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Cervejarias artesanais consultadas pelo Guia relatam cenário de crise provocada pela pandemia do coronavírus

O mercado cervejeiro brasileiro, assim como toda a economia, está recebendo o impacto pela paralisação das atividades causada pela pandemia da Covid-19. O fechamento dos pontos de venda (PDVs), como bares e restaurantes, e o isolamento das pessoas em casa detonaram uma crise sem precedentes nas artesanais do país.

As empresas não estão impedidas de produzir, comercializar e entregar a bebida, uma vez que a cerveja está incluída nos decretos que liberam atividades básicas durante a quarentena. Porém, as fábricas estão sem o varejo para escoar a produção. Além disso, muitos PDVs não estão pagando pelos rótulos que haviam comprado antes da crise, gerando um forte impacto no caixa.

Mesmo as cervejarias que conseguiram estabelecer processos de delivery eficientes relatam dificuldades por causa da queda na demanda. A renda de boa parte das pessoas diminuiu – e quem não teve redução de rendimentos está cauteloso, em função da recessão provocada pela crise. Muitas delas, então, cortaram o consumo e compra de cervejas artesanais.

Além disso, há a responsabilidade social das marcas com a saúde das pessoas. A própria Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) orientou, em nota, ser “extremamente importante que as empresas tomem extrema precaução para a prevenção de contaminação de seus colaboradores e clientes” nesse momento de crise.

Diante disso, o cenário da cerveja artesanal no Brasil é preocupante. Para conhecer detalhes da situação, entender como as marcas estão agindo e saber das expectativas, o Guia ouviu diretamente empresários e executivos de 14 cervejarias do país durante a crise. Os depoimentos desses profissionais estão a seguir e retratam a realidade do segmento.

Berggren Bier – Nova Odessa-SP
Robson Vergílio – Gerente comercial e de marketing
“Ainda não fechamos o primeiro mês de pandemia, mas acreditamos em uma queda de 75% no volume total de vendas. Estamos trabalhando para desenvolver uma nova experiência para nossos clientes, através de delivery e take aways junto à nossa rede de distribuidores”.

De Halve Maan – Bruges-Bélgica
Marcel Ocampo – Diretor da De Halve Maan Brasil
“O impacto é bastante negativo para nossa empresa. A gente pensa em manter o time completo para assim que a crise acabar, voltar com força total. Estamos internamente trabalhando bastante na questão de gerenciamento de clientes, nos softwares internos para entender como foi o movimento de cada cliente e poder ganhar tempo assim que o mercado for restabelecido”.

DeBron Bier – Jaboatão dos Guararapes-PE
Thomé Calmon – Sócio-diretor
“As vendas convencionais reduziram para zero. O delivery de cerveja tem se comportado bem. Infelizmente, ações de desligamento têm sido feitas para redução dos custos fixos, pois as iniciativas governamentais ainda não chegaram na ponta e a empresa não consegue esperar. Imaginamos que os negócios retornem em junho, provavelmente com 50% do volume que tinham”.

Dortmund Bier – Serra Negra - SP
Marcel Longo – Diretor e proprietário
“A inadimplência subiu assustadoramente e o consumo caiu a ponto de termos dado férias coletivas aos funcionários, com exceção do cervejeiro. Estamos completamente focados em aumentar nossas vendas nos supermercados. O futuro nunca nos pareceu tão desafiador. Neste momento estamos desenhando conjecturas, analisando nossos números e buscando exemplos interessantes na concorrência e em outros mercados”.

Júpiter – São Paulo - SP  
David Michelsohn – Mestre-cervejeiro
“A Júpiter foi muito impactada pela quarentena. Também fomos impactados com a suspensão de projetos especiais. Receitas que desenvolvemos com exclusividade tiveram sua produção adiada. Bares e empórios suspenderam ou recusaram pedidos feitos. Para enfrentar essa fase, além do foco no delivery, vamos lançar dois rótulos com o Clube do Malte, que serão distribuídos exclusivamente para os assinantes”.

Landel – Campinas-SP
Samuel Faria – Sócio
“Sabemos o quão necessário é a quarentena para salvar vidas, mas, analisando a empresa, o impacto é devastador. Nosso faturamento só não caiu a zero, porque nos movimentamos internamente para nos adaptar não apenas do ponto de vista operacional (delivery e express), mas também mantendo assessoria de imprensa, publicitário, redes sociais ativas. Mas, mesmo assim, as vendas caíram mais de 70%. Agora analisamos cautelosamente linhas de crédito, para não jogar o problema para frente, o que não vai adiantar em nada”.

