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Cerca de 4 mil litros da Soy Bier já foram produzidos desde agosto de 2020. Criador da receita conta que teve ajuda de pai agrônomo na seleção de grãos

cerveja moagem

(Foto: Reprodução/Facebook)

Uma das principais responsáveis pelo crescimento exponencial do agronegócio no país, a soja agora ganhou espaço na composição de uma das bebidas preferidas do brasileiro: a cerveja.

Sediada no Mato Grosso do Sul, Estado com a quinta maior produção da oleaginosa no Brasil, a fábrica Moagem lançou uma cerveja artesanal que tem soja na receita. A bebida foi criada para a inauguração da loja da cervejaria em Campo Grande, em agosto de 2020, mas ganhou o gosto dos clientes e já teve cerca de 4 mil litros produzidos.

“É uma cerveja muito cremosa em virtude da proteína da soja residual”, afirma Felipe Zuffo, dono da Moagem, que defende ser esse o segredo do sucesso da Soy Bier, disponível por enquanto apenas no Mato Grosso do Sul.

Para desenvolver a bebida, Felipe conta que teve a orientação de seu pai, Nilsso Zuffo, agrônomo especialista no melhoramento genético da oleaginosa. A princípio, a elaboração da cerveja com soja foi uma homenagem a Nilsso, que também é produtor do grão. “Afinal, a soja pagou minhas faculdades”, diz Felipe, que é formado em tecnologia de alimentos e engenharia da computação.

Embora a Soy Bier tenha sido lançada apenas no ano passado, o cervejeiro conta que o desenvolvimento da bebida começou há 12 anos, quando ele ainda produzia cerveja em casa. Como o sabor da oleaginosa não é muito atrativo, a Moagem investiu nas questões funcionais que um grão proteico como a soja poderia dar à bebida.

“Tivemos que estudar uma proporção e uma forma de utilizar esse insumo no processo de produção, de forma que o produto final fosse palatável e interessante”, recorda.

Visando equilibrar o gosto forte da oleaginosa, Felipe escolheu fazer uma cerveja do estilo American Lager - leve e refrescante, segundo ele. “O resultado final é uma bebida com o corpo mais avantajado e uma espuma extremamente cremosa. O que pode gerar um certo estranhamento é a turbidez do produto, que é característica da variedade”, afirma.

Questionado sobre o impacto de adicionar soja, cuja cotação vem flutuando em torno de R$ 160 por saca nos últimos meses, no preço do produto, o cervejeiro diz que não há diferenças significativas. “Por mais que a oleaginosa esteja extremamente valorizada, seu preço ainda equivale ao do malte europeu, que continua sendo fundamental na receita”, detalha.

Presidente da Aprosoja-MS, André Dobashi pondera que a atual capacidade de produção e demanda ainda são baixas, mas destaca a iniciativa de transformar commodity em um produto personalizado, artesanal e de qualidade.

“A elaboração de uma cerveja que tenha a soja como base é muito bem-vinda, levando em consideração não só as produtividades evolutivas da porteira para dentro, mas também a possibilidade de, mercadologicamente, contarmos com mais um derivado em expansão, o que pode significar muito para o setor”, observa.

Fora do tradicional

A Soy Bier não foi a primeira aposta da Moagem em produtos com ingredientes típicos de Mato Grosso do Sul. Entre as mais de 40 cervejas registradas pela fábrica, algumas levam a fruta guavira, tereré ou são envelhecidas em palo santo, madeira muito encontrada na divisa do Brasil com o Paraguai.

Na perspectiva de Felipe Zuffo, o público procura cervejas artesanais em busca de um produto que fuja ao tradicional. “Por isso, o toque regional faz a diferença. As pessoas identificam na bebida algo que lembra seu bairro, sua rotina, sua cultura, sua infância. E a gente tem esse feedback dos nossos clientes.”

Contudo, o cervejeiro admite que a Moagem, assim como outras fábricas de menor porte, não consegue competir em preço com a produção industrial em larga escala. “Não podemos ligar para o preço, e sim para ter, acima de tudo, uma qualidade absurda”, argumenta.

A dificuldade de produzir em grande quantidade também impede a cervejaria de expandir mercado para outros Estados, o que ficou ainda mais complicado com a pandemia, segundo Zuffo. “A gente tem o foco de atender o público da nossa região, mas gostaríamos de atender fora dela”, conta o empresário, que busca parcerias para expandir a fábrica.

De qualquer forma, a clientela de nicho vem garantindo bom retorno à Moagem, que produz até 9 mil litros de cerveja ao mês, quando somadas todas as variedades de bebida fabricadas.

 

Fonte: Revista Globo Rural – 08/04/2021

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