Cervejeiros Caseiros

O número de adeptos da elaboração de cerveja em casa vem crescendo a cada dia no mercado brasileiro. Além de ser um lazer apaixonante e divertido, o cervejeiro caseiro cria sua cerveja com características diferentes das grandes marcas.

 

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Confira os resultados do XI concurso nacional das ACERVAS | Junho | 2016

Encontro que reúne associados de Acervas de todo o país ocorreu de 26 a 29 de maio no Rio de Janeiro.

Palestras, viagem à região serrana, confraternização e o aguardado concurso fizeram parte da programação.

Conheça os ganhadores do XI Concurso Nacional das Acervas: http://revistadacerveja.com.br/confira-os-resultados-do-xi-concurso-nacional-das-acervas/

Fonte: Revista da cerveja disponível dia 02/06/2016 – 30/05/2016

Apaixonada por cerveja, publicitária vira sommelier e faz bebida em casa | Março | 2016

Carolina fez curso por hobby e diz que universo cervejeiro ainda é machista.

Paulistana mora em Sorocaba (SP) com o noivo, que a ajuda na fabricação.

Vídeo: http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2016/03/apaixonada-por-cerveja-publicitaria-vira-sommelier-e-faz-bebida-em-casa.html

Como publicitária, não é difícil para Carolina Barioni Dacar, 37 anos, associar cerveja com a imagem de uma mulher. Mas segundo ela, ao contrário do que se vê nas propagandas, não é o corpo, e sim a personalidade feminina que se ajusta a variedade da bebida. Ao fazer uma análise sobre si mesma, a jovem diz ser cheia de possibilidades - assim como o universo cervejeiro, repleto de aromas e sabores (veja o vídeo acima).

Cerveja feita por Carolina e o noivo tem diferentes sabores e teores alcoólicos (Foto: Carlos Dias/G1)

Foram algumas dessas correlações que incitaram a curiosidade de Carolina e a levaram além da mesa do bar: ela se inscreveu em um curso de sommelier em 2015 e aprendeu, por conta própria, a fabricar a bebida na casa onde vive com o noivo, o engenheiro Rafael Hess Mizer, 33 anos, em Sorocaba (SP).

"A cerveja pode facilmente representar a personalidade da mulher. Por causa da essência, e não do corpo. Comprovei isso depois de começar a fabricar minha própria cerveja. Controlo o teor alcóolico, o aroma, o sabor. Há mil possibilidades. Assim como o temperamento feminino. É a cerveja e não o vinho que 'gourmetiza' minha vida", destaca.

Inquieta por natureza, como ela mesma se define, a paulistana procurou inúmeros hobbies antes de apostar no que ela se encaixa melhor: conhecer mais sobre cerveja. Ela conta sempre ter gostado de apreciar a bebida com amigas, mas só resolveu apostar no conhecimento mais profundo do tema quando passava por um momento difícil da carreira. "Na época em que fiz o curso, estava muito infeliz na minha profissão e buscava um hobby. Depois que comecei a estudar, tudo se encaixou. O importante é o que me faz bem", explica.

A identificação com a bebida, porém, nem sempre foi vista com bons olhos. E é para enfrentar questões como essa que Carolina diz ser importante celebrar o Dia da Mulher nesta terça-feira (8). "Tive aula [no curso para sommelier] com uma mulher. Assim que ela entrou na sala, os meninos se entreolharam, como se pensassem 'uma mulher vai me ensinar sobre bebida?'. Por isso é importante falar do assunto. Mas superei. Meus objetivos são maiores que o machismo."

Dupla bem resolvida

A fabricação da bebida, que começou como lazer, hoje é encarado como o início de um negócio para Carolina e o noivo, Rafael.

Forno adaptado dá conta da produção mensal da dupla (Foto: Carlos Dias/G1)

Atualmente, o casal fabrica uma garrafa de 600 ml por mês utilizando equipamentos como panelas de 60 litros e um engenhoso mecanismo adaptado pelo engenheiro para transformar o sonho da publicitária em realidade. "Eu digo do que preciso e o Rafa faz funcionar. Somos uma boa dupla", diverte-se.

