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Mesmo com a turbulência inicial, marcas afirmam que os projetos de expansão seguem a todo vapor em 2020

alexandre bruzzi krug bier herwig gangl

Rodrigo Ferraz, sócio-fundador da Cervejaria Albanos: "O público tem de ter a consciência de que a legislação que existe para cervejaria artesanal é a mesma que existe para uma cervejaria de grande porte" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)

O ano começou tenso para quem curte tomar uma cerveja artesanal. A principal cervejaria do tipo no estado, a Backer, eleita em 2019 a melhor do país no Concurso Brasileiro de Cervejas, foi acusada de vender bebida contaminada por substância tóxica. Até o fechamento desta edição, seis pessoas haviam morrido e a principal suspeita era de que as mortes haviam sido causadas pela ingestão de dietilenoglicol presente em garrafas de Belorizontina. A notícia ganhou repercussão nacional e internacional. Não é para menos. Trata-se do único caso no mundo envolvendo contaminação pela substância em cervejas. E olhe que a bebida é produzida e consumida desde a Antiguidade. Polícia Civil e representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seguem investigando a história, que pelo visto está longe de ter um capítulo final.

É natural, portanto, que o episódio tenha deixado alguns consumidores apreensivos, questionando se haveria o risco de o caso se repetir com rótulos de outras cervejarias artesanais. Por causa disso, fábricas mineiras correram para se posicionar e tranquilizar os amantes da união de água, malte e lúpulo. Não, não há chances de o episódio de contaminação se repetir em outras cervejarias. Segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), de 200 fábricas contatadas, no Brasil inteiro, apenas 1,5% informou usar o monoetilenoglicol - substância com grau de toxicidade menor que o dietilenoglicol, que teria causado as mortes. Esses compostos químicos podem ser usados para resfriar o mosto, que é a cerveja antes de ser fermentada. A rigor esses produtos não entram em contato com a bebida. A grande maioria das empresas usa no processo de resfriamento álcool, propilenoglicol e outros compostos considerados "alimentícios". Ainda que entrassem em contato com a bebida, não causariam prejuízos à saúde humana. O Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG), alinhado com a Abracerva, solicitou ao Ministério da Agricultura o banimento do monoetilenoglicol e dietilenoglicol do processo de produção da bebida. A reivindicação ainda está sendo estudada pela pasta.

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Alexandre Bruzzi (à esq.), sócio da Krug Bier, com Herwig Gangl: "O paladar do cervejeiro está mais apurado. Hoje, ele quer entender o que há por trás da bebida. E a cerveja artesanal é para se beber menos, mas com mais qualidade"(foto: Geraldo Goulart/Encontro)

O desenrolar das investigações do "caso Backer" vem mostrando que esse é um episódio isolado e pontual. No início de fevereiro, a Abracerva informou que o Ministério da Agricultura examinou cerca de 100 rótulos de cervejas disponíveis no mercado de Minas Gerais e em nenhuma delas foi constatada a presença de compostos tóxicos. "O público tem de ter a consciência de que a legislação que existe para a cervejaria artesanal é a mesma que existe para uma cervejaria de grande porte", afirma Rodrigo Ferraz, sócio-fundador da Cervejaria Albanos, e envolvido com o setor desde a década de 1990. Marco Falcone, sócio da Falke e diretor da Abracerva, complementa: "O nosso público é muito maduro e sabe dos cuidados que temos com a nossa produção. Nossa indústria é comparada às melhores cervejarias do mundo". 

