Cervejeiros Caseiros

O número de adeptos da elaboração de cerveja em casa vem crescendo a cada dia no mercado brasileiro. Além de ser um lazer apaixonante e divertido, o cervejeiro caseiro cria sua cerveja com características diferentes das grandes marcas.

 

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Cervejas artesanais caem no gosto do piracicabano que aprecia a bebida | Outubro | 2014

Com vários produtores, Piracicaba tem potencial para se firmar como polo regional

Cerca de 1% da cerveja consumida em Piracicaba provém da produção artesanal. A estimativa é dos produtores da cidade, que conta com três cervejarias artesanais em funcionamento e uma em fase de implantação. Estima-se também que haja pelo menos 15 produtores familiares na cidade, aqueles que fabricam para o consumo próprio ou entre amigos.

As lojas especializadas em cervejas especiais também estão se espalhando pelo comércio.

O número de pessoas interessadas em produzir a cerveja artesanal, também conhecida como cerveja gourmet, está crescendo, e vários cursos já são ministrados para quem quer aprender os segredos desta receita.

O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás apenas da China e dos EUA. No país norte americano, o consumo da chamada cerveja artesanal ou gourmet, corresponde a 7,5% do mercado.

No Brasil este segmento ainda está em expansão, com projeção de chegar a 1,5% até o ano que vem.

Porém, a produção artesanal ou familiar da cerveja é uma tradição antiga em países como a República Tcheca, Irlanda, Alemanha, Áustria, Nova Zelândia entre outros. Nesses países, as receitas são passadas de pai para filho. E foi justamente através do turismo a esses países que alguns brasileiros passaram a se interessar pelo consumo e fabricação da cerveja gourmet.

Exemplo disso é o produtor familiar Leonardo Maiques. Formado em gastronomia pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), ele se interessou pela fabricação da cerveja artesanal a partir de um intercâmbio estudantil que fez para a Nova Zelândia.

"A tradição de tomar a própria cerveja naquele país é muito forte. Foi lá que eu tive as primeiras experiências com cervejas diferenciadas. Voltando ao Brasil, procurei e encontrei a cerveja de trigo, que tem um paladar muito interessante", disse.

Porém foi em uma segunda viagem, desta vez para a Áustria, um dos países que mais consome cerveja artesanal no mundo, que Maiques teve contato com a produção familiar.

"Lá tem cerveja de tudo. As pessoas fazem a sua cerveja, bebem e recepcionam os amigos e visitantes com a sua própria receita. A partir desta viagem comecei a pensar em criar essa tradição junto aos meus amigos. Retornando ao Brasil, passei a pesquisar na internet sobre cursos para aprender sobre a fabricação e produção artesanal", disse.

Após vários cursos e um investimento de cerca de R$ 12 mil, Maiques montou em sua casa uma pequena fábrica de cerveja artesanal. Apesar de não comercializar a bebida, ele criou o hábito de produzir cerveja para apreciação entre os amigos.

"Quem começa a consumir a cerveja artesanal, dificilmente volta a apreciar a industrializada, pois o sabor e o aroma são completamente diferentes. Ela sempre acompanha uma boa comida e o seu consumo está associado ao convívio com bons amigos", relatou.

O sommelier Paulo Bettiol, gerente comercial de uma cervejaria de Piracicaba, conta que a cidade está entre as grandes produtoras de cerveja artesanal do país.

"Hoje a cidade conta com três cervejarias funcionando e uma em implantação. No Brasil só as grandes capitais possuem esses número de produtores artesanais, o que eleva Piracicaba a um potencial polo cervejeiro", afirmou.

Bettiol diz que ainda é preciso traçar estratégias de mercado para consolidar o mercado.

"Se os produtores daqui se organizarem com o poder público através da Setur (Secretaria de Turismo) certamente nós seremos um polo consumidor de cerveja gourmet. Aos poucos o brasileiro está ficando mais seletivo com a questão do paladar da cerveja. É o que aconteceu com o vinho no país de 20 anos para cá", disse.

Para o comerciante Alexandre Spruck, dono de uma loja de cervejas especiais na cidade, o crescimento deste mercado é uma questão de tempo.

"O brasileiro está aprendendo a apreciar uma boa cerveja, assim como diferenciar as variedades e os paladares. É o beber menos e beber melhor. Tem gente que chega na minha loja e fica impressionado com as possibilidades. Tenho muita expectativa na franca expansão deste mercado", falou.

