Técnicas de Lupulagem: um Guia Básico para diferenciar suas receitas

lupulo

Tudo bem, o título pode ter saído mais sensacionalista do que o desejado, mas é fato inegável o quanto o lúpulo tem relevância na criação de suas receitas, diferenciando-as para que se tornem alvo de deliciosas experiências de degustação.

Isso significa que, além da escolha do lúpulo que vai dar características peculiares à sua cerveja — como o seu amargor e aroma —, existem também técnicas de lupulagem que colocam essa etapa produtiva em um aspecto muito mais estratégico.

E, para que você seja destaque dessa transformação, evitando resultados sensoriais indesejados em suas cervejas, vamos nos aprofundar em toda a questão que envolve as técnicas de lupulagem — e como usá-las em seu favor. Acompanhe!

A ação do lúpulo na produção de cerveja

Diferentes técnicas de lupulagem trazem, lógica e consequentemente, resultados distintos. E isso tudo se inicia na compreensão do que o lúpulo pode fazer pelas suas experiências.

Formado por alfa ácidos e óleos essenciais, entre outros elementos, o lúpulo conta com a ação do primeiro para conferir o amargor à bebida, em um processo conhecido como isomerização (durante a fervura). Quanto mais tempo em contato com o mosto fervente, mais amargor pode-se obter do processo.

Com os óleos essenciais, tão presentes quanto os alfa ácidos no lúpulo, a atenção deve estar no momento de adicioná-lo ao mosto da fervura, pois eles evaporam com facilidade. Isso nos diz que, quando adicionado no mosto já frio ou mesmo na etapa final de fervura, obtém-se mais aroma na sua receita.

E é nesse ponto de equilíbrio entre os óleos essenciais e os alfa ácidos que surgem algumas técnicas de lupulagem capazes de gerar resultados diversos em sua bebida. A seguir, vamos ver alguns deles!

First Wort Hopping

Neste processo técnico, a ideia consiste em acrescentar o lúpulo durante a transferência da panela de filtragem — antes da fervura, portanto.

O bacana desse conceito até que recente, na cultura cervejeira, é que o resultado final confere um amargor mais uniforme à bebida. A questão está apenas no uso de um lúpulo com baixa concentração de alfa ácidos e na quantidade utilizada.

Mash Hopping

Uma das técnicas de lupulagem que mais tem caído em desuso é a Mash Hopping, que ocorre no momento da brassagem e permite um equilíbrio geral no aspecto da bebida.

O fato de ela estar sendo deixada de lado se deve à alta quantidade de lúpulo necessária, sendo que o sabor é pouco afetado no processo, já que os óleos vão se perder durante a fervura.

Para promover o amargor em sua cerveja

Já mencionamos, no começo do artigo, mas vale a atenção a essa técnica de lupulagem. Afinal, muito de uma cerveja, que tende a cativar os seus apreciadores, é o característico amargor.

Em média, o lúpulo é adicionado por cerca de 1 hora durante a fervura — podendo variar levemente além ou abaixo desse tempo. Caso exceda essa média parte do aroma irá se perder.
Dessa maneira, é comum trabalhar com a aromatização da bebida durante a sua finalização, e não durante a fervura.

Para promover aromas em sua cerveja

Quando faltar algo em torno de 30 a 15 minutos para finalizar o processo de fervura, a utilização de um lúpulo com menor concentração de alfa ácidos ajuda a criar uma bebida bastante equilibrada, mas com uma leve acentuação para a melhor percepção do olfato. Quando o lúpulo é adicionado por cerca de 15 minutos em contato com o mosto do mosto fervente, obtém-se uma bebida mais aromática, embora menos amarga.

Dry Hopping

Por fim, temos o dry hopping, que conserva os aromas dos óleos essenciais a partir da adição do lúpulo durante a maturação. Muitos cervejeiros que utilizam a técnica fazem uso de um hopbag para isso, pois facilita a remoção do lúpulo posteriormente.

Existem outras técnicas de lupulagem que podem ajudar você a se guiar cada vez com mais qualidade por entre as suas experimentações.

Fonte: Blog Cerveja e Malte – 01/06/2017