Consumo moderado de álcool protege mulheres contra AVC

Um estudo que acompanhou mais de 80.000 pessoas durante 26 anos é o novo integrante da lista de pesquisas que associam o consumo moderado de álcool com benefícios à saúde cardiovascular. Dessa vez, o levantamento, feito no Hospital Brigham and Women, em Boston, nos Estados Unidos, concluiu que pequenas quantidades da bebida por dia podem proteger as mulheres contra acidente vascular cerebral (AVC). Os resultados foram publicados nesta quinta-feira no periódico Stroke, que pertence à Associação Americana do Coração.

Os pesquisadores examinaram dados de 83.578 mulheres que haviam participado de um estudo conhecido como Estudo de Saúde de Enfermagem (o nome é uma homenagem às enfermeiras que ajudaram na condução da pesquisa) e as acompanharam durante 26 anos. Durante esse período, as participantes forneceram informações sobre consumo de bebida alcoólica, fatores de estilos de vida e eventos de AVC. No início do estudo, elas não apresentaram sintomas nem evidências de doenças cardiovasculares ou de câncer.

Nos questionários, 30% das participantes relataram nunca terem ingerido bebida alcoólica; 35% disseram consumir pequenas quantidades de álcool (menos que o equivalente a meia taça de vinho ao dia); 37% bebiam moderadamente (o equivalente a entre meia e uma taça e meia de vinho ou cerveja ao dia); e 11% disseram beber mais do que uma dose e meia ao dia. Após o período do estudo, houve 2.171 casos de AVC.

Resultados — Os pesquisadores observaram que as mulheres que consumiam quantidades pequenas ou moderadas de bebida alcoólica apresentaram menos riscos de sofrer um AVC do que aquelas que nunca bebiam. No entanto, as participantes que ingeriam as maiores quantidades de álcool não demonstraram chances menores de sofrer um derrame.

Embora os autores do estudo não saibam ainda identificar de que maneira o álcool age no organismo e protege as pessoas contra eventos cardiovasculares, eles sugerem que isso esteja relacionado a certos componentes presentes na bebida. De acordo com a pesquisa, o álcool possui substâncias que evitam que o colesterol se acumule nas artérias e também evita a formação de coágulos sanguíneos, que podem levar a um AVC. Entretanto, o estudo ressalta que o consumo exagerado de bebida alcoólica, além de não proteger contra um derrame, pode aumentar o risco do problema, já que provoca, por exemplo, hipertensão, um grande fator de risco para o AVC.

As conclusões do estudo acompanham as indicações da Associação Americana do Coração de que homens e mulheres consumam álcool apenas moderadamente. Ou seja, uma dose ao dia para o sexo feminino e duas para o sexo masculino. Para os pesquisadores, pessoas abstêmias não devem começar a beber apenas devido a esses benefícios porque o consumo de bebida alcoólica pode levar a outros problemas graves de saúde. 

ÁLCOOL E SAÚDE

A relação entre consumo de álcool e doenças cardiovasculares em seres humanos pode ser representada por uma 'curva em J', segundo análise estatística: quem bebe pequenas quantidades de álcool por dia (duas doses para homens e uma para mulheres) costuma ter riscos menores de ter um infarto do coração ou um derrame cerebral do que abstêmios; mas quem bebe muito aumenta as chances de ter esses problemas. O "J" significa essa curva em uma representação gráfica. A perna menor da letra representa o risco dos abstêmios. Sua queda na curva da letra representa o risco dos bebedores moderados, e sua ascensão acentuada na perna grande da letra, o risco dos que bebem muito.

Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:

Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática: o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides aumentado: o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.

Redobre a atenção Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco. Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.

Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.

Fonte: Midia Max News – 10/03/2012