Cervejas e Queijos, um encontro perfeito

Na coluna de outubro, Luis Celso Jr. fala da harmonização entre cerveja e queijos

Harmonização é mais do que uma técnica. É uma arte. Combinar sabores das bebidas com pratos e petiscos buscando o encontro perfeito, o equilíbrio, a harmonia, não é tarefa fácil se são consideradas todas as variáveis e os detalhes. Os ingredientes de um e de outro, o tempero da comida, o preparo, a marca da cerveja, o estilo, o gosto pessoal, enfim, tudo isso influencia. Uma das formas mais divertidas de testar e aprender é combinando queijos e cervejas. Como se trata de um petisco de sabor único, é mais simples do que combinar pratos inteiros. Além disso, o queijo faz um par ideal com a bebida, a ponto de alguns dizerem que é até melhor do que com o vinho – é o caso do mestre cervejeiro americano Garret Oliver, autor do livro A Mesa do Mestre Cervejeiro e uma das maiores autoridades do mundo na harmonização de cervejas. Além disso, carbonatação, amargor, acidez e álcool ajudam a limpar a sensação de gordura deixada pelo queijo na boca, preparando o palato para um nova mordida como se fosse a primeira.

Para os queijos, também valem as mesmas regras básicas: equilibre a intensidade do alimento e da bebida, ou seja, cervejas leves com pratos leves e vice-versa; busque combinações por semelhança de sabores ou por contraste. E não se preocupe. Caso você erre na combinação, sempre poderá experimentar um novo pedaço com uma outra cerveja. Um trabalho muito árduo e chato de se fazer, não é? Os queijos frescos, como o minas, vão bem com cervejas leves, como o lançamento Limburgse Witte, da Bélgica. Como se trata de uma Witbier, feita com sementes de coentro e casca de laranja, é possível também combinar sua acidez com um queijo de cabra.

Outubro também pede cervejas do estilo Oktoberfest, para homenagear a festa alemã, e Pumpkin Ale, especialidade americana feita com abóbora, para comemorar o Halloween. No primeiro caso, é possível harmonizar os queijos brie ou camembert, adocicados e de fungo branco, com a maltada Bamberg Die Wiesn. No segundo, vale experimentar a Brooklyn Post Road Pumpkin Ale, com características mais secas e amargas, com um belo provolone. A Leffe Royale, Belgian Strong Ale de cor âmbar, adocicada, condimentada, também recém-lançada no Brasil, pode ficar ótima com gruyère, emmenthal ou gouda. E a edição especial Victorious Dubbel, parceria entre a cervejaria mineira Wäls e a americana Anderson Valley, vai bem com gorgonzola por ser mais intensa, beirando características de um Belgian Dark Strong Ale.

Fonte: Bom Gourmet | Bar do Celso – Por Luis Celso Jr. em 10/10/2014