Apaixonada por cerveja, publicitária vira sommelier e faz bebida em casa | Março | 2016

Carolina fez curso por hobby e diz que universo cervejeiro ainda é machista.

Paulistana mora em Sorocaba (SP) com o noivo, que a ajuda na fabricação.

Vídeo: http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2016/03/apaixonada-por-cerveja-publicitaria-vira-sommelier-e-faz-bebida-em-casa.html

Como publicitária, não é difícil para Carolina Barioni Dacar, 37 anos, associar cerveja com a imagem de uma mulher. Mas segundo ela, ao contrário do que se vê nas propagandas, não é o corpo, e sim a personalidade feminina que se ajusta a variedade da bebida. Ao fazer uma análise sobre si mesma, a jovem diz ser cheia de possibilidades - assim como o universo cervejeiro, repleto de aromas e sabores (veja o vídeo acima).

Cerveja feita por Carolina e o noivo tem diferentes sabores e teores alcoólicos (Foto: Carlos Dias/G1)

Foram algumas dessas correlações que incitaram a curiosidade de Carolina e a levaram além da mesa do bar: ela se inscreveu em um curso de sommelier em 2015 e aprendeu, por conta própria, a fabricar a bebida na casa onde vive com o noivo, o engenheiro Rafael Hess Mizer, 33 anos, em Sorocaba (SP).

"A cerveja pode facilmente representar a personalidade da mulher. Por causa da essência, e não do corpo. Comprovei isso depois de começar a fabricar minha própria cerveja. Controlo o teor alcóolico, o aroma, o sabor. Há mil possibilidades. Assim como o temperamento feminino. É a cerveja e não o vinho que 'gourmetiza' minha vida", destaca.

Inquieta por natureza, como ela mesma se define, a paulistana procurou inúmeros hobbies antes de apostar no que ela se encaixa melhor: conhecer mais sobre cerveja. Ela conta sempre ter gostado de apreciar a bebida com amigas, mas só resolveu apostar no conhecimento mais profundo do tema quando passava por um momento difícil da carreira. "Na época em que fiz o curso, estava muito infeliz na minha profissão e buscava um hobby. Depois que comecei a estudar, tudo se encaixou. O importante é o que me faz bem", explica.

A identificação com a bebida, porém, nem sempre foi vista com bons olhos. E é para enfrentar questões como essa que Carolina diz ser importante celebrar o Dia da Mulher nesta terça-feira (8). "Tive aula [no curso para sommelier] com uma mulher. Assim que ela entrou na sala, os meninos se entreolharam, como se pensassem 'uma mulher vai me ensinar sobre bebida?'. Por isso é importante falar do assunto. Mas superei. Meus objetivos são maiores que o machismo."

Dupla bem resolvida

A fabricação da bebida, que começou como lazer, hoje é encarado como o início de um negócio para Carolina e o noivo, Rafael.

Forno adaptado dá conta da produção mensal da dupla (Foto: Carlos Dias/G1)

Atualmente, o casal fabrica uma garrafa de 600 ml por mês utilizando equipamentos como panelas de 60 litros e um engenhoso mecanismo adaptado pelo engenheiro para transformar o sonho da publicitária em realidade. "Eu digo do que preciso e o Rafa faz funcionar. Somos uma boa dupla", diverte-se.

No total, a produção demora um mês para ficar pronta. Para fabricar a bebida, o casal utiliza basicamente malte, água, lúpulo e fermento. Cada produção custa em média R$ 350 e a bebida de 600 ml é vendida por R$ 17. "Esses ingredientes dão cor, aroma e sabor para a bebida. A cerveja sai como queremos: às vezes mais encorpada, mais suave", explica.

Perfeccionista, Carolina deu nome para o rótulo da produção independente: Cara Mia. Questionada se chefia a produção, a paulistana, porém, diz que não há chefe. "Sem o Rafa eu não conseguiria fabricar a bebida e sem mim, ele também não teria ânimo para produzir. A gente se completa. É uma espécie de cooperativa, só que mais afinada", brinca.

Casal produz cerveja artesanal todos os meses e vende garrafa de 600 ml (Foto: Carlos Dias/G1)

Fonte: Do G1 Sorocaba e Jundiaí, por Amanda Campos – 08/03/2016