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lp dado bier

Entre as novidades, o empresário aponta a nova fábrica e a adoção do conceito Food Hall
LUIZA PRADO/JC

Prestes a completar 25 anos de fundação, a Dado Bier, uma das marcas pioneiras na fabricação de cervejas artesanais no Brasil, prepara uma nova transformação em seus negócios. A empresa, que começou em 1995 como microcervejaria e casa noturna em Porto Alegre, hoje conta com dois restaurantes (um deles fechado para renovação), dois pubs com licença de marca e produz cerveja em três fábricas parceiras, em Toledo (PR), Leme (SP) e Santa Maria (RS) - essa última é onde está o parque industrial próprio da Dado Bier. No total, a empresa emprega 105 funcionários diretos.
 
No entanto, em 2020, diversificações irão surgir. Um espaço inovador de gastronomia no Shopping Bourbon Country, inspirado em empreendimentos semelhantes nos Estados Unidos e em Portugal, deve entrar em funcionamento nos próximos meses. Além disso, uma nova fábrica começará a ser construída em Três Cachoeiras (RS), expandindo a produção de 20 milhões de litros de cerveja por ano para 60 milhões. Segundo Eduardo Bier, 54 anos, fundador da empresa, o segredo para manter os negócios durante mais de duas décadas é estar sempre atento às mudanças e à inovação.
 
Jornal do Comércio - Ao longo de 25 anos, a Dado Bier investiu em uma série de negócios diferentes. A mudança é o segredo para o sucesso?
Eduardo Bier - Sempre fui muito preocupado com a questão da obsolescência dos negócios e dos produtos. É preciso entender e aceitar que as coisas não são eternas, principalmente em um momento revolucionário como o que estamos vivendo. Costumo usar uma comparação, é preciso se questionar: será que estou me transformando em um táxi e tem o Uber chegando, ou vou virar um veículo autônomo? Um exemplo é a mudança que estamos fazendo na Dado Bier do Bourbon Country. Fomos para lá há 16 anos, depois de todo o sucesso que tivemos com a primeira casa noturna, que abrimos em 1995, na avenida Nilo Peçanha, porque senti que precisávamos mudar. E, agora, após uma trajetória de sucesso no Bourbon, entendi que era preciso mudar de novo.
 
JC - Qual a transformação que está ocorrendo no espaço do Bourbon Country?
Bier - A transformação que estamos fazendo segue uma tendência que acontece mundo afora, que é a ideia do Food Hall, um espaço único que reúne as melhores opções gastronômicas de uma cidade. O primeiro projeto estruturado que vi foi em Lisboa. Vamos formar o Dado Hall, que reunirá restaurantes que irão receber startups de gastronomia e cozinhas itinerantes, bares de vinhos e drinks, microcervejaria com participação de cervejeiros artesanais locais, além de espaço para eventos culturais e working place. Também vai ter uma pegada tecnológica, com novidades nas formas de pedidos e nos meios de pagamento. A intenção é inaugurar até o início de abril.
 
JC - Outro investimento novo é a fábrica que vai ser construída em Três Cachoeiras. Como está esse projeto?
Bier - Esse é um investimento de R$ 105 milhões, que virá em duas fases, durante dois anos. A expectativa é que esteja completamente terminado no último trimestre de 2021. Com a implantação desta fábrica, teremos capacidade para produzir 60 milhões de litros de cerveja por ano. Em comparação, fechamos 2019 com produção de 20 milhões de litros. Decidimos por Três Cachoeiras devido a vários fatores. Um deles é a logística: estaremos a 150 quilômetros de Porto Alegre, mas próximos do centro da Região Sul, com bom acesso pela BR-101, garantindo facilidade de recebimento de matéria-prima e distribuição de produto acabado. Além disso, temos acesso a água do Aquífero Guarani e do rio Cardoso.
 
