dependendo do tempo de exposição, levam à
inconsciência com conseqüência mortal. A morte
pela inalação de ozônio ocorre em concentrações
acima de 10.000 mg/m3 dentro de poucos minutos.
Por este motivo, deve-se observar atentamente as determinações
técnicas de segurança.
A introdução na água, de ar contendo ozônio
ou oxigênio contendo ozônio, assim como a injeção
de um fluxo parcial de água com elevada concentração
de ozônio, ocorre através de injetores, coluna
de corpos de enchimento, câmaras de lavagem, ventiladores
centrífugos ou materiais vitrificados. A ozonização,
dependendo da utilização, pode ser efetuada em
um ponto ou em vários pontos do processo de tratamento.
Em solução ácida o ozônio
reage principalmente como molécula de ozônio O3
com as substâncias da água, enquanto que com pH
mais elevado, o ozônio dissocia-se mais rápido.
O consumo de ozônio para a oxidação de substâncias
inorgânicas é, em regra, por causa das modificações
estequiométricas, proporcional à concentração
original dessas substâncias contidas na água. Para
a oxidação de substâncias orgânicas
da água, de modo geral são utilizadas no tratamento
de água, de 0,5 a 1,5 mg de ozônio por mg de DOC
inicial (carbono ligado organicamente).
Para a desinfecção, é tida como necessária
uma concentração de ozônio de 0,4 mg/l,
por um tempo de contato mínimo de 4 minutos (como pré-requisito
devemos ter o tipo apropriado de reator).
Considerando o aspecto microbiológico, o ozônio
é o ozônio é mais eficaz do que o cloro
na inativação de vírus.
A ozonização pode ser utilizada para a eliminação
do ferro e manganês, já que o ozônio oxida
facilmente esses íons metálicos:
2 Fe 2+ + O3 + 5 H2O = 2 Fe (OH)3 + O2 + 4 H+
2 Mn 2+ + 2 O3 + 4 H2O = 2 MnO (OH) 2 + O2 + 4 H+
Para a eliminação de ferro e manganês, a
utilização do ozônio é especialmente
vantajosa quando os metais reduzidos se apresentam ligados de
forma complexa, já que o ozônio provoca simultaneamente
uma destruição dos complexos, através de
degradação oxidativa.
Através da adição de ozônio, pode
surgir uma microfloculação em uma série
de águas, de acordo com a origem e tipo das substâncias
contidas na água. Em primeiro lugar ocorre a precipitação
de sais de cálcio dos ácidos orgânicos ou
o declínio da ação estabilizadora de substâncias
orgânicas sobre matérias turvadoras. Quando surge
uma microfloculação, a ozonização
nunca deveria ser a última fase do processo, mas sim
sempre utilizada antes de uma separação de partículas
sólidas. Esta filtração pode ocorrer mediante
um filtro de carvão ativado.
A utilização de cloro
na desinfecção da água
O cloro é comumente utilizado como desinfetante
e também como agente oxidante. A cloração
pode ser feita de duas formas:
- Gasosa: apresentado na forma de cloro líquido, sofrendo
evaporação antes da aplicação. Tem
uma pureza, por norma, de 99,5%. Apresenta-se comercialmente
em cilindros verticais de 27 e 68 kg e horizontais de 860, 940
e 1080 kg.
- Compostos sólidos ou líquidos que contenham
cloro.
O hipoclorito de sódio (NaOCl) encontra-se sob a forma
de solução a 10% de cloro ativo, embalado em bombonas
plásticas de 50 kg de capacidade.
É estável durante algumas semanas até um
mês. Decompõem-se pela luz e calor e por esta razão
deve ser estocado em locais frios e ao abrigo da luz.
A utilização de dióxido de cloro
na desinfecção da água
O dióxido de cloro (ClO2) é um
agente de desinfecção utilizado em vários
países, entre eles os Estados Unidos (desde meados da
década de 40) e a Alemanha (desde a década de
50).
O dióxido de cloro já é utilizado há
mais de vinte anos pela indústria internacional de bebidas
e alimentos para a desinfecção de água
potável e de processo.
Dióxido de cloro é uma ligação gasosa
de cloro e oxigênio e não pode ser liquefeito por
meios físico-químicos, como por exemplo é
possível com o cloro gás. Por este motivo é
produzido no local de utilização pelo processo
clorito de sódio e ácido clorídrico, utilizando
equipamento especificamente construído, que obedece a
rígidas normas de segurança.
