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Demoraram sete anos para que a indústria de cerveja atingisse a tão esperada marca de produção de 10 bilhões de litros. Na década de 90, os fabricantes imaginavam alcançar esse volume em 2000. O mercado andou de lado durante todo esse período, até que as vendas deslancharam a partir de 2005 e agora, depois de três altas consecutivas na casa dos 7%, finalmente, chega-se à longínqua meta.

O ano de 2007 é um marco em vários sentidos. Se confirmada, a alta prevista pelo setor entre 6,5% e 7,5% no volume será a segunda maior dos últimos 13 anos. Depois de um longo período com crescimento vegetativo, neste ano, as empresas correram contra o tempo para atender o aumento da demanda e ampliar a capacidade produtiva. E rápido.

O resultado foram aquisições de empresas para garantir o aumento da produção, como a da Cintra pela AmBev, a da Lokal pela Petrópolis e a da Nobel pela Schincariol. O alvo do momento é a Cerpa, cervejaria do Pará, que passou a ser disputada também pela Femsa (ver texto ao lado). "Houve uma necessidade clara não só de crescer, mas de aumentar a capacidade rapidamente", afirma Marcos Mesquita, presidente do SINDICERV. E entre a localização do terreno e a construção de uma nova planta são necessários pelo menos dois anos - tempo que nem todas as empresas estão dispostas a esperar.

Outro movimento bem característico de 2007: entre as quatro grandes cervejarias - AmBev, Schincariol, Femsa e Petrópolis, a corrida foi vencida por ninguém menos que a Petrópolis, dona das marcas Itaipava e Crystal. Foi neste ano que a cervejaria de apenas duas fábricas - que está construindo a terceira em Rondonópolis (MT) - ultrapassou a mexicana Femsa, dona da Kaiser.

A Petrópolis começou o ano atrás da Femsa. Em janeiro, tinha 7% e a mexicana 8,7%. Em novembro, últimos dados Nielsen disponíveis, o cenário se inverteu e a Petrópolis já estava com 8,5% e a Femsa, 7,6%. Enquanto a Femsa ainda não conseguiu fazer decolar a Sol, sua grande aposta no Brasil, a Petrópolis avançou com uma marca forte, de baixo preço. A Itaipava tem baixa rejeição e boa distribuição tanto em São Paulo, quanto no interior paulista e Rio de Janeiro. Mas é também a mais fechada de todas as empresas. Não abre qualquer tipo de número e sua expansão é acompanhada apenas pela presença nos pontos-de-vendas e pelos dados Nielsen.

O crescimento da Itaipava tem incomodado a concorrência. A compra da Cintra pela AmBev foi vista pelo mercado como um movimento para barrar a expansão da Petrópolis. A empresa, que já tinha assinado um acordo de compra e venda da Cintra, acaba de ganhar uma ação movida contra o ex-dono da cervejaria, que terá de pagar à companhia US$ 25 milhões por quebra de contrato ao vender a companhia para a AmBev, segundo decisão do Tribunal Arbitral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá.

O ganho de rentabilidade também foi palavra de ordem no ano que está para acabar. Todas as grandes investiram para ampliar seu portfólio no segmento Premium, que hoje representa 6% do mercado de cervejas. A Schincariol precisava complementar o mix com marcas de mais prestígio e comprou as micro cervejarias Baden Baden e Devassa.

A AmBev lançou uma cerveja de chocolate e ampliou o portfólio de marcas importadas. O leque, que antes contemplava principalmente as uruguaias, foi incrementado com cervejas belgas e alemãs. E a Femsa reforçou os investimentos na marca holandesa Heineken, inclusive com o recém-lançado barril de cinco litros. As empresas também engordaram os lucros na outra ponta, com a queda do dólar e a conseqüente redução dos preços dos insumos.

Os resultados das companhias refletem o ano positivo. De janeiro a setembro, segundo o último balanço divulgado, a AmBev teve um aumento do volume de vendas de cerveja de 5,6%. A receita líquida cresceu 10,7%. A Femsa divulgou em seu balanço no México que os volumes de cerveja no Brasil aumentaram 9,8% nos primeiros nove meses do ano. A empresa acaba de receber uma injeção de capital de US$ 390 milhões com a entrada do fundo de investimento Cascade, que tem Bill Gates como sócio.

A Schincariol, que fez uma reviravolta na gestão e profissionalizou a companhia com executivos vindos de várias multinacionais, registrou uma expansão das vendas de 20%, que alcançaram R$ 4,5 bilhões. A capacidade de produção atingiu 4 bilhões de litros.

A companhia está partindo para a segunda etapa da profissionalização - agora do Conselho de Administração. Serão os quatro membros da família e outros quatro de fora.

A busca está sendo feita pela empresa de headhunters Egon Zenhder, a mesma que contratou os executivos.

Para 2008, as empresas estão otimistas com os próprios negócios, mas já há quem trabalhe com uma perspectiva de crescimento mais lento da economia do que em 2007.

Fonte: Valor Econômico – 26/12/2007

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