Presidente da Abracerva, Carlo Lapolli reafirma que o caso foi preocupante, porém, isolado. "E o mercado está entendendo isso. Não registramos queda nas vendas e o consumidor vai continuar impulsionando esse crescimento", afirma. A reportagem de Encontro entrou em contato com alguns bares e distribuidoras da cidade que comercializam rótulos de cervejas artesanais. Apesar do baque inicial, nenhum constata impacto negativo nas vendas atualmente. "Nossos números continuam imutáveis. Os clientes perguntam sobre o caso da Backer, mas não deixam de consumir outros rótulos", diz Lucas Zacharias, sócio do Bar Protótipo, em Santa Tereza. De acordo com ele, o estabelecimento vende cerca de 3 mil litros por mês de mais de 60 rótulos de cervejas artesanais.  

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Fernando Cota, sócio da Prussia: "O cenário está mudando e o mercado está ficando mais maduro pois quem entra já vem com uma visão empresarial"(foto: Alexandre Rezende/Encontro)

A cada ano, cresce o número de consumidores que desejam desbravar o mundo das artesanais. Na mesma toada, o setor cervejeiro de Minas Gerais vem amadurecendo. E os números impressionam. De acordo com Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, 2019 fechou com 1189 cervejarias no país, o que corresponde a um crescimento de mais de 30% em relação a 2018. O estado é o terceiro do ranking em número de fábricas. São 159 ao todo, atrás de Rio Grande do Sul (233) e São Paulo (243). Em relação a 2018, Minas deu um salto de quase 40% no número de empresas do setor operando. No estado, as fábricas projetam crescimento para 2020, a exemplo do que já vinha acontecendo nos últimos cinco anos, período no qual se registrou média de 20% a 25% de incremento de um ano para o outro.  

O austríaco Herwig Gangl, sócio-fundador da Krug Bier, uma das precursoras do setor no estado, afirma que o mercado cervejeiro artesanal ainda tem muito o que crescer. "Agora, nosso papel é mostrar para o consumidor que a cerveja continua sendo uma bebida segura, o que é constatado nos últimos 8 mil anos", diz ele, que abriu a Krug em 1997. Atualmente, a cervejaria com sede no Jardim Canadá é a que registra maior capacidade de produção: 400 mil litros por mês - a Backer produzia 800 mil litros por mês, mas teve a fabricação paralisada. A média atual da Krug foi fruto da última expansão pela qual a fábrica passou e que consumiu pelo menos 3 milhões de reais. A empresa, inclusive, foi a primeira cervejaria a fincar bandeira no bairro de Nova Lima, em 2005. Antes, a bebida era produzida em um galpão no Belvedere, que acabou ficando pequeno. "Nossa rua era de terra ainda", lembra Alexandre Bruzzi, sócio na cervejaria, sobre o cenário que encontraram no Jardim Canadá. De lá para cá, o bairro virou Polo Cervejeiro, com pelo menos 17 fábricas. Agora, a meta da Krug é escancarar as portas de seu galpão para os clientes. "Vamos promover uma experiência diferente para os nossos consumidores", afirma Alexandre, preocupado em oferecer maior transparência para os fãs.

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João Paulo Figueiredo, sócio da Artesamalt, maior indústria cigana do estado: "Somos prova desse crescimento do mercado. Com pouco capital de giro, as empresas podem produzir. Não precisam ter estrutura própria"(foto: Alexandre Rezende/Encontro)

Impulsionar a cultura cervejeira artesanal sempre foi um mantra para Marco Falcone, sócio-fundador da Falke. Ele começou a fazer cerveja ainda na panela, de modo caseiro, na década de 1980. Apaixonou-se pela experiência. Viajou para a Europa e começou a estudar as etapas de produção da bebida. Quando retornou a BH não teve dúvidas e abriu, em 2004, com seus irmãos, Ronaldo e Juliana, a Falke. "Começamos a conquistar um público que não queria apenas beber, mas entender a cultura cervejeira. Assim, começamos a realizar cursos", diz Falcone, vice-presidente do SindBebidas-MG, e uma das referências do setor no estado. Na fábrica, no Condomínio Vale do Ouro, em Ribeirão das Neves, os sócios esperam terminar 2020 com o salto na produção de 35 mil litros para 60 mil litros por mês. Lá, são produzidos 11 rótulos de garrafas e mais quatro que ficam armazenados em barris. Ano passado, foi inaugurado o primeiro bar da cervejaria, a Casa Falke, na rua Major Lopes, no bairro São Pedro, que oferece 15 torneiras de chope da marca.

