Paçoca harmoniza com cerveja

Ceres era a deusa (mitologia romana) das plantas e do amor maternal. A veneração de Ceres ficou associada às classes plebéias, que dominavam o comércio de cereais. A palavra cereal deriva de Ceres, comemorando a associação da deusa com os grãos comestíveis. Ceres também é relacionada à cerveja, que em latim é grafada Cerevisiae, batizada pelos romanos em homenagem à deusa. Empresta seu nome também ao famoso lêvedo de cerveja cujo nome científico é Saccharomyces cerevisiae.

Nos romances saborosos de José de Alencar, marcas das raízes cearenses do nobre ato de receber. A suave Iracema praticava a hospitalidade, ao servir a caça ao inesperado visitante. Em Ubirajara, Jacamim, esposa de Itaquê, ao preparar o banquete da hospitalidade, esbanjava elegância e entendimento dos costumes de então.

Consuelo Araújo Câmara, 75, nascida em Barreira, pequeno município no Ceará, região entre os rios Acarape e Choró e a Serra do Cantagalo, herdou de seus ancestrais a arte culinária e essa hospitalidade. Em suas memórias, as marcas do amor pela cozinha, vividas, hoje, em seu encantado espaço, à beira do belo pé de serra, no distrito de Jubaia, Maranguape, região habitada pelas tribos dos Jenipapo, Kanyndé e Quesito. Com a catequização dos índios pelos Jesuítas, veio a pecuária e seus frutos: a carne seca e o charque.

Como Jacamim e Ceres, Consuelo pratica o nobre ofício de preparar o divino alimento.

A Paçoca de Pilão, simples e mágica, é exemplar.

Ingredientes
-A farinha de mandioca, fruto do tubérculo nativo, fonte de energia, base da alimentação de nações indígenas
-A carne de sol, tocada pelo sal, brisa e sol, uma forma de preservar à proteína animal.
-A cebola roxa, marca dos portugueses, com suas enzimas dotadas de propriedades conservantes, auxiliam no sabor e preservação.

O preparo
No passo a passo, os segredos vão sendo desvendados. Numa panela funda e diâmetro largo (30 cm), em fogo médio, a carne de sol cortada em cubos largos é aquecida e torrada na sua própria gordura, com as bênçãos do alho e pimenta-do-reino. Em 20 minutos, a magia da cocção: as fibras ficam soltas, fáceis para futuro desfiar. Agrega-se, então, o óleo vegetal, a cebola e por fim a farinha de mandioca. Foi concluído o encontro. Ainda, no fogo, os sabores se associam, surgem os aromas do sertão.
 

Consuelo inicia sua receita com de um quilo de carne-de-sol, 100 gramas de alho picados, 100 gramas de cebola roxa picadas, 450 gramas de farinha de mandioca, uma xícara de óleo vegetal e pimenta-do-reino.

O pilão
O pilão, nascido do tronco das árvores, tem em seu formato a marca do sertão. No pilão, a união é selada; nas batidas ritmadas, a consagração. Nasce a Paçoca de Pilão, crocante, mágica, única, símbolo imaterial da nação cearense. É só degustar harmonizada com uma gelada cerveja.

Eu indico: Paulistânia é uma cerveja puro malte, lager (baixa fermentação), clara, aromática, encorpada, com balanceado amargor e ricas notas de malte.

Onde encontrar:

Paçoca Fazendinha - (85) 3261.0559 / www.fazendinhace.com.br
Cerveja Paulistânia Fortali – (85) 3392.9292 / www.fortali.com.br

Fonte: O Povo, por Fernando Barroso – 21/05/2011