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Para especialistas consultados pelo Guia, setor terá dificuldade para ampliar mercado enquanto "meio litro de cerveja custar R$ 50"

A democratização inerente ao conceito de cervejas artesanais em função da grande oferta de opções e sabores tem esbarrado em um fator que, inclusive, o impede de alcançar um público maior: os preços. Em um país onde a desigualdade é uma marca indesejada, os valores cobrados por uma artesanal impõem travas ao mercado consumidor dessas cervejas, que também são duramente afetadas pelas regras tributárias.

“As cervejas têm qualidade melhor, mas o preço chegou a um nível absurdo, quase impagável. Virou um produto de elite da elite. Um negócio que deveria ser acessível está se tornando inacessível. Não tem como meio litro de cerveja custar R$ 50. Tem algo errado nessa conta”, avalia Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab.

Esse é um desafio que reflete um problema conjuntural brasileiro. Fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira, Patrícia Sanches lembra a desigualdade social e a concentração do consumo em classes privilegiadas em detrimento de grande parcela da população, que não tem como pagar o preço alto e fica à margem do setor de artesanais.

“Os consumidores de cerveja artesanal têm como preocupação optar pela qualidade ao invés da quantidade, comportamento de fácil observação nas classes A e B, com difícil penetração na classe C em virtude dos preços praticados no mercado, influência direta da carga tributária e dos baixos volumes produzidos pelas nano e microcervejarias”, comenta.

Para Patrícia, esse difícil cenário foi amplificado pela crise econômica dos últimos anos, algo que forçou o público a adaptar seus hábitos de consumo a partir dos preços, sem se preocupar tanto com a qualidade.

“Inserir a cerveja nos hábitos do consumo do brasileiro vem sendo um dos grandes desafios da cadeia produtora de cerveja artesanal no Brasil. Desde a queda do poder de compra, impulsionado pela crise econômica do país, esta situação vem obrigando o consumidor a ser mais seletivo na hora de economizar e, infelizmente, as bebidas alcoólicas vêm brigando por um lugar ao sol na mesa do consumidor”, acrescenta Patrícia.

Possíveis soluções
Em uma ação para alterar esse cenário, José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira, aponta que a busca por preços mais competitivos pode ser alcançada se o setor mudar o foco. Sua ideia é que se mire totalmente o consumidor, sem esquecer das diferenças entre o público que bebe a cerveja mais tradicional e o que gosta das artesanais.

“O mercado precisa focar menos em querer crescer o número de fábricas e mais em crescer o número de consumidores. Formar cultura para ter cliente perene e não só ficar dando murro em ponta de faca, achando que vai conseguir concorrer com as grandes. O nosso mercado não é o deles. Vamos focar em criar nossos consumidores”, avalia.

Outro ponto importante é reforçar a batalha por uma matriz tributária mais adequada ao microcervejeiro, como aponta Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Os altos impostos provocam uma elevação no custo de produção das artesanais, que acaba sendo repassado ao consumidor.

Diante dessas dificuldades, há expectativa de que os novos governantes e a nova legislatura sejam conscientizados para que a lógica tributária danosa ao produtor – e também ao consumidor – seja modificada.

“O grande desafio para 2019 é buscar, junto com a nova legislatura, com os novos governantes, um ambiente melhor de negócios para a cerveja artesanal. Nossa grande conquista será quando a cerveja artesanal independente for democrática, puder estar em todas as mesas. Esse é o grande desafio”, garante Lapolli, demonstrando otimismo para 2019.

“Tenho certeza que o consumidor é o grande agente transformador do nosso setor. O consumidor está sedento por tomar uma boa cerveja artesanal, e logo logo ele terá uma por um preço mais competitivo”, acrescenta.

Com uma avaliação parecida, mas não tão otimista, Luis Marcelo reconhece que o setor de artesanais sofreu o impacto da crise brasileira nos últimos anos, o que provocou uma retração de mercado. Mas alerta que será difícil o cenário ser alterado se o preço cobrado por uma cerveja não for mais acessível.

“Os últimos dois anos foram ruins para o mercado cervejeiro, a crise foi real, impactou o setor, o consumo baixou, muito bar fechou. O mercado retraiu. Então, vai ser um ano de recuperação. Mas existe um paradoxo aí: o mercado retrair e uma lata custar R$ 50. Então, para o próximo ano, algo precisa ser visto para retomar isso”, conclui o consultor e juiz do BJCP.

Fonte: Guia da Cerveja – 03/01/2019

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