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Exatos cinco anos depois da sua chegada ao Brasil, a Molson Coors encerra, definitivamente, sua conturbada participação no mercado brasileiro de cervejas. Sem anúncio oficial ou alarde, a empresa canadense vendeu os 15% de participação que ainda detinha na Kaiser para a mexicana Femsa por US$ 16 milhões. Embora já tivesse recebido US$ 68 milhões da Femsa em janeiro do ano passado pela venda de 68% da Kaiser, o valor total que a Molson Coors recebeu é irrisório perto dos pesados investimentos que a cervejaria fez no Brasil.

A canadense Molson - que na época ainda não havia feito a fusão com a americana Coors - comprou a Kaiser em março de 2002 por US$ 765 milhões, depois de ter adquirido a Bavária da AmBev por US$ 190 milhões. Na época, comprou uma participação de mercado de 15% de Kaiser - à frente de Antarctica e Schincariol - e de pouco mais de 3% de Bavária. Depois de sucessivas perdas, a empresa endureceu o discurso após a chegada da Coors - forte oponente da participação da cervejaria no Brasil. Em maio de 2005, chegou a dar baixa contábil no balanço e anunciou que não colocaria mais um centavo na operação brasileira - sinalizando que venderia o negócio. A venda para a Femsa foi fechada em 17 de janeiro de 2006 por US$ 68 milhões.

A participação de mercado total da companhia, somando as marcas Kaiser e Bavaria, era de 9% na época e hoje é de 8,8%. A justificativa dada pela Molson Coors para a sua saída do Brasil - segundo o balanço da Femsa - é que o país "não é mais uma parte fundamental de sua estratégia de negócios". Em seu balanço, a Molson Coors, limita-se a dizer que vendeu as operações no Brasil por US$ 16 milhões e que reportou uma perda líquida de US$ 12,9 milhões "pelo aumento na compensação da proporção das garantias de indenização relacionadas ao negócio Kaiser, pelo qual a empresa é responsável". Trata-se da indenização de passivos contingenciais inerentes a esse tipo de negociação. Ainda de acordo com o balanço da Femsa, os atuais arranjos comerciais entre as duas cervejarias no México e Reino Unido não foram afetados pela decisão da cervejaria de deixar o mercado brasileiro.

Desde 2004, a Femsa tem um contrato de longo prazo com a Molson Coors para ser distribuidora exclusiva da Coors Light no México. A saída da Molson aconteceu porque a Femsa precisava de um pesado aporte de capital. No quarto trimestre, a Femsa fez um aumento de capital no valor de US$ 200 milhões na operação brasileira e queria a participação dos sócios - Heineken e Molson Coors. Segundo o Valor apurou, a Molson Coors julgou complicado explicar aos acionistas um investimento na casa de US$ 30 milhões depois de todas as perdas que já teve no Brasil.

Quando a Femsa comprou a Kaiser, a Molson ficou no negócio por dois motivos: a permanência de um membro no conselho que monitorasse as contingências tributárias e a intenção de testar Coors Light no Brasil. Mas preferiu sair definitivamente do negócio. A holandesa Heineken também não participou do aumento de capital e, por conta disso, teve sua participação, que era de 17%, diminuída. Nos balanços, não foi informado o tamanho atual dessa fatia da Heineken. "A acionista Heineken não participou neste aumento de capital. Entretanto, a empresa tem opção para elevar sua participação acionária na empresa até o patamar que possuía anteriormente, de 17%, nos próximos meses, sob os mesmos termos econômicos do aumento de capital", divulgou a Femsa no balanço.

A Heineken ainda está negociando com a Femsa como ficará a sua participação na operação brasileira. A situação da companhia, porém, é diferente da Molson. Além de ter a sua cerveja Heineken produzida e distribuída no mercado brasileiro, a cervejaria holandesa é responsável pela distribuição e venda da marca Sol, da Femsa, nos Estados Unidos. E as exportações de Sol para os EUA estão aumentando sensivelmente.

Os US$ 200 milhões colocados pela Femsa na operação brasileira foram necessários em função dos fortes investimentos que a cervejaria tem feito com a marca Sol e também por conta dos débitos financeiros que assumiu ao comprar a Kaiser. Como pagou um valor baixo pela empresa (US$ 68 milhões) em algum momento, a Femsa teria que fazer um grande aporte para as contingências. "A injeção de capital representou o passo final na capitalização da empresa, fortalecendo significativamente seu balanço patrimonial e criando a base financeira para buscar os objetivos de negócios das operações brasileiras da Femsa", disse a empresa no balanço.

Em conferência com analistas, o diretor de relação com investidores da Femsa, Juan Fonseca, disse nesta semana que pretende investir outros US$ 30 milhões na operação brasileira, mas não deu detalhes. Na tentativa de alavancar a marca Sol, a Femsa lançou em 01 de março embalagens long neck de 250 mililitros apenas nos supermercados. O principal atrativo do produto é o preço: entre R$ 0,75 e R$ 0,79, contra uma média de R$ 1,10 da long neck de 350 mililitros. A Femsa trabalha fortemente com embalagens menores no México. Lançada em outubro, Sol está com participação de mercado de 0,8%.

Fonte: Valor Econômico - Empresas & Tecnologia - Março/2007

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