Cervejas artesanais caem no gosto do piracicabano que aprecia a bebida | Outubro | 2014

Com vários produtores, Piracicaba tem potencial para se firmar como polo regional

Cerca de 1% da cerveja consumida em Piracicaba provém da produção artesanal. A estimativa é dos produtores da cidade, que conta com três cervejarias artesanais em funcionamento e uma em fase de implantação. Estima-se também que haja pelo menos 15 produtores familiares na cidade, aqueles que fabricam para o consumo próprio ou entre amigos.

As lojas especializadas em cervejas especiais também estão se espalhando pelo comércio.

O número de pessoas interessadas em produzir a cerveja artesanal, também conhecida como cerveja gourmet, está crescendo, e vários cursos já são ministrados para quem quer aprender os segredos desta receita.

O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás apenas da China e dos EUA. No país norte americano, o consumo da chamada cerveja artesanal ou gourmet, corresponde a 7,5% do mercado.

No Brasil este segmento ainda está em expansão, com projeção de chegar a 1,5% até o ano que vem.

Porém, a produção artesanal ou familiar da cerveja é uma tradição antiga em países como a República Tcheca, Irlanda, Alemanha, Áustria, Nova Zelândia entre outros. Nesses países, as receitas são passadas de pai para filho. E foi justamente através do turismo a esses países que alguns brasileiros passaram a se interessar pelo consumo e fabricação da cerveja gourmet.

Exemplo disso é o produtor familiar Leonardo Maiques. Formado em gastronomia pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), ele se interessou pela fabricação da cerveja artesanal a partir de um intercâmbio estudantil que fez para a Nova Zelândia.

"A tradição de tomar a própria cerveja naquele país é muito forte. Foi lá que eu tive as primeiras experiências com cervejas diferenciadas. Voltando ao Brasil, procurei e encontrei a cerveja de trigo, que tem um paladar muito interessante", disse.

Porém foi em uma segunda viagem, desta vez para a Áustria, um dos países que mais consome cerveja artesanal no mundo, que Maiques teve contato com a produção familiar.

"Lá tem cerveja de tudo. As pessoas fazem a sua cerveja, bebem e recepcionam os amigos e visitantes com a sua própria receita. A partir desta viagem comecei a pensar em criar essa tradição junto aos meus amigos. Retornando ao Brasil, passei a pesquisar na internet sobre cursos para aprender sobre a fabricação e produção artesanal", disse.

Após vários cursos e um investimento de cerca de R$ 12 mil, Maiques montou em sua casa uma pequena fábrica de cerveja artesanal. Apesar de não comercializar a bebida, ele criou o hábito de produzir cerveja para apreciação entre os amigos.

"Quem começa a consumir a cerveja artesanal, dificilmente volta a apreciar a industrializada, pois o sabor e o aroma são completamente diferentes. Ela sempre acompanha uma boa comida e o seu consumo está associado ao convívio com bons amigos", relatou.

O sommelier Paulo Bettiol, gerente comercial de uma cervejaria de Piracicaba, conta que a cidade está entre as grandes produtoras de cerveja artesanal do país.

"Hoje a cidade conta com três cervejarias funcionando e uma em implantação. No Brasil só as grandes capitais possuem esses número de produtores artesanais, o que eleva Piracicaba a um potencial polo cervejeiro", afirmou.

Bettiol diz que ainda é preciso traçar estratégias de mercado para consolidar o mercado.

"Se os produtores daqui se organizarem com o poder público através da Setur (Secretaria de Turismo) certamente nós seremos um polo consumidor de cerveja gourmet. Aos poucos o brasileiro está ficando mais seletivo com a questão do paladar da cerveja. É o que aconteceu com o vinho no país de 20 anos para cá", disse.

Para o comerciante Alexandre Spruck, dono de uma loja de cervejas especiais na cidade, o crescimento deste mercado é uma questão de tempo.

"O brasileiro está aprendendo a apreciar uma boa cerveja, assim como diferenciar as variedades e os paladares. É o beber menos e beber melhor. Tem gente que chega na minha loja e fica impressionado com as possibilidades. Tenho muita expectativa na franca expansão deste mercado", falou.

Fonte: Jornal de Piracicaba | Por Gustavo Simi – 27/10/2014