Aracaju já produz cerveja artesanal | Agosto | 2014

Mas não será este ano que Socorro ganhará uma indústria cervejeira.

Não será este ano que Socorro ganhará uma fábrica de cerveja e chopp artesanais. O empresário paulista Filipe Pedrini teve que adiar a instalação de seu projeto naquele município por conta das dificuldades em obter o financiamento, inicialmente prometido pelo Banco do Nordeste. "Apenas adiamos a concretização da indústria", revela Pedrini, que busca um novo agente financeiro para ajudar a custear o empreendimento. Mas enquanto a fábrica de Filipe não sai do papel, os sergipanos já podem se deliciar com a pequena produção da artesanal Cerveja 13, feita em Aracaju desde 2012, pelo casal Ítalo Cezar Carvalho e Natália Shanches.

Produzida com receita própria, água mineral e ingredientes comprados em São Paulo, a Cerveja 13 tem teor alcoólico que varia de 3% a 9%. "A gente começou como hobby, mas os amigos gostaram e nos incentivaram a aumentar o volume produzido, que ainda é muito pequeno", revela o engenheiro florestal Ítalo Cezar. Ele pretende quadriplicar até o final do ano a produção, que hoje é de apenas 25 litros mensais. Segundo Natália, o mercado sergipano é muito bom para a cerveja artesanal: "A gente não consegue atender a todos os pedidos, e olhe que não existe divulgação", comemora. Uma garrafa de 600 mililitros da Cerveja 13 é vendida por R$ 15,00.

As cervejas caseiras ou artesanais se diferenciam das tradicionais pelo cuidado que têm com a produção, indo desde os ingredientes básicos da cerveja, passando pela receita de preparo e chegando até aos conservantes finais, que devem ser naturais e não químicos. Ítalo Cezar revela em algumas 'fornadas' usou café, favas de baunilha, mangaba, cravo e zimbro. "A própria origem dos ingredientes que usamos como malte, lúpulo e levedura se diferencia da que abastece a indústria cervejeira", ensina o fabricante da Cerveja 13.

O casal Ítalo e Natália dedica cerca de oito horas para a brassagem, que é o processo de conversão dos amidos liberados durante a fase de maltagem, em açúcares que podem ser fermentados. O grão moído é misturado com água quente num recipiente grande. Neste recipiente, o grão e a água são misturados em conjunto para criar um mosto de cereais. Depois esperam uma semana para a fermentação e de duas a seis semanas para a maturação. Diferente da indústria cervejeira, os produtores de cerveja artesanal como Ítalo e Natália utilizam equipamentos pequenos, que cabem em qualquer cozinha, normalmente não possuem engarrafadoras e guardam suas produções com garrafas de cerveja comum.

Cenário

As receitas caseiras de cerveja estão sendo cada vez mais valorizadas, a ponto de muitas delas estarem dando origem a microcervejarias. Segundo o Sebrae, elas estão tomando um mercado diferenciado do das grandes marcas, numa concorrência indireta. As microcervejarias apostam num nicho de mercado, e não na concorrência direta com as grandes marcas. Elas são voltadas para um público mais sofisticado, pois trabalham com produtos diferenciados. Além disso, a diversidade da cultura e das preferências nacionais favorece a abertura do leque de fabricação de variados tipos de cervejas.

Fonte: Jornal da Cidade – Por Adiberto de Souza em 04/08/2014