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Há 20 anos o alagoano Nelson Feliciano de Melo trabalha em botecos na cidade de São Paulo. Entendido do gosto do freguês, sabe detalhar o funcionamento do mercado de bebidas; que cerveja sai mais, qual o perfil do consumidor desta ou daquela marca. Sua experiência também detectou uma tendência: bebida saudável - leia-se sem adição de açúcar - é moda sim, inclusive entre os homens. Assim como seu Nelson, a Companhia de Bebidas das Américas AmBev percebeu que é preciso estar atenta a esta categoria que, ao lado das cervejas premium, está em sua rota de investimentos. De acordo com o presidente da AmBev no Brasil, Luiz Fernando Edmond, as 30 unidades produtivas existentes hoje, mais a compra das duas fábricas da Cintra, não serão suficientes para atender a demanda da AmBev por alcoólicos e não-alcoólicos no curto prazo, o que faz com que a gigante das bebidas pense em novas fábricas. "A próxima fábrica poderá ser construída na região Norte. Alguns mercados hoje são abastecidos a partir do Maranhão e queremos aumentar a produção local. O anúncio seria feito já no próximo ano", disse Edmond, com exclusividade à Gazeta Mercantil. Edmond deixa claro, porém, que esta é uma das áreas em estudo para nova fábrica e que o investimento estaria dentro dos R$ 5 bilhões anunciados recentemente, a serem gastos nos próximos cinco anos.

Portanto, a construção de uma nova fábrica estaria concentrada entre 2008 e 2009. "Demoramos cerca de 1,5 ano para construir uma unidade. Hoje, não estamos interessados em adquirir marca. Queremos capacidade produtiva." Segundo o presidente, há ainda planos de expansão das unidades existentes no momento. "Boa parte delas permite projetos deste tipo, ou seja, oferece a possibilidade de ampliar a área. Este será um exercício para 2008", garantiu o executivo da AmBev, que foi às ruas na última semana, no projeto "Gente que vende", visitando bares. Edmond reconhece que a produção de H2OH! Hoje não é suficiente para atender toda a demanda do mercado.

Falta produto

Desde seu lançamento, em setembro de 2006, a H2OH! Vem conquistando os consumidores e ampliando o seu market share a cada mês. Segundo a ACNielsen de março, a bebida tem 29,8% entre os refrigerantes sem açúcar na Grande São Paulo, o que reforça sua liderança frente à Coca-Cola, grande rival. "Tem que pedir dez pacotes para vir três. Está sempre faltando", reclama diretamente para o presidente da AmBev, Marilena Vale Vinhares, que comanda outro bar do centro de São Paulo. Líquido criado na Argentina (onde este mercado é claramente mais desenvolvido), a H2OH! Foi adaptada no Brasil. No início, apenas uma fábrica produzia a bebida - hoje são seis. Inclusive, a utilização das fábricas da Cintra para marcas da AmBev deverá começar em 60 dias justamente com a fabricação de não-alcoólicos. O investimento nas duas unidades nas cidades de Piraí (RJ) e Mogi Mirim (SP) foi de US$ 150 milhões. "A H2OH! foi uma surpresa excepcional. No mundo, os produtos com conceito de saudabilidade vendem bem. Até mesmo na Argentina este mercado é mais desenvolvido que no Brasil. Lá, por exemplo, atuam grandes players como Danone e Pepsico. As pessoas se sentem bem tomando uma bebida sem açúcar, seja para não engordar, seja para controlar o diabetes. Tivemos sorte de sair na frente neste segmento", comemorou Edmond, ao lembrar que empresas de menor porte já estão tentando "copiar" H2OH! A respeito da Cintra, o presidente da AmBev não quis adiantar maiores detalhes sobre a marca. "Até o fim de outubro os donos têm a opção de vender a marca e os ativos de distribuição para outra companhia. Se não conseguirem, temos a opção de efetivar a compra por um preço pré-estabelecido." A AmBev prepara algumas novidades para o mercado de não-alcoólicos. A Sukita, que nunca havia sido vendida em versão light/diet, ganha a Sukita Zero, que já está nos pontos-de-venda. O refrigerante terá campanha criada pela DM9DDB. "A Sukita Zero é um produto jovem, sem aquela imagem infantil que tinha."

Outra linha que terá novidades em 2008 é a de chás, que segundo Edmond "são uma tendência". "Teremos novidades nos sabores de Lipton", disse, referindo-se provavelmente à entrada da marca em chá verde pronto para consumo. Hoje, apenas a Mate Leão, com a marca Green Tea, e a Wow! Com a Feel Good, atuam neste mercado. Ainda em não-alcoólicos, a AmBev lembra que a PepsiCo, parceira local, tem no Brasil a maior engarrafadora fora dos Estados Unidos. Para concorrer com a Coca-Cola Zero, outro produto que também vem sendo bem aceito, existe a Pepsi Max. Trata-se, neste caso, de uma disputa mundial. "Vamos reforçar os investimentos no mercado de não-alcoólicos, o que significa que estaremos mais agressivos", destacou o presidente da AmBev.

Apesar do crescimento de não-alcoólicos, a participação da AmBev em refrigerantes fica abaixo da concorrência. A companhia detém cerca de 17% de market share, sendo que 7,3% ficam com o Guaraná Antarctica (versões regular e Zero). "Estamos encontrando grandes oportunidades com o Guaraná Antarctica Zero", afirmou Edmond, ao referir-se à substituição da versão diet. Todos estes planos e lançamentos, porém, não excluem a agressividade da AmBev em cervejas. A Brahma Extra acaba de ganhar versão garrafa de 600 ml, a Bohemia Confraria, cerveja do tipo abadia que há dois anos era trabalhada como série especial, entra definitivamente no portfólio da AmBev e a Bohemia Escura passa a ser vendida também na versão em lata. O retorno da Confraria deverá ocorrer em junho ou outubro, ainda não está acertado.

"O mercado de cerveja é bastante agitado no Brasil, mas o consumo local não é tão sofisticado", disse Edmond, referindo-se às cervejas premium, que não chegam a 6% de participação total no segmento. "Estamos trabalhando lançamentos para reeducar o consumidor. De 2001 para cá a participação das cervejas premium praticamente dobrou, mas ainda tem muito potencial." Outra novidade é que a AmBev está ampliando a importação de cervejas. Mais duas levas (com cerca de três marcas cada) chegam ao País ainda este ano, agora vindas da Europa. A primeira experiência ocorreu com o Uruguai. "Neste caso não queremos fazer volume e sim abrir o mercado para o consumidor brasileiro", arrematou Edmond.

Fonte: Gazeta Mercantil – Indústria - Maio/2007

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