Trabalho em excesso aumenta risco de alcoolismo, diz estudo

Cervesia - Cerveja e saúde

 

Resultados de análise de estudo dão suporte à regulamentação do horário de trabalho como intervenção de saúde pública

 

Trabalhar muitas horas pode levar o profissional a virar mais copos de bebida alcoólica. Pesquisadores europeus revisaram mais de 80 estudos sobre trabalho e consumo de álcool: a conclusão foi que aqueles que trabalham mais de 48 horas por semana estão mais propensos a desenvolver o alcoolismo. Portanto, atenção à hora extra, pois ela faz mal à saúde.

A revisão feita por uma equipe de pesquisadores europeus incluiu estudos que seguiam diferentes metodologias, porém todos com resultados semelhantes. Uma análise de estudos transversais que incluíram no total 333.693 pessoas em 14 países mostrou que mais horas de trabalho aumentaram a chance de maior uso de álcool em 11%. Outra análise com estudos de corte encontrou aumento de 12% para início de uso de risco de álcool em 100.602 pessoas de nove países.

Outros 18 estudos concluíram que indivíduos que trabalharam 49-54 horas e 55 horas por semana ou mais tiveram um risco aumentado de 13% e 12%, respectivamente, em comparação com aqueles que trabalharam 35-40 horas por semana.

O consumo de álcool é considerado de risco quando ultrapassa 14 doses semanais para mulheres e 21 doses para homens. Especialistas afirmam que o consumo aumenta o risco de problemas de saúde adversos, incluindo doenças do fígado, câncer, acidente vascular cerebral, doença coronariana e transtornos mentais.

Pesquisas anteriores haviam encontrado ligação entre trabalhar mais horas e consumo de risco do álcool, mas eram estudos pequenos. Os pesquisadores europeus, liderados por Marianna Virtanen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, forneceram a primeira análise sistemática sobre a associação entre horas de trabalho e uso de álcool.

A revisão dos estudos foi publicada nesta terça (13) no periódico científico British Medical Jornal. No editorial do periódico, Cassandra Oliveira, professora da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, afirma que os resultados da análise têm implicações para a recomendação de horas de trabalho semanais. Ela afirma, inclusive, que a regulamentação das horas de trabalho poderia constituir uma intervenção de saúde pública.

Fonte: iG São Paulo | Saúde – 14/01/2014