No total, a produção demora um mês para ficar pronta. Para fabricar a bebida, o casal utiliza basicamente malte, água, lúpulo e fermento. Cada produção custa em média R$ 350 e a bebida de 600 ml é vendida por R$ 17. "Esses ingredientes dão cor, aroma e sabor para a bebida. A cerveja sai como queremos: às vezes mais encorpada, mais suave", explica.

Perfeccionista, Carolina deu nome para o rótulo da produção independente: Cara Mia. Questionada se chefia a produção, a paulistana, porém, diz que não há chefe. "Sem o Rafa eu não conseguiria fabricar a bebida e sem mim, ele também não teria ânimo para produzir. A gente se completa. É uma espécie de cooperativa, só que mais afinada", brinca.

Casal produz cerveja artesanal todos os meses e vende garrafa de 600 ml (Foto: Carlos Dias/G1)

Fonte: Do G1 Sorocaba e Jundiaí, por Amanda Campos – 08/03/2016

Chapada Diamantina é palco para a fabricação de cerveja artesanal | Julho | 2015

Criar a própria cerveja tem se tornado um hábito para muitos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Microcervejarias (Abracerva) (https://www.facebook.com/abracerva), existem mais de 300 empresas no segmento. O Brasil é um dos maiores consumidores da bebida no mundo. E a Bahia é um dos estados onde o consumo de cerveja mais aumentou nos últimos anos. Nesse contexto, a apreciação de sabores caseiros e personalizados, com base no consumo responsável, apresenta um leque de opções para os degustadores de plantão. Na Chapada Diamantina, o Vale do Capão é destaque na produção. Além desse distrito, também há cervejas artesanais na cidade de Mucugê.

Segundo Fabio Gonzalez, produtor da bebida no Vale do Capão, as cervejas industriais são feitas em larga escala para atingir um maior número de consumidores, o que interfere na sua qualidade. Por outro lado, beber uma cerveja artesanal permite o contato direto com o produtor, além de oferecer ingredientes selecionados, com menor quantidade ou até livre de conservantes.

“Geralmente a indústria utiliza apenas 50% de malte e adiciona outros cereais (como o milho) para baixar os custos de produção. Por isso as cervejas chegam ao mercado com um preço relativamente baixo. As cervejarias artesanais são elaboradas em pequena escala, tendo como foco a qualidade de seus produtos. A fermentação e maturação da cerveja acontecem sem pressa, sem adição de produtos químicos para adiantar o processo. Outro diferencial importante é que costumamos manter tradições, como a ‘Lei da Pureza Alemã’, que prevê somente a utilização de água, lúpulo [condimento amargoso que serve para dar gosto à cerveja e conservá-la] e cevada, sem conservantes ou transgênicos. Uma frase que sempre uso é ‘Beba menos, mas beba melhor’,” explica.

Formado em cinema, Fabio é natural de Salvador, com descendência espanhola. Conhece a Chapada Diamantina há mais de 20 anos e o Vale do Capão há 16. “Sempre visitava quando podia e jurei que um dia ainda viveria aqui. Anos depois e sem intenção nenhuma de, naquele momento, me mudar pro Capão, recebi o convite de uma amiga que vive no Vale pra trabalhar com ela. Aceitei a proposta na hora e aqui estou!”, lembra. Os projetos cinematográficos ficaram para depois e hoje Fabio é proprietário de um bar e restaurante. “Quando a Taverna começou, a proposta já era trabalhar com artigos artesanais. Percebi a falta de distribuidoras de cerveja desse tipo na região. Queria desenvolver um produto diferenciado, fazendo experiências e criando receitas aqui mesmo no Vale”, comenta.

Autodidata na arte da microcervejaria, ele vive pesquisando e conhecendo experiências in loco. “Chamo todas as minhas cervejas de Cavalo do Cão, que é uma vespa de forte picada encontrada na Chapada. Isso me pareceu um nome bem apropriado pra minha bebida, que busca provocar fortes sensações a partir da degustação. Fiz três receitas até agora: Trigo – frutada e refrescante, com sabor único de banana e cravo -, Imperial Stout – de cor escura, com forte sabor de chocolate – e Pilsen – com o amargor proveniente de variedades nobres dos lúpulos alemães. Nesse momento, comercializo no Capão (na própria Taverna, além da Pousada do Capão e do Espaço Moreterra), e em Lençóis, nos restaurantes Absolutu e Bodega, e na loja Baobá”.