Fonte: Jornal de Piracicaba | Por Gustavo Simi – 27/10/2014

Bar conta com espaço para o cliente fabricar sua própria cerveja caseira | Setembro | 2014

Imagina reunir os amigos em um espaço para fabricar a sua cerveja própria? Não é delírio e nem uma versão adulta da Fábrica de Chocolates, mas é a proposta que Simon Zakaria, sócio do bar A Boa Cerveja, na Mooca, São Paulo.

Além de um espaço que funciona como cozinha cervejeira, o bar tem uma carta com mais de 400 rótulos de cervejas especiais, entre nacionais e importadas.

Mas, a atração do espaço é a sala especial para fabricar a cerveja caseira. São cinco pessoas por vez e a criação da bebida custa cerca de R$ 300, dando direito a produção de 20 litros. Um mestre cervejeiro ajuda na feitura da breja e ainda orienta em todo o processo. As garrafas serão engarrafadas e até personalizadas.

Para conhecer melhor o empreendimento inovador, batemos um papo com Simon Zakaria. Confira abaixo!

 

Como começou esta ideia de montar o bar?

Eu faço cerveja há mais de 2 anos. Antes de montar o bar, eu fazia na casa do meu sogro todo domingo. E quando saía para tomar cerveja com os amigos, via que os bares pecavam pelo atendimento, pelos petiscos ou pecava na cultura cervejeira.

Como estava apertado na casa do meu sogro, pensei: quer saber de uma coisa, vou oferecer um serviço com mais qualidade, ter várias opções de cervejas geladas e bons petiscos para servir. Queria criar um lugar que unisse tudo o que prezo: atendimento, aconchego e qualidade.

Você diz que tem cerca de 400 rótulos de cerveja, mas que pode oferecer quase todas geladas...

Falar é fácil, o grande problema é cumprir. Eu fui em vários bares que se diziam especialistas em cervejas artesanais, mas quando você pedia determinado rótulo, falam que não tinha ou que não estava gelada. O A Boa Cerveja surgiu para contrariar estes espaços.

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E como funciona este espaço para fabricação de cerveja?

Basta você entrar pelo site e fazer a sua reserva. Você escolhe a sua receita de cerveja (em uma variedade de tipos) e um mestre cervejeiro vai ensinar e acompanhar todo o processo com você e seus amigos fazendo. Você faz 20 litros (26 garrafas de 600 ml) que pode ser entregue na sua casa ou você pode usar o andar de cima do bar para receber os amigos e beber.

E precisa ser especialista na área?

E desejável saber alguma coisa, mas não precisa não, pois o mestre cervejeiro ajuda em todo o processo. Além disso, não fica sujeira. Eu moro em apartamento. Meu sogro, casa. Onde eu fazia cerveja? Como eu, quantas pessoas que gostam de cerveja passam pela mesma situação? Ou tem que brigar com a esposa por um espaço na cozinha ou não faz. Aí resolvi alugar esta sala para o pessoal ter onde fazer e difundir a cultura cerveja de panela.

Quanto tempo demora?

O processo de fabricação dura 5 dias, o processo natural de fabricação de cerveja dura mais 30. Então em 35 dias dizemos que está pronto. Você pode vir aqui para trocar a panela de fermentação, ajudar a engarrafar. Se não puder, fazemos por você e entregamos em casa.

Qual o diferencial deste bar?

Eu pensei em três pilares para a casa. Uma boa parte gastronômica, com batatas rústicas, salsichões alemães, massas de origem polonesa, fugindo do senso comum. A segunda é a loja empório, com cerca de 400 rótulos a preços acessíveis. E a outra é a sala cervejeira, para fabricar a própria breja. A ideia é que um destes pilares ajude a segurar as outras.

Sua profissão de TI não tem muito a ver com cerveja...

Eu tenho 48 anos. Eu tinha um plano de abrir um negócio ligado a gastronomia com 55 anos. Mas começar a bombar tanto esse negócio de cerveja artesanal que eu antecipei meu plano. Ele ainda é meu plano B, mas o objetivo é que se transforme em plano A.

Serviço - Bar A Boa Cerveja
Endereço: Rua Capitães Mores, 414, Mooca
Telefone: (11) 2615-0512

www.aboacerveja.com.br

Fonte: Manual do Homem Moderno – Por Leonardo Filomeno em 04/09/2014

Aracaju já produz cerveja artesanal | Agosto | 2014

Mas não será este ano que Socorro ganhará uma indústria cervejeira.

