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O mercado de cerveja vai romper este ano no País a barreira dos 10 bilhões de litros. A retomada da rota de crescimento do setor, iniciada há dois anos, chega após quase dez anos de estagnação no patamar de 8,5 bilhões de litros e esquenta ainda mais a disputa no setor. Com a expansão das vendas, veio uma safra de bons resultados para a indústria. A líder AmBev, dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, cresceu 5,1% em volume no primeiro trimestre. A Femsa, com as marcas Kaiser e Sol, triplicou suas vendas no mesmo período. E, embora não divulguem balanços, tanto a Schincariol quanto a Cervejaria Petrópolis (Crystal e Itaipava) também conquistaram mais consumidores. Todas ainda melhoraram a rentabilidade por causa da queda do dólar, que barateia matérias-primas importadas, em especial malte, lúpulo e alumínio para as embalagens. No primeiro trimestre, o mercado cresceu 6,7%. Mas quem mais ocupou espaço, ampliando sua presença e tirando o terceiro lugar do conglomerado mexicano Femsa, foi a Petrópolis, que passou a deter 8,1% de participação de mercado em abril, segundo a ACNielsen.

O avanço da Petrópolis, porém, acendeu o sinal de alerta na concorrência e abriu a discussão sobre o rápido crescimento da companhia que, há quatro anos, tinha metade da participação atual. Entre os executivos do mercado especula-se que a eficiência das vendas nesse negócio, assim como a possibilidade de sonegação fiscal (que permitiria trabalhar com preços menores), passam necessariamente pelo sistema de distribuição. A cerveja gelada na mesa do bar é essencial para a rentabilidade desse negócio, que movimenta R$ 24 bilhões ao ano, dos quais 35% são recolhidos em forma de impostos. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja (SINDICERV), 67% da venda da cerveja acontece em bares e restaurantes, em garrafas de 600 ml. As latas, garrafas long neck e barris de chope ficam com o restante. Para quem acompanha o setor, as margens das vendas em redes varejistas são muito estreitas. Na informalidade dos botecos é que estaria o lucro. 'Com a nota para apenas uma caixa de cerveja o distribuidor entrega quatro ou cinco no boteco da periferia das cidades ou Estados menos visados pela Receita Federal', diz um consultor, que prefere o anonimato. Todas as companhias garantem que, de suas fábricas, os caminhões saem com a documentação exigida.

Os arquivos policiais estão recheados de denúncias de sonegação na distribuição de cerveja. Também são comuns boletins de apreensão de caminhões de entrega sem as notas fiscais. Em Mato Grosso, o Ministério Público formalizou no final do ano passado um pedido de instauração de inquérito a partir da investigação de denúncias anônimas contra uma dezena de distribuidores por fraude fiscal. Todas as serviço da Petrópolis. 'A Secretaria da Fazenda do Estado deu uma busca e não confirmou qualquer irregularidade', diz a promotora que coordena a investigação, Ana Cristina Bardusco. 'As filias da distribuidora Praiamar, a principal denunciada, no Estado são todas novas e apresentaram a documentação exigida. A Praiamar, da qual o presidente da Petrópolis, Walter Faria, já foi sócio, hoje está registrada na Junta Comercial de São Paulo como pertencente à empresa uruguaia Cadnell Company S.A, junto com um sócio minoritário, Roberto Luis Lopes. Faria faz questão de assegurar que trabalha com 117 revendas, todas terceirizadas.

Mudanças na distribuição

A distribuição, considerada o coração do negócio da venda de cerveja, passa por mudanças. A terceirização, recurso mais usado pelas empresas até há pouco tempo, começou a perder espaço há quatro anos, quando a AmBev assumiu a administração de mais da metade de sua distribuição. Utiliza apenas serviços de freteiros externos. 'Nos grandes centros fazemos economia de escala e temos ganhos de produtividade com essa logística', diz o diretor de trade marketing da companhia, Michel Dimitrios. 'Mas ainda mantemos cerca de 200 revendas para nos atender no interior, porque essas empresas têm conhecimento de mercado local.

Na Femsa, a distribuição se dá por meio do sistema Coca-Cola - os mexicanos detêm uma parte da operação da Coca-Cola no Brasil. Mas há 16 outras empresas independentes que engarrafam e distribuem Coca. Os executivos na Femsa evitam falar com a imprensa. Nesse caso, limitam-se a informar que a Femsa Cerveja 'está se esforçando para oferecer um portfólio de produtos que represente as demandas do consumidor'. Os concorrentes interpretam essa declaração como uma admissão subliminar de que a empresa enfrenta problemas para fazer suas cervejas chegarem ao varejo. A questão essencial está em convencer as 16 outras empresas do Sistema Coca a se empenharem em entregar as marcas Kaiser e Sol, que representam apenas 5% do seu negócio. Para contornar a dificuldade, a Femsa estaria negociando a venda de cerca de 15% da Femsa Cerveja do Brasil aos engarrafadores de Coca-Cola. A empresa não confirma nem nega a informação. A Schincariol contratou um executivo para tentar profissionalizar sua distribuição - especialmente após o escândalo da Operação Cevada, que chegou a prender boa parte da cúpula da empresa por crime de sonegação. Procurada, a empresa preferiu não falar sobre o assunto.

Fonte: O Estado de São Paulo - Economia & Negócios - Junho/2007

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