Os bastidores da produção

A base de ingredientes é sempre a mesma: água, malte, lúpulo e leveduras, que é o fermento obtido como subproduto da cervejaria, mas as combinações são diversas e fazem toda a diferença no produto final. Para se aventurar no mundo da cervejaria artesanal, é necessária uma boa dose de paciência e atenção. O processo demora dias e até meses. Conheça o passo a passo!

A moagem: Quando o malte é moído;

Brassagem: É o momento da mistura, quando se adiciona o malte moído à água, para que as enzimas transformem o amido em açúcares fermentáveis e não fermentáveis;

Clarificação: Processo de separação da casca do malte, agora chamado de mosto, que servirá como proteína para a formação da espuma;

Fervura: Agora é a vez de adicionar o lúpulo à mistura, o que conferirá sabor e aroma à cerveja;

Resfriamento e aeração: Hora de acrescentar as leveduras;

Fermentação: Instante em que as leveduras irão consumir os açúcares e transformá-los em álcool e gás carbônico. Depende muito do estilo da cerveja, mas, geralmente, dura cerca de uma semana.

Maturação: Quando as leveduras saem do mosto. O objetivo é melhorar a cerveja, clarificando a bebida e inserindo outros ingredientes. Pode demorar dias ou meses;

Envase/engarrafamento: Momento de aumentar a durabilidade da cerveja, eliminando a presença de micro-organismos. Nas cervejarias artesanais, a bebida fica, em geral, a uma temperatura em torno de 60ºC. Assim, a cerveja está esterilizada e praticamente pronta para consumo! Para alguns especialistas, o ideal é deixá-la por, no mínimo, sete dias em temperatura ambiente para refermentação e formação de gás carbônico. ”Destino alguns litros para chope e outra parte para engarrafar”, conclui Fabio.

Fonte: Guia Lençóis, por Verusa Pinho (Fotos: arquivo pessoal Fabio Gonzalez) –06.07.2015

Concurso nacional premia cerveja de fumo | Junho | 2015

Produtor santa-cruzense passou um ano criando receita com folha de tabaco orgânico para homenagear a cidade

Bebida inovadora foi denominada de Franke Bier Virgínia

Santa Cruz do Sul é considerada há décadas a capital mundial do fumo. Mas nos últimos anos outra cultura tem se desenvolvido por estas bandas, tornando a cidade também a terra das cervejas artesanais. Com o intuito de unir essas duas produções locais, o cervejeiro santa-cruzense Gustavo Brixner passou cerca de um ano produzindo a receita da primeira cerveja que usa, entre seus ingredientes, folhas de tabaco orgânico. A ideia, que a princípio parece estranha, ganhou os jurados do 10º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais e conquistou medalha de bronze em uma das categorias mais disputadas do evento.

Brixner batizou a cerveja com tabaco como Franke Bier Virgínia. O prêmio, inesperado, foi o primeiro de sua curta carreira como cervejeiro. “Há quatro anos, participei de uma produção da Heilige e me interessei pelo assunto. Hoje apenas produzo cervejas artesanais em casa, sem o intuito de comercializá-las”, conta. Nessa trajetória, fabricou diversas bebidas. Mas a premiada, em especial, foi o seu maior desafio até hoje. “Passei praticamente um ano só desenvolvendo a receita. Primeiro defini o malte e o lúpulo, mas a parte complicada foi a entrada do fumo.”

Ele explica ter feito um curso técnico em agropecuária como estágio curricular em uma empresa fumageira. Essa experiência o ajudou a definir como usar o fumo na bebida. “Precisava inicialmente de um produto orgânico livre de agroquímicos, que poderiam trazer características indesejadas à cerveja”, relembra. Nesse caminho, encontrou poucas referências para se basear e quase tudo foi feito a partir de testes caseiros. Mas, no final, a cerveja ficou exatamente da forma que havia imaginado.