Não será este ano que Socorro ganhará uma fábrica de cerveja e chopp artesanais. O empresário paulista Filipe Pedrini teve que adiar a instalação de seu projeto naquele município por conta das dificuldades em obter o financiamento, inicialmente prometido pelo Banco do Nordeste. "Apenas adiamos a concretização da indústria", revela Pedrini, que busca um novo agente financeiro para ajudar a custear o empreendimento. Mas enquanto a fábrica de Filipe não sai do papel, os sergipanos já podem se deliciar com a pequena produção da artesanal Cerveja 13, feita em Aracaju desde 2012, pelo casal Ítalo Cezar Carvalho e Natália Shanches.

Produzida com receita própria, água mineral e ingredientes comprados em São Paulo, a Cerveja 13 tem teor alcoólico que varia de 3% a 9%. "A gente começou como hobby, mas os amigos gostaram e nos incentivaram a aumentar o volume produzido, que ainda é muito pequeno", revela o engenheiro florestal Ítalo Cezar. Ele pretende quadriplicar até o final do ano a produção, que hoje é de apenas 25 litros mensais. Segundo Natália, o mercado sergipano é muito bom para a cerveja artesanal: "A gente não consegue atender a todos os pedidos, e olhe que não existe divulgação", comemora. Uma garrafa de 600 mililitros da Cerveja 13 é vendida por R$ 15,00.

As cervejas caseiras ou artesanais se diferenciam das tradicionais pelo cuidado que têm com a produção, indo desde os ingredientes básicos da cerveja, passando pela receita de preparo e chegando até aos conservantes finais, que devem ser naturais e não químicos. Ítalo Cezar revela em algumas 'fornadas' usou café, favas de baunilha, mangaba, cravo e zimbro. "A própria origem dos ingredientes que usamos como malte, lúpulo e levedura se diferencia da que abastece a indústria cervejeira", ensina o fabricante da Cerveja 13.

O casal Ítalo e Natália dedica cerca de oito horas para a brassagem, que é o processo de conversão dos amidos liberados durante a fase de maltagem, em açúcares que podem ser fermentados. O grão moído é misturado com água quente num recipiente grande. Neste recipiente, o grão e a água são misturados em conjunto para criar um mosto de cereais. Depois esperam uma semana para a fermentação e de duas a seis semanas para a maturação. Diferente da indústria cervejeira, os produtores de cerveja artesanal como Ítalo e Natália utilizam equipamentos pequenos, que cabem em qualquer cozinha, normalmente não possuem engarrafadoras e guardam suas produções com garrafas de cerveja comum.

Cenário

As receitas caseiras de cerveja estão sendo cada vez mais valorizadas, a ponto de muitas delas estarem dando origem a microcervejarias. Segundo o Sebrae, elas estão tomando um mercado diferenciado do das grandes marcas, numa concorrência indireta. As microcervejarias apostam num nicho de mercado, e não na concorrência direta com as grandes marcas. Elas são voltadas para um público mais sofisticado, pois trabalham com produtos diferenciados. Além disso, a diversidade da cultura e das preferências nacionais favorece a abertura do leque de fabricação de variados tipos de cervejas.

Fonte: Jornal da Cidade – Por Adiberto de Souza em 04/08/2014

Após vencer torneio nos EUA, brasileiro abre a própria cervejaria* | Abril | 2014

*Lê-se nanocervejaria

Radicado nos Estados Unidos há 18 anos, o engenheiro de computação Cesar Marron, de 37 anos, decidiu começar a produzir cerveja em casa há quatro. "A ideia nasceu da paixão por cozinhar. Vejo a cerveja como alimento em forma líquida", afirma ele, que é natural de Lençóis Paulista (SP). No final de 2012, ele começou a participar de concursos de cervejeiros caseiros, e arrematou 12 medalhas em 15 competições. A mais destacada delas veio no final de 2013, quando foi um dos dois vencedores do torneio Longshot, organizado pela Samuel Adams, uma das marcas precursoras do movimento artesanal norte-americano.

