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Ele passou despercebido no meio de tantos vips globais no camarote da Brahma do Carnaval do ano passado. Mas a presença de August-Busch IV no Brasil teve um grande significado. Marcou, definitivamente, que as relações hostis entre a família que hoje controla a Anheuser-Busch (AB) e o grupo que dá as cartas na InBev - capitaneado pelo trio Marcel Hermann Telles, Carlos Alberto Sicupira e Jorge Paulo Lemann- eram coisa do passado.

A prova de que a relação entre os dois grupos vai muito bem não é visível só na folia. No ano passado, a AB fechou um acordo com a InBev que dá à americana exclusividade de importação, distribuição e venda de marcas premium nos Estados Unidos. O negócio foi fechado em novembro, mas começou na prática no último dia 1º. Também no ano passado, a InBev vendeu à AB por US$ 82 milhões sua cerveja americana Rolling Rock. As parcerias entre as duas não param por aí: no Canadá, o maior mercado para marcas da Anheuser-Busch depois dos EUA, a Budweiser (marca líder da AB) é fabricada e distribuída pela Labatt, subsidiária da AmBev, controlada pela InBev. Criada em 1850, a Anheuser-Busch vive um momento de transformação.

A empresa, que é controlada pela família Busch (que tem cerca de 5% das ações e é também dona dos parques temáticos Busch Gardens), tomou no ano passado uma série de medidas para recuperar a cotação de suas ações, que vinham em franco declínio. Além do acordo com a InBev, que ampliou a capacidade de competição da AB, fez parceria com as marcas de cerveja Grolsch, Kirin e Tiger e passou a distribuir bebidas energéticas da Hansen Natural, inclusive a marca Monster, na tentativa de surfar na onda da geração saúde. Também cortou custos, obtendo uma redução de US$ 100 milhões no ano. Fora da área operacional, adotou um programa de recompra de ações e fez mudanças estratégicas. August-Busch IV, de 43 anos, tataraneto do fundador, assumiu o cargo de presidente e executivo-chefe da companhia.

As mudanças já surtiram efeitos, ainda que tímidos. As vendas líquidas no ano passado subiram 4,5%, com crescimento inclusive no mercado doméstico americano, de 1,2%. Na tentativa de se manter na liderança, a Anheuser-Busch decidiu ainda procurar ajuda externa. Está em fase de contratação de um banco de investimentos para assessorá-la em uma estratégia de proteção. Não quer ficar vulnerável a um ataque (uma tomada hostil em bolsa, por exemplo), ao mesmo tempo em que pretende gerar mais valor ao acionista para que seu valor de mercado se recupere. "Busch IV é um sujeito interiorano, com pouca exposição mundial, que tem prestado bastante atenção no que os bancos apresentam", diz um consultor com acesso à AB. Mesmo antes de fechar a contratação de um assessor financeiro, a cervejeira adotou uma medida preventiva: aprovou um aumento de seu endividamento, de forma a tornar a empresa menos apetitosa a um "takeover" (tomada) hostil, que está em voga principalmente no negócio das siderúrgicas.

Para o consultor, o fato de a InBev ter hoje um valor de mercado muito próximo ao da Anheuser-Busch (US$ 40,7 bilhões e US$ 38,7 bilhões, respectivamente) torna uma tomada hostil mais difícil. "Seria como a CSN engolir a Corus. Não é impossível, mas exige uma alavancagem, um endividamento muito grande, com impacto em classificação de risco e no custo de captação", diz. Por isso, ele crê que o melhor é buscar uma transição amigável e, para a InBev, pode ser melhor ganhar tempo, já que seu crescimento tem sido muito maior do que o da concorrente. Um banqueiro de investimentos, que preferiu não se identificar, disse que uma fusão entre a AB e a InBev é algo que tem "grandes chances de acontecer um dia". "Só não sei se isso é para já porque há um entrave nisso tudo: o pessoal da InBev gosta de ter o controle, como pudemos observar na fusão entre AmBev e Interbrew."

Na época do acordo entre a belga e a brasileira, segundo ele, todos interpretaram que a européia havia comprado a AmBev. "Mas basta ver o que aconteceu. Hoje, quem dá as cartas são os brasileiros", diz. A InBev não está sozinha no jogo pela AnheuserBusch. Além dela, segundo apurou o Valor, estão interessadas na AB a sul-africana SAB Miller, com quem a Anheuser-Busch tem uma boa relação de longa data, e a Diageo, fabricante, entre outros, do uísque Johnny Walker e da vodca Smirnoff - destilados que vêm ganhando espaço no mercado norte-americano. Para a InBev, além do domínio no mercado americano, uma fusão com a Anheuser-Busch permitiria que a empresa avançasse sobre o promissor mercado mexicano. Naquele país, a AB detém cerca de 50% da Modelo, fabricante da Corona, a cerveja número um do México. AModelo tem 56% do mercado de cervejas do país, em uma disputa acirrada com a Femsa, que em janeiro de 2006 adquiriu a Kaiser no Brasil. No ano passado, o brasileiro Carlos Brito, presidente-executivo da InBev, disse a um pequeno grupo de repórteres que estava de olho em oportunidades no México, na Colômbia e na Índia. "Não subestimaria esse pessoal. O Marcel (Telles, um dos sócios principais) sempre disse que 50 euros era um número mágico para a ação da InBev, no tocante a possibilidades de novos negócios", diz um amigo próximo a ele.

A ação superou a barreira dos 50 euros na semana passada e não baixou desse patamar desde então. A experiência que Lemann, Sicupira e Telles e sua equipe estão adquirindo no exterior deve ser replicada a médio prazo em outro investimento do grupo: Lojas Americanas. Depois de se fundir com Submarino e adquirir a Blockbuster, a empresa deve partir para o exterior. Se conseguirem repetir a performance da InBev, não se deve descartar, no futuro, uma oferta por uma Amazon ou outro ícone americano de varejo. Foi-se o tempo em que empresas de mercados emergentes eram apenas caça para grupos de países desenvolvidos.

Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia - Fevereiro/2007

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