Os geradores de dióxido de cloro pelo processo clorito-ácido
clorídrico podem ser utilizados por exemplo, em tempos
de produção fortemente variáveis (8, 16,
24 horas por 5 ou 7 dias por semana).
Reação para obtenção
do dióxido de cloro: 4 HCL + 5 NaClO2
-> 4 ClO2 + 5 NaCl + 2 H2O
O dióxido de cloro produzido encontra-se
em solução aquosa e pode por isso ser dosado de
modo simples, seguro e exato de acordo com a necessidade.
Normalmente como o consumo de água oscila bastante, deve-se
ajustar a produção de dióxido de cloro,
que pode ser feito através de um medidor de vazão
por contato ou indutivo interligados ao gerador. O controle
por microprocessador processa o sinal de entrada e controla
as bombas dosadoras dos componentes (clorito de sódio
e ácido clorídrico). A dosagem desejada é
indicada diretamente e regulada de acordo com a necessidade.
A dosagem de dióxido de cloro é feita num by-pass
do fluxo principal de água, e intertravada com um controle
de fluxo de água da tubulação do by-pass.
Um misturador estático promove a pré-mistura do
dióxido de cloro com a água do by-pass.
Através do uso de uma sonda amperométrica (eletrodo)
pode-se medir, com elevada precisão e especificamente,
a concentração de dióxido de cloro. Estes
dados da medição são captados por uma impressora
e documentados.
Assim com facilidade pode-se verificar se ocorreu uma adequada
desinfecção e se a água apresenta uma concentração
suficientemente elevada de dióxido de cloro. Caso os
limites inferior ou superior dos valores pré-determinados
sejam ultrapassados, ocorre sinalização no local
ou numa central remota.
Paralelo ao seu amplo espectro de atuação, também
possui uma extraordinária eficácia na eliminação
de biofilme e oferece uma proteção bacteriostática
de longa duração.
A eficiência de dióxido de cloro
sobre diversos microrganismos pode ser observada na tabela a
seguir, onde se compara as concentrações e tempos
de contato necessários para inativar uma variedade de
microrganismos:

O dióxido de cloro, ao contrário
do cloro, não forma clorofenóis e trihalometanos.
Possui ação desinfetante mesmo em faixas de pH
mais elevadas. Pode também ser eliminado por meio de
rais ultra-violeta, dispensando o uso de carvão ativado.
A utilização de ultravioleta
na desinfecção da água
O método de desinfecção
por ultravioleta envolve a exposição de um filme
de água (120 a 300 mm) à luz ultravioleta produzida
por lâmpadas específicas.
Tais lâmpadas produzem luz ultravioleta, em um comprimento
de onda de 253,7 nanômetros que é conhecida por
sua habilidade de destruir microrganismos como vírus,
bactérias e mofos.
A luz UV tem sido utilizada com segurança em hospitais,
clínicas, laboratórios e nas indústrias
alimentícias, farmacêuticas, cosméticas,
laticínios e outras durante mais de cinqüenta anos.
As lâmpadas mais modernas e compactas são mais
avançadas tecnologicamente, produzem uma quantia maior
de UV-C, são mais duráveis e têm maior vida
útil. A dosagem de UV pode ser fornecida pela fórmula:
Dosagem (mJ/cm² = intensidade (mW/cm²) x tempo (seg)
A intensidade é determinada pela lâmpada
UV e o tempo, pelo período que o fluido ou superfície
é exposta à energia UV. Alguns fatores que afetam
o uso de UV:
- Fluxo de água
- Qualidade da água (sólidos dissolvidos e em
suspensão).
- Concentração e tipos de microrganismos
O UV não afeta o pH, cor, gosto ou odor
e não tem nenhum efeito negativo sobre a estabilidade
do produto. Como não deixa resíduo, é necessária
a dosagem de um agente desinfetante que permita uma proteção
mais longa à água.
O uso de UV pode também servir para decompor o ozônio
residual no tratamento de água e pode, por exemplo, eliminar
microrganismos contaminantes da água de diluição
(blendagem) da cerveja high-gravity.
A filtração por carvão
ativado permite a eliminação de qualquer turvação
presente na água, assim como compostos orgânicos,
produtos de oxidação e ozônio não
utilizado.
Para uma eventual filtração posterior, pode-se
utilizar filtros de cartucho ou bag, com a micragem adequada
para cada processo.
Matthias R. Reinold