O prêmio inclui a produção da receita em escala comercial, o que ocorreu entre o final de fevereiro e o início de março deste ano. Cesar recebeu há alguns dias as garrafas – com um desenho seu no rótulo -, e avalia que a vitória deu impulso ao seu projeto de criar uma "nanocervejaria" na cidade em que vive – Evanston, em Illinois.

Em sua décima edição, a competição reuniu mais de mil cervejas participantes e premiou, além do brasileiro, uma American Stout feita por um cervejeiro caseiro da Flórida e, em categoria separada, uma India Pale Ale com abacaxi produzida por uma funcionária da Samuel Adams. Cesar escolheu uma receita ao mesmo tempo histórica e inovadora para a disputa: uma Grätzer ou Grodziskie, cerveja de origem polonesa que leva malte de trigo e um tipo especial de malte defumado na composição.

O estilo foi incluído em 2013 na lista de diretrizes da Brewers Association, entidade norte-americana que organiza concursos cervejeiros. "Tive de ajustar bastante a água que usei na produção, para ficar igual à empregada pelas fábricas na Polônia há 200, 300 anos. Também precisei usar um malte defumado em carvalho, diferente do utilizado em outros estilos de cerveja." O cervejeiro admite que, pela receita inusitada, não esperava ganhar o concurso –o que lhe rendeu um susto ao saber que estava entre os semifinalistas. "A organização pediu mais garrafas dela, e eu tinha enviado as últimas para outra competição. Tive de explicar a situação ao pessoal desse outro torneio, e buscar às pressas as garrafas, que estavam no meio de outras 1.200."

Um dos juízes do concurso da Samuel Adams, Norman Miller, do blog cervejeiro Beer Nut, escreveu que a escolha da cerveja do brasileiro gerou polêmica na mesa de avaliadores. "Alguns, eu entre eles, achamos que a cerveja era fenomenal e uma boa maneira de apresentar às pessoas um estilo polonês pouco conhecido, levemente defumado e feito com trigo. Outros juízes acharam que ela era muito fraca, mas ainda assim a cerveja venceu, deixando para trás outros excelentes finalistas." De fato, a receita produzida comercialmente teve um acréscimo de força alcoólica – passou de 3,2% para 4,4% -, mas, segundo Cesar, manteve a essência da versão caseira. "Ela ficou bem leve, uma cerveja de verão, mas com um gosto perceptível de fumaça."

Embora não tenha recebido dados oficiais sobre o volume de sua cerveja que foi produzido comercialmente, Cesar ficou impressionado com o alcance da distribuição da receita, que ocorreu em escala nacional. "No primeiro dia de vendas, o Untapdd (aplicativo que permite aos usuários analisarem cervejas e compartilharem suas impressões) registrou 170 avaliações dela." Embora a bebida já não seja considerada artesanal por alguns microcervejeiros americanos pelo volume que produz anualmente, ela tenta se manter próxima ao conceito de craft brewing. "Acredito que o concurso, além de manter a raiz artesanal da marca, é uma forma de ajudar os caseiros a se desenvolverem."

E essa ajuda ocorreu no projeto de criar a Sketchbook, que ele chama de "nanocervejaria", em Evanston, onde mora. "Sem dúvida eu ter ganho o concurso ajudou no projeto, ao destacar a minha credibilidade e facilitar a busca por parceiros. Meu foco ao fazer cerveja em casa sempre foi aprender o máximo possível e agarrar a oportunidade quando ela surgisse." Lançado após o concurso, um projeto Kickstarter dele e de seu sócio, com objetivo de arrecadar 15 mil dólares para a empreitada, atingiu a meta em quatro dias.

A cervejaria, segundo ele, deve começar a funcionar em agosto, com capacidade média de 5 mil litros mensais (60 mil anuais), atendendo apenas a vizinhança. "A ideia é que a nossa fábrica retome o conceito de séculos atrás, onde cada vila tinha sua padaria, seu açougue próximo dos moradores", afirma, e brinca: "Mas a repercussão do concurso já assustou uma vizinha nossa, que passou a me chamar de 'cara da Samuel Adams'. Ela acha que vou atrair multidões para o bairro."

Cesar tem acompanhado com curiosidade o mercado brasileiro de cervejas. "Meu irmão, que também é cervejeiro caseiro no Brasil, me manda notícias. Dá para perceber que há um crescimento forte por aí." Ele afirma que, no futuro, sonha em abrir uma microcervejaria no Brasil. "Vou esperar de novo pela oportunidade."