Los Compadres – Atibaia-SP
Camille Barioni – Sócia-diretora de marketing
“Estamos com a fábrica parada. Tivemos entre março e abril 15 eventos cancelados e estamos com faturamento zero. Vale dizer que estamos com 90% dos clientes inadimplentes, sem perspectiva de recebimento. Para minimizar, temos uma tap onde estamos trabalhando com delivery e no sistema take away. Aproveitamos também a fábrica parada para dar início a obras de ampliação, tendo em vista que foi necessário que a cozinha e a adega fossem desativadas. Os próximos meses ainda são uma incógnita”.

Madalena – Santo André - SP
Vinícius Carreira – Gerente comercial
“O impacto infelizmente foi devastador, em torno de 50% de queda. Nosso plano atual está no B2C (venda direta ao consumidor), ações de sellout nos PDVs que podem operar, como supermercados, empórios, casas de churrasco, lojas de conveniência, etc”.

Matisse – Niterói-RJ
Mário Jorge Lima – Sócio-fundador
“Tivemos redução quase total da venda para bares, grande redução nas vendas diretas, cancelamentos e adiamento de eventos, solicitações de parcelamento e postergação de pagamentos de boletos. Houve redução do faturamento em aproximadamente 60%. Priorizamos a venda direta através de delivery e interrompemos a produção. O foco maior está em testes de aprimoramento de receitas e desenvolvimento de novas. Caso a crise se prolongue por mais alguns meses, vamos intensificar os esforços na venda direta e aguardar”.

Nacional – São Paulo - SP
Beatriz Cury – Comercial e marketing
“Com o fechamento do bar, perdemos o faturamento da casa quase em sua totalidade, tanto no varejo quanto em novos negócios, que envolve eventos e venda externa de chope e cerveja. Com o aumento da demanda do delivery, o faturamento nessa área mais que dobrou, porém este valor chega perto de 10% do faturamento total da casa. Por isso, não conseguimos pagar as contas fixas que são altas. Nesse momento a ideia é manter o quadro de funcionários e minimizar, com o delivery, o impacto do prejuízo que teremos ao longo de 3 a 4 meses. Os sócios estão dispostos a manter a casa aberta apesar do cenário atual”.

Tarantino – São Paulo - SP
Gilberto Tarantino – Sócio-diretor
“Tivemos uma redução de 97% (no faturamento), freou como um ‘ABS’ nas quatro rodas, o negócio está muito complicado. A maioria dos nossos clientes fechou, os poucos que estão abertos são para delivery. Infelizmente, tivemos de fazer uma redução na equipe, com dó, com choro até. Isso foi o mais difícil até agora. O que nós estamos fazendo é acelerar nosso e-commerce, contratamos uma pessoa para fazer a venda por WhatsApp, Telegram, e estamos se virando dessa maneira. É uma coisa inacreditável o que está acontecendo no mundo”.

Three Hills – São Paulo - SP
Ivan Tozzi – Sócio-proprietário
“Tivemos nossas vendas estagnadas, já que nossos clientes pararam de comprar. Podemos dizer que em termos de vendas chegamos a zero nas primeiras semanas. Apenas o nosso e-commerce se manteve, mas também com uma diminuição nas vendas. Nosso foco se voltou para o consumidor final, fazendo ações para vendas no site, parcerias com bares para venda delivery em consignado e criando um delivery próprio nosso em São Paulo”.

X Craft Beer – São Paulo - SP
Rogéria Xerxenevsky – Sócia-proprietária
“O impacto foi de queda de 100% das vendas e aumento da inadimplência que chega a 90%. O que a gente tem tentado é justamente fazer a venda direta para os consumidores finais, porém ainda não existe uma base de dados tão certeira que possa trazer um número que venha a justificar a falta da compra pelos PDVs para manter o negócio ativo. É tentar girar o estoque, parceria com PDV ou venda direta, nós não vamos arriscar em novas produções, vamos aguardar para depois retomar”.

Wonderland Brewery – Rio de Janeiro-RJ
Chad Lewis – Sócio
“Uma estimativa de perda seria de 80% a 90% da nossa receita regular, além de todos os eventos que foram cancelados. Obviamente a receita caiu, mas tivemos a oportunidade de conversar diretamente com nossos consumidores, aprender sobre o que eles gostam e foi muito emocionante receber suas mensagens de apoio. Conversamos com bares, restaurantes e lojas parceiras, para encontrar soluções individuais para ajudá-los a passar por esse período desafiador”.

 

Fonte: Guia da Cerveja – 09/04/2020

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