Marcas tradicionais ampliam a quantidade de estilos produzidos. Em 2018, o Albanos, por exemplo, escreveu um novo capítulo em sua história. De casa que fazia apenas o chope Pilsen (estilo mais consumido no país), a empresa de Rodrigo Ferraz foi transformada em plataforma cervejeira. Agora, além de saborear pelo menos sete tipos diferentes da bebida, no endereço da Pium-í, no Sion, os clientes têm a oportunidade de mergulhar no universo da cerveja. "A Plataforma Albanos veio para fortalecer a cultura cervejeira. Oferecemos fábrica, bares, cursos, expedições cervejeiras e conteúdos sobre o assunto", diz Rodrigo. Com a novidade, a empresa experimentou em 2018 crescimento de 50% na produção. Este ano, o Albanos deve expandir a distribuição dos rótulos em supermercados, inclusive em estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. 

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Marco Falcone, sócio da Falke: "Começamos a conquistar um público que não queria só beber, mas entender a cultura cervejeira"(foto: Geraldo Goulart/Encontro)

O ano de 2020 tem tudo para ser especial também para a Küd. A cervejaria, com sede no Jardim Canadá, completa uma década de história. A exemplo de muitas fábricas, o sócio Bruno Parreiras começou fazendo a bebida em casa, ao lado de amigos (sempre ao som de muito rock’n’roll). De hobby, a produção virou obrigação, já que os amigos aprovaram o resultado da empreitada. Hoje, a Küd, que produz cerca de 30 mil litros, já emplacou 32 rótulos, que primam pela ousadia e experimentação. "Temos outros na manga", avisa Bruno, que também é presidente do SindBebidas-MG. Para ele, a procura pelas artesanais não esfriou por causa do episódio da Backer, mas cada vez mais "é preciso trabalhar para mostrar que as cervejarias lançam mão de processos seguros". 

Como a Küd, é comum que muitas marcas nasçam de maneira despretensiosa. Foi o caso da Capapreta criada em 2013 por Lucas Godinho. As primeiras brassagens (nome dado à mistura dos ingredientes para produzir a cerveja) realizadas no sítio da família em Nova Lima rendiam 200 litros por mês. Mas a coisa ficou séria. Lucas viu que poderia participar de um mercado em franco crescimento. E assim fez. Hoje, a cervejaria é uma das que mais crescem no estado. A produção mensal gira em torno de 30 mil litros. Até o meio deste ano deve ser concluído um investimento de 1,5 milhão de reais em novos processos, equipamentos e inovação. O incremento deve aumentar a produção para 50 mil litros por mês. A marca tem uma peculiaridade. Lucas e seus sócios fizeram da cervejaria a primeira do estado a migrar 100% para as latas. Além disso, possuem bares - os chamados tap houses - não apenas na região de BH e Nova Lima, mas no Rio de Janeiro e em São Paulo. "BH é um polo pulsante, e a artesanal tem ganhado acessibilidade. Há três ou quatro anos, era item de luxo, com acesso difícil. Hoje não mais. O mercado continua crescendo", diz Lucas. 

