Cirurgião encara fabricação de cerveja artesanal como terapia

Tomaz Lomonaco, de Campinas (SP), colocou a ideia em prática no início deste ano e, com a ajuda de amigos, está aperfeiçoando o processo.

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Tomaz Lomonaco (à dir.) reúne amigos para fabricar cerveja artesanal (Foto: Tomaz Azevedo Lomonaco)

A ideia estava matutando na cabeça há quatro anos, mas foi no início de 2017 que o cirurgião plástico Tomaz Azevedo Lomonaco, de Campinas (SP), se uniu a um amigo e ambos decidiram fazer a própria cerveja seguindo apenas as instruções de um livro e de tutoriais da internet. O que eles não imaginavam era que o hobby viraria uma grande terapia.

Hoje, na sua terceira leva de cerveja e um curso depois, ri do fato de ter esquecido de colocar um malte da receita. “Quando estávamos na fervura percebi que tinha esquecido um dos maltes. Corri para moer e fervi por cerca de 30 minutos e adicionei à mistura”, lembra.

Atualmente, o cirurgião e outros três amigos têm se reunido periodicamente para fazer cerveja e se divertir. Para Lomonaco, a cerveja tem sido apenas um importante coadjuvante de encontros com amigos de adolescência e um momento para esfriar a cabeça.

“No final, percebemos que é uma terapia. Estamos descansando, mas botando a cabeça para funcionar. Já estamos bolando formas de economizar água no processo e de aumentar a produção porque 20 litros para quatro é muito pouco”.

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Tomaz Lomonaco testa criação, uma terapia nas horas vagas (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Perfeccionista e metódico como exige a profissão, quer repetir a mesma receita à exaustão até chegar à perfeição.

“Fizemos uma American Golden Ale que coloquei para fermentar e maturar na geladeira. Depois de uma semana fui abrir e não tinha nada de espuma. Tirei da geladeira e separei para jogar fora. Na semana seguinte, abri a garrafa e ouvi aquele sonzinho peculiar. Experimentei e estava ótima, dava para beber em temperatura ambiente. Depois fui ver que a fermentação não ocorreu na temperatura da geladeira, mas sim com a temperatura ambiente. Com os erros, vamos aprendendo”, pontua.

Depois do curso que fez com os amigos viu o que tinha errado. “Identificamos uma série de erros e a cada brassagem aprendemos mais e mais. Também vou anotando o passo a passo em um caderno e vou vendo o que foi fazendo de errado e reviso tudo depois. Entre uma cerveja e outra, brincamos, nos xingamos e lavamos a alma. Ao invés de ficarmos bêbados, estamos fazendo as coisas e conversando”, explica.

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Produção do cirurgião e dos amigos é registrada nas redes sociais (Foto: Tomaz Azevedo Lomonaco)

A brincadeira já está ganhando corpo e a ideia de criar a própria marca não é descartada. Cada brassagem e envase está sendo registrada nas redes sociais. “Se isso ficar sério serei o mestre cervejeiro porque estou acostumado com as panelas, cozinho nas horas vagas”, avisa.

Fonte: Por Paula Ribeiro, G1 Campinas e região - 21/08/2017