Fonte: VejaSP – Por Tatiane Rosset em 24/04/2014

Cerveja artesanal, feita em casa e personalizada | Março | 2014

Pouca disponibilidade de rótulos gourmet no mercado faz os apaixonados pela bebida produzirem sua própria "loira gelada"

O que você faz quando tem vontade de tomar aquela cervejinha gelada? É provável que, assim como a maioria das pessoas, você compre o produto e consuma. Entretanto, há aqueles que produzem a bebida em casa, acrescentando ingredientes e dando um toque personalizado à famosa "loira gelada". Além de ser uma forma de passatempo, a produção da cerveja artesanal está associada à pouca disponibilidade de rótulos gourmet no mercado nacional, de acordo com os produtores. Seja qual for o motivo, o fato é que, aos poucos, os cervejeiros artesanais começam a se destacar na Região Metropolitana do Recife (RMR).

 
 Segundo Perman, há poucos ingredientes disponíveis no mercado. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

A Associação dos Cervejeiros Artesanais de Pernambuco (Acerva-PE) existe há quatro anos e possui 23 associados. De acordo com o presidente da instituição, Romero Perman, a entidade surgiu após alguns cursos ministrados por ele e um amigo. "Muita gente tinha curiosidade de saber como era o processo, mas não havia capacitação local", diz. De 2010 para cá, 21 turmas (com média de 15 alunos) já passaram pela capacitação. O último curso, em agosto de 2013, reuniu 35 pessoas.

Na avaliação de Perman, quem deseja produzir a cerveja na cozinha de casa pode ter que enfrentar alguns obstáculos. Segundo ele, o mercado local ainda não despertou para esse nicho, que cresce a cada ano. "Não há lojas físicas onde os cervejeiros possam comprar os insumos necessários, tampouco institutos que capacitem as pessoas como produzir a cerveja", explica. Ele lembra que é preciso fazer as encomendas dos ingredientes diretamente às distribuidoras, nas regiões Sul e Sudeste.

A região Nordeste é vista como uma das que possuem grande potencial no mercado de cerveja artesanal. É o que afirma Alessandro Moraes, um dos proprietários do Lamas Brew Shop, loja especializada na comercialização de ingredientes e dos equipamentos necessários para produzir a cerveja em casa. De acordo com ele, a quantidade de clientes no Nordeste cresceu 50% no ano passado. A rede, que tem um mix de aproximadamente 700 produtos, possui duas lojas físicas no estado de São Paulo e atua também na internet.

Segundo Moraes, um dos principais entraves para a entrega dos produtos na região é o frete. Por conta disso, ele revela que há um plano de inaugurar um centro de distribuição na região. "É um projeto para 2016, mas já estamos pensando nessa questão. É provável que o centro fique instalado em Pernambuco ou na Bahia", detalha.

Na avaliação do empresário, a produção da cerveja artesanal está associada a um passatempo, mas também a questões de mercado. "Muitas pessoas que tiveram a oportunidade de experimentar uma cerveja mais elaborada se frustram com as poucas opções existentes no Brasil. E isso faz com que elas tenham o interesse em fazer a própria bebida", explica.

 

 Felipe Franco produz cerveja em casa há cerca de um ano e meio. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

É o caso do engenheiro de software Felipe Franco, 26, que produz cerveja em casa há cerca de um ano e meio. A prática teve início depois que ele conheceu alguns rótulos durante viagens que realizou. Para produzir a cerveja, Felipe precisou investir cerca de R$ 2 mil na compra de equipamentos adequados. Além disso, também pretende abrir uma microcervejaria para comercializar a bebida. "Por enquanto, ainda não há nada concreto. Continuarei focado na produção e depois montarei um plano de negócios para tocar o projeto", explica ele, que deve inaugurar a cervejaria em 2016.

A procura do recifense por cervejas mais trabalhadas é sentida pelo empresário Tales Leimig, que há pouco mais de um ano abriu a Capitão Taberna, loja especializada em bebidas especiais. "Não vendemos cerveja artesanal porque a legislação não permite", explica, citando que o estabelecimento possui 220 rótulos de bebidas nacionais e importadas fabricadas com nível maior de qualidade. No primeiro ano em funcionamento, a loja cresceu cerca de 20%. Os preços das cervejas mais trabalhadas, diz Leimig, tendem a diminuir nos próximos anos. Na Capitão Taberna, a long neck custa a partir de R$ 10 e pode chegar a R$ 100. "Aos poucos, isso vai mudar. Há 10 anos, uma havia uma cerveja específica que custava R$ 60, e hoje o preço dela gira em torno de R$ 48", exemplifica. Apesar do potencial, Tales ressalta que o crescimento do mercado deve estar associado ao crescimento da cultura cervejeira.