JC - A carreira de todo empreendedor se faz não apenas usufruindo os acertos, mas também aprendendo com os erros. Ao longo de 25 anos, vocês fizeram apostas erradas?
Bier - Tive muitos erros na minha trajetória, especialmente lançando produtos antes do tempo. Depois, passei a estudar mais o timing das coisas. Cometi poucos equívocos chegando depois, mas tive erros chegando antes no mercado. Um exemplo é a cerveja artesanal em lata, que lançamos há 11 anos. Quando lancei, fui muito criticado. Hoje em dia, é uma grande tendência entre as marcas. Já, em alguns casos, é preciso uma mudança de visão para transformar um revés em sucesso. Um exemplo é a Hop Soda, que tem uma história interessante. Havia muita resistência à cerveja sem álcool. Eu mesmo entendia que havia muitas opções ao produto (refrigerantes, sucos, energéticos), e, hoje, vejo de forma diferente. Queríamos desenvolver uma bebida com personalidade, que não fosse cópia de outra. Por muito tempo, tentamos lançar um produto à base de malte, mas as experiências foram frustrantes. Três anos atrás, o pessoal da antiga cervejaria Coruja, amigos nossos, me procurou perguntando se não eu podia voltar a pensar nesse assunto. Disse que era um "poço de frustração" essa ideia, mas me disseram para não desistir, voltar a trabalhar. Assim, em um determinado momento, encontramos outro link com a cerveja, através do lúpulo, e lançamos esta bebida, que está "se criando" com as próprias pernas, pois não investimos muita divulgação. A Hop Soda tem uma excelente aceitação e muita originalidade. É algo pequeno, mas que tem bons resultados e cresce.
 
JC - O mercado de cerveja artesanal cresceu muito na última década. Como vê a situação atual desse segmento?
Bier - Não quero falar mal da cerveja artesanal, da qual nos orgulhamos de ter sido pioneiros no Brasil. No entanto, esse nicho não tem muitos fundamentos que levem a acreditar em seu crescimento. Existe uma comparação com o mercado dos Estados Unidos que, para mim, é inadequada, devido a algumas razões. A primeira é cultural: os Estados Unidos têm uma forte presença de descendentes de irlandeses, ingleses e alemães, que tinham o hábito de beber cervejas mais encorpadas, de sabor marcante. Isso nunca foi um hábito do brasileiro. O segundo fator é climático. O Brasil é um país de clima quente, e esse tipo de cerveja tem consumo mais comum em temperaturas amenas. Mas a razão preponderante é o preço. Na Europa e nos Estados Unidos, os preços das cervejas artesanais são apenas 50% a mais do que os das marcas dominantes. Aqui, a diferença chega a ser três vezes maior. Enquanto o latão custa R$ 3,00, uma artesanal custa R$ 10,00. Ao cruzar esse dado com a renda do brasileiro e do norte-americano, você vê que não há fundamento para o avanço do mercado das artesanais. O que cresce é o número de cervejarias, mas não o de consumidores de cervejas especiais.
 
JC - O número de cervejeiros no Brasil estaria inflado?
Bier - Existe uma análise mal feita de entrantes que não representa a real dimensão desse mercado. É um nicho que vai continuar sendo nicho, como é e seguirá sendo o vinho, cujo consumo médio no País não consegue superar dois litros anuais por pessoa. O consumo médio anual per capita de cerveja artesanal no País deve ser de um litro. Já o de cerveja industrializada estava em 68 litros por pessoa ao ano. É algo incomparável. Por isso que decidimos, há alguns anos, apostar também no mercado das cervejas comuns. Vamos manter nossa atuação no nicho artesanal, onde fomos pioneiros, mas queremos participar do mercado brasileiro padrão de cervejas, que é o terceiro maior do mundo, em torno de 14 bilhões de litros. Portanto, nosso interesse é participar de todo o mercado, mas mantendo nossa posição no nicho.
 
JC - O episódio da contaminação de lotes de cerveja artesanal por dietilenoglicol em Minas Gerais, no início do ano, atingiu negativamente o segmento?
Bier - Não há dúvida que teve impacto negativo no glamour da cerveja artesanal, à sua imagem, pois, até então, não havia um questionamento qualitativo. Sempre houve o entendimento que a cerveja artesanal era de alta qualidade. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, mas é um caso raro, inédito, a Backer (cervejaria que produz a Belorizontina, marca que sofreu a contaminação) goza de uma bela reputação. Temos que esperar o resultado das investigações para ver o que realmente aconteceu, mas houve, sim, dano de imagem à cerveja artesanal.
 

Fonte: Jornal do Comércio – 28/02/2020

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