Envasamento de garrafas retornáveis

 

O envasamento é uma área que agrega sempre o maior contingente de funcionários em uma planta fabril e os equipamentos eletroeletrônicos tornam este setor bastante complexo e dinâmico. Por essa razão, a mão-de-obra deve ser bem capacitada e consciente para atingir as metas de qualidade e produtividade requeridas pela empresa.

Para se reduzir perdas e quebras de garrafas retornáveis, é necessário que a empresa repasse para seus distribuidores as diretrizes referentes à seleção de garrafas, para obter um rigoroso controle no momento de recolher os vasilhames dos pontos de venda, onde as garrafas indesejáveis já poderão ser descartadas, obrigando esses pontos de venda a não misturar os diversos tipos de garrafas.

O repasse de um percentual mínimo aceitável de vasilhames indesejáveis para as revendas é um meio para alcançar maior número de vasilhames padrão. Essa ação já melhora substancialmente a produtividade do envasamento principalmente no desempenho dos equipamentos.

Deve-se definir um ponto estratégico antes da desencaixotadora, onde poderá ser feita a revisão dos vasilhames que estão chegando e onde serão substituídas as garrafas de 2ª, com bocal quebrado, cores diferentes, garrafas de formatos diferentes etc.

Se estes processos forem bem conduzidos, vai se obter um padrão de vasilhame mais homogêneo, reduzindo o índice de quebra na lavadora de garrafas, onde o vidro passa por diferentes temperaturas em solução cáustica.

O sincronismo das esteiras, desencaixotadora e lavadora deve estar sempre bem ajustado evitando queda das garrafas nos trechos de entrada e saída das máquinas.

O controle das temperaturas e da concentração das soluções cáusticas da lavadora deve ser feito com bastante rigor e no mínimo a cada 2 horas, garantindo a eficiência na lavagem e desinfecção dos vasilhames, como também serve para evitar quebras.

Tendo estes itens implantados e acompanhados in loco, haverá rendimento muito maior nos demais equipamentos do envasamento, como no inspetor eletrônico, que irá reter menos vasilhames defeituosos.

No processo de enchimento das garrafas, estando os itens do equipamento bem ajustados, pode-se obter menor perda de volume de produto, isso porque irão explodir menos garrafas, e também o volume não terá muita variação.

O mesmo deve ser feito no pasteurizador, equipamento que requer muito cuidado e ao qual muitas vezes não se dá a devida atenção, pelo fato de ser um equipamento de funcionamento simples, mas que requer um controle de tempo e temperatura bastante rigoroso, em cada etapa do processo de pasteurização, ao longo de toda a sua extensão.

É necessário mantê-lo sempre bem limpo, com os bicos desobstruídos, as temperaturas não devem exceder o valor pré-estabelecido, pois se isso ocorrer, haverá grandes quebras por quebra de garrafas, ocasionando perdas não só de vasilhames, mas também do produto.

A saída desse equipamento tem que estar muito bem sincronizada com a velocidade e lubrificação das esteiras, evitando assim atrito e queda das garrafas. A temperatura do líquido envasado nesse momento gira em torno de 32 a 34ºC e com a pressão interna da garrafa, torna-se muito mais fácil a quebra das mesmas.

Pode-se observar que estes são apenas alguns dos itens de controle no envasamento que estão sendo abordados, mas existem inúmeros outros controles que são extremamente necessários para se obter bons resultados, onde um monitora o outro simultaneamente, evitando até a quebra dos equipamentos.

Temos que observar que os equipamentos precisam de manutenção preventiva e limpezas periódicas, que irão garantir o bom funcionamento e conseqüentemente contribuirão para a redução de quebras e aumento significativo da qualidade e produtividade.

O importante em tudo isso é ter um efetivo muito bem treinado, motivado, procurando sempre envolvê-los com as metas e os resultados do setor e de cada grupo de envase, expondo diariamente no local de trabalho, os resultados obtidos.

Isso traz mais credibilidade, uma vez que todos podem ver onde é necessário chegar para garantir o pleno funcionamento da empresa e também a sobrevivência de cada um.

Quando se trata do ser humano, é necessário que se tenha sempre um bom relacionamento entre chefias e operadores, e é obvio que sempre existe uma cobrança de resultados, mas sabemos que existem maneiras de se executar isso, com sabedoria e inteligência.

Fonte: Mateus Motta