Venda proibida

Apesar do crescimento do mercado, é bom ter cuidado. De acordo com Romero Perman, quem produz cerveja em casa não pode comercializá-la. A prática é proibida no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "A venda é liberada apenas para as microcervejarias que atendem a todas as exigências dos dois órgãos", explica.

Fonte: Diário de Pernambuco.com.br – Por Sávio Gabriel em 05/03/2014

Monges gaúchos fazem cerveja na panela | Fevereiro | 2014

Há alguns meses, um grupo de monges instalado em Rio Pardo (RS) incluiu, entre as orações e tarefas do dia, uma atividade diferente: o planejamento e a produção de cerveja em uma panela de 50 litros. A ideia, que nasceu a partir das lembranças de juventude de Dom Roberto Maria Borges Teixeira, superior do Mosteiro Cisterciense Nossa Senhora de Nazaré, não deve se limitar às produções caseiras. O grupo já estuda como produzir comercialmente a receita que vem sendo testada até agora. Ela já foi batizada como Rotunda.

O padre Bernardo Maria Goulart dos Santos, responsável pelas produções, conta ter aprendido a prática em outubro, em um curso com o cervejeiro caseiro Guenther Sehn em Bento Gonçalves. “A partir daí, tivemos a certeza de que conseguiríamos fazer cerveja.” Superior do mosteiro, Dom Roberto havia ajudado o avô a produzir a bebida na infância em Porto Alegre, nos anos 60. E se espantou com as mudanças no processo. “Na época dele, se colocava o fermento diretamente nas garrafas, e muitas explodiam”, afirma Santos.

Segundo ele, houve uma certa relutância inicial em relação à produção de cerveja. “Mas notamos que, nos últimos tempos, houve um aumento grande, ao menos no Rio Grande do Sul, na procura por cervejas artesanais e especiais. Creio que o mesmo ocorra no resto do Brasil”, diz. “Além disso, todo mosteiro deve ter a tendência de ser autossustentável, e buscamos verbas para concluir a construção do nosso.” Por ora, as produções caseiras são doadas a pessoas que ajudam na obra, já que não podem ser comercializadas.

O projeto da cerveja comercial, ainda em estudo, tende a buscar a terceirização da produção em uma cervejaria, sob supervisão dos monges. O mosteiro fica próximo de uma microcervejaria gaúcha, a Heilige, em Santa Cruz do Sul. O nome Rotunda, diz o padre, significa “redonda, harmoniosa, elegante” em latim.

Até agora, já foram feitas três levas pelos monges, sempre da mesma receita, uma Ale (cerveja de alta fermentação) de inspiração belga, marrom-avermelhada e com cerca de 7% de teor alcoólico. “Buscamos um meio-termo entre as cervejas muito escuras e com muito malte torrado e as claras que são mais próximas do que as pessoas consomem no dia-a-dia”, diz Santos. Para buscar informação sensorial na criação da receita, ele diz que provou, com os colegas, as belgas Leffe e Affligem, além de produções caseiras.

E os monges podem beber cerveja? “Nossa relação com a bebida está ligada às comemorações de Páscoa, Natal e à Festa de São Bento. Nesses momentos, temos liberdade de consumir a bebida. Sempre junto com as refeições, claro. Também é certo que tomemos cerveja quando as obras do mosteiro estiverem concluídas.”

Hoje, o Nossa Senhora de Nazaré abriga sete monges. Eles chegaram à região em 1998 e, inicialmente, se instalaram na cidade. Santos estima que o mosteiro deve ser concluído em cerca de três anos. “Depende de conseguirmos dinheiro. Hoje produzimos e vendemos pães, velas, incenso, damos palestras e recebemos doações de  quem faz retiro conosco.”