Feliz com o resultado, Brixner resolveu participar pela primeira vez do concurso nacional, realizado entre os dias 4 e 6 de junho em Porto Alegre. “Este é um evento de muita credibilidade, pois segue as diretrizes do órgão mundial do setor com jurados de nível internacional”, conta. Mas ele não esperava voltar de lá com uma medalha, apenas queria receber os relatórios dos jurados e saber como sua produção foi e onde poderia melhorar. “Sabia que era boa, mas não criei muita expectativa, até porque nem sabia muito bem como classificar minha receita para o concurso.”

Ao todo, 700 cervejas de todo o Brasil concorreram em 17 categorias. A sua criação se enquadrou justamente em uma das áreas mais difíceis, a Specialty Beer. “Trata-se da categoria das ideias mais doidas, aquelas em que os cervejeiros experimentam coisas diferentes”, explica. Portanto, foi com muita surpresa e felicidade que ele recebeu a medalha de bronze.

A receita, conta, foi criada com o propósito de fazer uma cerveja que fosse complexa, mas que impressionasse, da mesma forma que Santa Cruz impressiona seus visitantes. “Busco, com essa cerveja, homenagear os moradores de Santa Cruz e todas as famílias que trabalham com tabaco, como também as empresas fumageiras que geram milhares de empregos para a cidade.”

Saiba mais

A Franke Bier Virgínia é uma cerveja de alta fermentação, forte, com 8,5% de álcool, cor negra, espuma de média formação e consistente. Foi maturada em carvalho francês durante 40 dias. Para ter a “cara” de Santa Cruz do Sul foram utilizadas na receita folhas de tabaco orgânico da variedade Virgínia, de um produtor local.

Fonte: Gaz/Redação Gazeta do Sul, por Rodrigo Kämpf – 10.06.2015

Mais de 100 cervejas | Junho | 2015

Alex Romaniuk, 29, confessa: pensa em cerveja 24 horas por dia. Não é por nenhum problema de dependência, mas pela produção artesanal da bebida, atividade a que se dedica desde 2011. “Minha alegria não é encher a cara. Eu gosto de fazer cerveja, criar com variados sabores e aromas. Vale mais beber qualidade do que quantidade”, afirma.

Tanta dedicação rendeu produtos diferentes, que Alex considera sua marca registrada. Entre os sabores mais inusitados está a cerveja com butiá e a que leva como ingrediente principal o mel de mandaçaia, abelha típica brasileira que ele cria em sua casa, no Bairro Alto. “Gosto de desenvolver receitas, pensar em misturas e possibilidades. O que mais empolga é que nunca fazemos a mesma cerveja. Mudando um ingrediente ou a temperatura, o resultado é outro”, conta ele, que já produziu 102 cervejas diferentes.

Alex: o que mais empolga é que nunca fazemos a mesma cerveja. Foto: Gerson Klaina.

Muito do conhecimento usado na produção veio da faculdade de Agronomia. Além disso, Alex tem experiência na fabricação de vinho e de hidromel, também artesanais, e lê bastante sobre o assunto. “Temos em Curitiba um dos melhores cursos do Brasil sobre produção de cerveja, mas também é possível aprender bastante lendo e conversando com as pessoas. Dá pra fazer com equipamentos simples, mas que funcionam. Não precisa ser o melhor equipamento do mundo”. O principal cuidado deve ser em relação à higienização do processo, que pode comprometer toda a produção.

O cervejeiro adaptou a área de serviço da casa para preparar a bebida. O que no começo era um hobby está tomando grande proporção. Sozinho, ele chega a produzir 40 litros por semana. “Minha maior alegria é presentear alguém com a minha cerveja. É uma bebida muito social, a mais democrática”, comenta. Já o sonho de fornecer seus produtos para o grande mercado está próximo. O próximo passo será regularizar o produto e, junto com um sócio, ampliar a produção.