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Bruno Parreiras, sócio da Küd: "Queremos nos abrir cada vez mais para nosso público. É preciso trabalhar para mostrar que as cervejarias lançam mão de processos seguros"(foto: Alexandre Rezende/Encontro)

O otimismo em relação ao mercado tem levado as cervejarias a planejamentos ousados. Com um bar no Vila da Serra, um galpão no Jardim Canadá e um Growler Station no Sion, a Sátira, fundada em 2015, deve inaugurar dois novos pontos na Grande BH. Há planos de lançar ainda um projeto de franquias e de comercializar em outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além do Distrito Federal. Na capital mineira, pretende entrar em supermercados com suas latas, recém-lançadas. "A cerveja artesanal está ficando mais comum, mais presente na rotina, na vida das pessoas", diz o sócio-fundador, Eduardo Gomes. Ele concorda que o mercado (que representa entre 1% e 3% do segmento, a depender do levantamento) ainda tem margem para muita expansão. Há, no entanto, duas barreiras a serem superadas. "Além da grande concorrência - entre as marcas artesanais e também com as cervejas especiais produzidas pela grande indústria -, a gente luta contra a informalidade e a tributação excessiva", diz.

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Lucas Godinho, sócio-fundador da Capapreta: "É um processo de crescimento natural. Com o tempo, vamos ganhando o mercado, espalhando a cultura, trazendo consumidores. Quem prova a artesanal entende o valor"(foto: Violeta Andrada/Encontro)

Segundo Marcelo Paixão, sócio da Verace, nos Estados Unidos (onde o mercado artesanal representa cerca de 25% do segmento), o governo percebeu o crescimento do setor e repensou a questão tributária, o que ajudou a alavancar a produção. "É praticamente inviável uma empresa pagando de 40% a 60% de imposto, como é o caso aqui", afirma. Ainda assim, a cervejaria, criada em 2016, projeta a terceira expansão para o ano que vem. A ideia é aumentar a capacidade, que hoje é de 80 mil litros, para 120 mil litros por mês. De 2018 para 2019, a cervejaria comemorou o crescimento de 40%. "Se fizermos esse paralelo entre Brasil e Estados Unidos, guardadas as devidas proporções, ainda é possível crescer muito", diz. 

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Eduardo Gomes, sócio da Sátira: "Não temos dúvida de que a cerveja artesanal ainda tem muito a crescer. Ela já está ficando mais comum, mais presente na rotina, na vida das pessoas"(foto: Violeta Andrada/Encontro)

O interior do estado também oferece bons exemplos desse mercado. A 87 quilômetros de Belo Horizonte, está a fábrica da Prussia. Ela começou a nascer de forma bem semelhante à de outras cervejarias. Fernando Cota, um dos sócios, em viagem pela Europa, experimentou vários rótulos de cervejas artesanais. Retornou para casa em 2008 e viu que o mercado estava para explodir. E mais, BH ainda não oferecia muitos lugares para degustar as cervejas. Ele, então, convocou dois amigos, os irmãos Douglas e Railton Vidal, para a empreitada. Em 2014, surgiu a Prussia, depois de Fernando mergulhar nos estudos de teoria e prática cervejeira. No ano seguinte, a marca já estava no festival Experimente, geralmente realizado no Jardim Canadá, em Nova Lima. "O cenário está mudando. O mercado está ficando mais maduro, pois quem está entrando já vem com uma visão profissional. Não é só fazer uma cerveja boa", diz. A capacidade atual é de 11,5 mil litros por mês, mas após a expansão da fábrica, já em curso, dará um salto para 77 mil litros mensais.  

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Marcelo Paixão, sócio da Verace: "É legal ver o tanto que a cerveja artesanal está ganhando força, ver como lugares que tinham contrato com bebidas tradicionais, hoje, estão mudando para artesanais"(foto: Violeta Andrada/Encontro)