Fonte: Veja São Paulo – 25/02/2014

Mulheres tem como hobby fazer cerveja em casa | Fevereiro | 2014

Aparecida Cappi, Kethlyn Justo e Natalia Bichara produzem a própria cerveja em casa de maneira artesanal

Quem acredita que cerveja é coisa de homem, além de estar equivocado mostra que não conhece o assunto. Desde os primórdios, as mulheres já tinham papel fundamental na produção da cerveja, pois eram elas as incumbidas de todo o processo de fabricação em muitas regiões consideradas hoje como o berço da produção cervejeira, como a Suméria, por exemplo.

Cida: A Mama Cervejeira

Claro que muita coisa mudou depois de alguns milhares de anos, mas o gosto das mulheres pela fabricação das cervejas ainda perdura e começa a ganhar força entre as brasileiras. Prova disso são Aparecida Cappi (56), Kethlyn Justo (22) e Natalia Bichara (25), que produzem a própria cerveja em casa, de forma artesanal e, diga-se, com bastante propriedade sobre o assunto.

A administradora Aparecida Cappi conta que sempre gostou de culinária, assim como sempre foi amante de cerveja. No entanto, cozinhar nunca foi problema, já produzir a fermentada não parecia ser tão simples assim. A curiosidade foi tanta que Cida decidiu fazer um curso de cerveja artesanal para quem sabe fazer também a própria cerveja.

Em julho de 2009, Aparecida produziu a primeira cerveja, a qual chamou carinhosamente de Mama Bier. A leva inicial foi de 20 litros, mas o gosto pela coisa foi tanto que em pouco tempo a administradora quadriplicou a produção. Depois de fazer todos os tipos de cerveja, Cida optou por trabalhar em escala menor, já que o esforço não é pouco e leva bastante tempo. “Hoje tenho uma cozinha de brassagem semiautomática com capacidade de 50 litros, mas que me dá menos trabalho do que quando fazia na panela”, comenta.

Desde então Cida já fez mais de 2.300 garrafas de cerveja e, até hoje, não comercializou sequer um único vidro, pois segundo ela, a produção é apenas para degustação de amigos e familiares. “Este é um hobby muito gratificante e maravilhoso. Pena que ainda existam poucas mulheres que fazem cerveja e que a maioria prefira o shopping”, diz.

Jovens e loucas por cerveja

Depois de ficar hospedada num hotel em que a única cerveja oferecida era artesanal, a estudante de engenharia química Kethlyn Justo descobriu que cervejas não são apenas as que estão nas prateleiras dos supermercados. Aliás, percebeu que existia um universo muito mais complexo e atraente ainda não oferecido pelas pilsen feitas à base de milho e cereais não maltados. Tempo depois, após pesquisar mais sobre o novo mundo que havia conhecido, a estudante de engenharia química encabeçou o primeiro curso básico sobre cerveja, em 2012.

No ano seguinte, outro curso. Desta vez mais específico e complexo e, depois disso, o resultado foi a própria cerveja. “O estilo que mais faço é weiss por ser o preferido da minha família e amigos, mas tento sempre inovar com tipos e métodos diferentes”, conta Kethlyn, que produz em média quatro cervejas por mês.

Funcionária do Lamas Brew Shop, empresa que comercializa tudo o que é necessário para fabricação de cerveja em casa, desde insumos, ingredientes inusitados até equipamentos, Kethlyn diz que a sensação de tomar a cerveja feita por ela mesma é única. “Beber a própria cerveja é beber a melhor cerveja do mundo!”.

Natalia Bichara

A exemplo da estudante, a engenheira de alimentos Natalia Bichara também se viu interessada pela fabricação de cerveja repentinamente. Segundo ela, a curiosidade surgiu quando cursou uma disciplina da graduação voltada para bebidas fermentadas. Desde então, a cerveja se tornou mais que um hobby, mas um objetivo profissional.

Pouco tempo depois de iniciar o estágio no Lamas Brew Shop, a engenheira já tem no currículo seis estilos diferentes de cervejas já produzidos. “Comecei em agosto de 2013 e já fiz alguns estilos tais como Kolsch, Indian Pale Ale, American Pale Ale, Witbier, Blonde Ale e Weiss”, lembra.

Enganam-se os que acreditam que as mulheres apreciadoras de cerveja têm preferência somente pelos tipos mais fracos ou de maior dulçor. “Gosto de cervejas bem lupuladas, adoro o aroma e o sabor do lúpulo. Não gosto quando falam que mulheres só gostam de cervejas fracas, as famosas cervejas de mulherzinha”,discorda a engenheira.

