Maré desenvolve cerveja de fabricação artesanal | Novembro | 2014

Já temos cerveja da Maré

A cerveja artesanal se chama Plurais. O nome foi escolhido durante um sarau após uma acirrada votação, no Morro do Timbau, em evento realizado pela Roça Rio, loja de produtos naturais que desenvolveu a cerveja.

A ideia surgiu do Encontro de Economias Comunitárias, onde vários grupos que trabalham em autogestão sugeriram a criação de um núcleo de produção de cerveja em favelas. A iniciativa é do Fórum Popular de Apoio Mútuo, e o mestre cervejeiro André Nader está ensinando a técnica aos grupos. Além da Maré, participam pessoas das favelas da Babilônia, Acari, Alemão e Morro dos Macacos.

Geandra Nobre, colaboradora da Roça Rio, explica que a base de produção, que ainda será criada, consiste em uma cozinha onde serão montados três fogões. Cada panela no tamanho de 120 litros poderá produzir em torno de 90 litros por brassagem (cozimento da cerveja, que leva oito horas). A cerveja fica pronta em três semanas, mas é consumida em minutos. Geandra ressalta que a produção na Maré só é possível porque um amigo emprestou o equipamento.

Para a professora Gilda Moreira, moradora de Santa Teresa, a cerveja está aprovada. "Nessa vida louca que a gente vive, os alimentos estão cheios de agrotóxicos, transgênicos e conservantes e ter uma cerveja livre dessas coisas é uma iniciativa maravilhosa", comemora ela, que esteve na Roça na noite de lançamento (27/09).

Já a professora Elaine Alves, moradora do Cajueiro, conta que esteve na Alemanha há pouco tempo e que as cervejas de lá são muito gostosas. "A cerveja produzida na Maré não deixa nada a desejar", afirma.

Geandra compara a cerveja industrial a uma feijoada enlatada, sem gosto. "A cerveja, embora alcoólica, é um alimento que pode ser produzido em casa. Acabamos de fazer uma no estilo weizen, uma cerveja de trigo. Estamos aprendendo, mas sempre experimentando novos sabores. Certamente teremos novidades".

Comércio justo

Eduardo Tomazine, também colaborador da Roça, diz que todos ganham a mesma coisa com o lucro da venda da cerveja. Segundo ele, a preocupação é vender a um preço acessível para a população local consumir e não apenas para o gringo que vem provar. Uma garrafa de 600ml na Roça custa R$ 8. Em outros lugares, uma cerveja puro malte, de 300ml sai, em média, por R$ 16.

"No comércio justo, outras relações estão sendo feitas, tanto entre quem produz, que não tem patrão e ninguém ganha mais do que ninguém, quanto para quem consome, porque consome junto com a cerveja os valores da autogestão e da igualdade. Sem contar que fazemos um controle de qualidade rigoroso, provamos todas as cervejas que fazemos. Além disso, uma característica da cerveja artesanal é que cada brassagem é uma cerveja. Nenhuma vai ter o gosto da outra", explica ele.

◊ A Roça fica na rua dos Caetés, nº 82, Morro do Timbau Aberta às segundas, quintas e sextas a partir das 16h.

Fonte: Brasil 247 | Por Rosilene Miliotti, para o "Maré de Notícias" – 07/11/2014