Fonte: Caçadores/Paraná/Bairro Alto, por Carolina Gabardo Belo – 12.06.2015

Cerveja artesanal de murici é premiada na Itália | Novembro | 2014

A ExperimentoBeer foi vencedora do "Slow Pack " de 2014

Um experimento de cerveja artesanal feita de murici (fruto do Muricizeiro), por comunidades de Esperantina (no Piauí), ganhou um prêmio no Salão Internacional de Gastronomia, realizada em Torino, na Itália, nos dias 23 a 27 de Outubro de 2014. A ExperimentoBeer foi vencedora do "Slow Pack " de 2014 , uma concorrência para melhor embalagem, divididos em quatro categorias que satisfazem a necessidade de pensar sobre a melhor forma de preservar o conteúdo e a composição de um recipiente "bom, limpo e justo."

A ExperimentoBeer foi vencedora na categoria: Narração de produtos de qualidade, por apresentar a Cerveja SAISON de Murici, em garrafa de vidro, e que por sua simplicidade e qualidade da etiqueta com coordenadas geográficas, o código QR, de orientação específica sobre a qualidade organoléptica, características específicas do produto e sua origem, recebeu o premio deste ano de 2014.

Juntamente com outros vencedores, de outras categorias receberão prêmio que consiste em um espaço publicitário em uma edição da Slow Food; dois artigos, publicados, respectivamente, na revista do Slow Food eo Slow Food edição Almanaque de 2015, que fala do concurso de embalagens, e apresentar os vencedores e sua comunicação através do boletim informativo internacional da associação; participação em uma conferência sobre a embalagem na Universidade de Ciências Gastronômicas; promoção dos vencedores na página da web do site da Fundação Slow Food para a Biodiversidade (em Italiano e Inglês) na seção de embalagem, bem como outros prêmios.

A ExperimentoBeer de Belo Horizonte desenvolve receitas de cerveja artesanal junto às comunidades que utilizam frutas brasileiras nativas. Dentre estas comunidades está o município de Esperantina através da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agricultores Familiares Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina Ltda (COOAF-Bico).

Fonte: Surgiu.com.br | Ascom/APA/TO – 07/11/2014

Maré desenvolve cerveja de fabricação artesanal | Novembro | 2014

Já temos cerveja da Maré

A cerveja artesanal se chama Plurais. O nome foi escolhido durante um sarau após uma acirrada votação, no Morro do Timbau, em evento realizado pela Roça Rio, loja de produtos naturais que desenvolveu a cerveja.

A ideia surgiu do Encontro de Economias Comunitárias, onde vários grupos que trabalham em autogestão sugeriram a criação de um núcleo de produção de cerveja em favelas. A iniciativa é do Fórum Popular de Apoio Mútuo, e o mestre cervejeiro André Nader está ensinando a técnica aos grupos. Além da Maré, participam pessoas das favelas da Babilônia, Acari, Alemão e Morro dos Macacos.

Geandra Nobre, colaboradora da Roça Rio, explica que a base de produção, que ainda será criada, consiste em uma cozinha onde serão montados três fogões. Cada panela no tamanho de 120 litros poderá produzir em torno de 90 litros por brassagem (cozimento da cerveja, que leva oito horas). A cerveja fica pronta em três semanas, mas é consumida em minutos. Geandra ressalta que a produção na Maré só é possível porque um amigo emprestou o equipamento.

Para a professora Gilda Moreira, moradora de Santa Teresa, a cerveja está aprovada. "Nessa vida louca que a gente vive, os alimentos estão cheios de agrotóxicos, transgênicos e conservantes e ter uma cerveja livre dessas coisas é uma iniciativa maravilhosa", comemora ela, que esteve na Roça na noite de lançamento (27/09).

Já a professora Elaine Alves, moradora do Cajueiro, conta que esteve na Alemanha há pouco tempo e que as cervejas de lá são muito gostosas. "A cerveja produzida na Maré não deixa nada a desejar", afirma.

Geandra compara a cerveja industrial a uma feijoada enlatada, sem gosto. "A cerveja, embora alcoólica, é um alimento que pode ser produzido em casa. Acabamos de fazer uma no estilo weizen, uma cerveja de trigo. Estamos aprendendo, mas sempre experimentando novos sabores. Certamente teremos novidades".