Um outro mercado que se abriu foi o de cervejarias ciganas. Como o próprio nome sugere, são cervejeiros que não possuem fábricas próprias. Dessa forma, muitas empresas cedem os seus espaços para os microcervejeiros. Esse potencial foi visto pelos fundadores da Artesamalt, aberta em 2006. A marca produzia 10 mil litros por mês e, em 2015, os sócios decidiram expandir a fábrica, que fica em Capim Branco, a 54 quilômetros de BH, justamente para abrigar as tais cervejarias ciganas. "Somos prova desse crescimento do mercado. Com pouco capital de giro, as empresas podem produzir suas cervejas. Não precisam ter estrutura própria e podem investir na marca e em marketing, outros quesitos também importantes", diz João Paulo Figueiredo, sócio-proprietário da Artesamalt. Atualmente, a produção na cervejaria é de 60 mil litros mensais, dos quais 30% são da bebida própria - que é vendida para cidades no interior de Minas. Trata-se da maior indústria cigana do estado, onde são produzidos mais de 600 rótulos de marcas variadas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso. "Não só BH tem potencial para ampliação do mercado consumidor. Ainda que a capital seja mais pujante nesse sentido, também as cidades do interior têm esse nicho. O mineiro gosta de cerveja. E cerveja de qualidade." E não é um caso isolado que vai acabar com essa paixão.

O caso Backer

paula lebbos backer
A empresária Paula Lebbos, sócia da cervejaria mineira Backer: "Nossa força vem do desejo de zelar pelo bem estar dos consumidores"(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)


Em duas décadas de história, a cervejaria Backer alcançou um patamar invejado por muitas fábricas. Antes da produção ser paralisada por causa da suspeita de contaminação por dietilenoglicol - que, até o fechamento desta edição, teria causado a morte de seis pessoas - a empresa, com sede no bairro Olhos D’Água, era a responsável por quase metade do volume de cerveja artesanal produzido no estado, cerca de 800 mil litros mensais. Entre os inúmeros prêmios, o de maior destaque foi o de Melhor Cerveja do Brasil, na categoria Grande Porte, em 2019, no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau. Ao colunista de Encontro Gui Torres, a sócia da cervejaria, Paula Lebbos, concedeu entrevista por e-mail, no início de fevereiro.

Há pouco mais de um mês explodiu a história da cerveja contaminada com a substância tóxica. De lá para cá, sua vida virou do avesso. Como tem sido essa nova rotina e o que tem feito para aguentar toda essa pressão?

Nossa especialidade sempre foi produzir e comercializar cerveja, mas agora estamos nos adaptando para atender a todas as exigências das autoridades. Além disso estamos trabalhando para trazer respostas aos nossos clientes e garantir a segurança dos nossos processos e a qualidade dos nossos produtos. Não tem sido fácil, mas nossa força vem do desejo de zelar pelo bem estar dos consumidores, que sempre foram nossos maiores parceiros.

Conhecendo a fábrica e todos os processos de produção profundamente, você já conseguiu imaginar como o dietilenoglicol foi para dentro das garrafas de cerveja? Algumas das hipóteses levantadas te traz alguma luz para o mistério?

Neste momento, não descartamos nenhuma hipótese. Somos os principais interessados no esclarecimento dos fatos, uma vez que o dietilienoglicol não faz parte de nenhum de nossos processos e nunca adquirimos essa substância. Por isso esperamos que as investigações encontrem respostas o quanto antes. Inclusive, contratamos uma perícia particular para realizar testes complementares e contribuir com o trabalho das autoridades.

Sobre os clientes infectados com a substância, você diz estar envolvida no momento em conversar com eles. Essas visitas aconteceram? Como foi recebida? Você chegou a ir até os hospitais também?

Conheci pessoalmente alguns dos pacientes com suspeita de intoxicação e fui extremamente bem recebida. Estamos nos organizando para acolher essas pessoas da melhor forma possível. Minha intenção é realizar mais visitas. Mas, para que eu tenha acesso a esses atingidos, é importante que eles entrem em contato por meio dos canais que divulgamos, uma vez que seus dados são confidenciais.

A Backer tinha muitos planos para 2020. No final do ano vocês abriram o bar de gim no Templo Cervejeiro e também há um restaurante pronto para ser aberto no BH Shopping. Algum projeto importante ou plano de expansão será freado para este ano?