Para Natalia, o fato de cada vez mais mulheres se interessarem pela cultura e produção cervejeira é bastante positivo e promissor. “Já escutei várias vezes que fazer cerveja é coisa de homem, mas fico feliz de ver que cada vez mais mulheres se interessam pelo assunto. É como se fosse uma volta ao passado, já que no início da história da cerveja, as mulheres eram as responsáveis por sua produção”, finaliza.

Para Ale Morais, um dos proprietários do Lamas Brew Shop, “o hábito de fazer cerveja em casa, conhecido no mundo todo como homebrew, tem crescido de maneira significativa entre as mulheres brasileiras”. É um grande ganho para um país como o Brasil, que abriga hoje, cervejarias artesanais de renome e premiadas em todo o mundo. Uma parte dessas mulheres trabalha em Cervejarias, importadoras, lojas especializadas, restaurantes e hotéis. A outra parte segue somente como hobby, o que gera interesse por parte de amigas e parentes, que se sentem motivadas a iniciar o mesmo hobby.

“Quanto mais empresas do setor estiverem dispostas a empregar mulheres cervejeiras, como é o nosso caso, maior ganho teremos na cultura cervejeira”, finaliza Morais.

Fonte: Jornal da Baixada – 07/02/2014

A arte de fabricar a própria cerveja | Dezembro | 2013

Ela é a preferência dos brasileiros. Bem gelada então, nem se fala. Forte ou fraca, branca ou escura, a tradicional "cervejinha" é presença garantida na maioria dos lares. Mas, uma nova maneira diferente de apreciar a bebida está fazendo sucesso no país.

Em Morro da Fumaça, Santa Catarina, a produção de cerveja artesanal começa a ser descoberta e ganha adeptos. Um deles é Alexandre Madalena do Canto (Mazo) que há pouco mais de um ano começou a fabricar sua própria cerveja, a Mazzo Beer, que leva seu apelido no nome.

Após se tornar um consumidor da bebida artesanal e constatar a diferença no sabor, ele se interessou em descobrir o processo de fabricação. Com pesquisas pela internet e muita leitura resolveu arriscar. O primeiro passo foi comprar os equipamentos para produção. Depois a matéria prima. Passou a conhecer melhor os diferentes tipos de malte e  lúpulo, o fermento e o processo geral até a bebida estar pronta para consumo, que leva em média 25 dias. "Para produzir demora em média seis horas, porém tem o período de fermentação, maturação e carbonatação que leva todos estes dias até poder beber a cerveja", observa Mazo.

"Tem gente que vai pescar, fica o dia todo e não pega nada, mas gosta de fazer aquilo e vai voltar outras vezes. Para mim, fazer cerveja também é uma diversão", revela. A cada fabricação são produzidos 20 litros de uma cerveja com sabor delicioso. Desde que iniciou a atividade já são nove tipos diferentes. A partir daí o hobby é dividido, Mazo convoca os amigos ou parentes para experimentar. "As vezes tem um churrasquinho para acompanhar, mas o bom mesmo é a confraternização e ouvir as opiniões para aprimorar", ressalta.

Mesmo com a bebida ganhando popularidade, Mazo pretende deixar o processo como diversão. Nas horas vagas, pelo uma vez por mês, ele se dedica a produção da cerveja. "Vou completar 10 tipos de receitas diferentes e ver qual ficou melhor, depois disso vou escolher uma receita e seguir naquele estilo para continuar reunindo a turma e degustando uma bebida de qualidade", completa o fumacense.

A produção

Produzir cerveja artesanal não é um dos processo mais difíceis, porém exige dedicação. Os materiais para produção são básicos e com conhecimento adequado é possível fazer muitos estilos. "Quando fiz a primeira quem tomou se arrepiou de tão forte. Mas depois que você começa a entender as receitas  e o processo correto o sabor melhora e fica mais fácil a produção", lembra o cervejeiro. Um outro detalhe observado durante a fabricação é a higiene, qualquer descuido pode comprometer toda produção.

Saber apreciar a bebida e produzir a de seu gosto. Este é o lema dos aprendizes de mestres cervejeiros que a cada dia se multiplicam. Um processo que exige paciência e muito cuidado, mas que pode terminar animando muitas rodas de conversas ao sabor de uma deliciosa cerveja.

Fonte: Folha Regional de Santa Catarina – com colaboração de Fernando Militão em 06/12/2013