Comércio justo

Eduardo Tomazine, também colaborador da Roça, diz que todos ganham a mesma coisa com o lucro da venda da cerveja. Segundo ele, a preocupação é vender a um preço acessível para a população local consumir e não apenas para o gringo que vem provar. Uma garrafa de 600ml na Roça custa R$ 8. Em outros lugares, uma cerveja puro malte, de 300ml sai, em média, por R$ 16.

"No comércio justo, outras relações estão sendo feitas, tanto entre quem produz, que não tem patrão e ninguém ganha mais do que ninguém, quanto para quem consome, porque consome junto com a cerveja os valores da autogestão e da igualdade. Sem contar que fazemos um controle de qualidade rigoroso, provamos todas as cervejas que fazemos. Além disso, uma característica da cerveja artesanal é que cada brassagem é uma cerveja. Nenhuma vai ter o gosto da outra", explica ele.

◊ A Roça fica na rua dos Caetés, nº 82, Morro do Timbau Aberta às segundas, quintas e sextas a partir das 16h.

Fonte: Brasil 247 | Por Rosilene Miliotti, para o "Maré de Notícias" – 07/11/2014

Capixabas apostam na produção própria de cervejas | Outubro | 2014

Conheça a história de quem deixou as cervejas comerciais de lado para colocar a mão na massa!

Ela pode ser amarela, avermelhada ou quase preta. Pode combinar com diferentes alimentos, de carnes ao chocolate. Pode ser para os dias mais frios e tímidos, assim como pode [e deve!] servir de mote para reunir os amigos em qualquer estação. A cerveja é paixão em todo o mundo, sendo uma das bebidas mais consumidas do planeta.

A fabricação de cervejas vem de muito tempo atrás. Estima-se que no ano 6000 a.C., os povos sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos já se dedicassem ao ofício. Atualmente, a cerveja é produzida em praticamente todos os países do globo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor da bebida no mundo, atrás apenas de China e EUA. De acordo com dados Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, nosso país fabrica cerca de 13 bilhões de litros por ano e consome 14 bilhões!

Como bons brasileiros, os capixabas não ficam atrás quando o assunto é cerveja. Cada vez mais cresce o número de produtores artesanais em nosso estado, assim como o de lojas especializadas no assunto. Um exemplo é a Confraria Plezuro, localizada em Vitória, que há cerca de quatro anos se dedica não só à fabricação da bebida, mas também a propagar o conhecimento por trás dessa alquimia.

A história da Plezuro começou com experimentos que, segundo um de seus fundadores, Marcio Malacarne, eram também uma forma de "luta anticapitalista". A ideia era fugir ao máximo do sistema de consumo/lucro. "Pensei: como que produtos tão consumidos pelas pessoas, desde nossa alimentação até as bebidas, são tão poucos ensinados e desconhecidos da grande maioria das pessoas e não é ensinado nas escolas/faculdades? Isso foi o estopim para meter a mão na massa", conta. Após experimentar bebidas de diferentes fermentações, como o vinho, Marcio finalmente começou a produzir cervejas em 2011, após muito estudo e encontros de cervejeiros.

Atualmente, a cervejaria se autointitula uma "Escola Livre". É que, ao adquirir as cervejas Plezuro, o cliente também pode participar do processo de produção. Entre os motivos para se trabalhar dessa maneira, Marcio destaca que não há o interesse comercial e sim o de funcionar como uma cooperativa. "Queremos mais pessoas fazendo cerveja para nós experimentarmos e confraternizarmos. Também tem a vantagem da pessoa poder produzir sua própria cerveja com os equipamentos que nós compramos ou montamos", pontua.

A Plezuro fabrica diversos tipos de cervejas, todas sem conservantes e com graduação alcoólica que varia de 5,0% a 7,5%. São elas: Vermelha, com frutas e condimentos; Âmbar, que também pode ser frutada; Nigra Caveira: tipo preta, com mel e café colhido no quintal da cervejaria; Marrom: suave, com leve sabor de café; e Clara, do tipo pilsen. Há, ainda, a Carqueja, que é indicada para pessoas hipertensas.

