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Uma estreita estrada poderia estar no interior da Baviera, na Alemanha, mas estende-se pelo Vale da Boa Esperança, em Itaipava, distrito de Petrópolis. Leva o visitante até um prédio verde de dois andares onde funciona a microcervejaria Imperial Premium Bier, fabricante do chope e da cerveja das marcas Cidade Imperial.

Ali enquanto o "Braumeister" (mestre cervejeiro) alemão Frank Schmieder orienta empregados sobre a rotulagem das garrafas na linha de produção, o seu colega, Rafael Farinha Neto, fala sobre a Lei da Pureza alemã, segundo a qual a cerveja deve ser fabricada apenas com água, malte, lúpulo e fermento. Farinha Neto conta que a água usada para produzir o chope e a cerveja da Imperial é captada de lençóis freáticos, por um poço artesiano, a cerca de 300 metros de profundidade.

A água é um dos elementos que ajudam a compor o marketing do chope e da cerveja Cidade Imperial. Também contribuem para formar a imagem de produto especial o processo de produção, sem o uso de cereais não maltados, e a tradição de Petrópolis como centro cervejeiro. Nesta cidade serrana, em 1853, foi fundada a Cia.

Cervejaria Bohemia, onde Farinha Neto trabalhou. "Vejo estes elementos como uma combinação virtuosa", afirma o economista Francisco de Orleans e Bragança, de 51 anos. Ele é sócio e diretor da Imperial Premium Bier. O executivo, diretor de "A Tribuna de Petrópolis", um dos principais jornais da cidade, é bisneto da princesa Isabel, filha de Dom Pedro II. Em 2007, Francisco e sua mulher, Rita de Cássia Pires, que responde pela área comercial da cervejaria, comemoram dez anos do início do negócio.

A arrancada foi com uma produção modesta de chope, de apenas 7 mil litros por mês, em 1997. Com o tempo, o produto conquistou consumidores no mercado do Rio, entre os quais churrascarias, pizzarias e serviços de bufês. A estratégia da Imperial, neste décimo aniversário, estará focada em investimentos em marketing, propaganda e vendas. A empresa está contratando um gerente comercial para cuidar com exclusividade do negócio da cerveja (garrafas long neck de 355 mililitros) e vai definir a melhor forma de distribuir o produto no mercado carioca. Há duas possibilidades: montar uma rede de distribuição própria ou terceirizar o serviço. A primeira experiência de contratar uma empresa para fazer a distribuição da cerveja, em 2006, não deu certo. "O erro foi termos procurado uma empresa que vendia água para distribuir a cerveja", reconhece Orleans e Bragança. Rita diz que o foco da Imperial recai sobre o público que sabe degustar cerveja com um preço bom no segmento premium. Os clientes da fábrica incluem delicatessens e restaurantes voltados para público de maior renda.

A empresa vende a cerveja ao varejo por R$ 2,10 a garrafa. A Imperial começou a produzir cerveja, produto que se diferencia do chope por ser engarrafado e passar por pasteurização, em maio do ano passado. Para iniciar a operação, a empresa investiu 700 mil euros em uma máquina engarrafadora produzida pela alemã Krones, que financiou 40% do equipamento. A fábrica recebeu ainda, desde o início de sua operação, R$ 1,2 milhão em tanques de aço inox e equipamentos (tubulações) para produção de chope e cerveja. Os primeiros tanques foram projetados por uma empresa do Canadá e construídos por um representante dessa companhia em São José dos Campos, no Estado de São Paulo.

No total, a unidade tem capacidade de produzir 200 mil litros por mês, mas hoje opera com 60 mil litros/mês, dos quais cerca de 90% referem-se à produção de chope. "Não montamos o negócio com o propósito de vender”, diz o empresário, referindo-se ao movimento de aquisições de pequenas cervejarias por grandes companhias, como a recente compra da Baden Baden pela Schincariol. A máquina de engarrafamento tem capacidade de envasar 3,5 mil garrafas por hora. É um volume pequeno se comparado aos grandes produtores de cerveja, o que nem sempre interessa aos fabricantes de equipamentos. "Mas eu tinha lido em revistas especializadas, nos Estados Unidos, que é possível ter automação em engarrafamento de pequena escala", diz Orleans e Bragança.

Segundo ele, o engarrafamento foi um passo necessário para a Imperial fazer frente ao risco de perder clientes no segmento de chope. A produção de chope da Imperial conseguiu a fidelidade de redes de restaurantes como a Joe & Leo's, no Rio, e conquistou clientes não atendidos por grandes fabricantes. O problema, segundo Orleans e Bragança, é que, a partir do instante em que o bar ou restaurante vende dois ou três mil litros de chope por mês, passa a ser assediado por grandes produtores com quem as microcervejarias não conseguem concorrer.

Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia- Fevereiro/2007

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