Nos últimos dois anos vivenciamos um crescimento de 50%. Tínhamos, sim, e ainda temos, grandes planos para este ano. Nosso foco é encontrar as respostas e voltar a produzir o mais rápido possível em resposta aos nossos consumidores, parceiros e pessoas que nos cobram isso. O apoio dos nossos clientes e parceiros é o que tem nos dado forças neste momento. Descobrir que construímos um legado positivo, que somos uma marca forte e com grandes valores é gratificante, ainda que em momento tão delicado.

Você diz que ainda tem grandes planos para este ano. Quais seriam eles? Você tem plena convicção de que a companhia voltará a operar?

Sim. Nosso objetivo é retomar as atividades assim que tivermos a certeza de que está tudo correto e seguro em nossos processos e produtos. Nesse momento buscamos respostas e contamos com as investigações para que tudo seja explicado o quanto antes. A Backer é a principal interessada na resolução desse episódio.

Qual foi o pior momento nesses pouco mais de 30 dias?

Todos os momentos estão sendo muito difíceis para toda a família Backer. A ausência de respostas é muito frustrante para todos. Queremos encontrá-las o quanto antes para falar com nossos consumidores e para voltarmos a oferecer para eles as nossas cervejas, com toda a qualidade que sempre primamos. Enquanto isso, seguimos colaborando com as autoridades e fazendo tudo o que está ao nosso alcance e nos é permitido fazer.

Conheça as principais cervejarias artesanais mineiras:

Albanos

  • Fundada em 1996, como choperia
  • Produção atual: 150 a 200 mil litros/mês
  • Planos futuros: ampliação da distribuição das cervejas em supermercados de BH e outras cidades, além de outros estados como Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e o Distrito Federal

Krug Bier

  • Fundada em 1997
  • Produção atual: 400 mil litros/mês
  • Planos futuros: Os proprietários estão finalizando a expansão da fábrica e pretendem abri-la para visitação

Prussia

  • Fundada em 2014
  • Produção atual: 11,5 mil litros/mês
  • Planos futuros: após finalizar a expansão da fábrica, a empresa terá capacidade de produzir 77 mil litros/mês. Os proprietários pretendem investir em cervejas enlatadas ainda este ano e participar da produção de cervejas coletivas

Artesamalt

  • Fundada em 2006
  • Produção atual: 60 mil litros/mês, dos quais 30% de cerveja própria
  • Planos futuros: incrementar a distribuição do gim lançado no ano passado. Em 2019, a marca incorporou uma destilaria no parque de produção

Falke

  • Fundada em 2004
  • Produção atual: 35 mil litros/mês
  • Planos futuros: Os sócios pretendem ampliar a produção para 60 mil litros/mês até o fim do ano

Küd

  • Fundada em 2010
  • Produção atual: 30 mil litros/mês
  • Planos futuros: levar os clientes para a fábrica, por meio de produções assistidas. Os sócios também pretendem relançar estilos sazonais

Capapreta

  • Fundada em 2013
  • Produção atual: 30 mil litros/mês
  • Planos futuros: ainda em 2020, concluem um investimento de cerca de 1,5 milhão de reais, iniciado no ano passado, destinado a inovação, novos processos, novos equipamentos e incremento de volume para chegarem em 50 mil litros por mês

Sátira

  • Fundada em 2015
  • Produção atual: 35 mil litros/mês
  • Planos futuros: os proprietários devem dobrar a produção até o final de 2020, lançar projeto de franquias, expandir as vendas para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiás, além de abrir duas novas Casas Sátira na Região Metropolitana de BH

Verace

  • Fundada em 2016
  • Produção atual: 80 mil litros/mês
  • Planos futuros: os sócios preparam-se para o terceiro projeto de expansão, a ser realizado em 2021, quando a capacidade de adega chegará a 120 mil litros/mês

 

Fonte: Revista Encontro – 17/02/2020

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