Mãos à obra!Outubro2014-CervejeirosCaseiros-Capixabas02

De acordo com Marcio, da Confraria Plezuro, há diversas formas de fazer cerveja e existem no mercado equipamentos que variam de R$ 400 a R$ 4 mil. O processo total de preparo demora cerca de 15 dias, da moagem do malte à refermentação. Os ingredientes básicos são água, malte, lúpulo e fermento.

Após perceber que a tarefa não era tão difícil como muitos imaginam, o arquiteto e apreciador de cervejas Lucas Lacerda decidiu apostar na fabricação da própria bebida. A vontade veio após entrar em contato com cervejas artesanais e perceber a grande diferença em comparação aos rótulos comerciais.

"Um dia fui apresentado à cerveja artesanal. Não tinha nada a ver com a cerveja que tomava nos finais de semana, nas festas e bares, ela tinha alguma coisa diferente... um amargor, uma doçura, um cheiro novo. Foi então que fui 'picado' pelo lúpulo e depois daquele dia comecei a beber mais as artesanais e fui deixando de lado as comerciais. Fui pesquisando, descobri que a produção de cerveja no fogão de casa era possível, fiquei quase um ano estudando e cogitando a ideia, até que investi no meu primeiro kit, que comprei pela internet", conta Lucas.

De acordo com o arquiteto, existem pessoas que produzem seu próprio equipamento dentro de casa, mas para quem nunca teve contato com o procedimento, o melhor a se fazer é investir no material pronto. "Uma boa dica pra economizar é dividir com algum amigo, afinal de contas não dá pra fazer cerveja sozinho, você vai precisar de ajuda", pontua. Além disso, na hora de degustar, é sempre bom ter uma segunda opinião!

Mercado

Com o objetivo de estimular a cultura da fabricação de cervejas artesanais no estado, foi criada a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Espírito Santo (ACervA-ES), reformulada em 2013. A associação não tem fins lucrativos e busca realizar encontros e cursos para aprimorar a produção local e estimular o mercado.

Para Marcio Malacarne, o mercado capixaba pode ser considerado promissor, mas ainda caminha a passos lentos. "Várias pessoas já vendem em bares, inclusive algumas que iniciaram a produção com a Plezuro. Mas não se vende muito. As pessoas estão viciadas nas propagandas das imitações de cerveja que parecem mais baratas. Mas, no final, saem caros a ressaca e os serviços médicos. A maioria que produz é por puro Plezuro, que significa 'prazer' em Esperanto. Eu sou da opinião de que fazer cerveja fácil, difícil é vendê-las, pois isso já é outro ramo de conhecimento que tem que se dominar", diz.

Marcio reconhece um boom de lojas especializadas em rótulos artesanais e especiais no Espírito Santo, principalmente nos últimos cinco anos. "Creio que é um movimento natural, influenciado pelas péssimas 'cervejas' comerciais, ou imitação de cerveja de milho. Hoje tá mais fácil conseguir uma cerveja de verdade".

Já o arquiteto Lucas Lacerda faz da produção de cervejas um hobby e, pelo menos por enquanto, não pensa em comercializar. Mas ele reconhece que a qualidade das cervejas comerciais é um dos fatores que abre espaço para lojas especializadas. "As cervejas comerciais mais populares no Brasil são feitas com baixa qualidade, usam milho ao invés de malte, o processo é em escala industrial e tudo isso faz com que a qualidade caia muito. [...] Depois que você tem contato com uma artesanal é claro que você vai querer mais e isso tem se tornado um forte nicho de mercado. Outro fator é a ascensão econômica da população, uma cerveja artesanal tem um preço mais alto, não é barato. Mas o aumento constante da procura e crescimento desse nicho mostram que as pessoas estão dispostas a gastar mais para ter contato com uma cerveja de qualidade feita com ingredientes mais puros", afirma.

Fonte: Sou ES Notícias | Por Aline Alves – 28/10/2014